segunda-feira, março 07, 2011
sábado, março 05, 2011
Por estas e outras é que...
NÃO PODEMOS FALTAR. BORA LÁ.

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.
Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.
Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.
Baratinho este Cavaco

A mim nunca ele me enganou!
É óbvio que a Monarquia é bem mais cara que a República. Só não vê quem não quer.
Não admira que eles gostem tanto de República. PUDERA!
quarta-feira, março 02, 2011
Gasolina: preços históricos e decisões maradas
É a ver notícias destas e esta em particular que me leva a pensar para com os meus botões: Porque raio há-de ter a Junta de Freguesia do Torrão uma carrinha (Peugeot) a gasolina? Quem teria sido o génio que decidiu ou sugeriu tal veículo isto quando a gasolina sempre foi mais cara que o gasóleo? E ainda por cima é carrinho que não se contenta com pouco...
Por seu turno, já a carrinha Ford adquirida pelo actual Executivo é a gasóleo e bem mais económica. Um decisão sensata e uma boa decisão. O dinheiro dos contribuintes, e o meu em particular, não pode ser esbanjado de qualquer maneira. É isto que nós temos de ver e reivindicar. Por isso eu digo para todos participarem. É um erro crasso desprezar a política como se viu na recente Assembleia Municipal que eu aqui relatarei. De mim todos sabem o que os espera. Chama-se a isso Democracia!
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
sábado, fevereiro 26, 2011
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
É preciso ajudar o povo líbio rapidamente e em força
A Bandeira do Reino da Líbia é a bandeira empunhada pelos manifestantes anti-Khadafiquarta-feira, fevereiro 23, 2011
Poderá o Torrão retirar vantagens do futuro IC33?
As principais actividades económicas do Torrão são a agricultura, a pecuária e a industria de panificação bem como a construção civil, serralharia e carpintaria.
Localização geográfica do Distrito de Setúbal
Localização geográfica da Freguesia do Torrão em relação ao concelho a que pertence
O Torrão como zona de charneira
Mapa que procura demonstrar a importância estratégica da Freguesia do Torrão
O projecto IC33
Há cerca de doze anos que o tema IC33 começou a constar da agenda política local, nomeadamente da parte do Partido Socialista. O Itinerário Complementar Nº33, vulgo IC33 é uma via que irá ser concebida com o propósito principal de establecer uma ligação rodoviária entre o litoral e o interior sul do país e de proporcionar o reforço das acessibilidades regionais bem como - e isso é mais importante - de permitir o reforço das ligações entre o Porto de Sines e a Península Ibérica e restante Europa, contribuindo para alargar de forma relevante a área de influência deste porto, cujas especificidades já foram referidas anteriormente.
Integrado no Plano Rodoviário Nacional 2000 (PRN 2000) e integrando a Rede Rodoviária TransEuropeia (E82), o IC33, ao permitir a ligação referida entre o litoral e o interior sul bem como a conexão com Espanha e consequentemente com o resto da Europa, nomeadamente por parte do Porto de Sines, assume uma importância estratégica regional, nacional e de abertura à Europa significativa e não desprezável.
De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, o troço a ser construido será um corredor com 14 metros de largura que engloba duas vias e terá uma extensão de 70Km com início nas próximidades de Grândola e terminando nas próximidades de Évora.
O mesmo estudo, que divide o troço em três trechos prevê que a construção demore mais ou menos dois anos por trecho e cerca de três a quatro anos a sua totalidade.
Relativamente a postos de trabalho, o estudo prevê a criação, na fase de construção, de cerca de trezentos e na fase de exploração cerca de quarenta postos de trabalho nas áreas da limpeza e manutenção da via. Prevê-se ainda que esta via tenha um tráfego de aproximadamente quatro mil viaturas por dia.
Estudo de Impacto Ambiental - Mapa 1
Uma via, duas soluções
O Estudo de Impacto Ambiental, divide, como se disse, o trajecto em três trechos (para o caso vamos apenas nos debruçar sobre o trecho 2 por ser o que engloba a Freguesia do Torrão) e contempla duas soluções denominadas A e B.
Relativamente à passagem pela Freguesia do Torrão, o futuro traçado seja na versão A seja na versão B interceptará a ER2 no troço Torrão-Odivelas e a EN 383 no troço Torrão-Vila Nova da Baronia.
Qual a solução que melhor serve os interesses do Torrão?
O estudo aponta para um custo, relativamente à solução A, de 119.200.000 € e, relativamente à solução B, de 91.300.000 €. Para além disso, embora o estudo preveja várias combinações de alternativas por trechos, a Assembleia Municipal de Alcácer do Sal, em ofício enviado a várias entidades, identificou a ausência da combinação de alternativa B-(A, A1, A)-B sublinhando a preferência pela solução A por ser aquela que mais favorecerá não só o Torrão mas também Alcáçovas não prejudicando Vila Nova da Baronia nem Odivelas.
Na verdade, a intercepção do futuro IC33 com a ER 2, na versão A, distará apenas aproximadamente 4,5 Km do Torrão, em particular da intercepção da Rua de Beja (ER2) com a Rua da Estalagem enquanto na versão B distará aproximadamente 10,5 Km. Quanto à intercepção com a EN 383 a solução A prevê que esta se situe a cerca de 5 Km do Torrão, mais concretamente do campo de Futebol do Torino Torranense enquanto a alternativa B implica que esta se situe a cerca de 9,5 Km. Tanto num caso como noutro, as imagens seguintes retratam os pontos de intercepção referidos.
Ainda de acordo com a Assembleia Municipal, baseando-se no estudo, a solução B surge como a mais desiquilibrada do ponto de vista ambiental nomeadamente no que respeita ao movimento de terras e constituição de aterros. Por fim, este órgão autárquico alerta que a adopção da solução B irá afectar várias explorações agricolas, nomeadamente a Herdade das Soberanas, zona de importante produção vitivinícola reconhecida em todo o mundo como o demonstram os vários prémios arrecadados.
