sábado, outubro 06, 2012

Assim sim! Viva Portugal!



Como é apanágio deste blog, aqui celebra-se o 5 de Outubro mas de 1143, dia do acto fundador da nacionalidade, a assinatura do Tratado de Zamora em que Portugal é reconhecido como um reino independente.
Celebremos pois condignamente.


Um regime de pantanas

"Se mandarem os Reis embora, hão-de tornar a chamá-los. Eu que suponho que as instituições monárquicas podem, devem e hão-de ser algum dia garantias de liberdades, estou por esta parte inteiramente descansado"
Alexandre Herculano (1810-1877)
 
"Bandidos da pior espécie (muitas vezes, pessoalmente, bons rapazes e bons amigos – porque estas contradições, que aliás o não são, existem na vida), gatunos com seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas-natos com grandes patriotismos íntimos, de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime a que, por contraste com a Monarquia que o precedera, se decidiu chamar República."
Fernando Pessoa (1888-1935)
 
"A Monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a República que veio multiplicou por qualquer coisa - concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) - os escândalos financeiros da Monarquia."
Fernando Pessoa (1888-1935)

E o regime está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que por direito mental devem alimentar-se.»
Fernadno Pessoa (1888-1935)


 

Alexandre Herculano vaticinou premonitoriamente. Fernando Pessoa dissecou com uma precisão assombrosa e cortante aquilo que já lhe era óbvio. Estivessem cá ambos.
Desengane-se quem pensar que isto é uma montagem. Não é! Aconteceu ontém no reservado espaço (Páteo da Galé), onde os condenados (às galés)... perdão - se bem que a esmagadora maioria o merecia - dignatários da república se refugiaram com medo da... res pública, do povo.
Alguns poderão vir dizer que todos os problemas de Portugal fossem a bandeira hasteada ao contrário. Mas não. Nem a isso se atrevem pois sabem que não há força maior do que a força de um simbolismo. Para a mente humana a força de um simbolo é avassaladora. Nos tempos que atravessamos. esta iamgem é mortal, é simplesmente demolidora, desmoralizante, desanimante, é uma imagem de descrédito, de bandalheira, de desvergonha total. É o fim!

Aquilo que ontém verificamos mais não é do que o expoente máximo daquilo que vem sucedendo. Não é só o povo da bola que volta e meia dá uma cambalhota ao pendão republicano sendo que até em edificios públicos como tribunais, Câmaras, Juntas, etc. tal se verifica. Este, até pela força do simbolismo e por ser em directo, é apenas o mais ridículo, grotesco e caricato de todos os eventos do género.

Os códigos militares são explícitos: uma bandeira hasteada ao contrário significa rendição e que o local está tomado pelo inimigo, cabendo até ao inimigo hastear a bandeira do derrotado ao contrário como forma suprema de humilhação e com o objectivo da desmoralização total retirando ânimo, vontade e motivação a quem ainda queira lutar e procure inverter o rumo dos acontecimentos - é essa funesta carga simbólica que uma bandeira invertida carrega.


Mas quem pensa que só em Lisboa é que há bandeiras de pantanas desengane-se. No mais recôndito local o mesmo se verifica. Naturalmente que o nosso Torrão não ficou atrás e já havia cometido a proeza. Aqui está retratada a bandeira hasteada no edifício da Junta de Freguesia mas em outras instituições cá do burgo já se cometeu a mesma façanha.
Mais triste ainda foi ouvir de viva voz o nosso gracioso edil, ex-militar de carreira, de classe intermédia, ver aqui uma coisa perfeitamente normal e banal referindo à boca cheia que na tropa era a coisa mais normal e natural do mundo: a bandeira ser hasteada ao contrário, calcule-se. Só se for uma tropa fandanga, patamar ao qual eu não acredito que as nossas Forças Armadas tenham chegado ainda, muito graças ao alto gabarito dos homens e mulheres, nomeadamente Oficiais, que as compõem, embora infelizmente, na minha modesta opinião, estejam no limiar.
Ontém, graças a esta moscambilha, Portugal foi humilhado e motivo de chacota por esse mundo fora. Com o advento das redes sociais e dos blogs estes fenómenos têm uma repilcação viral. Nada que tire o sono a estas nulidades.

