sábado, agosto 26, 2006

Figuras pitorescas do Torrão II







Eram em número substancial e qual delas a melhor mas quis o destino que, ao que dizem, é fatal, o disco do meu computador tivesse «ido pelos ares» e como consequência todos os meus dados não ficaram apenas seriamente comprometidos antes ficaram de todo irrecuperáveis. Mas agora voltei a atacar e já não caio nessa. Assim lá vai:
Apresento-vos a segunda figura pitoresca do Torrão - Quim Pestana, mais conhecido por NERU.
Tinha andado a «empalhar» à espera de conseguir as fotos com a imagem do seu «modus vivendi» e o que ganhei foi o que disse. Foi uma pena; as fotos eram do mais hilariante que havia mas não há crise pois estas não lhe ficam atrás! Quando eu tiver mais...

domingo, agosto 06, 2006

Torrão - Perspectivas nocturnas

O Neru a dormir... e a curtir a bebedeira


A palmeira do posto médico com a Lua em pano de fundo


Uma outra perspectiva do mesmo local


No céu de Julho, a Lua em Quarto Crescente




Quem havia de dizer que passado pouco menos de uma semana este fosse mortalmente atropelado. Fica a imagem... do Benfica.

segunda-feira, julho 31, 2006







Foi agitada a tarde e noite deste 30 de Julho. Ainda de manhã eu tinha tirado fotos daquele local e à noitinha teria de voltar para tirar estas. Foi «por trás» da Horta dos Passarinhos, na Cabeça d´Águia que deflagrou este incêndio. Ao que parece, as chamas propagaram-se por uma grande extensão chegando a atravessar o rio Xarrama. Atravessar o Xarrama é como quem diz pois nesta época do ano o rio está praticamente seco.

Mas foi bem feito o que aconteceu. Exacto leram bem; foi BEM FEITO. Ninguem limpa as matas e depois é isto que se vê. Na verdade, ao longo do vale do Xarrama, tirando pequenos troços, o matagal é mais que muito; há inclusive zonas do rio que são praticamente inacessiveis devido a este matagal constituido essencialmente por silvados e estramagueiras e há ainda troncos que são arrastados pela corrente e que de verão ficam ali a secar. Ainda este inverno eu tinha ido à pesca para aquela zona e verifiquei que se ali deflagrasse um fogo num verão este iria dar bastantes dores de cabeça. Pelos vistos não me enganei!

Há outra zona que se nada se fizer será pasto para as chamas. Estou-me a referir à barragem de Vale do Gaio. Há muito que eu prevejo uma catástrofe para aquelas bandas. Só não vê quem não quer ou... não pode.

Como se vê os incêndios podem ser evitados... ou potenciados. Agora escolha!!!

domingo, julho 30, 2006

De parabéns

Portugal está de parabéns. Alunos portugueses conseguiram arrebatar três medalhas de bronze e uma menção honrosa nas Olimpíadas Internacionais de Matemática que se realizaram entre os dias 6 e 18 de Julho em Ljubliana, na Eslóvenia.
As Olimpíadas Internacionais de Matemática realizam-se desde 1959 e em 2006 contaram com a presença de 104 países. Aos trofeus até agora obtidos vão-se juntar as três medalhas de bronze e sete menções honrosas conquistados por Portugal desde a sua primeira participação em 1989.
Esperemos agora que aqueles que vão representar Portugal nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática que se realizarão de 23 a 30 de Setembro em Guayaquil, no Equador, tenham o mesmo sucesso. Quanto a mim só lhes posso desejar Boa Sorte.
Isto só mostra que Portugal também tem gente muito boa a matemática embora só a mediocridade é que seja notícia. O problema é que aqueles alunos que são barras a matemática são uma pequenissíma percentagem quando comparados com aqueles que não vão além das negas. O grande desafio que Portugal tem pela frente é, justamente, conseguir que cada vez mais e mais alunos consigam esta performance.
Ah é claro este tipo de competições passam praticamente despercebidas do grande público que só se preocupa com o pontapé na bola. Competições futebolisticas onde Portugal tem resultados confrangedores é que são importantes mas competições com esta em que a Rainha não é a bola mas a Matemática, uma ciência que está por detrás de toda a nossa tecnologia, «não interessam a ninguém» e depois admiram-se de, infelizmente, Portugal ser um atraso de vida.