Por fim, também a Junta de Freguesia do Torrão, em concertação com os demais órgãos autárquicos, não deixou de se pronunciar sobre o assunto e em missiva dirigida à Estradas de Portugal usou como principal argumento o facto da construção do IC33 ter na sua génese a razão deste vir a complementar a A2 e o IP2 que já servem aglomerados populacionais nas imediações procurando ainda sensibilizar para o facto da freguesia vir a ter oportunidade de almejar o desenvolvimento da sua economia tendo para tal de estar servida de acessibilidades rodoviárias adequadas defendendo ainda que só a solução A trará manifestamente mais valias ao nível da mobilidade local, regional, nacional e até mesmo internacional o que beneficiará muito a região.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Nesta terra não há nada que resista VII
Sinais dos tempos
Reportagem que dá conta das convulções e indefinição que vive o Médio Oriente. O mundo árabe vive numa encruzilhada entre o caminho rumo à democracia plena e o caminho rumo ao extremismo e ao fundamentalismo. Aqueles que de facto buscam a democracia terão que estar vigilantes pois as pulsões e tentações extremistas existem e devem ser levadas em linha de conta.
Assembleia Municipal reune no Torrão
domingo, fevereiro 20, 2011
Alcácer: Praticante de caiaque resgatado por helicóptero
Entretanto por cá
E nós? Quando é que gritaremos: BASTA?
No fim dos anos oitenta foi na Europa de Leste
É que não nos podemos esquecer que:
Por essa Europa fora, o carácter assassino do comunismo é um facto. O comunismo não matou devido à maldade de Estaline. O comunismo matou, porque esse sistema exige a morte dos adversários. Para espanto dos bifes, isto ainda causa polémica em Portugal.
Boletim meteorológico para o mundo árabe
A nota principal a ser levada em linha conta acerca dos últimos acontecimentos políticos no mundo árabe é de que invariávelemente e de forma categórica e convicta os povos do Médio Oriente estão a obrigar os regimes autocráticos que os têm oprimido durante décadas a «transigências que rebaixam e a violências que comprometem». E isto é um facto inegável. Quando a paciência se esgota...quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Mau tempo assola Concelho de Alcácer do Sal
terça-feira, fevereiro 08, 2011
Só por curiosidade...
E agora pergunto eu: Qual a utilidade e as competências de um ex-PR para dispender isto tudo?
Agora multiplique-se por três mais o que gasta o no activo...
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
domingo, fevereiro 06, 2011
Já por outro lado...
São uns belos moços não são?
Como é que o outro dizia? Ah, que os presidentes defendem melhor a soberania do povo. Claro que sim! Eu digo mesmo mais: defendem melhor a soberania e o bem-estar do povo mesmo à custa do seu sacrifício pessoal.
Assim é que é falar. O resto é musica.
Números dourados
A fortuna acumulada por Hosni Mubarak, Presidente do Egipto desde 1981, rondará os 45 mil milhões de euros, valor que corresponde ao intervalo de 50-70 mil milhões de dólares estimados por fontes da ABC News. O pé-de-meia acumulado por Mubarak, pela mulher e dois filhos, estará depositado em bancos fora do Egipto, supostamente no Reino Unido e na Suíça.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Tomai
Cairo escaldante Cairo
Veremos até onde escaldará. Que ninguém duvide que ali de facto se joga o «xadrêz mundial». Não esqueçamos que é o Egipto quem controla o Canal do Suez, um ponto geo-estratégico fundamental o que faz do país dos faraós um país chave. Quem controlar o Egipto controla o Canal do Suez e quem controla o Canal do Suez tem a chave mestra da economia mundial nas mãos. O grande medo? A emergência do fundamentalismo islâmico. Quem dará o xeque-mate?
Uma música inspiradora dos míticos Táxi com uma roupagem moderna...
terça-feira, fevereiro 01, 2011
1 de Fevereiro, o Dia Nacional da Infâmia
É este «acto glorioso» o tiro de partida para a imposição de uma república a um povo a quem há um século lhe tem sido negado o direito de se pronunciar sobre a mesma por via democrática.
O relato do atentado para quem o viveu de forma trágica
Notas absolutamente íntimas
Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas íntimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pai e o meu tão querido Irmão. Isto que aqui escrevo é ao correr da pena mas vou dizer francamente e claramente e sem estilo tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que eu faço a mim mesmo. Como isto é uma história íntima do meu reinado vou iniciá-la pelo horroroso e cruel atentado.
No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Majestades El-Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia e Sua Alteza o Príncipe Real de Vila Viçosa onde ainda tinha ficado. Eu tinha vindo mais cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de preparação para a Escola Naval. Tinha ido passar dois dias a Vila Viçosa tinha regressado novamente a Lisboa.
Na capital estava tudo no estado de excitação extraordinária: Bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro em que houve uma tentativa de revolução a qual não venceu. Nessa tentativa estava implicada muita gente: foi depois dessa noite de 28, que o Ministro da Justiça Teixeira de Abreu levou a Vila Viçosa o famoso decreto que foi publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter sido publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter sido publicado nesse dia aniversário da Revolta do Porto. Meu Pai não tinha vontade nenhuma de voltar a Lisboa. Bem me lembro que eu estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pai quis ficar em Vila Viçosa: minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na véspera ou no próprio dia que eu regressei a Lisboa depois de ter estado dois dias em Vila Viçosa. «Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro.»
Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa Vontade Meu Deus!
Mas voltando ao tal decreto de 31 de Janeiro. Já estavam presas diferentes pessoas políticas importantes:
António José de Almeida, republicano e antigo deputado, João Chagas, republicano, João Pinto dos Santos, dissidente e antigo deputado; Visconde da Ribeira Brava e outros. Este António José de Almeida é um dos mais sérios dos republicanos e é um convicto, segundo dizem.
