domingo, outubro 15, 2006

Nesta terra não há nada que resista I

Há pouco mais de um ano foi inaugurado o Parque de merendas que fica situado junto à fonte como quem vem do norte, como diz a canção. Passado este tempo, vamos ver em que estado está:


Esta torneira foi reparada a semana passada pois a parte onde se pega para abrir e fechar tinha sido tirada.


Não passou por nenhuma cabecinha pensadoira que as raízes da palmeira fossem suficientemente fortes para rebentar com as paredes. Uma despesa inútil.



Os fogareiros foram todos espatifados. Não houve nem um que escapasse à sanha destruidora.




Mais uma torneira inutilizada. Esta é a da fonte.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Por um outro 5 de Outubro



863 de Independência Nacional. Tudo começou a 5 de Outubro... de 1143.

Embora na prática Portugal fosse um país independente desde pelo menos 1139 data em que o Conde D. Afonso, futuro primeiro Rei de Portugal, inflige pesada derrota aos mouros na mítica batalha de Ourique onde, de acordo com a tradição terá ocorrido o célebre milagre de Ourique em que Cristo terá aparecido na cruz a D. Afonso. Foi a partir deste evento que D. Afonso Henriques passa a intitular-se Portugalensium (ou Portugalensis?) Rex. O passo decisivo rumo à independência de Portugal dá-se em 1140 quando D. Afonso Henriques vence Afonso VII de Leão e Castela (Reino do qual fazia parte o Condado Portucalense embora este fosse detentor de grande autonomia) no Recontro de Arcos de Valdevez.
A paz é então assinada na cidade de Zamora naquilo que passaria à História como a Conferência de Zamora que decorreu a 4 e 5 de Outubro de 1143 na presença do legado apostólico, cardeal Guido de Vico - representante do Papa Celestino II, ao qual coube o papel de mediador - de D. Afonso Henriques e de Afonso VII. No documento assinado, o qual ficaria para a posteridade como o Tratado de Zamora, Afonso VII rconhece a independência do Reino de Portugal e D. Afonso Henriques como Rei embora tenha imposto uma condição menor para não perder totalmente a face e ter uma saida honrosa. Propôs Afonso VII como condição que a título de feudo D. Afonso Henriques aceitasse o distrito de Astorga, que este lhe concedia. Isto implicaria na prática que D. Afonso Henriques ficaria a ser simultâneamente Rei de Portugal e vassalo de Afonso VII. Face ao que estava em jogo, o nosso primeiro Rei não deitou tudo a perder por causa de uma questão menor cedendo à exigência do Rei de Leão e Castela pois maior cedência tinha sido feita pela outra parte.
Em qualquer negociação é preciso haver cedências de parte a parte para não haver o risco de bloqueio e impasse nas negociações ou para não haver o risco de pura e siplesmente uma das partes abandonar a mesa das negociações. Como grande estadista e estratega militar que era, D. Afonso Henriques percebeu isso. O intervalo de tempo que vai desde a vitória militar de Arcos de Valdevez à Conferência de Zamora é de 3 anos de tal modo que é natural que não logo após a refrega mas algum tempo depois tenham decorrido movimentações diplomáticas e negociações de bastidores de tal forma que quando todas as partes se apresentaram em Zamora já o tratado estava mais ou menos alinhavado. Sempre foi assim...
Porém D. Afonso Henriques nunca se conformou com esta situação. A prova de que a sua cedência foi apenas um recuo estratégico, um passo atrás para dar dois em frente é de que passados apenas dois escassos meses desde a assinatura do Tratado de Zamora (13-12-1143) resolve fazer a próxima jogada, enviando à Sé Apostólica a carta Clovis Regni na qual jura vassalagem apenas ao Papa e oferece a terra portuguesa em troca da protecção da Santa Sé.
Isto é pura especulação mas provavelmente tanto Afonso VII como os seus conselheiros poderão ter previsto esta jogada do nosso primeiro Rei apenas insistindo na inclusão no tratado daquela condição somente para Leão e Castela ter uma saida honrosa até porque tempo não faltou para Leão e Castela exercerem represálias sobre Portugal e o seu Rei pois a resposta de Roma só surgiria 36 anos depois, em 1179, ainda D. Afonso Henriques era vivo e reinava. Não vamos cair no erro de pensar que só D. Afonso Henriques e os seus homens de confiança é que eram políticamente geniais e que os leoneses-castelhanos eram todos burros.
Como se disse anteriormente, a resposta de Roma à Clovis Regni (que equivaleria ao «reconhecimento internacional» da independência de Portugal) dá-se apenas em 1179 através da bula papal Manifestis Probatum - que em português significa «está claramente demonstrado» ou «está provado por argumentos irrefutáveis» - na qual o Papa Alexandre III reconhece Portugal como Reino independente e D. Afonso Henriques como seu Soberano.
Eis o conteudo da Bula Manifestis Probatum na qual Alexandre III se refere a Portugal e a D. Afonso Henriques nestes termos:

«Afonso, caríssimo filho em Cristo, ilustre Rei de Portugal, e aos seus herdeiros para sempre. Está provado por argumentos irrefutáveis que, como guerreiro e vencedor intrépido dos inimigos do povo cristão, e como propagador da fé cristã e ainda como bom filho e príncipe católico, concedeste muitíssimos favores à Santa Igreja, tua Mãe, deixando para a posteridade um exemplo a imitar. É justo, pois, que a Sé Apostólica distinga com afeição sincera aqueles que a graça de Deus destinou ao governo e salvação dos povos, e se esforce em atender os seus justos pedidos. Portanto, considerando a tua pessoa cheia de prudência e de justiça para o governo de um povo, aceitamo-la e ao Reino de Portugal sob a nossa protecção e do Apóstolo São Pedro, com integridade de honra do Reino e com a dignidade que pertence aos reis. Da mesma maneira, aceitamos as terras que com o auxilio da graça divina arrancaste das mãos dos infiéis»

domingo, setembro 24, 2006

PORTUGAL TEM UM REI

Atentemos nesta recente entrevista dada por SAR D. Duarte de Bragança à revista Just Leader; façamos uma reflexão profunda e meditemos sobre as suas palavras e ideias. É altura de pensarmos pela nossa cabeça, ter sentido crítico, avaliar as alternativas (válidas) que temos ao nosso dispor, olhar para Espanha, Suécia, Noruega, Luxemburgo... e deixar de lado as ideias pré-concebidas e o ramal balofo cheio de chavões e (maus) argumentos do republicanismo estéril que pouco ou nada tem para dar se é que neste quase um século deu alguma coisa a Portugal exceptuando golpes e contra-golpes, crises, ditaduras, anarquia, perseguições e... bem, é estudar a História de Portugal neste ultimo século e tirar conclusões!
E se Portugal voltasse a ser um Reino? Seria assim que eu escrevia... É o 'Pedra' de regresso às GRANDES CAUSAS!


JUST LEADER
Setembro 2006
Título: GRANDE ENTREVISTA D. Duarte Pio

E se Portugal fosse uma Monarquia?
Por Alexandra de Almeida Ferreira

D. Duarte estudou Agronomia mas se pudesse teria tirado o curso de Arquitectura. Defende a Monarquia como uma alternativa à corrupção governamental e como um selo dos interesses nacionais… acima de qualquer outra coisa. Se Portugal fosse uma Monarquia e ele subisse ao trono garante que a sua missão seria “a defesa permanente dos valores da lusofonia”Não é todos os dias que se conhece um rei. E não se é rei porque o Parlamento assim decide nem se deixa de o ser porque não vivemos numa monarquia. Nasce-se rei, é-se educado para ser rei e morre-se assim… rei. E se for um bom rei carrega o peso de um país nas costas. Assim o é D.Duarte, Duque de Bragança. Em Portugal, o rei não vive num palácio. As maçanetas da porta não são de ouro, só há duas empregadas - e uma está de férias - e o jardim até está a precisar de um jardineiro. Não há coroa nem manto. Não há corte. Há um homem mais alto do que se espera, mais carismático do que o querem fazer parecer e sobretudo politicamente corajoso.Estudou agronomia e diz que a economia que importa é a que produz, por isso não liga à OPA na Portugal Telecom nem no BPI. Liga à agricultura. Um rei é assim. Uma pessoa algo desfasada da realidade e talvez até tendenciosa na forma de ver um país. Mas ninguém pede a um rei que seja primeiro-ministro e nos tire da cauda da Europa, que resolva o problema do desemprego e reduza o défice do PIB. Não é para isso que serve.D. Duarte não é um homem moderno, é um homem tradicional.Tem valores pouco habituais e tem alguma coisa de “E Tudo o Vento Levou” na parte em que Scarlett O’Hara agarra no pó e na terra de Tara e a volta a cultivar. A economia que interessa é a que produz. Este rei já só é uma referência na história de Portugal que já vai longa e que já poucos de nós a sabe de cor e os outros fazem questão de não saber.Se não fosse rei era arquitecto. Mas não se escolhe ser rei. É-se escolhido. E se Portugal fosse uma monarquia, D. Duarte encabeçava-a e, para quem duvida, o país não ficava mal na fotografia. É ele o líder da Monarquia em Portugal, o homem que foi educado para ser o líder de todos nós.