Torrão - Perspectivas paisagísticas

A Horta dos Passarinhos




Uma paisagem tipicamente alentejana... não é para menos!


Ao longe, o monte das Cruzinhas e a Horta do Pinheiro


O Torrão visto da Ermida


O Torrão visto do seu ponto mais alto


O Moirão, espelho de água devido à Barragem de Vale do Gaio... belíssima imagem não?


O torrão visto do seu ponto mais alto... onde está situado o depósito de água. Não é para menos!


Uma outra perspectiva do mesmo local. Porque é que a torre da igreja Matriz não aparece? É simples! Pura e simplesmente por vergonha... está preta que nem carvão. Há mais de uma década que não vê nem cal nem tinta!!! Caso único na região... não tenho dúvidas.


Todas as fotos foram tiradas de manhã!

terça-feira, julho 25, 2006

Nostalgia

Retrato do bloguista quando (mais) jovem

Depois de um periodo relativamente grande de inactividade «bloguista» eis que de repente fui invadido por uma força que me impele a «blogar» que nem um maluco. Esta febre que de repente me possuiu não só me impulsiona a «postar» como me leva a tornar o «Pedra» menos pesado, menos duro, menos austero e, como é obvio, menos maçudo. Agora, para além da análise política e de outros assuntos que dominam a actualidade abro o leque a diversos temas tentando sempre que possivel adicionar uma imagem a cada «post» pois já lá diz a sabedoria popular que uma imagem vale mais que mil palavras.
A nostalgia do passado deu-me para isso. Não é nenhum cromo! Nem tão pouco uma figura pitoresca do Torrão - não tem estilo para isso. Eis-me aqui retratado em Agosto de 1988.
Ó tempo volta p´ra trás!!!

Outros mundos





Espectacular! É a unica palavra que eu consigo encontrar para descrever estas espantosas imagens. Foi sem duvida coisas como estas que me levaram a estudar e licenciar em Física.

Figuras pitorescas do Torrão I



Fotos by PAULO SELÃO

É sem duvida uma das personagens mais pitorescas do Torrão. Ernesto Esquina mais conhecido como Saruga.

domingo, julho 23, 2006




Fotos by PAULO SELÃO


O meu canário mais «carismático». Eis o BIGODE!!!

Mi casa es su casa

Foto by PAULO SELÃO


Eis a minha sala de entrada; ornamentada com a mais bela bandeira do mundo. Primeiro que a verde-rubra só mesmo a antiga e quiçá futura belíssima bandeira do Reino de Portugal.

domingo, julho 09, 2006

Somália – O ressurgimento do «talibanismo»?

Pode estar ainda a passar despercebido a muita gente aquilo que se passa na Somália – talvez por ter estado tudo com os olhos postos no Mundial de futebol; quem sabe? – mas o que é certo é que o novo movimento que está a surgir no desgovernado país do «corno de Africa», denominado Tribunais Islâmicos, tem tudo para vir a fazer da Somália um novo Afeganistão. Este movimento que vai ganhando força de dia para dia já demonstrou a sua verdadeira natureza. Proibiram a assistência do Mundial de futebol e se dúvidas ainda existiam, surgem agora rumores de que um grupo de homens armados, pertencente aos Tribunais, irromperam por um casamento adentro proibindo a música, agredindo as mulheres e confiscando os instrumentos musicais alegando que a música ali tocada era «diabólica» contrária aos preceitos do Islão. Onde é que já ouvimos isto? Ou eu me engano muito ou o próximo passo dado por esta milícia será impor às mulheres somalis o uso da burka.
É claro que quando este movimento se conseguir impor em todo o país e começar a governar a Somália, um país praticamente sem Governo há mais de uma década, com mão de ferro corre-se o risco da Somália se vir a transformar num novo santuário terrorista. Basta o mundo estar distraído... apenas com o Iraque, o Irão e a Coreia do Norte.

sábado, junho 17, 2006

Boa Sorte Portugal


Embora ache exagerado o ambiente em torno do Mundial e concorde em absoluto com Alberto Gonçalves e Alfredo Barroso - daí eu ter publicado os seus textos no «Pedra» - não posso deixar de desejar boa sorte a Portugal para o resto do Mundial esperando que a participação portuguesa seja um exito. Bem sei que vem tarde, contudo o execesso de trabalho não me tem deixado muito tempo disponivel para «postar».