João Pinto dos Santos, é também um dos mais sérios do seu partido, o Visconde da Ribeira Brava não presta para muito e tinha sido preso com as armas na mão no dia 28 de Janeiro. Mas o António José de Almeida e J. Pinto dos Santos não podiam ter sido julgados senão pela Câmara como deputados da última Câmara. Ora creio que a tenção do Governo era mandar alguns para Timor tirando assim por um decreto ditatorial um dos mais importantes direitos dos deputados.
O Conselheiro José Maria de Alpoim, par do Reino e chefe do partido dissidente, tinha tido a sua casa cercada pela polícia mas depois tinha fugido para Espanha. Um outro dissidente também tinha fugido para Espanha e lá andou disfarçado. Outro que tinha sido preso foi o Afonso Costa: esse é o pior do que existe não só em Portugal mas em todo o Mundo; é medroso e covarde, mas inteligente e para chegar aos seus fins qualquer pouca vergonha lhe é indiferente.
Mas isto tudo é apenas para entrar depois mais detalhadamente na história íntima do meu reinado.
Como disse mais atrás eu estava em Lisboa quando foi o 28 de Janeiro; houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!
Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908, sábado.
De manhã tinha eu tido o Marques Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde de Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez o «Tristão e Isolda» de Wagner em S. Carlos. Na véspera tinha estado tocando a 4 mãos com o meu querido Mestre Alexandre Rey Colaço o «Séptuor» de Beethoven, que era e é uma das obras que mais aprecio deste génio musical. Depois de almoço à hora habitual quer dizer a 1 3/4 comecei a minha lição com o Padre Fiadeiro. A hora do Fontoura era às 5 1/2. Acabei com o Fontoura às 3 horas e pouco depois recebi um telegrama da minha adorada Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa Branca, mas que não tinha acontecido nada, mas que vinham com três quartos de hora de atraso. Vendo que nada tinha acontecido dei Graças a Deus, mas nem me passou pela mente como bem se pode calcular o que havia de acontecer. Agora pergunto-me eu. Aquele descarrilamento foi um simples acaso? Ou foi premeditado para que houvesse um atraso e se chegasse mais tarde? Não sei. Hoje fiquei em dúvida. Depois do horror que se passou fica-se duvidando de muita coisa. Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num landau com o Visconde de Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Majestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. na estação estava muita gente da Corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra, Vasconcelos Porto, talvez o ministro de quem eu mais gostava no Ministério de João Franco. Disse-me que tudo estava bem. Esperámos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham meus Pais e meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até à porta onde entrámos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda a meu pobre Pai. O meu chorado Irmão diante do meu Pai e eu diante da minha Mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguém neste mundo pode calcular, não, sonhar o que foi. Creio que só a minha pobre e adorada Mãe e eu podemos saber bem o que isto é!
Vou agora contar o que se passou naquela histórica Praça.
Saímos da estação bastante devagar. Minha Mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa Branca quando se ouviu o primeiro tiro no meio do Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem dúvida o sinal: sinal para começar aquela monstruosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o sinal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz numa batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra nesse caminho dá-se um sinal e começa o fogo! Infames!
Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José e vi um homem de barba preta, com um grande gabão. Vi esse homem abrir a capa e tirar a carabina. Eu estava tão longe de pensar num horror destes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado de exaltação em que isto tudo estava «que má brincadeira». O homem saiu do passeio e veio se pôr atrás da carruagem e começou a fazer fogo.
Faço aqui um pequeno desenho para mesmo me ajudar.
1) Estátua de D. José
2) sítio onde estava o Buíça, o homem de barbas
3) lugar onde começou a fazer fogo
4) sítio aproximadamente onde devia estar a carruagem real quando o homem começou a fazer fogo
5) portão do Arsenal
6) Praça do Pelourinho
7) sítio aproximadamente donde saiu o tal Costa que matou meu Pai
Quando vi tal homem de barbas, que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente, o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou. Só Deus minha Mãe e eu sabemos; porque mesmo o meu querido e chorado Irmão presenceou poucos segundos porque instantes depois também era varado pelas balas. Que saudades meu Deus! Dai-me a força Senhor para levar esta Cruz, bem pesada, ao Calvário! Só vós, Meu Deus sabeis o que tenho sofrido!
Logo depois do Buíça ter feito fogo (que eu não sei se acertou) começou uma perfeita fuzilada, como numa batida às feras! Aquele Terreiro do Paço estava deserto nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco. Se durante o seu ministério sobretudo na parte da ditadura cometeu erros isso para mim é menos. Tenho a certeza que a sua intenção era muito boa; os meios é que foram maus, péssimos, pois acabou da maneira mais atroz que jamais se poderia imaginar. Quando se lhe dizia que isto ia mal que havia anarquistas no nosso País ele não acreditou.
O primeiro sintoma que eu me lembro de ter havido foi a explosão daquelas bombas na Rua de Santo António à Estrela. Recordo-me perfeitamente a impressão que me fez quando soube! Foi no Verão estávamos então na Pena. Quem me diria o que havia de acontecer 6 ou 8 meses depois! Mas voltando novamente ao pavoroso atentado.
Sei de um dos comandantes da polícia o Coronel Correia estava muito inquieto e o João Franco não acreditava que pudesse ter lugar qualquer coisa desagradável, quanto menos um horror destes, e infelizmente não estavam tomadas providências nenhumas.
Imediatamente depois do Buíça começar a fazer fogo saiu de debaixo da Arcada do Ministério um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa sobre o meu Pai; uma das balas entrou pelas costas e outra pela nuca, que O matou instantaneamente. Que infames! para completarem a sua atroz malvadez e sua medonha covardia fizeram fogo pelas costas. Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembra-me perfeitamente de ver a minha adorada e heróica Mãe de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados animais, porque aqueles não são gente «infames, infames».