Da democrática censura republicana

«Toma lá que é democrático»



(...) Da digníssima sessão patriótica que teve lugar no Palácio da Independência, nada. A Mesa Censória continua como dantes, cortando, silenciando, torcendo, escolhendo aqueles que existem e impedindo de falar aqueles que detêm, talvez, a chave para a salvação da liberdade deste país que se vai despenhando lentamente pelos caminhos do caos e da anarquia. O Senhor Dom Duarte, de mãos limpas - os monárquicos não roubaram, não traíram, não engaram - preferiu uma comunicação que devia ter sido ouvida, lida e reflectida por todos os portugueses. Falou de pátria, de salvação colectiva, de amor e cooperação entre todos os portugueses, lembrou que estamos todos juntos e que a salvação reside na unidade. Para os lápis vermelhos do garrote da censura que não reconhece o nome, a única sessão do dia que convidava à elevação não aconteceu. Este país é, manifestamente, merecedor das maiores reservas. Recusa a mão que lhe estende a paz, a dignidade e a restauração. (...)
 

O brio de uma nação e a vergonha de outra

" Pobres homens, mais dignos de piedade que de rancor os que imaginam que é com um carapuço phrygio, talhado á pressa em panno verde e vermelho, que mais dignamente se póde coroar a veneranda cabeça de uma patria em que se geraram tantos grandes homens, a cuja memoria imperecivel, e não aos nossos mesquinhos feitos de hoje em dia, devemos ainda os ultimos restos de consideração a que podemos aspirar no mundo! Pobre gente! Pobre patria!
Ramalho Ortigão, « Ultimas Farpas »


Orgulho, brio, milhares de pessoas na rua e todo o esplendor do cerimonial protocolar no Reino Unido. Aqui o povo é convidado e celebra a sua res pública. Até arrepia. Será o Reino Unido porventura um país atrasado de vida? E depois temos a bandalheira e a vergonha mas também a coragem e a razão do lado daquelas duas grandes senhoras. Observe-se e compare-se. Só deixo uma questão. Se os portugueses fazem tanta questão de ter uma república em Portugal porque é que depois emigram para o Reino Unido, para o Reino da Austrália, para o Reino do Canadá, para o Reino da Noruega, and so on?

quinta-feira, outubro 04, 2012

Neste puzzle há peças que não encaixam

Na nossa deslocação às Alcáçovas, aproveitamos para ir visitar a sua Igreja Matriz. Perante o que vimos e as informações obtidas, muitas interrogações se nos puseram.
 
Ao aproximar do local verificamos com agrado e perplexão - porque no Torrão não é hábito - que a igreja é alvo de limpeza constante.
À pergunta de se se podia visitar a igreja a resposta foi afirmativa e o cenário com que nos deparamos não podia ser mais diferente daquele com que nos deparamos no Torrão no passado mês de Março e que, convenhamos, está à vista.
A Igreja Matriz ou de S. Salvador está impecávelmente limpa e imaculadamente asseada e arranjada. As suas paredes são de uma alvura assombrosa o que revela que serão caiadas com relativa frequência. Ali não há fissuras nem nas paredes, nem nos altares, nem os frescos estão degradados ou remendados. Ali não há infiltrações de água pois não há qualquer mancha amarela ou de bolor em qualquer parede. Basta entrar e na primeira inspiração nos apercebemos do asseio. Cheira a limpo, cheira agradávelmente a limpo em contraste com o Igreja do Torrão, bafienta, com cheiro a mofo e a bolor. Os estrados onde assentam os bancos - que também eles se encontram bem preservados - são novos.
À saida elogiamos com sinceridade, e sabendo de antemão do estado de outros locais similares, a dedicação, a preservação deste património, a beleza arquitectónica da igreja, em suma, tudo o que merece ser digno de elogio e é-o com toda a certeza merecedor de tal.
Perguntamos se a igreja era limpa com regularidade. Foi-nos respondido que sim. Todas as Terças-feiras são dias de limpeza. Excepcionalmente, no passado Domingo, dia 30 de Setembro, que o foi devido ao facto desse ser o dia da cerimónia de tomada de posse do Padre Abraão, o novo pároco de Alcáçovas. A limpeza é feita não por pessoas ligadas à paróquia nem por funcionários camarários mas sim por uma pequena empresa particular de limpezas. Perante tal, impunha-se a pergunta óbvia de quem é que pagava às senhoras da limpeza. Comissão Paroquial? Câmara Municipal de Viana do Alentejo? Junta de Freguesia das Alcáçovas? Comissão Paroquial?
Ninguém nos soube (ou não quis) responder. Apenas nos foi dito que recebiam devidamente pelo serviço efectuado.
 