Luis Afonso in Correio da Manhã

A elite das chuteiras

A cada dois anos, o ritual segue um protocolo rígido, Há uma competição internacional de futebol. Portugal em peso entra em histeria «patriótica». Algumas almas queixam-se do massacre e são imediatamente suspeitas de conspirar contra o «povo». Preparam-se as fogueiras.
Ainda há dias, coube ao director de «A Bola», Vítor Serpa, acusar Pacheco Pereira do terrível crime de «elitismo». Evidencias? Pacheco Pereira tem fama de «intelectual» e, não satisfeito, escreve artigos em que insinua desinteresse por Cristiano Ronaldo, pelas condições sanitárias da selecção em estagio e pelo futebol em geral. Que a lenha arda devagar.
Entretanto, gostaria apenas de sugerir que «elitismo» não me parece a acusação adequada. Desde logo, o nosso senso comum mostra-nos que as nossas «elites» são altamente sensíveis ao futebol. O prof. Marcelo inventou as bandeirinhas. O dr. Sampaio é um fervoroso adepto. E não têm em conta as «altas personalidade» da política, da cultura e das finanças que trocam o expediente pela sedução de uma final. Mais: os 725 programas sobre o assunto estão atafulhados de romancistas, realizadores de cinema, académicos e restantes espécimes a que, por conforto ou generosidade, podemos chamar de «intelectuais». Como se nota, nem é preciso sair do país e invocar o recorrente aval de Camus, de certos romancistas britânicos, espanhóis e argentinos e, sobretudo, das letras brasileiras, as quais, de Gilberto Freyre a Drummond de Andrade, reverenciam amiúde o dito desporto-rei.
A bem dizer, tirando referências pontuais (e muito classe média: o meu pai, o meu avô paterno, os meus melhores amigos), só vi indiferença generalizada pela bola no Interior rural, que talvez não seja um exemplo nítido de elitismo. Quando eu era uma criança benfiquista e fanática, as viagens à aldeia, inúmeras que fossem, eram sempre acompanhadas de um ligeiro choque: aquelas pessoas, da minha geração, e das gerações acima, não falavam de futebol. No máximo, alguns jogavam-no. Infelizmente, melhor que eu.
Elitismo? O prof. Nuno Crato lembra que o futebol, no qual o sucesso é reservado a pouquíssimos (afinal milionários), é mais elitista que a matemática. O elitismo não é o problema. O problema é que, à semelhança do que sucedeu com Timor, ou com a Expo (ambos com resultados brilhantes), os «desígnios nacionais», na falta de legitimação real, valem-se da unanimidade cega e não admitem excepções. Hoje, não apreciar futebol já é doentio: não venerar a selecção constitui uma violação da paz social, merecedora das piores torturas e insultos. Dentre estes, «elitista» soa bem, mexe nos cordelinhos exactos e serve a grotesca propaganda oficial. Embora não signifique coisa nenhuma.
Até porque há os casos complicados. Como o meu, que gosto de futebol mas prefiro um bom livro, que verei o Mundial mas sem ardores nacionalistas, que delirava com Futre mas não perco tempo com Figo, que tenho uma sogra que foi amiga de Garrincha mas não falo com ela. Eu sou o quê? Elitista? Populista? Esquizofrénico? Aguardo, ansioso, que Vítor Serpa me esclareça.

