
sábado, fevereiro 24, 2007
No Torrão a tradição ainda é o que era - A queima do Entrudo
Contudo a força de tradições não diria ancestrais mas muito mais enraizadas na cultura local continua a dar cartas e a proporcionar uma genuína noite de Entrudo.
A personificação do Entrudo é feita por um boneco tipo espantalho em que um velho fato de macaco é enchido com palha e onde por vezes se colocam bombinhas de carnaval.
O cortejo fúnebre é constituido por um «padre» e um sacristão que o encabeçam, indo imediatamente atrás o Entrudo que ora vai montado num burro, ora vai sentado numa carroça, ora vai deitado num caixão tendo ao seu lado a sua viúva, atrás segue o restante séquito; os entrudos menores, os súbditos que vão acompanhar o mestre, o rei, o senhor supremo, aquele que é a razão das suas existências até ao local onde lhe será dado o seu destino final. De ressalvar que existe alguma confusão pois não se sabe ao certo se o Entrudo já vai morto ou se vai ser executado. Se é um funeral ou se a vítima, ainda com vida, vai ser mostrada a todos; se já está morto e será queimado depois de ser pendurado ou se vai ser executado na forca e de seguida incinerado. Seja como fôr, o cortejo sai à rua por volta das nove e tal da noite dando a volta à vila. É da praxe que o cortejo pare em frente de todos os cafés do Torrão e que os foliões, os entrudos, os mascarados sejam brindados com uma bebida por conta da casa. Por volta da meia-noite o grupo encaminha-se para o Largo do Cruzeiro onde uma forca de madeira espera pela sua vítima. Antes a forca era a própria cruz mas como esta ficava obviamente negra devido ao fumo e teria de ser caiada optou-se por esta nova modalidade. De referir ainda que antigamente o Entrudo não era queimado no Largo do Cruzeiro mas no Largo do Depósito e no meio da escuridão. Havia ainda o hábito de alguns se fazerem acompanhar de baldes cheios de urina e de um pincel com o qual aspergiam as portas por onde iam passando.
Já no Largo, o padre dá a derradeira «missa» onde profere um discurso em que exalta as qualidades de tão ilustre personagem e onde, em verso, satiriza algumas personalidades da vila ou acontecimentos menos felizes que tiveram lugar durante o ano.
É pena que contudo no momento do discurso a turba não permaneça em silêncio e não respeite os não-mascarados. Na verdade é pouco perceptível aquilo que é dito pois os gritos não o permitem e todos estão mais preocupados em que não lhes caia um ovo ou um balão de água em cima. A minha proposta seria pois de nos próximos anos o padre fazer o discurso munido de um megafone e de alguns elementos da organização impedirem que os restantes membros do grupo de atirar o que quer que seja e fazer com que esses mantivessem o silêncio enquanto durasse o discurso. Este deve ser maior do que aquilo que tem sido e um pouco mais original.
De qualquer forma, o discurso tem lugar depois da«besta» estar devidamente pendurada. Quando este termina é-lhe posto fogo e é aí que devem ter lugar os berros e o bombardeamento. Quando acaba de arder termina oficialmente o Entrudo, acaba o Carnaval e já não faz sentido andar mascarado; com o Entrudo feito em cinza termina também a quarta-feira de cinzas - já passa da meia-noite, já é quinta-feira.
É de lamentar que também surjam alguns arrufos de alguns que não se dão muito à brincadeira. É pena pois como se costuma dizér: é carnaval ninguém leva a mal. E mais: ou vão e se sujeitam a levar com um balão de água ou então não ponham lá os pés.
domingo, fevereiro 11, 2007
Divulgação de mensagem enviada à Junta de Freguesia do Torrão sobre assunto muito sério
Com esta acção fica dado o segundo passo. O primeiro foi dado há um ano com a inscrição dos graffitis mas como se vê não foi suficiente. Se mais esta acção não der em nada e a ameaça subsistir será dado o terceiro passo. Vamos a ver se entretanto o prédio se aguenta sem cair; sem cair em cima de um qualquer carro ou peão que por ali descontraidamente passe... à hora errada.