As óbivas, incómodas e necessárias questões surgem então:
 
Como pode ser tão grande a diferença entre ambos os monumentos? Como é que se justifica tão abissais diferenças? Como pode uma igreja, ambas matrizes, estar tão acarinhada, preservada, limpa e outra, qual parente pobre, qual patinho feio, suja, altamente degradada, bafienta, notoriamente abandonada, notoriamente desprezada e tudo o mais que as imagens mostram? Estamos a falar de duas localidades que distam entre si apenas 14Km e que são ambas povoações muito similares e com caracterísitcas idênticas?
 
Quem são os responsáveis em ambos os casos pela imponência de uma e pelo ocaso de outra?
 
Paróquia? Autarquias? Populações? Estados de alma? Quem ou o quê?
 
O assunto do estado das igrejas do Torrão, nomeadamente da Matriz já foi discutido algumas vezes em Assembleia de Freguesia. O Executivo, e em particular, o Sr. Presidente da Junta afirma insistentemente que tanto a Câmara de Alcácer como a Junta do Torrão reuniram com o Sr. Padre e que inclusive havia disponível uma verba de dez mil euros mas que os responsáveis da igreja não mostraram grande interesse e como tal nada mais pode ser feito. Não pomos em causa. Não conhecemos os factos e nas assembleias infelizmente nunca há contraditório...
É crucial e por estes dias é cada vez mais importante a inevitável declaração de interesse, ou seja, referir apenas isto: Foi dito e reafirmado em sessões públicas da Assembleia de Freguesia, note-se, para que posteriormente não venhamos a ser acusados, de forma pouco séria e falaciosa, de ter acesso a informação privilegiada e nos aproveitarmos de forma abusiva de tal facto. Foi, sublinhamos mais uma vez, dito em sessão pública da Assembleia de Freguesia. 
 
Perante tudo isto, e sabendo que ambas as paróquias pertencem à Província Eclesiástica de Évora, e que, mais do que isso, até à semana passada, ambas as paróquias tinham o mesmo pároco, há factos que parecem contraditórios, que são contraditórios, que não encaixam, que alguém nesta história estará a faltar à verdade e portanto pergunta-se:
 
Se tanto a Paróquia do Torrão como a Paróquia das Alcáçovas pertencem à mesmo província eclesiástica (Diocese de Évora) e se ambas as paróquias foram até há bem pouco tempo regidas exactamente pelo mesmo pároco, o Sr. Padre Jerónimo Fernandes, como é que se explica a diferença? Como é que uma igreja é filha e outra enteada? Como e porque é que a igreja do Torrão está num estado lastimoso e a de Alcáçovas está imaculada, está num brinco?
 
E, relativamente a verbas, qual a disponibilidade de cada uma das comissões paroquiais? E qual a fonte dessas mesmas verbas? Se há diferenças substanciais a que se deve tal desigualdade? Apoios autárquicos? Mecenato? Desigualdade na atribuição de verbas por parte da diocese?
 
