sábado, agosto 04, 2012

Perspectivas - Torrão, terra de arroz


“Este rio não tem nascente alguma própria, mas é um ajuntamento de águas das ribeiras de Xarrama, de Odivelas, de Garcia Menino e de Santa Detença, a tempo que já vão muito grandes, pelas águas que colheram de muitas ribeirinhas, regatos e fontes; e se juntam todas em certo passo, do qual se faz um rio grande que se chama Sado.
Seu curso é de quatro léguas, no cabo das quais se mete no esteiro de Alcácer que vem por Setúbal. Neste rio, até onde chamam Porto de Rei, se navega por barcos grandes e se matam infinitas tainhas muito grandes e formosas, barbos e bogas e enguias; pela grande pescaria que ali se faz e a muita caça que naquela parte há, de coelhos e perdizes e muitas aves para caça de falcões, e pela muito aprazível verdura deste espaço de terra, muitos homens nobres na Primavera vão ali folgar”.

Duarte Nunes do Leão, Descrição do Reino de Portugal - 1610

















Imagens recolhidas no fim de Julho de 2012 perto da Vargem da Mó




































Imagens recolhidas no início de Agosto de 2012 perto de S. Romão do Sado

Arrancaram as comemorações dos 500 anos do Foral Manuelino doTorrão

As Comemorações dos 500 Anos do Foral do Torrão iniciaram-se ontém no âmbito da feira anual de Agosto. Recorrendo unicamente à «prata da casa» foi recriada a recolha do Foral antigo. Esta primeira iniciativa foi uma teatralização simples embora estejam previstas muitas iniciativas e eventos. Ficamos a aguardar com ansiedade e espectativa.














sexta-feira, agosto 03, 2012

Médicos no Torrão: Situação regularizada


Está confirmada a notícia dada aqui, no que ao Torrão diz respeito. A partir da próxima segunda-feira, o Torrão terá médico diáriamente, das 8.30h às 19.30h, com pausa para o almoço, das 13.00h às 14.00h. Essa situação será provisória e será assegurada apenas por um único médico, o qual, devo ressalvar, é um muito bom médico. Fui hoje consultado por ele e fiquei com uma muito boa impressão da sua prestação.
Seja como for, como havia sido referido anteriormente, a situação é provisória. Posteriormente o serviço haverá de ser assegurado por duas médicas, diáriamente. Naturalmente que o horário sofrerá alterações não sendo necessário prolongar-se até tão tarde.

quinta-feira, agosto 02, 2012

O correio no Torrão - uma história de encantar II

Mais uma machadada vai ser brevemente dada, no que ao correio diz respeito, à freguesia do Torrão e em particular à vila do Torrão.
É já a partir do próximo dia 13 de Agosto que novas alterações na distribuição de correio e alteração do giro irão ser postas em prática.
As alterações, que irão prejudicar essencialmente a vila do Torrão, implicarão que a distribuição postal no Torrão será feita alternadamente onde apenas metade da vila terá direito a distribuição de correio normal num dia e a outra metade noutro sendo que apenas o correio azul, correio registado e EMS (Express Mail Service) virão na sua totalidade.
Informações recolhidas junto de fontes bem colocadas dão conta de que o carteiro que faz a distribuição no Torrão começará agora, em primeiro lugar, a fazer - pasme-se - a Foz, em Alcácer do Sal e a Barrosinha e só depois é que virá para o Torrão. Tal medida irá implicar que o correio nos apartados do Torrão também irá sofrer atrasos. Já relativamente às aldeias da freguesia - S. Romão do Sado, Rio de Moinhos do Sado, Casa Branca do Sado e Mil Brejos Batão - todas elas terão que ter a distribuição diária feita na sua totalidade. A sacrificada será mesmo a vila do Torrão e sede de Freguesia (!!!) que verá a distribuição de correio normal ser intercalada, com o carteiro a ter que distribuir o correio normal de apenas metade da vila num dia e a outra metade no outro.
A problemática dos correios já tinha sido aqui abordada e algumas destas consequências já tinham sido premonitoriamente anunciadas mas agora já é mesmo oficial. A análise então feita revelou-se correcta - dizem que é só «parvoíces» o que aqui se publica, não é?. É parvoíce não é? Então aguardem. Feliz ou infelizmente, o tempo dá-nos sempre razão. O resto é conversa e contra-informação para tentar enganar o «pagode» e tentar, em vão, desacreditar o Pedra no Chinelo e o seu autor.
E se antes não vinha o correio na totalidade porque não havia tempo, embora as instruções fossem para trazer tudo, agora é mesmo só para trazer metade.
Mais uma derrota, um revez para o Torrão enquanto freguesia e enquanto vila. Resta saber qual a posição oficial do governo local e que medidas e/ou propostas irá fazer se não para reverter, ao menos para atenuar o impacto negativo que tal medida acarreta e que se traduz num sacrificio para a sede da freguesia em deterimento das outras povoações da mesma freguesia e, enfim, de todos os intervenientes nesta embrulhada.
Ficam aqui alguns versos que eu fiz então e que caricaturavam a situação:

A história que eu vou contar
muito tem para ensinar.
É sobre o nosso correio
e a todos vai encantar.

Veio sempre pró Torrão
toda a nossa correspondência
até que veio um cabrão
cagar a sua sentença.

A Alcácer vai parar
o correio do Torrão,
da Casa Branca, S. Romão,
Rio de Moinhos e Batão.

(...)

Para às aldeias ter tempo
de ir fazer a distribuição
não distribui em todo o lado
faz só metade do Torrão.

(...)

Está tudo sempre atrasado,
correio para as aldeias só à noite.
E querem outra verdade?
Pró Torrão só vem metade!

E agora em Alcácer do Sal
correio do Torrão é aos «moitões».
É facturas e pensões;
é só tratarem-nos mal.

Vejam lá esta desgraça que nos foi acontecer (...)

Não foi por falta de aviso!!!

As jóias do Torrão

Quem não assistiu ao programa da RTP, Portugal em Directo, do passado dia 23 de Jullho, o qual dá destaque ao Torrão, pode faze-lo aqui para assistir (a partir dos 3 minutos e a partir dos 23 minutos).
Da nossa parte, seguimos a sugestão e fomos falar com a senhora Gertrudes Monforte, a guardiã das chaves das igrejas do Torrão, as «Jóias do Torrão, no dizer da reporter, no  sentido de ela nos facultar as chaves da Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso com a finalidade de fazer uma visita.
Convido-vos então a visitar o monumento e a ver o estado de mais uma jóia até para que ninguém venha ou ande enganado. Aqui mostra-se a verdade tal como ela é: nua e crua.


Imagem do Altar da Ermida


Outros pormenores

Mas infelizmente e como é hábito, nem tudo é um mar de rosas. Lamentávelmente também o estado deste monumento religioso não é o melhor, o  que confirma o que já havíamos escrito sobre o tão propalado património histórico. Infelizmente também, qualquer semelhança com o estado da Igreja Matriz, não é pura coincidência. Quem visitar a sacristia pode constatar - aliás, as sacristias são a miséria das igrejas do Torrão - desde paredes esfoladas, estuque por terra, pó, teias de aranha, caruncho, bolor; em suma, desprezo, abondono e incúria. Está à vista! Fica mais uma vez o apelo e a sensibilização. É que por enquanto ainda há património para ir mostrando!




Pormenores da sacristia que mostram o estado das paredes interiores



Mais um móvel antigo e valioso abandonado, empenado, carunchoso. Em cima, fotos, ex-votos, retratos de promessas feitas ou de pedidos de protecção divina. Abandonados, desprezados... São pedaços de vidas, histórias de gente, de torranenses. Mereciam mais consideração e outro respeito. Porque não limpar, requalificar e fazer da sacristia um pequeno museu onde os ex-votos fossem tratados respeitosamente e estivessem expostos ao público nomeadamente durante a Feira de Agosto, altura ou uma das alturas em que a Ermida fosse aberta a todos, como aliás acontece com a Ermida de Nossa Senhora D'Aires, em Viana do Alentejo, durante a feira desta vila alentejana?


 Mais um pormenor de tão triste espaço


Prosseguindo a visita, fomos até ao varandim para aí obtermos imagens de um ângulo mais elevado.



O Altar visto de um patamar superior

Um pormenor da pintura da abóbada



À semelhança da Igreja Matriz, também a Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso apresenta fissuras nas paredes






Um pormenor da pintura da talha de madeira que ornamenta o espaço


No exterior a degradação está à vista mas nunca é demais retratar