quinta-feira, novembro 15, 2012

Ponte alvo de restauro

Uma das velhas pontes sobre a estrada que dá acesso à entrada norte do Torrão está a ser alvo de obras de reabilitação e reforço, por parte da Estradas de Portugal, orçadas em quase quarenta mil euros.
Despertou-nos a atenção esta ser uma obra de reforço pelo que procuramos saber até que ponto esta ponte seria uma hipotética bomba-relógio em risco de colapso.
 




Fomos assim investigar. Fomos lá abaixo e constatou-se «in loco» que a ponte não apresenta patologias visíveis do ponto de vista estrutural e que aparenta solidez e estabilidade estrutural mas uma coisa é certa: para esta obra de reforço ser levada a cabo é porque alguma coisa não deveria estar bem.



 


 


As imagens mostram que a ponte apresenta à primeira vista a solidez e estabilidade estrutural necessárias e o reforço que irá ser feito com a armadura já montada na base e estendendo-se pelo arco embora ainda esteja em fase de montagem.

sexta-feira, novembro 09, 2012

Parecer propõe mexidas no mapa de freguesias do concelho de Alcácer do Sal


A Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), presidida por Manuel Lopes Porto, e que funciona junto da Assembleia da República para acompanhar e apoiar o processo de reorganização administrativa territorial autárquica propõe a redução do número de freguesias do concelho de Alcácer do Sal de seis para quatro freguesias. O parecer ou Proposta Concreta de Reorganização Administrativa do Território para o Município de Alcácer do Sal pode ser consultado aqui.
A proposta tem anexos três documentos sendo o Anexo 1, o mapa das freguesias situadas no território do município de Alcácer do Sal, conforme imagem abaixo e que pode ser visto também aqui.


Do anexo 2 constam a pronuncia e uma moção, sobre esta matéria, naturalmente, da Assembleia Municipal. Consta ainda uma proposta de deliberação ao Executivo Municipal, proveniente do gabinete da Vereadora da Educação da qual o assunto é «Regulamento Municipal para Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior» (?!) - este documento foi enviado por engano certamente. Mais uma vez, enfim... erro de quem, da parte da Câmara, envia este documento misturado com a documentação relevante e erro de quem, da parte da UTRAT, o anexa a esta proposta. Até parece que as coisas nem são lidas e é tudo feito assim à «martelada». É caso para perguntar - e perdoem-me a expressão - o que é que o cú tem a ver com as calças. Costuma-se dizer que a razão tem razões que a própria razão desconhece e como eles é que têm sempre razão... se calhar até tal documento tinha que constar mas nós é que não vimos pois a nossa inteligência está a anos-luz da desses sábios todos (CMAS, UTRAT, etc)... pois nem sequer estão previstos referendos locais para ouvir os principais interessados - as populações.
Feita esta observação e continuando, consta ainda uma deliberação/moção das assembleias de freguesia da Comporta, Torrão, São Martinho, Santa Susana, Santa Maria e Santiago. Neste anexo há ainda a curiosidade de diversas páginas estarem viradas para baixo. Deve ser para fazer um exercício de leitura de dificuldade acrescida. Sempre um cheirinho a república de bananas, sempre um cheirinho a terceiro mundo, sempre um cheirinho a bandalheira... Brio? Pois... sem mais comentários. Tudo isso pode ser visto aqui.
Por fim, do Anexo 3 consta a proposta de reorganização administrativa das freguesias situadas no território de Alcácer do Sal descrita em mapa na imagem abaixo e que pode também ser visto em pormenor aqui.


Deste modo, e de acordo com a proposta apresentada, as freguesias da Comporta, São Martinho e Torrão serão mantidas. Quanto às freguesias urbanas de Santiago (Alcácer do Sal) e Santa Maria do Castelo (Alcácer do Sal) e à freguesia rural de Santa Susana, a Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território propõe a sua fusão numa super-freguesia que ficará sedeada em Alcácer do Sal.