Perguntas pertinentes que nunca ninguém faz, e pior, ninguém responde. A política do encobrimento, do fazer as coisas à sucapa, às escondidas, a política do esconde-esconde ainda são um facto mas felizmente em vias de extinção. Por isso nós estamos cá também, para ajudar a enviar essa política e esse modus operandi para o caixote do lixo. Estamos na era da informação e não na era do obsurantismo, não na era do fazer às escondidas, não na era do jogo de sombras. É preciso pôr uma pedra tumular em cima da política da meia-verdade, da mentira, do logro, da trapaça, do ronceirismo. Os torraneses têm que de uma vez por todas de estarem informados e saberem dos assuntos que dizem respeito a todos mas também têm que deixar de ser passivos, serem exigentes e participarem, aparecerem, darem a cara no momento da verdade. Tenhamos sempre em conta que haverá a minoria -  os mesmos de sempre, a meia dúzia de almárias que se arrasta há anos, há décadas por aí com os excelentes resultados que têm para mostrar e de que pelos vistos se orgulham, os elementos das duas ou três famílias que formam a «elite» local e que vão regendo isto a seu bel-prazer - que não o fará por razões óbvias. Seremos um povo de cobardolas? Depois admiram-se!
 
De ora em diante, as duas paróquias irão ser regidas por dois párocos distintos: a Paróquia do Torrão, pelo Sr. Padre Ivan e a Paróquia das Alcáçovas pelo Sr. Padre Abraão.
Implicitamente, foi dado a entender que a resposabilidade cabia exclusivamente aos responsáveis da paróquia e ao pároco em particular. Agora há um novo pároco, agora há factores novos mas também há factores velhos e que ainda se mantém. Veremos se haverão alguns progressos. Este artigo é também uma chamada de atenção e mais uma tentativa de puxar pelo brio e pelo orgulho dos torranenses. Seremos piores do que os nossos vizinhos? Seremos mais incompetentes, mais desleixados e menos do que eles de tal forma que nem do nosso património e da nossa memória colectivos somos capazes de cuidar? Será este apenas um problema de lideranças e de uma elite caduca e incapaz? Perante as evidências e a força das circustâncias somos obrigados a afirmar que sim.
Mais uma vez se reafirma que não se trata aqui de uma questão religiosa, não se trata de favorecer uma religião. Trata-se tão só de zelar pelo património histórico-arqutectónico da freguesia até para que, quando alguém nos visita, nomeadamente as televisões não falemos envergonhadamente do patromónio e para que quando alguém quiser ver «in loco» vir dizer-se, à laia de pretexto, que as portas estão fechadas e outras desculpas do género. E, pior ainda, se nada for feito, o colapso ainda que parcial será inevitável. No estado em que as coisas estão, a ruína é uma ameaça real e avizinha-se mais que certa. Resta saber depois é - e já que Alcáçovas é aqui uma constante, é inevitável fazer referência à sua arte maior - quem irá pôr o chocalho ao gato.
 
Igreja Matriz das Alcáçovas









 Fotos: Paulo Selão
 
 
Ceromónia de tomada de posse do novo pároco de Alcáçovas
Foto: Padre Jerónimo Fernandes in Facebook



Igreja Matriz do Torrão







Fotos: Paulo Selão in Pedra no Chinelo

segunda-feira, outubro 01, 2012

100.000

O Pedra no Chinelo ultrapassou hoje a bonita fasquia das 100.000 (cem mil) visitas e assume-se assim como uma referência na blogsfera do concelho e da região.
Em três anos, o contador de visitas registou cem mil visitas o que dá uma média de trinta e três mil e trezentas visitas por ano, duas mil setencentas e setenta e cinco visitas por mês.
Podemos extrapolar que, face a estes valores e tendo em atenção que o Pedra no Chinelo já tem sete anos de existência, se o número de visitas tivesse sido contabilizado desde então, este já seria de quase um quarto de milhão de visitantes.
É obra! E tudo graças a vós caros leitores. Obrigado pela vossa preferência e pela vossa visita. Sois sempre bem-vindos. Mi casa es su casa.