Just Leader (jL) – Afirmou muitas vezes que Portugal não tem raciocínio lógico. Porque diz isso?
D. Duarte (DD) - Portugal tem um modelo cultural errado porque peca pela ausência de raciocínio lógico: as pessoas sabem o que querem e o que não querem, mas depois, quando agem, não agem com lógica. Por exemplo, todos sabemos que Portugal tem um problema de trânsito mas ninguém evita deixar o carro mal parado. Há falta de inteligência lógica. Achamos que o país tem um problema de desemprego e que as indústrias nacionais vão todas à falência mas quando vamos comprar não preferimos os produtos nacionais.

jL - Mas o que é que falta? Orgulho nacional? Uma alma comum?
DD - Há várias coisas que faltam. Sentido patriótico, preocupação com os outros, civismo, entre outras. Mas falta essencialmente raciocínio lógico. Estou a lembrar-me de um caso interessante. Quando foi a inauguração da Exponor em Santa Maria da Feira, eu fui visitar o local e estava lá o mestre de obras a quem perguntei quem tinham sido as fábricas das cadeiras que lá estavam. E ele responde-me: ´ah! É tudo muito bom! É tudo italiano!’. Ora, eu não percebo! Isto pertence aos industriais do norte do país que são quem fabricam os móveis - os mesmos que estão preocupados com a concorrência estrangeira - e foram comprar 80 mil cadeiras no estrangeiro?!.

jL - Porque talvez os nossos produtores não tenham capacidade de respostaem tempo útil e a preços competitivos…
DD - Claro que têm! Não têm dois meses antes, mas se forem avisados com mais antecedência preparam-se e, se uma fábrica sozinha não for capaz, dez juntas têm.

jL - Mas para isso era preciso que existissem clusters industriais em Portugal…
DD - Mas pertencendo a Exponor aos industriais do norte, este era o último caso onde eu esperava ouvir aquela resposta. Mas eu tenho uma suspeita: alguém recebeu uma comissão do fabricante italiano mas não posso confirmar. Mas a explicação que o mestre de obras me deu foi que o PSD, na altura em que estava no Governo, queria fazer o congresso do partido ali e tinha muita urgência. Então tiveram que comprar tudo rapidamente e a indústria portuguesa não conseguia dar resposta dentro do prazo. Ora qualquer país normal, seja na América do Sul, do Norte, Europa ou na Ásia , quando uma instituição pública ou um Governo vai fazer um concurso para qualquer coisa, primeiro avisa a indústria nacional, com um ano de antecedência, sobre as condições e, quando o concurso está perto, só a indústria nacional é que está preparada. Há pouco tempo aconteceu o contrário: o Instituto do Vinho do Porto encomendou um milhão de cálices do Vinho do Porto com um desenho novo especial do Siza Vieira. Aquilo estava desenhado de tal forma e exigiam condições técnicas tão específicas que só uma fábrica em França os podiam fazer. As fábricas portuguesas precisavam de uns meses para comprar maquinaria para poder fazer o cálice conforme o desenho. Das duas uma: ou o Siza ou Instituto do Vinho do Porto receberam uma comissão da fábrica em França, ou então estão todos loucos. O símbolo de Portugal – o Vinho do Porto – vai comprar copos no estrangeiro?! Pagos com o dinheiro dos contribuintes!Depois vêm os vidreiros da Marinha Grande fazer manifestações por causa do desemprego quando deviam era insurgir-se contra o Instituto do Vinho do Porto! Para que é que serve uma greve em tempo de crise? Só para enterrar ainda mais a empresa!