Alberto Gonçalves in Correio da Manhã

Provocação sem bola

Então e a judoca Telma Monteiro – que conquistou há cinco dias, na Finlândia, o titulo de campeã da Europa – não merecerá patrióticas bandeirinhas nacionais hasteadas em tudo o que é sitio, desde as janelas dos prédios aos tejadilhos dos táxis, passando por portas de mercearias e supermercados, átrios de centros comerciais, bombas de gasolina, cartazes publicitários e ecrãs de televisão?! E haverá 15 mil mulheres dispostas a formar uma nova bandeira humana para homenagear uma jovem atleta de alta competição, com apenas 20 anos, que já arrebatou duas medalhas de ouro, uma de prata e cinco de bronze em campeonatos europeus e mundiais de juniores, de sub-23 e de seniores – e que, neste momento, lidera o ranking mundial de judo na sua categoria (-52 Kg)?!
Estas perguntas são uma provocação, bem sei. O judo não é um desporto popular e mediático que atraia as massas (tanto em sentido próprio com figurado) e mereça um investimento «patriótico» das televisões, da banca, do petróleo, da cerveja sem álcool, e de empresas nacionais e multinacionais de refrigerantes e de artigos desportivos. Quem é que quer ouvir em ippon, yuko, waza-ari ou koka, quando o orgulho da pátria se traduz em off sides, corners, penalties, dribles, fintas, pontapés e golos? E quem é que já ouviu falar no Centro Cultural e Desportivo Construções Norte-Sul, o clube de Almada que a Telma Monteiro representa? Mais: quem é que imagina os sacrifícios que esta jovem atleta olímpica de alta competição tem de fazer e as dificuldades em angariar patrocínios, apesar do notabilíssimo currículo desportivo que ostenta?
É muito mais fácil e mediático encher as primeiras páginas dos jornais e abrir os telejornais com as derrotas, humilhações e fiascos das selecções nacionais de futebol – tanto a principal (Mundial 2002) como a olímpica (Olimpíadas 2004) como, agora, a de sub-21 (Euro 2006) – do que com o feito, inédito, da primeira portuguesa a conquistar o titulo de campeã europeia de judo. Falo desta modalidade desportiva bastante exigente, quer em termos físicos e psicológicos quer em termos técnicos e tácticos, como poderia falar de outras modalidades desportivas que em Portugal já teve magníficos praticantes, como o atletismo, hoje sem infra-estruturas físicas que permitam o treino adequado (em Lisboa, quase só resta o Estádio Universitário). Não me espanta, por isso, o lamento do velho professor Eduardo Cunha (tem 80 anos e ainda treina): «Tenho medo de verdade que Portugal seja campeão mundial de futebol. Porque aí é que acaba tudo!»
Gosto muito de futebol, percebo que ele seja um poderoso factor de identidade e ficaria radiante se os «nossos pés da Pátria» conquistassem o título mundial. Mas custa-me a engolir o desprezo a que são votadas outras modalidades desportivas em Portugal. Sobretudo custa-me a perceber esta insólita associação entre patriotismo e publicidade no futebol. Nunca fui marxista, leninista, maoísta ou trotskista, mas não tenho a menor duvida de que o capital não tem pátria. É tão evidente como o jogo de futebol.