Prova de BTT atrai centenas de participantes ao Torrão

Centenas de ciclistas, mais precisamente trezentos e trinta e oito, oriundos de todo o país, segundo fonte da organização, estiveram ontém, dia 30 de Setembro, no Torrão para participar na 1ª Maratona do Torrão, naquele que será seguramente, até à data, o maior evento desportivo alguma vez realizado no Torrão.
A organização do evento esteve a cabo da XarramAdventure Torrão - Clube de BTT e Desporto Aventura de Torrão e contou com múltiplos apoios tanto institucionais como particulares, da freguesia e do concelho, como por exemplo, da Câmara Municipal, Junta de Freguesia, GNR e Bombeiros, como do exterior como é exemplo, segundo a mesma fonte, do envio de 50€ de uma Junta de Freguesia da região que não a do Torrão.
O evento teve início, com a abertura do secretariado às 8.00 horas da manhã - tendo a partida decorrido uma hora mais tarde - e o seu término ocorreu por volta das 16.00 horas.
Numa pesquisa levada a cabo tanto em fóruns relacionados com esta actividade, como na página de Facebook da XarramAdventure, constata-se que a crítica dos participantes é unânime e bastante positiva deixando múltiplos e fortes elogios tanto à organização como ao percurso, incluindo as bonitas paisagens naturais da freguesia, deixando a certeza de regressar em futuras edições.
O Torrão e em particular a XarramAdventure Torrão e todos aqueles que colaboraram estão de parabéns pois, tal como já em outras ocasiões, não só vêm dignificando e honrando o desporto e a região como vêm incentivando à prática desportiva e a um estilo de vida saudável, tendo obtido no evento de ontém o seu expoente máximo, e naturalmente que não poderíamos deixar de felicitar e dar destaque ao assunto no nosso blog.
 Esta é prova cabal de que quando todos estão unidos, motivados e empenhados as coisas acontecem e o Torrão pode ser tão bom ou melhor que os demais não só a nível desportivo como em todas as demais áreas.
 
 
 
















 


 Fotos: XarramAdventure Torrão

Santa Casa da Misericórdia do Torrão: Assembleia Geral pronuncia-se hoje sobre endividamento no valor de quase um milhão de euros

A Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia do Torrão vai reunir extraordináriamente hoje, dia 1 de Outubro, pelas 19.00 horas, no sentido de ver aprovado um leasing (empréstimo) imobiliário - explicitando, na convocatória pública e exposta em local visível no seu edifício situado na Rua Nossa Senhora da Albergaria, ser referente ao Lar João Paulo II, assim se chama o novo lar - num montante que ascende ao valor de 950.000,00€ (novecentos e cinquenta mil euros). A Santa Casa, ao abrigo do artigo 30º os seus estatutos, convoca desta forma a reunião magna no sentido de obter a devida aprovação dos irmãos (assim se designam os seus associados) com vista a realizar esta operação financeira junto da Caixa Geral de Depósitos, e a conceder plenos poderes aos Provedor e Vice-Provedor (números 1 e 2 da instituição) para levar a efeito o leasing imobiliário cujo periodo de amortização será de quinze anos.
Em plena conjuntura desfavorável e num cenário muito delicado, a única explicação possível para a Santa Casa da Misericórdia do Torrão proceder, por consequência desse facto, a uma operação financeira delicada, certamente arriscada e desta envergadura, comportando valores desta ordem de grandeza, prender-se-á eventualmente com a liquidação de verbas pendentes resultantes das obras de requalificação e restauro do Palácio dos Viscondes do Torrão, onde está sedeado o lar João Paulo II. 
 

Torrão também é terra de fenómenos bizarros

Volta e meia o Torrão é notícia pelos muitos fenómenos bizarros e contra-natura que de forma mais ou menos frequente por vezes ocorrem. É no Café Belo Horizonte do Sr. Mário Fagulha, o Marinho, como é mais conhecido, que se encontram expostos alguns desses exemplares. A fama já tem quase duas décadas e, esporádicamente chega mesmo a ser notícia nos jornais de referência como esta reportagem de 2003, no Correio da Manhã.
Porcos siameses, couves e girassóis gigantes, carpas com uma arroba, ovelhas com seis patas e muito mais vêm parar ao Belo Horizonte que, por consequência disso, também é conhecido pelo café dos fenómenos.
 Desta vez a coqueluche é uma melância siamesa - assim a designa o dono do establecimento - que pesa aproximadamente uma arroba. O exemplar está exposto no balcão e pode ser apreciado por quem ali se desloque.
 