jL - Foi assim que interpretou o encerramento da fábrica da General Motors naAzambuja?
DD – Claro. Se começam a fazer o mesmo na Autoeuropa, o fim é o mesmo. Na Azambuja devia ter existido uma negociação melhor conduzida da parte do sindicato dos trabalhadores para se chegar a uma situação onde a General Motors ganhasse dinheiro por se manter cá e não prejuízos.Porque se eles vão fechar a fábrica e mudar-se para Espanha é porque vão ter mais lucros. Aliás esse é o grande problema das empresas portuguesas pertencerem a estrangeiros ou a multinacionais: não há qualquer interesse nacional, só e exclusivamente interesse pelo lucro. Se as empresas forem nacionais há uma preocupação mais social e humana e até política com a sua própria imagem pública.Não é só o lucro. Há fábricas em todo o mundo que aguentam o prejuízo em tempo de crise por razões maiores que o lucro imediato.

jL - Mas para se manter as empresas em mãos nacionais está-se, na maioria dos casos, a sacrificar a dimensão e, logo, a competitividade…
DD – Pois, isso é verdade mas pode resolver-se, em muitos casos, com associações livres entre a indústria portuguesa e a estrangeira e há grupos que o fazem: são complementares mas a propriedade mantém-se em mãos nacionais com um funcionamento em moldes internacionais.Os hotéis portugueses fazem muito isso: associam-se a marcas estrangeiras.

GERIR BEM SEM FAZER MAL

jL: Que tipo de gestor seria?
D. Duarte - S. Tomás de Aquino compara um Estado a uma associação de malfeitores. Ambos podem governar um país. A associação de malfeitores pode governar mas o objectivo será sempre o lucro, nem que para isso tenha de roubar e governar com leis imorais. Um Estado tem de governar para garantir a felicidade ao mesmo tempo que o progresso material e espiritual do povo. Mas esta também deve ser a função do empresário: além do lucro, o desenvolvimento humano das pessoas que trabalham na sua empresa.

jL - Dentro do tecido empresarial português que empresas lhe despertam a atenção seja por bons ou maus motivos?
DD – Cerca de 70% das empresas portuguesas são de pequena e média dimensão e grande parte delas têm tido grande sucesso a nível internacional. Temos desde um dos melhores fabricantes de violinos do mundo a uma das melhores fábricas de lentes de máquinas fotográficas e equipamentos electrónicos. E há casos extraordinários de sucesso na agricultura. Nas grandes empresas há, evidentemente, os casos mais emblemáticos de sucesso. A mim interessa-me sobretudo as empresas no campo da produção industrial ou agrícola. Não tenho assim grande interesse pelo sector do comércio porque a economia que interessa é a que produz coisas.

A POLÍTICA EM PORTUGAL

“HÁ ALGUNS PRESIDENTES DE HOJE QUE DEVIAM SER PRESOS POR NEGOCIATAS E FRAUDES. NÃO HÁ NENHUM REI NA EUROPA COM ESSES PROBLEMAS...”

jL - Por falar em Presidente da República, como é a sua relação com Cavaco Silva? É a pessoa certa para o lugar?
DD - É muito boa desde há muitos anos. Tenho muita admiração por ele. Haveria outras pessoas indicadas mas eu acho que, pelo seu passado e sobretudo pelo que tem vindo a demonstrar desde que assumiu o cargo, é certamente uma pessoa muitíssimo indicada para aquele lugar. Pelo menos não acredito que ele vá demitir o Governo porque se zanga com o primeiro–ministro. Não acredito que ele vá ter esse tipo de atitude que infelizmente já aconteceu em Portugal.

jL - Isso é uma farpa a Jorge Sampaio? Cavaco é melhor que o seu antecessor?
DD - Eu acho é que as pessoas que temos tido como Presidente da República em Portugal são sempre excelentes, bem intencionadas e bem formadas. O problema está na instituição em si, não nas pessoas.É muito difícil ser-se um Presidente da República que actua como um rei que é aquilo que os portugueses querem. Os portugueses querem um Presidente da República que seja como um rei.Alguém que seja um exemplo, modelo para o país, que se porte bem e que não favoreça o seu partido político, que não ajude os seus pares, que seja próximo das pessoas. Querem uma série de qualidades de um rei. É muito difícil ser-se um Presidente independente.

jL - Essa independência de que fala é a grande vantagem de uma monarquiaconstitucional?
DD - Pelo menos tem sido uma vantagem para todos os países que a têm com a excepção de uns países exóticos lá no fim do mundo, como o Nepal.