A confusão era enorme. Lembra-me também e isso nunca poderei esquecer, quando na esquina do Terreiro do Paço para a Rua do Arsenal, vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem com uma pistola na mão. Só digo d’Ele o que o Cónego Aires Pacheco disse nas exéquias nos Jerónimos: «Morreu como um herói ao lado do seu Rei»! Não há para mim frase mais bela e que exprima melhor todo o sentimento que possa ter.
Meu Deus que horror! Quando penso nesta tremenda desgraça, ainda me parece um pesadelo!
Quando de repente já na Rua do Arsenal olhei para o meu queridíssimo Irmão vi-O caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda de onde o sangue jorrava como de uma fonte! Tirei um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue: mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja:
No meio daquela enorme confusão estava-se em dúvida para onde devia ir a carruagem: pensou-se no hospital da Estrela, mas achou-se melhor o Arsenal.
Eu também, já na Rua do Arsenal fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e um pouco uma chicotada: foi na parte superior do braço direito.
Agora que penso ainda neste pavoroso dia e no medonho atentado parece-me e tenho quase a certeza (não quero afirmar porque nestes momentos angustiosos perde-se a noção das coisas) que eu escapei por ter feito um movimento instintivo para o lado esquerdo.
Na segunda carruagem vinham os Condes de Figueiró e o Marquês de Alvito e na terceira o Visconde de Asseca, o Vice-Almirante Guilherme A. de Brito Capelo e o Major António Waddington. Quando vínhamos a entrar o portão do Arsenal a Condessa de Figueiró entrou também na nossa carruagem e lembra-me que o Visconde de Asseca e o Conde de Figueiró vinham ao lado da carruagem. Dentro do Arsenal saí da carruagem primeiro e depois a minha adorada Mãe.
Foi verdadeiramente um milagre termos escapado: Deus quis poupar-nos! Dou Graças a Deus de me ter deixado a minha Mãe que eu tanto adoro. Sempre foi a pessoa que eu mais gostei neste mundo e no meio destes horrores todos dou e darei sempre graças a Deus de me A ter conservado!
Quando a Minha adorada Mãe saiu da carruagem foi direita ao João Franco que ali estava e disse-lhe ou antes gritou-lhe com uma voz que fazia medo «Mataram El-Rei: Mataram o meu Filho». A minha pobre Mãe parecia doida. E na verdade não era para menos: Eu também não sei como não endoideci.
O que então se passou naquelas horas no Arsenal ninguém pode sonhar! A primeira coisa foi que perdi completamente a noção do tempo. Agarrei a minha pobre e tão querida Mãe por um braço e não larguei e disse à Condessa de Figueiró para não a deixar.
Contudo ia entrando muita gente da Casa, diplomatas, os ministros e mesmo ministros de Estado honorários.
Estava-se ainda na dúvida (infelizmente de pouca duração se ainda viviam os dois entes tão queridos! Estavam lá muitos médicos entre outros o Dr. Bossa (que me parece foi o primeiro que chegou) o Dr. Moreira Júnior e o Dr. D. António Lencastre. Contou-me depois (já alguns dias depois) o Dr. Bossa que logo que chegou acendeu um fósforo e ainda as pupilas se retraíram. Quando porém repetiu a experiência nem mesmo esse pequeno sinal de vida lhe restava.
Descansa em paz no sono Eterno e que Deus tenha a Tua Alma na sua Santa Guarda!
De meu Pai e mesmo meu Irmão não tinha grandes esperanças que pudessem escapar. As feridas eram tão horrorosas que me parecia impossível que se salvassem. Como disse já lá estava o Ministério todo menos o Ministro da Fazenda Martins de Carvalho.
Isso é que nunca poderei esquecer é que fazendo parte do Ministério do meu querido Pai quando foi assassinado não foi ao Arsenal! Diz-se (não o quero afirmar) que fugiu para as águas-furtadas do Ministério da Fazenda e ali fechou a porta à chave! seja como for há agora seis meses que Meu Pai e Meu Irmão de chorada memória foram assassinados e nunca mais aqui pôs os pés! Acho isso absolutamente extraordinário!… para não dizer mais.
Preveniu-se para o Paço da Ajuda a minha pobre Avó para vir para o Arsenal. Eu não estava quando Ela chegou. Estavam-me a tratar o braço na sala do Inspector do Arsenal.
Quando a Avó chegou foi direita à minha Mãe e disse-lhe «On a tué mon fils!» e a minha Mãe respondeu-lhe: «Et le mien aussi!» Meu Deus dai-me força.
Mas antes disto houve diferentes coisas que quero contar.
A minha pobre e adorada Mãe andava comigo pelo Arsenal de um lado para o outro com diferentes pessoas: Conde de Sabugosa, Condes de Figueiró, Condes de Galveias e outros falando de sempre num estado de excitação indescritível mas fácil de compreender. De repente caiu no chão! Só Deus e eu sabemos o susto que eu tive! Depois do que tinha acontecido veio aquela reacção e eu nem quero dizer o que primeiro me passou pela cabeça.
Depois vi bem o que era: o choque pavoroso fazia o seu efeito! Minha Mãe levantou-se quase envergonhada de ter caído. É um verdadeiro herói. Quem dera a muitos homens terem a décima parte da coragem que a minha Mãe tem.
Tem sido uma verdadeira mártir! O que eu rogo a Deus sempre e a cada instante é para m’A conservar!
Pouco tempo depois de termos chegado ao Arsenal veio ainda o major Waddington dizendo que os Queridos Entes ainda estavam vivos; mas infelizmente pouco tempo depois voltou chorando muito. Perguntei-lhe «Então?» Não me respondeu. Disse-lhe que tinha força para ouvir tudo. respondeu-me então que já ambos tinham falecido! Dai-lhes Senhor o Eterno descanso e brilhe sobre Eles a Vossa Luz Eterna Ámen!