segunda-feira, novembro 05, 2012

A Herança

Mau ordenamento, mal organizado, mal planificado, mal urbanizado; assim foi desenhada a Zona H2, agora Bairro Miguel Torga, há coisa de duas décadas. Apesar de ser o mais recente dos bairros do Torrão esta zona tem, por incrível que pareça, ilhas afaveladas. É o espelho de tudo aquilo que não se deve fazer em termos de ordenamento e gestão urbanística. Não se compreende porque é que os lotes não confinaram uns com os outros, levando assim a um enorme desperdício de espaço e a estas zonas de ninguém.
São três enormes espaços de ninguém, três baldios, três enclaves com as casas de costas umas para as outras, com ruelas, com veredas com postes eléctricos ali colocados sem nenhum critério aos quais se junta um enorme largo que, já aqui tinha sido referido e intitulado de Jardim dos Ferros, nem é zona verde nem é loteado.
Agora? Agora há que remediar. É claro que não se pode demolir o que foi construido. O mal está feito. Mas qual a política que domina? Ignorar, assobiar para o lado. Essa é a política. Fingir que não existe... Aliás para os serviços não existe ou se existe, vai-se lá só quando «o Rei faz anos» o que até faz algum sentido visto que aquilo não é urbanizado.
Agora há que requalificar essas zonas; zonas onde, se não houvesse civismo ou se fosse noutro tempo, há muito que se teriam convertido em zonas de estrumeira, onde ainda assim há alguns resíduos, onde as águas das chuvas formam autenticas barragens. A solução passa por exemplo por criar ali zonas verdes; mas zonas verdes não quer dizer necessáriamente jardins com banquinhos, canteiros, calçadas e outros equipamentos pois quem é que iria para uma zona enclausurada rodeado por traseiras de habitações? Zona verdes, pese embora o facto de apenas os arquitectos paisagístas poderem apresentar soluções sustentáveis, por exemplo, apenas com uma árvore frondosa no centro, algumas plantas, um arranjo do espaço... Outra solução que a Câmara poderia adoptar, e que existe em cidades como Évora, era estimular a criação de hortas comunitárias, aproveitando os espaços, tornado-os úteis.
Seja como for, assim como está, aquilo não é nada. Aliás é! São nódoas.
 
 
 












quinta-feira, novembro 01, 2012

Solidário com Sérgio Denicoli

O investigador da Universidade do Minho, Sérgio Denicoli, que concluiu na tese de doutoramento que a Anacom favoreceu a PT, denuncia "interferências políticas e económicas" durante o processo de implementação da Televisão Digital Terrestre.

O investigador afirma que durante 5 anos, investigou a fundo o processo de implementação da TDT em Portugal. Tais afirmações foram proferidas no seu blog.

 A reacção da toda poderosa PT não se fez esperar e esta já anunciou, sendo secundada pela ANACOM, que está a pensar seguir caminho identico, que vai levar o investigador a tribunal. Afigura-se assim mais um caso de David contra Golias. No entanto Denicoli já avisou que não se irá calar enquanto houver situações de injustiça.

Naturalmente que a solidariedade blogsférica se fará sentir e que aqui apoiaremos incondicionalmente este colega blogger porque a liberdade, a verdade e a justiça necessitam cada vez mais de gente corajosa, solidária, desassombrada que denuncie e apoie quem denuncia situações desta natureza doa o que doer, doa a quem doer.

Sigamos pois o seu blog: http://tvdigital.wordpress.com

segunda-feira, outubro 29, 2012

Falta o resto

Depois da recente intervenção na Rua General Humberto Delgado, e antes que o local seja prematuramente abandonado, alerta-se para outras situações que exigem também uma intervenção célere que demonstre inequivocamente que se trabalha de boa fé e que, pelo contrário, não se tenta jogar areia para os olhos dos torranenses.

A primeira situação prende-se com uma ruela prependicular à referida rua. É uma rua sem qualquer tipo de pavimentação e constituida por terra e pedras soltas. É claro, quando chove, todos esses detritos são projectados para a Humberto Delgado. Mas há ainda outra situação. Segundo os moradores, o camião camarário de recolha de lixo também é responsável por essa projecção pois por aquele ser um ponto em que é mais fácil de manobrar, a tripulação opta por cortar caminho por aquela rua e, está-se mesmo a ver...
A situação já tinha sido abordada por um morador da zona, há precisamente um ano, na Assembleia de Freguesia. O Sr. Presidente da Junta comprometeu-se então que «depois das primeiras águas» seria feita qualquer coisa. Bem, afortunada ou desafortunadamente, consoante o ponto de vista, o ano passado não foi de chuva abundante mas este ano as primeiras águas já aí estão e já que se esteve a operar na zona... agora não há desculpas.






Outra situação - esta mais fácil de resolver - prende-se com a iluminação em uma das transversais à Rua General Humberto Delgado. Temos uma rua que tem moradores ao fundo, nos arrabaldes do Torrão, já quase ao pé da abandonada Fonte da Partina, e que permanece às escuras pois apesar de ter postes colocados, estes não têm nenhuma luminária - é assim que se designam os candeeiros eléctricos de rua - como se pode ver nas imagens abaixo. Será que por ser perto da Partina não há luz pra ninguém?



 Esta transversal, como se pode ver, dispõe de luminária





Já a transversal imediatamente ao lado, e apesar de já lá ter as estruturas que assegurariam a colocação de uma luminária, continua escura como bréu.

domingo, outubro 28, 2012

Em defesa dos povos indígenas

"Os guarani-kaiowás não se querem suicidar, querem resistir até à morte"                           

O Pedra no Chinelo, porque está sempre do lado dos mais fracos e oprimidos, naturalmente que apoia os indíos brasileiros aqui em causa e todos os povos indígenas, que se encontram em risco. Estes povos são um tesouro pois ainda vivem tal como sempre viveram desde tempos ancestrais em equilibrio com a Natureza e querem - e têm o direito -  de viver de acordo com as suas tradições imemoriais. O que está a ser levado a cabo naquela zona do Brasil é um caso típico genocídio.