Ao Executivo da Junta de Freguesia do Torrão
Alertar é o objectivo desta mensagem. Na verdade só não vê quem não quer pois esta situação arrasta-se já há alguns anos. Falo do devoluto imóvel, que fica na confluência da Rua das Torres com a Rua de Beja e cuja fachada está voltada para a casa Gil, que ameaça ruir a qualquer momento. Não é necessário ser engenheiro civil para verificar que não se tratam apenas de danos superficiais mas sim de profundos danos estruturais que podem ser identificados por qualquer pessoa.Bem sei que o imóvel é propriedade privada e que, provavelmente, as Juntas de Freguesia, não têm competência para resolver estas situações mas podem e devem avisar a respectiva Câmara Municipal para esta situação para que esta possa, em conformidade, tomar as medidas que se impõem, isto é, notificar o proprietário para que proceda à demolição do imóvel em causa no mais breve espaço de tempo possivel por este representar uma bem visível ameaça à segurança pública ou, se dispôr dos necessários poderes, proceder ela mesma à demolição. Seria conveniente que numa próxima visita do Executivo camarário à nossa vila ela fosse confrontada com esta situação para que pudesse in loco verificar com os seus próprios olhos... como se um dos vereadores não o soubesse bem demais ou não fosse ele do Torrão... É de todo desejável resolver este problema quanto antes para que se evitem males maiores, uma potêncial tragédia. Depois que não se venha dizer que foi azar como se verifica por aí quando há acidentes semelhantes. Quero crer que esta mensagem não vá cair em saco roto. Com esta, o meu único objectivo é, sem pretenções, ajudar a Junta a identificar e melhor resolver alguns dos problemas mais prementes da nossa freguesia.
Grato pela atenção. Os melhores cumprimentos
do Paulo Selão
Nota: Envio em anexo algumas fotos que certamente elucidarão melhor quem ler esta mensagem.
sábado, fevereiro 10, 2007
O Moirão
sábado, fevereiro 03, 2007
O moinho do Jaliz
domingo, janeiro 21, 2007
Nesta terra não há nada que resista V
À entrada... uma estrumeira. Pois é, uma lixeira a decorar a entrada.
Esta foto é importante. Estamos a meio de Janeiro. Observai o portal. Tem os três balaustres intactos; resta saber por quanto tempo. Daqui a uns meses voltaremos à carga. Mas porquê esta questão?
Um caco de barro em cima da cinza. Vestigios de algo que foi escavacado...
Mais vestigios de algo que foi rebentado. São mais balaustres. Estes serão de onde?
sábado, janeiro 20, 2007
Torrão - Paisagens bucólicas de uma vila no coração do Alentejo - An amazing landscape
Da varanda da ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso tem-se uma visão fantástica da paisagem tipicamente alentejana. Nesta imagem consegue-se vislumbrar a Horta dos Passarinhos em pano de fundo.
O sino da ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Mais uma bela imagem da paisagem alentejana vista do mesmo local mas de ângulo diferente. Aqui o Monte das Cruzinhas em pano de fundo.
Mais uma tipicamente alentejana.
Aqui em perspectiva mais alargada. Na estrada que liga o Torrão às Alcáçovas e a Évora. Perto daqui está-se nos limites do concelho de Alcácer do Sal e obviamente da freguesia do Torrão. É também perto daqui que acaba o distrito de Setúbal e começa o distrito de Évora e também é nestas proximidades que acaba o Baixo Alentejo. Neste ponto já nos encontramos no Alto Alentejo.

A estrada que dá acesso à Herdade de Vale Lameira. Ao fundo o açude com idêntico nome. Já agora, pode visitar o blog: www.herdadevalelameira.blogspot.com.
domingo, janeiro 07, 2007
Dia de Reis, dia de nevoeiro - o regresso do Rei?
Espero que este nevoeiro seja um bom pernuncio, o pernuncio não do regresso d´el Rei D. Sebastião mas do regresso da alma lusa, da portugalidade a Portugal.
Este fenómeno proporciona imagens de rara beleza no entanto o nevoeiro não é suficientemente denso para ocultar a negritude que infelizmente cobre a torre e as partes mais altas da igreja Matriz.
Esta imagem mostra o véu de névoa sobre a vila.
Esta foto não deixa duvidas sobre o manto de nevoeiro que cobriu a vila no dia de ontém. Para além do espectro fantasmagórico da árvore e de algumas casas pouco mais se consegue enxergar da vila a partir deste ponto - o pulpito exterior da igreja Matriz que dá acesso á porta da sacristia e que está virado para o largo da Matriz.
Se o nevoeiro não se dissipou de dia não seria certamente à noite que iria partir. Noite dentro a humidade do ar era elevada. Já não era nevoeiro mas uma densa e muito húmida cacimba. Este dia foi de nevoeiro mas definitivamente não foi dia de calmeiro.