Pouco depois vi passar João Franco com o Aires de Ornelas (Ministro da Marinha) e talvez (disso não me lembro ao certo) com o Vasconcelos Porto, Ministro da Guerra, dirigindo-se para a Sala da Balança para telefonarem que se tomassem todas as previdências necessárias. São isto cenas, que viva eu cem anos, ficarão gravadas no meu coração. Agora já era noite o que ainda tornava tudo mais horroroso e sinistro: estava já então muita gente no Arsenal, e principiou-se a pensar no regresso para o Paço das Necessidades. No presente momento em que estou escrevendo estas linhas estou repassando com horror, tudo no meu pensamento! Entrámos então para o landau fechado, a minha Avó, minha Mãe e o Conde de Sabugosa e eu. Saímos do Arsenal pelo portão que deita para o Cais do Sodré onde estava um esquadrão da Guarda Municipal comandado pelo Tenente Paul: Na almofada ia o Coronel Alfredo de Albuquerque: à saída entregaram ao Conde de Sabugosa um revólver; minha Avó também queria um.
Viemos então a toda brida para o Paço das Necessidades. À entrada esperavam-nos a Duquesa de Palmela, Marquesa do Faial, Condessa de Sabugosa, Dr. Th. de Mello Breyner, Conde de Tattenbach, Ministro da Alemanha e a Condessa, e muitos criados da casa. Foi uma cena horrorosa! Todos choravam aflitivamente. Subimos muito vagarosamente a escada no meio dos prantos e choros de todos os presentes. Acompanhei a minha pobre e adorada Mãe até ao seu quarto e deixei a minha pobre Avó na sala.
Excerto do "Diário de Dona Amélia de Orleães e Bragança", onde a Rainha lamenta o desaparecimento trágico de S.M., O Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luiz Filipe.
Lisboa, Palácio das Necessidades
Sábado, 1 de Fevereiro de 1908
Escrever. Escrever para não gritar. Para não perder a razão - sim, para não perder a razão. Para expulsar, por um instante que seja, as terríveis imagens deste dia, e suportar o longo horror desta noite, a primeira de todas as que estão para vir.
Escrevo para mim. Escrevo para não enlouquecer, (...) mas a Rainha de Portugal não se entrega à loucura. Ela cumpre o seu dever, ou morre como morreu hoje o Rei de Portugal, Dom Carlos I, como morreu hoje o Príncipe Herdeiro, Dom, Luiz Filipe, como Ela própria deveria ter morrido sob as balas dos assassinos.
Meu Deus, porque permitiste que matassem o meu Filho? Protegi-o com todo o meu corpo, expus-me aos tiros, quis desesperadamente que eles me trespassassem a mim. E bastou uma única bala para destruir o rosto do meu filho. (...)
A dor cobriu tudo. Esvaziou-me o Espírito. As recordações desapareceram, estou incapaz de chorar. Inerte. (...)
Preciso de continuar a escrever até que o dia rompa, em vez de deixar que os pesadelos me invadam num sono inquieto. É preciso descrever a realidade, mais cruel do que o pior dos pesadelos.
domingo, janeiro 30, 2011
Quem avisa...
Já aqui se diz que: «Pronto, os americanos querem-se desembaraçar de Mubarak, o homem que ao longo de trinta anos foi um "close ally" e um "best friend" em todas as campanhas militares - feitas em nome da democracia, claro - que os states desencadearam contra as "forças do mal". Não se pode, decididamente, confiar num aliado que trai as mais elementares expectativas, que entrega os amigos protegidos à maré vindicativa e limpa as mãos sem uma molécula de remorso».
Decididamente, não são de confiança.
sábado, janeiro 29, 2011
Eu desbloqueei

Ao contrário do comunismo, no entanto, a república não é um caso de tão grave falhanço. Provas disso são repúblicas como a Finlândia ou a Alemanha que funcionam lindamente. Ou os Estados Unidos que, mesmo com falhas, têm o regime que ao seu povo se adequa. E é nesta adequação do povo que está a chave do sucesso. Cada povo, seu regime. Cada povo sua história.
Se me perguntarem se, teoricamente, eu acho que é mais justo votar-se em alguém do que ver alguém aclamado? Acho que é muito mais justo votar! Sem dúvida! Mas, em Portugal, não funciona na prática. É muito bonito, é uma ideia fantástica, mas não; já provou, bem provado, que, no nosso cantinho à beira mar, não funciona!
Então, qual a solução? A questão de os monárquicos mencionarem a monarquia como solução está no facto de que 100 anos de república (com 3 repúblicas distintas) já provaram que, a república, não funciona. E, se nos dermos ao trabalho de ler livros (não escolares) da História de Portugal, apercebemo-nos que, durante a Monarquia Constitucional, Portugal, mesmo estando numa crise devido a uma série de factores externos e internos (interno esse sendo o facto de sermos constitucional há pouco tempo) estava a crescer. Portugal estava na média da Europa e a crescer, a nível financeiro e democrático e continuava português. Seguia uma governação que era a nossa identidade, e não uma, como agora, que se identifica com os franceses e não com os portugueses. Veio a I República e começámos numa decadência brutal a todos os níveis (democráticos, de valores, financeiro). A II República (Estado Novo) levantou-nos a nível financeiro e recuperou alguns valores, mas democraticamente batemos no fundo e em termos de patriotismo foi-se perdendo mais. A III República é uma podridão! Fora o "sufrágio universal"- que por si só não constrói a democracia, e ao qual as pessoas nem ligam por aí além, basta ver os números da abstenção - não temos mais nada. Financeiramente estamos na cauda da Europa, democraticamente também, a nível de valores nem falar, a nível de patriotismo só piora. Foi aqui que chegámos em 100 anos. Desculpabilizar a república é atirar areia para os olhos, negar o nosso passado e permanecer no erro.