 


domingo, setembro 30, 2012

Uns e outros

Foi na passada Quinta-feira, quando regressava de Évora, que constatei, ao entrar nas Alcáçovas, que também a vila vizinha foi aforada pelo Rei D. Manuel I, passam este ano cinco séculos, ao observar um bonito e grande pendão, chamemos-lhe assim, alusivo ao evento, para que quem ali passe saiba que aqui se comemoram os 500 Anos do Foral; sem vergonhas, com orgulho e brio.
 Desprevenido e sem a «pistola» à mão - é assim que designo a minha companheira de mil e uma fotos - apenas me restou deslocar à Junta de Freguesia para mais e melhor esclarecimento. Surpresa ainda maior e mais agradável tive quando verifiquei que também no edifício da Junta estava pendurado um pendão, denotando bom gosto, oportunidade e empenhamento total da autarquia.
 Entrei. Sempre simpáticas e extremamente prestáveis, as funcionárias explicaram tudo acerca do evento. Perguntei se porventura a Junta não teria um programa das comemorações e se, em caso afirmativo, não faziam o obséquio de me facultar um exemplar. Tinham acabado de ser impressos. Devo ter sido uma das primeiras pessoas a receber um exemplar. Foi com todo o gosto e amabilidade que me presentearam com um exemplar.
Hoje, Domingo, voltei às Alcáçovas já de «pistola» em punho para vos facultar a vós, caros leitores, todas as imagens.
Digitalizei também todo o folheto que me foi facultado ajudando também a divulgar o evento. Bem que gostaria de divulgar o OUTRO evento também mas infelizmente...
 
Alcáçovas: Aqui quem não sabe fica sabendo
 

 
 À entrada da vila das Alcáçovas
 
 

 Fachada do edifício da Junta de Freguesia das Alcáçovas
 






Programa das Comemorações dos 500 Anos do Foral de Alcáçovas - Folheto impresso e distribuido pela Junta de Freguesia das Alcáçovas


Mas também o Torrão comemora os 500 Anos do seu Foral. Infelizmente a diferença não poderia ser maior. Não quero ser injusto pois ainda não terminou o tempo para fazer o que há a fazer e já decorreram iniciativas e mais estarão planeadas. Mas - e desgraçadamente há sempre um mas - a leitura que faço é que tanto na Câmara de Alcácer do Sal como na Junta do Torrão desconheciam ou esqueceram o facto (pessoalmente aposto na primeira hipótese) e posteriormente nunca houve e continua a não haver muita vontade política para comemorar condignamente a efméride e se essa foi agendada e organizada foi-o apenas pela força das circunstâncias - todas e mais algumas - embora a inércia ainda seja muita e haja notóriamente má vontade, isto a meu ver e não me devo de enganar muito pois já conheço o método e a inércia e por aqui me fico.
Até à data tem havido apenas iniciativas avulsas e um paliativo com a «prata da casa», e uns cartazes a anunciar actividades, mostras... tudo muito vago, tudo muito generalista, embora haja algumas datas e eventos planeados em concreto. Porém mais uma vez, não há divulgação nem para «consumo interno» nem para «consumo externo».

Pergunto:
Porque não seguir o exemplo das Alcáçovas?
Porque não aproveitar o outdoor que está à entrada do Torrão?
E o edifício da Junta do Torrão com uma torre e uma fachada daquele tamanho completamente nuas. Não deveria também ser colocada ali qualquer coisa bem visível? E tanto que se gasta em publicidade e agora...
Porque não há uma divulgação do evento nas redes sociais?
Porque não foram impressos e distribuidos pelas redondezas folhetos com a programação em detalhe? Porque não divulgar o evento nos jornais, rádio e televisão?