Alfredo Barroso in Diário de Noticias

quinta-feira, maio 25, 2006

Estes não brincam

Se alguns pensavam que a final da Taça de Portugal iria ser um «remake» do ano passado enganaram-se. Tal como o ano passado, um dos finalistas tinha-se sagrado há poucos dias campeão. A equipa adversária foi a mesma: o histórico Vitória de Setúbal. Só que a atitude deste campeão foi diferente da do ano passado. O FCP que se sagrou campeão este ano foi de poucos festejos e pouco champanhe. Comemoraram quanto baste, no Dragão, a conquista do campeonato, fecharam-se em copas, adoptaram um «low profile» e assim foi até ao dia do jogo. Dos próprios adeptos também pouco se viu nos festejos do campeonato. O que se passaria?
O meu Benfica foi campeão o ano passado depois de mais de uma década de jejum. Houve festa rija entre os adeptos, jogadores e demais figuras. Grande negócio e grande furo para os media. Mas ainda havia mais uma final para disputar. A ser ganha, o Benfica concretizava algo que não conseguia há duas décadas: a «dobradinha! Mas que importava isso?! O que é que aconteceu? Loucura, desleixo, pouco profissionalismo, uma autêntica irresponsabilidade.
O Benfica sagra-se campeão no Bessa, vem em festa todo o caminho, chegando a Lisboa de madrugada. No dia seguinte há folga - e o Vitória treinava - depois houve, curiosamente, uma gala no Porto onde o plantel do Benfica e o seu treinador foram homenageados. Em vez de ir só este e, no limite, o capitão de equipa... foram todos. Toca a ir para o avião para estar na gala nocturna. Depois foi a homenagem na Câmara de Lisboa (que só deveria ter acontecido depois da final da Taça) na segunda-feira - e o Vitória treinava. O jogo era domingo e os treinos no Benfica só começaram três dias antes, na quinta-feira - e o Vitória há muito que estava empenhado e concentrado. Os treinos à porta escancarada com adeptos eufóricos e os jogadores em descompressão e com descontracção total - e o Vitória treinava serenamente em sossego. Para o Benfica o jogo ou era favas contadas ou então, qual cigarra de La Fontaine, haja diversão que depois logo se vê.
Domingo, final da Taça de Portugal 2004/2005. O Benfica teve um entrada promissora e ao intervalo ganhava 1-0. Mas um Vitória bem mais fresco virou o marcador. 1-2 e arrecada a taça. Quem viu o jogo percebia que os atletas encarnados, às tantas já não corriam… arrastavam-se, marcaram um golo e ficaram na expectativa.
O F. C. Porto não foi em cantigas, mostrou maturidade e profissionalismo e depois... bem depois foi o que se viu. O Porto fez a «dobradinha» e a seguir houve festa rija. Para a próxima já sabem embora seja imperdoável uma equipa profissional fazer aquilo que fez. Não admira que o Benfica só faça «dobradinhas» «quando o Rei faz anos»

PS. Ao que parece esta república que ninguém pediu nem sufragou vai mudar a sua designação para República Futebolística Portuguesa. À boa maneira terceiro mundista, na final da Taça de Portugal estavam nada mais nada menos que o Nº 1 da república, Cavaco Silva; o número 2, Jaime Gama; o numero 3, José Sócrates e inúmeros ministros, Secretários de Estado e Deputados. O que é mais grave é que esta situação é recorrente. Só não vi os titulares dos órgãos judiciais. Será que também estavam presentes e eu não os vi ou reconheci?

quarta-feira, maio 10, 2006

Que património histórico?


«Dubitando ad veritatem prevenimus»

É com relativa frequência que se invoca a riqueza e vastidão do património histórico do Torrão como argumento para visitar a nossa terra. Mas será que o património histórico do Torrão é assim tão vasto e rico de tal forma que mereça ser visitado? Ou será que pode mesmo ser visitado? Ou será que está suficientemente preservado e em condições de ser visitado? Eu duvido! E receio que, infelizmente, não seja bem assim senão vejamos:

Comecemos pelo Obelisco de Algalé que invoca um trágico acontecimento decorrido no período da mais sangrenta das guerras civis portuguesas (1832-1834) que opôs Liberais e Absolutistas. Quem quiser visitar este monumento... não pode pois como tal se situa em propriedade privada e como o portão está fechado a cadeado só arrombando o portão ou pulando a cerca e invadindo propriedade privada é que alguém pode ver tal património. Quanto ao obelisco estamos conversados!

A Capela de S. João da Ponte encontra-se encerrada mas quem quiser ver alguma coisa perde o seu tempo pois esta não tem rigorosamente nada lá dentro.

O Convento de Nossa Senhora da Graça é outro caso perdido. Só mesmo o exterior do convento é que pode ser «apreciado» embora este se encontre bastante degradado com as paredes enegrecidas e com algumas partes já sem o reboco. Se alguém quiser ver o que está lá dentro não vale a pena o esforço pois o mais que vai encontrar são os bens dos actuais proprietários. Na verdade, além de não haver qualquer obra de arte no seu interior foi o convento vendido estando deste modo nas mãos de privados e portanto alguém só vê o interior do convento se os actuais proprietários autorizarem. Este monumento é hoje uma triste sombra daquilo que deve ter sido quando foi concluído.

O Monte da Tumba está em estado de abandono há vários anos. Quem visitar o lugar encontra desleixo, abandono... um monumento desprezado.