No limite, isto é um caso para o Tribunal Penal Internacional, pois o que ali está a acontecer pode-se configurar como um crime contra a Humanidade.

sábado, outubro 27, 2012

Tomara muito homens...

 
A menina, símbolo da resistência contra os taliban do Paquistão por defender o acesso das mulheres à educação e a outros direitos e distinguida por prémios nacionais e internacionais pelo seu activismo, está a recuperar dos ferimentos com “uma rapidez encorajadora”, disse o pai de Malala, Ziauddin Yousufzai, após ver a filha na companhia da mulher e dos seus outros filhos.
 
Recorde-se que os talibã atacaram a menina no passado dia 9 de Outubro quando esta regressava a casa vinda da escola. Desde os 11 anos que Malala mantinha um blog no Twitter para a BBC em que descrevia a vida no seu vale natal de Swat, sob o poder dos talibãs.
 

sexta-feira, outubro 26, 2012

Pedra no Chinelo decisivo na resolução de mais um caso

Nos fins de Setembro, colocaram-se algumas questões pertinentes sobre uma situação bizarra que se arrastava, na Rua General Humberto Delgado, retratada aqui. E como perguntar não ofende - e pelos vistos não ofendeu, e bem - bastou menos de um mês para a resposta começar a ser dada.






Mais uma vez, eis o contributo decisivo do Pedra no Chinelo com este a assumir inequivocamente um papel de destaque e influência na resolução de casos que de outra forma demorariam (muito) mais tempo a serem resolvidos, o que demonstra a utilidade deste humilde espaço.
Ao papel decisivo do Pedra no Chinelo juntou-se a celeridade dos serviços municipais. Graças a estas parcerias - forçadas, é certo - ganha o Torrão e ganham os munícipes.











Torrão, Rua General Humberto Delgado, 24 de Setembro de 2012
 
 
 
 
Torrão, Rua General Humberto Delgado, 25 de Outubro de 2012
 
 

Movimento do Balde à Trincha pela Ermida



Rosária Lança e Helena Cardim, duas torranenses atentas e preocupadas com o estado de degradação do nosso património, lançam o desafio à população, sob a forma de poesia, no sentido não só de a sensibilizar para zelar pelo património do Torrão, como de pôr mãos à obra para inverter o estado de degradação a que este chegou e que já aludimos em anteriores artigos. O monumento aqui em causa e para o qual se faz o apelo é a Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
O seu estado de degradação, já tinha sido aqui referido em anteriores artigos com destaque para este mais recente.

Em ano que se comemoram os 500 anos da outorga de Foral ao Torrão por El-Rei D. Manuel I, esta seria mais uma forma de homenagear os nossos antepassados.

Faríamos apenas um pequeno reparo: para além da Ermida, deveríamos também olhar para a Igreja Matriz. É claro que esta é muito maior e não é qualquer pessoa e de qualquer maneira que se vai levar a cabo um restauro num edifício com aquelas dimensões mas é importante também salientar esse facto e se realmente todos estiverem interessados...
Recorde-se que os nossos vizinhos estimam o seu património, tal como demos conta aqui e, mais recentemente, aqui. O desleixo que se verifica cá deveria deixar todos corados de vergonha e com vontade de fazer algo. Se outros o fazem porque não o fazemos nós também? Seremos menos que os outros?


Seja como for, isto é um começo e estamos em crer que não cairá em saco roto. Não deve cair em saco roto. Uma iniciativa que é de louvar e que naturalmente não poderíamos deixar de nos associar não só porque esta é uma causa nobre como pela simplicidade e clareza da mensagem e originalidade da forma de divulgação e sensibilização, com quadras bem feitas, simples e de bom gosto.
No que pudermos ajudar, seja na divulgação seja no que for, cá estaremos para o que estiver ao nosso alcance.

VAMOS A ISSO! MÃOS À OBRA!

Movimento do Balde à trincha
Pela Ermida


Pela primeira vez na vida
Eu apelo sem excepção
Vamos pintar a nossa Ermida
Ó meu povo do Torrão!

É triste vê-la assim
um bocado abandonada,
Limpá-la, pintá-la, enfim...
unidos não custa nada.

Vamos todos reflectir
E partir para a acção,
Pôr a Ermida a sorrir
Com a força da união!

É um acto de coragem
Tirar o projecto do papel
E dedicar esta homenagem
Ao Rei D.Manuel.