jL - Acha que a monarquia constitucional deveria ser referendada? Qual é que acha que seria o resultado?
DD - Depende da formulação. Se o referendo fosse feito de forma tendenciosa, género “quer regressar ao regime que tínhamos antes de 1910?”, se fosse uma pergunta assim muito torta como foi a que se fez no referendo do aborto, efectivamente o resultado seria mau…

jL - Como é que faria a pergunta se fosse o D. Duarte a redigi-la?
DD – “Prefere ter como chefe de Estado para Portugal um Presidente da República ou um Rei?”. Depois as pessoas iam informar-se sobre o que é um e o que é outro.

jL - E qual é a sua definição de cada um deles além da diferença óbvia de umser escolhido e o outro não?
DD - O rei também é escolhido de algum modo. Só que é escolhido uma vez na vida quando é aclamado rei pelo Parlamento quando este o aceita. Se o rei fosse muito impopular e tivesse praticado actos graves, o próprio Parlamento pode demiti-lo. O que acontece nessas alturas é que há uma linha de sucessão natural mas o sucessor pode ser chumbado. O que não há é uma disputa pelo poder e pela chefia de Estado. Mas o que se passa é que o povo não escolhe muita coisa nas presidenciais. Escolhe uma das duas pessoas apoiadas pelos dois maiores partidos e normalmente ganha aquele que tiver o melhor brasileiro como relações públicas. Com excepção do que já lá está e pode continuar. Esse ganha sempre porque os portugueses não gostam de mudar.

VIVI NO EXÍLIO ATÉ AOS SETE ANOS

jL - Que percepção é que acha que os portugueses têm de si? Distância? Umaaura negra em torno da monarquia porque a vêem como um regresso à IdadeMédia…?
DD - Não posso saber o que vai na cabeça das pessoas, excepto pelas sondagens que vou vendo. O que eu sei é que quando vou a uma cidade ou vila a convite de uma Câmara ou organização local, normalmente há uma grande quantidade de pessoas que vêm, um grande carinho, toda a gente me trata muitíssimo bem. Tenho aceite uma média de 30 a 40 convites por ano de Câmaras Municipais e organizações e sou sempre bem recebido. As sondagens é que apresentam resultados muito curiosos. Dizem, por exemplo, que 70% acha que devia haver um rei a morar num palácio real mas não querem mudar as instituições actuais porque não sabem muito bem o que mudaria.

“O POVO NÃO ESCOLHE MUITA COISA NAS PRESIDENCIAIS. ESCOLHE UMA DAS DUAS PESSOAS APOIADAS PELOS DOIS MAIORES PARTIDOS E NORMALMENTE GANHA AQUELE QUE TIVER O MELHOR BRASILEIRO COMO RELAÇÕES PÚBLICAS”

jL - E o que é que mudaria? Haveria mais união e identidade portuguesa?
DD - O único termo de comparação que se pode ter hoje em dia para como funcionaria, actualmente, uma monarquia em Portugal não é o nosso passado nem o futuro porque nenhum deste existe. O único termo é o presente e este pode ver-se no resto da Europa e no mundo.E todos acham que, nesses países o rei funciona muito melhor, tem muito mais ligação ao país, participa de uma maneira mais construtiva na vida nacional, não entra em conflito com o Governo, é mais económico. Há muitos presidentes da República hoje em dia que não são muito democráticos: América do Sul, Ásia, África… ainda não há muitos anos eram ditaduras, agora são democracias de disfarce. Há alguns presidentes de hoje que deviam ser presos por negociatas e fraudes. Não há nenhum rei na Europa com esses problemas…

jL - Há um compromisso moral maior com o país?
DD - Exactamente. Há uma experiência, há um ensino, desde crianças que somos mais ou menos preparados para assumir essa responsabilidade.

jL - Como é que é essa preparação? Limitou-o enquanto criança nas suas aspirações?
DD - Vivi no exílio até aos sete anos depois vim para uma república, estudei no Colégio Militar, fiz a tropa, fiz serviço militar na Força Aérea. Fiz uma vida normal como qualquer português. A diferença é que, pela minha educação, fui sempre levado a dar prioridade a tudo o que é o interesse nacional e a pôr os meus interesses e gostos pessoais e particulares em segundo lugar. Isto fez com que nunca tenha enveredado numa vida de empresário a ganhar muito dinheiro ou que tenha escolhidouma profissão que me interessasse muito do ponto de vista intelectual.

jL - Mas se pudesse, o que é que gostava de ter feito?
DD - Eu estudei agronomia mas, na verdade, eu teria gostado de arquitectura. Teria gostado de ter estudado na escola de arquitectura da Universidade Católica mas que, por ultimato da Ordem dos Arquitectos na altura, foi despedido o director e normalizaram-na de acordo com o “pensamento único obrigatório” autorizado em Portugal.

jL - Parece que está a falar do “rendimento mínimo garantido” …
DD - Não, estou a falar mesmo do regime soviético ou taliban, em que é obrigatório pensar de determinada maneira (risos).