A Calçadinha Romana é outro exemplo de património abandonado. Na verdade, da última vez que lá estive até houve alguém que se deu ao luxo de a cortar com uma cerca improvisada para não deixar passar ovelhas. Para além disso há partes que estão coberta de ervas e silvas.

As fontes são um bom exemplo de património bem preservado embora algumas sejam recentes (Fonte do Poço de Cima – 1901, Fonte da Ponte - 1915). Uma das mais antigas é a Fonte Santa que, fazendo fé no que é dito no site da Junta de Freguesia do Torrão, é um vestígio da época romana. Contudo, o que não é dito é que a sua forma actual data do século XVIII sendo a sua bela traça um exemplo da arquitectura da época. Quem olha para a fonte identifica quase instantaneamente o seu estilo barroco. Infelizmente isto não é dito informando-se apenas que a fonte tem uma conduta de 100 metros – um pormenor; interessante mas um pormenor na medida em que ninguém vê a conduta nem se vai pôr a medi-la. Pode ter 100, 50, 200 ou 1000 metros que é absolutamente irrelevante.

A Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso foi de facto restaurada em 1999 mas como raramente alguém lá vai e não se faz a manutenção do espaço, começa a dar os primeiros sinais de degradação. Quem quiser visitar a ermida encontra-a fechada contudo, se o conseguir, vale a pena visitar o seu interior.

O Palácio dos Viscondes do Torrão é onde funciona actualmente o lar de terceira idade havendo contudo algumas parcelas que não estejam nas mãos da Santa Casa da Misericórdia do Torrão mas, mais uma vez, de privados. Ao contrário do que é dito no site da Junta de Freguesia, não foi restaurado. Está a ser restaurado há cerca de uma década estando uma parte de facto restaurada sendo ainda necessários mais uns bons anos até ficar restaurado na totalidade. São ainda visíveis alguns frescos nas paredes mas não vale a pena visitar o interior porque como as coisas estão é perigoso.
Termino comentando o facto de aqui ter sido cometido um erro de gestão. Este edifício tem, na minha opinião, mais vocação para ser um edifício de poder do que um lar da terceira idade até porque para ter acesso aos quartos tem que se subir umas escadas íngremes não muito recomendadas a pessoas na terceira idade. Porque é que não foi realizado um protocolo entre o Governo e a Misericórdia para em vez de construir um posto da GNR de raiz se aproveitar o edifício para ser o posto e ser construído um lar de terceira idade de raiz que não teria necessariamente de ficar no local onde se ergue o actual posto? Infelizmente o mal está feito e a miopia de que dirige o país e as instituições está à vista!

A Igrejinha de S. João fica parcialmente submersa quando a barragem de Vale de Gaio enche na totalidade. Não passa de uma ruína.

A Igreja de S. Fausto (ou Fraústo) está apenas reduzida às suas quatro paredes estando a área interior delimitada por estas, ocupada com um imenso silvado.

A Igreja da Matriz está no estado descrito no anterior artigo. Há anos que as suas paredes não são caiadas e em algumas paredes há partes cujo reboco caiu ficando o tijolo exposto. Para além disso há muitos anos que uma figueira brava e inúmeras ervas daninhas subsistem no telhado minando as paredes e o telhado com as suas raízes e a humidade.