Por uma razão muito simples: Porque infelizmente - são os factos quem o demonstra - não há um programa definido, coerente, estruturado, planificado. Tão só. O que é pena pois se há lugar onde deveria de haver esmero, brio, orgulho, competência, organização e disponibilidade total deveria ser na freguesia do concelho de Alcácer do Sal por um lado porque não somos menos do que ninguém, por outro, porque os torranenses e a memória histórica do Torrão e daqueles que já morreram, daquelas gerações de torranenses, nossos antepassados merecem, merecem que os honremos e depois porque D. Manuel I, o Rei Venturoso - um dos maiores chefes de Estado portugueses e aquele que foi sem dúvida, o homem mais poderoso do seu tempo, epíteto que é dado actualmente ao Presidente dos EUA -  foi aclamado Rei de Portugal justamente em Alcácer do Sal.
No entanto, tal como afirmei, espero sinceramente estar enganado e não estar a ser injusto. O futuro o dirá. Por enquanto fiquemos com o modo de fazer de uns e de outros, atentemos nas diferenças e tiremos ilações.


Torrão: Aqui quem não sabe não fica sabendo... fica da mesma
 

À entrada da vila do Torrão


 Outdoor da Câmara de Alcácer à entrada do Torrão. Pena é estar sub-aproveitado e apenas um pouco desactualizado
 

 
Fachada do edifício da Junta de Freguesia do Torrão
 
Programa das Comemorações dos 500 Anos do Foral do Torrão

quinta-feira, setembro 27, 2012

A caminho dos 100.000

É este o impressionante número de visitas que tem um blog de província, desde que foi implementado um contador de visitas, isto é, 2009. Obrigado a todos. O número mágico está mesmo aí ao virar da esquina.

Esta geração de políticos está à rasca

Eles estão com medo. Pela primeira vez desde que me lembro é visível na cara dos políticos portugueses. Não só dos que momentaneamente ocupam o governo mas de toda a classe política, da esquerda à direita, sente-se o pânico absoluto em relação a tudo o que se está a passar. O rebuliço na sociedade civil está finalmente a fazer-se ouvir. As medidas que tomam, a forma como se dirigem às pessoas, os gestos comprometidos, o discurso a pinças, o medo de falar do passado que compromete todos e a forma estrategicamente elaborada como abordam o futuro são demonstrativos. Estão aterrorizados. Estão com medo.
A culpa, essa é exclusivamente deles. O medo que sentem hoje é proporcional à forma desabrida e irresponsável como ousaram conduzir este país durante décadas. A forma como assistem à derrocada do status quo que os alimentou, status quo que lhes permitiu terem a arrogância de viver acima das possibilidades e gerirem um país como se de uma tasca se tratasse, está a desnorteá-los. Quem sempre se alimentou deste género de expedientes está lívido. Está a gelar-lhes o sangue o pulsar cada vez mais forte de quem está farto de mentiras. A democracia é bela por isto mesmo. Porque no limite, mais perigoso do que um político amedrontado é toda uma nação acossada, um povo humilhado, oprimido e desesperado. E o povo manda. Sempre. Desta ou daquela forma. A votar ou na rua, a mudar o país.
Nota-se nas caras fechadas, nos seguranças nervosos e nos apupos constantes. Sejam qual for o partido político são sempre mal recebidos. A desconfiança é tal que o espectro político é hoje uma mancha sem cores verdadeiramente definidas. É cinzenta. Poucos ou nenhuns acreditam na política, nos políticos e nas suas intenções. A gestão partilhada deste pequeno território tem sido de tal forma irresponsável a nível político que os portugueses neste momento só querem vê-los calados, mudos ou a abrirem a boca para um pedido de desculpas mais do que justificado por tudo o que nos têm feito. E tem sido tanto, mas tanto. A era dos abusadores políticos está prestes a terminar.
Comeram a carne, agora roam-nos os ossos.


Tiago Mesquita in Expresso