E SE FOSSE REI?

jL - Se fosse rei de Portugal quais seriam as suas prioridades para o país?
DD - Basicamente a defesa dos valores permanentes da lusofonia. Ou seja, eu considero que, em primeiro lugar a minha responsabilidade é com Portugal. E há valores permanentes como a cultura, os direitos das minorias, a defesa da natureza e do ambiente que são parte sintrínsecas da identidade cultural portuguesa. Por outro lado, a independência nacional. Quantos povos há hoje na Europa que têm identidade cultural mas não têm independência, como é o caso dos bascos…

jL - E como é que se conjuga identidade nacional numa União Europeia que já nem é a 15 mas a 25?
DD - Essa é a grande alternativa que se coloca. Ou a Europa se desenvolve com respeito pela identidade e independência dos povos ou, se pretende fazer uma caldeirada em que todos os peixes sabem ao mesmo e conseguem, é a destruição dos povos da Europa e o nascimento de uma utopia que é a noção de Estados Unidos da Europa em que não acredito e que acho que vai ruir com a revolta desses povos. Ou então seguimos o exemplo dos modelos de uniões de sucesso como é o caso da confederação helvética. Que resulta porque se respeita até hoje as diferenças, as culturas, as línguas, as leis –cada cantão da Suiça tem as suas leis. Os cantões suíços têm muito mais diferenças e liberdades do que têm hoje os Estados da União Europeia.

jL - O chumbo do Tratado da Constituição Europeia foi sintoma dessa fragilidade…
DD - E se os povos europeus fossem realmente livres, estou convencido de que todos o chumbavam, só que alguns foram quase obrigados e intimados a votarem a favor. E foi sintoma não da fragilidade da União Europeia mas das utopias federalistas europeias. Um dos grandes criadores da União Europeia foi o meu tio, Otto de Habsburgo, que foi eurodeputado até aos 90 anos - e é um europeísta entusiástico desde o tempo de Adenhauer - e ele disse-me «felizmente que chumbou o Tratado da Constituição Europeia porque isto é uma traição aos verdadeiros ideais da Europa». A Europa tem de ser no máximo uma confederação de Estados europeus independentes cuja solidariedade tem de ser muito defendida como acontece na Suiça mas com total respeito pelos direitos à diferença.É absurdo igualizar tudo na Europa. No Tratado da Constituição Europeia existia um capítulo de excepções em que Malta impôs nunca ser obrigada a aceitar a legalidade do aborto. Portugal – sempre bem comportadinho – não impôs excepção nenhuma. E Portugal, como Malta, é um país católico com governos ateus e leis anti-cristãs.Onde é que está a democracia?

jl- O Presidente Reagan chegou a incentivá-lo a candidatar-se a Presidente da República. É um pró-América?É um pró-América?
DD - O Presidente Reagan disse-me isso em Washington, num jantar sobre as relações entre os Estados Unidos e Portugal onde estavam outras personalidades, entre elas Zbigniew Brezinsky, ex-Conselheiro dos Negócios Estrangeiros. Reagan disse-me que as informações que tinha eram que eu tinha condições para ganhar as eleições e que para os Estados Unidos, Portugal sempre tinha sido um aliado importante que esteve presente em todos os momentos de crise ao lado do seu fundamental e uma monarquia em Portugal garantiria a independência de Portugal relativamente a Espanha de uma forma que a República não fazia.

jL - Mas é um pró-América?
DD - Penso que ser aliado de um país e criar uma relação de confiança com a potência dominante do Atlântico – que já foi Inglaterra mas que hoje é os Estados Unidos – é fundamental. A não serque, a determinada altura, os interesses de Portugal e os Estados Unidos fossem opostos e aí prevaleceriam os de Portugal, o que não é o caso. Neste sentido, acho que não podemos sacrificar esta aliança em prol dos interesses de outros países terceiros que não se assumem como aliados dos Estados Unidos.