Se a monarquia é perfeita? Não! Claro que não é. E não irão ouvir nenhum monárquico, minimamente realista, a afirmar o contrário. No entanto, segundo o índice de países com melhores níveis democráticos, social e de estabilidade, os 2 primeiros são monarquias e nos 10 primeiros, 6 deles são monarquias. Claro que também os há com falhas, mas se formos comparar com a república, esta última perde e em muito (e se comparássemos a nível percentual então a diferença era ainda mais brutal, pois existem muito mais repúblicas que monarquias). Mas cada país sua sentença. Jamais eu diria que a monarquia funcionaria, por exemplo, nos Estados Unidos, assim como a república não ia funcionar no Reino Unido. Portugal é mais monárquico na forma como funciona, na mentalidade, na "portugalidade", do que republicano. Infelizmente foi feita uma grande "lavagem cerebral" aos portugueses durante 1 século e as pessoas, mesmo olhando, verificando que isto está mal (muito mal), vendo que até esteve melhor na monarquia, percebendo que a estabilidade política na monarquia é muito maior, etc., não conseguem desbloquear o preconceito contra a ideia monárquica. Eu desbloqueei. Como afirmei anteriormente, teoricamente a república é muito mais justa, assim como por exemplo, teoricamente o comunismo é fantástico. Na prática não funcionam, e não nos podemos guiar por ideias teóricas; temos de perceber o que funciona na prática e libertarmo-nos de preconceitos para levar as coisas a bom porto.
Creio que o problema essencial dos portugueses está na falta de "sermos portugueses", na falta de orgulho, na falta de interesse e na falta de patriotismo. Isso afecta a nossa forma de ser e os nossos valores (entrando também estes em falta). Todas estas faltas afectam o estado democrático e a crença no mesmo. A meu ver faltam-nos líderes. Faltam-nos símbolos nos quais nos apoiemos e que nos unam num só objectivo e no amor à pátria. Uma coisa leva à outra. Um povo seguro e orgulhoso de si não deixa que o pisem, não fica desmotivado e luta pelo que quer. Isso, eu creio, tenho a convicção, que era mais fácil alcançar com um rei imparcial, que funcionava como símbolo, líder e união, do que com um presidente tão parcial como qualquer outro político, porque enquanto um presidente, por exemplo social-democrata, tem tendência de beneficiar sempre o PSD, um socialista sempre o PS, não permitindo uma imparcialidade política, o rei tem essa imparcialidade e o que influencia é por crença pessoal e não por dever alguma coisa a alguém. Porque ele já nasceu rei, não chegou lá com favores de ninguém. É-o naturalmente e, naturalmente, e sem interesses, exerce essa função.
Todos concordamos que isto está mal mas, dentro da república, qual a saída que encontramos? Outra revolução? Eu francamente acho que nos faria mal outra revolução porque os problemas não se resolvem de armas na mão (isso é como tratar uma perna partida com analgésico...) ...Pela democracia? E como? Votando em quê e em quem? Alertando e consciencializando os 90% de portugueses que se estão a borrifar e à espera que "o outro" solucione as coisas? - Sim, este seria o caminho - alertar e consciencializar esses 90% de apáticos, desmotivados, desmoralizados, desportuguesados que cá andam. E como fazemos isso? Como fazemos isso na nossa actual república?
Não podemos esperar 20 anos para que as consciências despertem, Portugal não tem 20 anos. Portugal tem 4 ou 5 (se tiver). É neste contexto que o facto de se alterar a constituição permitindo um referendo para a monarquia pode, rapidamente, consciencializar as pessoas. O facto de aparecer um referendo (e nem é preciso que a monarquia ganhe e se mude de regime), pode fazer com que a mente apática de grande parte das pessoas desperte. Seja porque não querem a monarquia e, como tal, têm de discutir o que está mal na república e exigir essa mudança, seja porque querem a monarquia e, como tal, vão escarafunchar no que está mal na república para mudar mentalidades. Seja por que motivo for era bom um referendo, e era bom que a comunicação social desse mais voz aos monárquicos porque eles, aparentemente, são os únicos que não se limitam a levantar a voz para criticar, também a levantam para apresentar soluções. Essa voz devia ser ouvida, mas ouvida provocando o "medo" republicano e a esperança monárquica. Quer se mudasse ou não, esse temor ou esperança de que, o que temos pode não ser eterno, dariam novo folgo à mentalidade. Agora, o outro caminho que vejo é o silencioso. O daqueles que, não conseguindo mudar as mentalidades à velocidade necessária, agarram em armas e tomam o poder pela ditadura e só nos enterram mais (porque, eventualmente, a apatia e o "desaportuguesamento" vão continuar).
Os portugueses, na verdade, já não se identificam com o que temos, mas também têm medo da monarquia porque lhes fizeram imagens de monstros que vivem à custa do povo em palácios e, como tal, também não se identificam com ela (apesar de ser isso o que, na verdade, têm, mas na república). Estamos com uma crise imensa de identidade e não creio que o caminho seja permanecer aqui a tentar mentalizar as pessoas, e sim pegar numa fórmula tipicamente portuguesa e mostrar que é possível ser patriota, ter valores e continuar em democracia. Parece-me mais difícil mentalizar as pessoas disso pelo caminho republicano (completamente descredibilizado) do que pelo monárquico. Basta que percebam que a monarquia não é absolutista. Porque acredito que, neste momento, o Portugal descredibilizado facilmente aceitaria outro “Salazar” e custa-me imenso perceber que as pessoas mais facilmente aceitem o caminho da ditadura republicana, do que da monarquia constitucional democrática.
Vejo a monarquia como a única actual saída democrática que permite a mudança de mentalidades e a restauração dos valores tão necessária à nossa sociedade, porque, ao haver a mudança iria haver uma reflexão do porquê do povo ter optado pela monarquia e, logo aí, a mentalidade ia mudando.
Não é para meu proveito pessoal que eu apoio a restauração da monarquia, porque nada ganharei, mais do que o resto do país com isso, é porque, pensando imparcialmente no bem do país, revendo a sua história, tenho de baixar os braços e dizer: A república não funciona e vai continuar a não funcionar!