E finalmente a Igreja da Misericórdia também chamada Igreja de Nossa Senhora da Albergaria. Depois de muitas décadas de abandono e degradação foi finalmente restaurada, de acordo com o site da Junta de Freguesia, em 1994. É um monumento que vale a pena visitar pois o seu interior apresenta-se em condições sendo de destacar o altar em talha dourada e quatro retábulos de Arte Sacra datados do século XVI que retratam episódios da vida de Cristo.
Quero contudo deixar um reparo a uma situação que eu não sei se é um grave erro e desconhecimento da Historia de Portugal ou se é apenas um «lapsus calami». Antes de abordar esse assunto, chamo a atenção a quem fez ou está a fazer o site da Junta de Freguesia do Torrão para uma gralha que tem de ser corrigida. A dita gralha está na data de construção da igreja que não foi, obviamente, 1945. Basta os autores do site verem a bibliografia que consultaram para verificarem que a data apontada é 1495. E agora vamos à situação: Quem fez o site não é o responsável pois os seus autores limitaram-se a transcrever exactamente o que está escrito na única fonte bibliográfica que, tudo leva a crer, consultaram – Timeo hominem unius libri – que eu sei bem qual é pois tenho um exemplar desse livro, sobre o Torrão, em minha casa e quando o li pela primeira vez imediatamente me apercebi da situação e quando agora li o que estava escrito no site identifiquei imediatamente de onde tiraram a informação pois nem sequer se deram ao luxo de ser originais, de apresentar a história da igreja usando outras palavras. É pois dito que, e passo a citar «D. Margarida de Areda (a fundadora) era contra a ideia de esta Igreja fazer parte das Misericórdias e devido a isso as obras de construção da Igreja na altura pararam e só foram concluídas em 1636, quando finalmente a Igreja foi englobada nas Misericórdias por ordem do Cardeal D. Henrique». E é aqui que reside o busílis da questão. O texto é um pouco confuso e absurdo – embora já tenha lido o livro há algum tempo só há pouco menos de um ano é que tenho um blog e só agora é que surgiu a oportunidade de comentar tal facto pois só agora é que o tema pôde ser englobado. Por aquilo que me é dado a entender, a forma como eu, e certamente muito mais gente, interpreta o texto é a seguinte: as obras foram iniciadas, ainda no século XV, mas como se pretendia anexar a futura igreja às misericórdias, a fundadora, que não viu a coisa com bons olhos, mandou parar as obras reiniciando-se estas mais tarde, estando finalmente concluídas em 1636. Tal só veio a acontecer quando a igreja foi finalmente englobada nas misericórdias por ordem do Cardeal D. Henrique. Da maneira como está escrito, somos levados a entender que o processo se deu de forma linear e acelerado, na última etapa. Que já bem no século XVII é que o imbróglio se resolveu quando D. Henrique interveio e, de uma vez por todas, mandou englobar a igreja nas misericórdias o que implicou o rápido recomeço das obras e a sua rápida conclusão. Ora a história não é assim tão linear. Pelos vistos, o monumento começou a ser construído ainda no século XV e só terminou nos anos trinta do século XVII logo quando é dito que «... as obras de construção da Igreja na altura pararam...» é um pouco absurdo e impreciso. Mas o que é que se quer dizer com altura?! Em que altura foi? O processo não demorou meia dúzia de anos mas sim quase um século e meio ou mais precisamente, uns longos 141 anos daí que não se possa saber, olhando para o que está ali escrito, em que altura as obras pararam. Ainda no século XV ou só no século XVI? No início? Quando este já ia entradote? Na primeira metade? Na segunda metade? Não se sabe!
Embora não me esteja a apoiar em qualquer documento nem tenha consultado qualquer bibliografia o que leva a que o que vou escrever de seguida não passe de pura especulação, a explicação que para mim é a mais plausível parece ser esta:
A Igreja de Nossa Senhora da Albergaria começou a ser construída ainda no século XV, mais exactamente em 1495 no entanto alguém com o necessário poder político e/ou eclesiástico determinou que a futura igreja deveria ser englobada nas misericórdias. Contudo esta deliberação encontrou a viva oposição de D. Margarida que de imediato mandou parar as obras. Ao que tudo leva a crer, este contencioso deve ter tido início já no século XVI pois a primeira misericórdia a ser fundada no Reino (que foi a de Lisboa) só nasceu a 15 de Agosto de 1498. Seja como for, o impasse deve ter durado até à morte da fundadora e, ao que tudo indica, continuou nos anos seguintes. A situação só viria finalmente a ser desbloqueada com a intervenção directa do Cardeal D. Henrique que ordenou que a futura igreja deveria ser englobada de uma vez por todas nas misericórdias. Fosse porque motivo fosse, o que é certo é que infelizmente na referida obra sobre o Torrão não foi escrito a data em que esta decisão foi tomada daí que não saibamos se D. Henrique tomou esta decisão na qualidade de Arcebispo de Évora ou de Rei de Portugal. Contudo, aquilo que se deve sublinhar é que a decisão surge, de certeza, mais de meio século depois do início das obras pois D. Henrique torna-se Arcebispo de Évora em 1545 e Rei de Portugal em 1578. Contudo tal decisão nunca poderia ter sido tomada nem no século XVII nem nos últimos vinte anos do século XVI pois D. Henrique morre em 1580.
O que é certo é que a decisão não implicou que as obras fossem retomadas de imediato mas provavelmente, décadas depois da morte do Cardeal-Rei, já bem dentro do século XVII, sendo as obras concluídas, enfim, em 1636. Esta é que será certamente a versão mais correcta acerca da conturbada construção desta igreja.