sábado, setembro 02, 2006

Finalmente






O prometido é devido!!! Estava a ver que nunca mais era mas lá foi agora que cacei o Neru a fazer aquilo que... mais gosta de fazer. Mas não fica por aqui! Não é à toa que o Neru é o alvo mais apetecido da minha objectiva... basta ver as imagens hilariantes que proporciona. Eis o modus vivendi de Quim Pestana O Neru:

sábado, agosto 26, 2006

Figuras pitorescas do Torrão II







Eram em número substancial e qual delas a melhor mas quis o destino que, ao que dizem, é fatal, o disco do meu computador tivesse «ido pelos ares» e como consequência todos os meus dados não ficaram apenas seriamente comprometidos antes ficaram de todo irrecuperáveis. Mas agora voltei a atacar e já não caio nessa. Assim lá vai:
Apresento-vos a segunda figura pitoresca do Torrão - Quim Pestana, mais conhecido por NERU.
Tinha andado a «empalhar» à espera de conseguir as fotos com a imagem do seu «modus vivendi» e o que ganhei foi o que disse. Foi uma pena; as fotos eram do mais hilariante que havia mas não há crise pois estas não lhe ficam atrás! Quando eu tiver mais...

domingo, agosto 06, 2006

Torrão - Perspectivas nocturnas

O Neru a dormir... e a curtir a bebedeira


A palmeira do posto médico com a Lua em pano de fundo


Uma outra perspectiva do mesmo local


No céu de Julho, a Lua em Quarto Crescente




Quem havia de dizer que passado pouco menos de uma semana este fosse mortalmente atropelado. Fica a imagem... do Benfica.

segunda-feira, julho 31, 2006







Foi agitada a tarde e noite deste 30 de Julho. Ainda de manhã eu tinha tirado fotos daquele local e à noitinha teria de voltar para tirar estas. Foi «por trás» da Horta dos Passarinhos, na Cabeça d´Águia que deflagrou este incêndio. Ao que parece, as chamas propagaram-se por uma grande extensão chegando a atravessar o rio Xarrama. Atravessar o Xarrama é como quem diz pois nesta época do ano o rio está praticamente seco.

Mas foi bem feito o que aconteceu. Exacto leram bem; foi BEM FEITO. Ninguem limpa as matas e depois é isto que se vê. Na verdade, ao longo do vale do Xarrama, tirando pequenos troços, o matagal é mais que muito; há inclusive zonas do rio que são praticamente inacessiveis devido a este matagal constituido essencialmente por silvados e estramagueiras e há ainda troncos que são arrastados pela corrente e que de verão ficam ali a secar. Ainda este inverno eu tinha ido à pesca para aquela zona e verifiquei que se ali deflagrasse um fogo num verão este iria dar bastantes dores de cabeça. Pelos vistos não me enganei!

Há outra zona que se nada se fizer será pasto para as chamas. Estou-me a referir à barragem de Vale do Gaio. Há muito que eu prevejo uma catástrofe para aquelas bandas. Só não vê quem não quer ou... não pode.

Como se vê os incêndios podem ser evitados... ou potenciados. Agora escolha!!!

domingo, julho 30, 2006

De parabéns

Portugal está de parabéns. Alunos portugueses conseguiram arrebatar três medalhas de bronze e uma menção honrosa nas Olimpíadas Internacionais de Matemática que se realizaram entre os dias 6 e 18 de Julho em Ljubliana, na Eslóvenia.
As Olimpíadas Internacionais de Matemática realizam-se desde 1959 e em 2006 contaram com a presença de 104 países. Aos trofeus até agora obtidos vão-se juntar as três medalhas de bronze e sete menções honrosas conquistados por Portugal desde a sua primeira participação em 1989.
Esperemos agora que aqueles que vão representar Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática que se realizarão de 23 a 30 de Setembro em Guayaquil, no Equador, tenham o mesmo sucesso. Quanto a mim só lhes posso desejar Boa Sorte.
Isto só mostra que Portugal também tem gente muito boa a matemática embora só a mediocridade é que seja notícia. O problema é que aqueles alunos que são barras a matemática são uma pequenissíma percentagem quando comparados com aqueles que não vão além das negas. O grande desafio que Portugal tem pela frente é, justamente, conseguir que cada vez mais e mais alunos consigam esta performance.
Ah é claro este tipo de competições passam praticamente despercebidas do grande público que só se preocupa com o pontapé na bola. Competições futebolisticas onde Portugal tem resultados confrangedores é que são importantes mas competições com esta em que a Rainha não é a bola mas a Matemática, uma ciência que está por detrás de toda a nossa tecnologia, «não interessam a ninguém» e depois admiram-se de, infelizmente, Portugal ser um atraso de vida.