Por: Sara Jofre
quinta-feira, janeiro 27, 2011
quarta-feira, janeiro 26, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
A insustentável leveza de Miguel Sousa Távares
Ora então o facto de algo ser obrigatório por lei não implica que quem não cumpra não seja sancionado?! Uma não é consequência da outra ou, dito de outra maneira, algo obrigatório não é equivalente a haver penalização caso não haja cumprimento?! A conclusão, óbvia, que se tira é que tanto um como o outro disseram uma e a mesma coisa. Contudo Sousa Távares usou um cauteloso eufemismo falacioso. É que o objectivo será a eventual implementação de tal medida sem levantar muitas ondas o que demonstra claramente que a gente do sistema tem medo mas não tem vergonha.
Vejamos o exemplo destes diálogos fictícios cujo objectivo é pôr a nú o óbvio:
Diálogo 1
Dois sujeitos A e B discutindo acerca do serviço militar voltar a ser obrigatório em Portugal.
Sujeito A:
- Eu sou a favor do serviço militar vir a ser novamente obrigatório.
Sujeito B:
- Eu não defendo o serviço militar obrigatório mas defendo que quem não vá à tropa deveria ser penalizado.
Agora pergunto eu (e já agora respondo): Ora mas não era isso que sucedia antes? O serviço militar era obrigatório. Quem não fosse à tropa era penalizado! Era considerado desertor, procurado como um criminoso e preso. Ponto final.
Diálogo 2
Dois sujeitos A e B discutindo a obrigatoriedade de parar perante um sinal de STOP.
Sujeito A:
- O código da estrada diz que é obrigatório parar perante um sinal de STOP.
Sujeito B:
- Não, nada disso. Quem quiser, não pára mas depois é penalizado.
Pois; é penalizado com uma valente coima e inibição de conduzir por ter desrespeitado a obrigatoriedade de parar.
Este tipo de diálogos e de absurdos eram mais próprios destes senhores mas pelos vistos há para aí mais duplas-maravilha.
Mas quem é que eles querem enganar? Pensarão porventura que os seus concidadãos são estúpidos? Votar é um direito e um dever. Não votar é um direito. Quem não vota não cumpre o seu dever de cidadania mas também prescinde do seu direito e para mais são várias as razões que levam determinado cidadão a não votar. O Estado não pode partir do pressuposto (como estes senhores desesperada e descaradamente fizeram) de que quem não vota é simplesmente porque se está nas tintas.
Direito de Resposta de um Abstencionista Convicto
Longe de mim pretender que a abstenção de dia 23 representa com alguma legitimidade o universo monárquico do país, mas algures entre o desejo de rever a coroa estampada na bandeira nacional e o redutor «descontentamento com a classe política» encontra-se a verdadeira explicação para estes absurdos níveis de abstenção: Os Portugueses não se revêem neste regime!
Querer negar este facto é um insulto aos Portugueses. Insinuar que os mais de 5 milhões de Portugueses que se recusaram a votar, o fizeram sem saber o que implica a sua decisão, é chamar a 5 milhões de Portugueses de atrasados mentais.
A necessidade de rever a nossa democracia é imperativa, e a república não se pode apresentar como «plenamente consolidada» e muito menos «madura» enquanto for como criança e tiver medo de se submeter à legitimação popular. Através de um referendo monarquia/república? Porque não? Não implica que se não discutam também outras alternativas ao actual sistema, como por exemplo a tão discutida alteração dos poderes presidenciais.
A república foi imposta com tiros nas costas e contra a vontade dos Portugueses. Isto é um facto. Só os Portugueses podem finalmente conceder aos traidores o perdão que liberte a república dos seus fantasmas. Se as pazes forem feitas através do sim à república, assim seja: o povo é soberano! Mas até esse dia chegar Portugal continuará o seu luto. E eu, como tantos outros, de forma consciente e responsável, manterei o meu sentido de (não) voto.
Felipe de Araújo Ribeiro in Estado Sentido
Vae victis III - A face da vendetta

Nada que não soubessemos já. Nada que os americanos não tivessem já visto. Nada que a Wikileaks não tenha dado a conhecer e para quem ainda não conhece aqui vai o trecho que interessa:
C O N F I D E N T I A L SECTION 01 OF 03 LISBON 002300
NOFORN
SIPDIS
...
President Cavaco Silva
(...) Cavaco Silva considers former President George H.W. Bush a personal
friend. Cavaco Silva was displeased that he did not get an
Oval Office meeting with President George W. Bush during his
2007 visit to Washington to open a Smithsonian exhibition of
Portuguese art, and he declined the former President Bush's
offer to visit Kennebunkport.
Basicamente o que os americanos querem dizer é que o homem levou a cabo "sérias vinganças políticas pelo simples facto de não ter sido convidado à Sala Oval na Casa Branca"
Quando tantas opiniões convergem...
Ou eu me engano muito ou a vendetta vai ser a imagem de marca da república durante cinco anos ou pelo menos enquanto o PS for governo. É só haver uma oportunidade e o antigo lider do PSD... pimba. Não é de admirar! Bem pode ele ter afirmado não ter muito apetite por coisas explosivas...
Isento e neutro de facto é o Rei (ou Rainha) que coopera e ajuda o Governo, os Ministros e em particular o Primeiro-Ministro; de quem é confidente, um amigo de confiança e alguém a cuja experiência podem sempre recorrer; a quem podem pedir um conselho o qual será dado sem segundas intenções; de quem não esperam, não receiam, nem têm que se preocupar com ataques nem intrigas e em quem não vêm um inimigo ou um adversário. É assim que acontece no Reino Unido, em Espanha e noutras democracias reais pelo mundo fora onde o Estado não é minado nem fragilizado pela famigerada co-habitação que enfraquece e deixa o Governo em desvantagem em relação à oposição ou desiquilibrado a favor do Governo na relação de poder entre governo e a oposição pelo simples facto do presidente ser oriundo do mesmo partido do governo ficando a oposição subalternizada em relação a este. Países onde o Chefe de Estado respeita o Governo democráticamente eleito saido das urnas seja ele de que área for, que coopera e ajuda tendo plena consciência de que assim estará a prestar um bom serviço ao país mas que também respeita e não ostracisa a oposição.