Contudo, o que importa, resumindo e concluindo, é que o tão propalado património histórico, em boa parte, ou está arruinado ou nas mãos de privados ou não passa de um vestígio que ainda subsiste. Se alguém quiser visitar o Torrão única e exclusivamente para visitar o património histórico levado por certa publicidade enganosa será defraudado e perderá o seu tempo. Agora, quem vier visitar a nossa terra pelo seu, aí sim, vasto e rico património natural, a sua riqueza gastronómica, a sua pacatez e a sua arquitectura tipicamente alentejana e queira aproveitar para ainda assim visitar os vestígios históricos e os poucos monumentos que ainda conservam alguma da sua riqueza e esplendor verá o seu tempo por bem entregue.

quarta-feira, abril 26, 2006

Nada acontece por acaso

Será apenas coincidência o facto de somente um dia depois de Bin Laden ter voltado a dar sinais de vida numa mensagem, que entre outras coisas, vem justificar ataques contra civis por, segundo ele, serem tão responsáveis - pela agressão ao Islão - quanto os seus governos, ter ocorrido um atentado numa zona turística egípcia junto ao Mar Vermelho? Embora o ataque tenha ocorrido num país muçulmano cuja principal receita provém do turismo e a maioria das vitimas mortais sejam egípcios não há dúvida de que o alvo dos atentados eram os turistas ocidentais que por ali gozavam as suas férias.

quarta-feira, abril 12, 2006

Estranho silêncio

Um atentado terrorista no Paquistão matou 52 pessoas e fez centenas de feridos. É o maior atentado registado no país nos últimos 20 anos. Até agora a única reacção de condenação partiu da China. O resto é silêncio. «Somos todos nova-iorquinos» dizia-se por altura do 11/9; «Somos todos espanhois» dizia-se a 11/3; «Somos todos londrinos» foi dito a 7/7. Então, agora ninguém é paquistanês?

sábado, abril 08, 2006

Uma ideia feliz... e uma grande falta de vergonha!


Pode-se dizer que agora é que Junta de Freguesia do Torrão acaba de entrar no século XXI. Na verdade quem quiser já pode visitar no seu site, na Internet, cuja morada é: http://www.torrao.freguesias.pt/.
Já tive oportunidade de o visitar. É um site bem conseguido, arrumado e interessante. Em suma, é um site feliz. Mas no melhor pano cai a nódoa! O que se passa é que neste é dado a conhecer o património da freguesia onde se faz uma breve resenha que é devidamente acompanhada por uma foto. Então não é que infelizmente foi colocada como imagem ilustrativa a foto acima, da Igreja Matriz, que demonstra bem o estado a que chegou o dito património e em especial esta igreja? Nem se quer ninguém se deu ao luxo de «maquilhar» a imagem ou colocar uma fotografia antiga onde a torre apareça caiada, alva e não negra como carvão e com uma barra branca (cuja altura é aquela até onde a cana alcança). Desafortunadamente que grande publicidade se faz... ao desleixo! Mostre-se o património do Torrão, que não é tão rico como se pensa até porque boa parte está ao abandono e arruinado, mas que esteja bem preservado. É já nos próximos dias que se realiza a procissão anual que decorre sempre por esta altura e ainda a histórica igreja se apresenta vergonhosamente degradada pelo menos no exterior. Aproveite-se a primavera e o verão para fazer uma restauração de fundo neste monumento. Do que é que estão à espera?! Mãos à obra e que as próximas fotografias mostrem um património bem preservado.