Torrão - Perspectivas paisagísticas

A Horta dos Passarinhos




Uma paisagem tipicamente alentejana... não é para menos!


Ao longe, o monte das Cruzinhas e a Horta do Pinheiro


O Torrão visto da Ermida


O Torrão visto do seu ponto mais alto


O Moirão, espelho de água devido à Barragem de Vale do Gaio... belíssima imagem não?


O torrão visto do seu ponto mais alto... onde está situado o depósito de água. Não é para menos!


Uma outra perspectiva do mesmo local. Porque é que a torre da igreja Matriz não aparece? É simples! Pura e simplesmente por vergonha... está preta que nem carvão. Há mais de uma década que não vê nem cal nem tinta!!! Caso único na região... não tenho dúvidas.


Todas as fotos foram tiradas de manhã!

terça-feira, julho 25, 2006

Nostalgia

Retrato do bloguista quando (mais) jovem

Depois de um periodo relativamente grande de inactividade «bloguista» eis que de repente fui invadido por uma força que me impele a «blogar» que nem um maluco. Esta febre que de repente me possuiu não só me impulsiona a «postar» como me leva a tornar o «Pedra» menos pesado, menos duro, menos austero e, como é obvio, menos maçudo. Agora, para além da análise política e de outros assuntos que dominam a actualidade abro o leque a diversos temas tentando sempre que possivel adicionar uma imagem a cada «post» pois já lá diz a sabedoria popular que uma imagem vale mais que mil palavras.
A nostalgia do passado deu-me para isso. Não é nenhum cromo! Nem tão pouco uma figura pitoresca do Torrão - não tem estilo para isso. Eis-me aqui retratado em Agosto de 1988.
Ó tempo volta p´ra trás!!!

Outros mundos





Espectacular! É a unica palavra que eu consigo encontrar para descrever estas espantosas imagens. Foi sem duvida coisas como estas que me levaram a estudar e licenciar em Física.

Figuras pitorescas do Torrão I



Fotos by PAULO SELÃO

É sem duvida uma das personagens mais pitorescas do Torrão. Ernesto Esquina mais conhecido como Saruga.

domingo, julho 23, 2006




Fotos by PAULO SELÃO


O meu canário mais «carismático». Eis o BIGODE!!!

Mi casa es su casa

Foto by PAULO SELÃO


Eis a minha sala de entrada; ornamentada com a mais bela bandeira do mundo. Primeiro que a verde-rubra só mesmo a antiga e quiçá futura belíssima bandeira do Reino de Portugal.

domingo, julho 09, 2006

Somália – O ressurgimento do «talibanismo»?

Pode estar ainda a passar despercebido a muita gente aquilo que se passa na Somália – talvez por ter estado tudo com os olhos postos no Mundial de futebol; quem sabe? – mas o que é certo é que o novo movimento que está a surgir no desgovernado país do «corno de Africa», denominado Tribunais Islâmicos, tem tudo para vir a fazer da Somália um novo Afeganistão. Este movimento que vai ganhando força de dia para dia já demonstrou a sua verdadeira natureza. Proibiram a assistência do Mundial de futebol e se dúvidas ainda existiam, surgem agora rumores de que um grupo de homens armados, pertencente aos Tribunais, irromperam por um casamento adentro proibindo a música, agredindo as mulheres e confiscando os instrumentos musicais alegando que a música ali tocada era «diabólica» contrária aos preceitos do Islão. Onde é que já ouvimos isto? Ou eu me engano muito ou o próximo passo dado por esta milícia será impor às mulheres somalis o uso da burka.
É claro que quando este movimento se conseguir impor em todo o país e começar a governar a Somália, um país praticamente sem Governo há mais de uma década, com mão de ferro corre-se o risco da Somália se vir a transformar num novo santuário terrorista. Basta o mundo estar distraído... apenas com o Iraque, o Irão e a Coreia do Norte.