Por cá e por outras tantas repúblicas é o que se vê. Por isso, tanto num caso como noutro, os resultados estão à vista. Bem se viu hoje a forma timida, algo temerosa e em nítida subalternização, típica do elemento da alcateia que por ser o elo mais fraco tem que andar com o rabo entre as pernas, sinal da sua triste posição dentro da mesma, com que Francisco Assis, dirigente do PS, veio afirmar que a cooperação institucional é para continuar e que para o PS nada mudou ou mudará.
Pois, pois dirá Cavaco em incontestável vantagem estratégica apesar dos 23%!
Infelizmente não querem ver nem querem «crer que há bruxas» e depois...
VAE VICTIS!
segunda-feira, janeiro 24, 2011
As vitórias: da abstenção, dos brancos e de Pirro
Resultados no Concelho de Alcácer do Sal
Manuel Alegre: 1437 = 27,96%
Os resultados no país

Nº de eleitores inscritos: 9.656.474
Nº de eleitores votantes: 4.502.814
ABSTENÇÃO: 53,37% = 5.153.660
Brancos: 4,26% = 191.820
Nulos: 1,93% = 86.904
TOTAL(%)= 59,56% = 5.432.384
Cavaco Silva: 52,94% = 2.236.233
Manuel Alegre: 19,75% = 834.258
Fernando Nobre: 14,1% = 595.597
Francisco Lopes: 7,14% = 301.600
José Manuel Coelho: 4,5% = 190.084
Defensor Moura: 1,57% = 66.318
Fonte: SIC
Tal como havia referido num outro post mais atrás:
(...) dia 23 irei fazer o que me der na real gana mas votar está de todo longe dos meus planos. Se votar é um direito, não votar também o é.
Quem não estiver contente com o estado do país e queira enviar uma mensagem ao regime que faça como eu. Quem estiver contente com o que tem, que vá votar para para uma instituição que «não é carne nem é peixe» e que mesmo assim come 21 milhões do orçamento...
Penso que a conclusão, com base nestes valores, é óbvia.
domingo, janeiro 23, 2011
O Espalhafatoso vs O Harmonioso
Era o mínimo que podiam fazer. Não resolve nada mas sempre era mais agradável.
Compare-se uma e outra e verão onde quero chegar.


Gracioso - A voz do sistema
Night in blue
Todos estes factos tiveram em comum a côr azul.
Azul-e-branco. Verde, a côr do PR, pouco se viu. Verde e vermelho então... fica mal né? É traumatizante né? Satura o cerebro né?
Porque é que todos fogem do espampanante verde-rubro como o diabo da cruz? Sim porquê?


Vae victis II
Miguel Sousa Tavares na SIC
Leitura de resultados
Manuel Alegre é o paradigma, no Torrão, do por um se ganha por um se perde. A Assembleia Municipal foi ganha, relembro, por 5 votos; Alegre perde por 3. Naturalmente que houve dispersão do eleitorado socialista pela abstenção, Cavaco e Nobre básicamente. Fica também a análise que se espera útil às estruturas do PS. Sei de dois eleitores que votaram PS nas últimas autárquicas que desta vez não votaram no candidato PS. Sei de eleitores que votaram PS nas últimas autárquicas que se abstiveram. Na minha casa foram dois, para ser mais específico. Pelas mais diversas razões deu-se a dispersão. No meu caso por não concordar com esta forma de Chefia de Estado, como todos, ou pelo menos os que me leiem, sabem. Estes 4 votos eram suficientes para Alegre ficar à frente na Freguesia do Torrão. Todos contam e contarão sempre e não apenas em momentos específicos! Que ninguém se iluda! Ninguém é dono dos votos, nem da razão crítica de ninguém. No meu caso pessoal tal permissa é mais que certa. Que fique para memória futura. Que se reflita e analise a fundo os números e os factos.
Guardo para o fim, o que considero mais significativo, tanto por razões pessoais como quantitativas e qualitativas - A Abstenção. A abstenção, tal como tinha previsto, foi altíssima, contando com 56,57%. Em 2139 eleitores inscritos, apenas 929 se deslocaram às urnas. Se a essa se juntarem os votos nulos e brancos, tal dá um resultado total de 60,44%.
O significado qualitativo, a ilação que se tira deste resultado é que a população do Torrão está descontente. Não certamente com o trabalho dos políticos locais por razões óbvias. Não é todos os dias que se investe um montante no Torrão da ordem dos 8 milhões de euros. Não é todos os dias que se requalficam ou se erguem tantas infraestruturas em simultâneo. O descontentamento, em sintonia com o geral descontentamento na população portuguesa, será, na minha opinião, com a qualidade da democracia; com o regime. Relembro particularmente algumas opiniões pertinentes de algumas figuras públicas dos quais em alguns casos neste blog faço referência.
A moral da história é que é importante que se faça uma reflexão em profundidade - e não apenas superficial - tanto a nível local como a nível nacional sob pena de haver surpresas a curto e médio prazo as quais sinceramente não só não me surpreenderão como as acharei perfeitamente naturais.
Os resultados na Freguesia do Torrão

Nº de eleitores inscritos: 2139
ABSTENÇÃO: 1210 - 56,57%
Brancos: 21 - 2,26%
Nulos: 15 - 1,61%
Total(%) = 60,44%
Cavaco Silva: 276 - 30,91%
Manuel Alegre: 273 - 30,57%
Francisco Lopes: 241 - 26,99%
Fernando Nobre: 79 - 8,85%
José Manuel Coelho: 16 - 1,79%
Defensor Moura: 8 - 0,9%