Para que a possamos contemplar
Ao luar ou ao escuro
Quando a vamos visitar
E nos sentamos no muro.

Ela limpa, brilhará
Como uma estrela no Céu
E Nossa Senhora onde está
Levantará o seu véu.

Para os que queiram aderir
Aqui deixo o meu recado
Felizes nos iremos sentir
Depois do trabalho acabado.


Rosária Candeias da Lança
Helena Cardim
 Quem quiser pôr mãos á obra, é favor contactar 265 669 653 ou 265 669 664 

quarta-feira, outubro 24, 2012

Condenar a ciência

A Itália condenou em 1633 Galileu Galilei por "defender como verdadeira a teoria falsa ensinada por alguns de que o Sol é o centro imóvel do Mundo e que a Terra se move".
O tempo daria razão ao cientista e inscreveria nos anais da História o seu julgamento e condenação como mais um erro da Igreja católica e do seu sinistro tribunal da Santa Inquisição.
Como os maus hábitos são perenes, quase quatro séculos volvidos, esse episódio é trazido à memória pela condenação, também em Itália, de sete cientistas que em 2009 minimizaram o risco de um sismo de grandes dimensões atingir a zona de l'Aquila.
A par da condenação, choca a pena de seis anos de cadeia para os supostos responsáveis pela morte de 309 pessoas.
O absurdo de punir judicialmente um erro científico deveria ser óbvio, pela razão simples de que a opinião de um perito não substitui a decisão de um político; serve-lhe de guia, e deve ser um parecer entre muitos a ter em conta pelos decisores finais.
Mas há um lado positivo na sentença italiana. É que, se fizer escola, talvez um dia vejamos na prisão os economistas de Bruxelas e do FMI que têm receitado a austeridade aos países mais endividados da Europa.
 
Francisco Gonçalves in Correio da Manhã

«Fizeram-lhe a cama»


Para mim continua a ser o maior ciclista de todos os tempos. Não acredito em nada do que surge agora quase dez anos depois. O homem foi submetido a todo o tipo de exames de despistagem de substâncias dopantes e todas deram negativo. Por qualquer motivo (inveja, mesquinhez, vingança???) foi, a meu ver, vítima de uma conspiração.
Só cai em desgraça quem quiser cair cair em desgraça e quem deixar que o façam cair em desgraça.
Deixou de se defender por ver que era perda de tempo e que não valreia a pena. Fizesse o que fizesse...
Podem tirar-lhe os títulos mas jamais lhe retirarão as vitórias.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Uma singela homenagem à pequena grande Malala Yousufzai



Jovem paquistanesa com 14 anos atingida a tiro por exigir direito de ir à escola

Chama-se Malala Yousufzai, tem 14 anos e desde os 9 tornou-se ativista no Paquistão, exigindo o direito de todas as crianças do sexo feminino frequentarem a escola. A sua luta foi travada, depois de atingida a tiro no pescoço, num ataque perpetrado pelos talibã, que provocou mais um ferido: outra criança paquistanesa.

Já foram feitos muitos tributos a bloggers e outros activistas que lutam, arriscando mesmo a vida, contra o obscurantismo, os tiranos e tiranetes, a opressão, a prepotência, a boçalidade...
O Pedra no Chinelo, é ele próprio um blog que também luta, à sua escala, contra todos esses males e vicios.
Um dos bloggers visado, foi uma menina escocesa, do qual demos aqui notícia. Hoje prestamos tributo a essa pequena grande Malala, uma activista com apenas 14 anos, que arriscando a própria vida, defende o direito, das crianças paquistanesas do sexo feminino, frequentarem a escola. Um exemplo de coragem arrepiante pois é vindo de uma menina de apenas 14 anos. Quem dera a muitos a coragem desta jovem que luta pela vida depois de baleada pelos talibã, cobardemente como só os verdugos sabem ser. Para completar a sua medonha cobardia e desvergonha, prometem ainda que, se a jovem sobreviver ao atentado de que foi vítima, voltarão a tentar matá-la.
A luta pela liberdade, pela justiça, pelos mais básicos direitos tem que ser uma luta diária, aguerrida, sem tréguas e sem vacilar. Os verdugos, os esbirros, tiranos e tiranetes, que atacam cobardemente e pela calada, pela sombra, e que estão presentes até mais perto do que se julga, usando todas as armas no sentido de silenciar, de eliminar aqueles que lutam contra a sua perfídia têm que ser combatidos onde quer que estejam usando como armas, não as deles, mas as armas da justiça, da liberdade, da democracia, da ética, da verdade.
Malala é uma inspiração e uma grandiosa e eloquente lição de coragem e tenacidade. Como podemos amedrontar-nos, temer e recuar, quando ameaçados por represálias menores, quando jovens como Malala, que estão dipostas a pagar o mais alto dos preços, o não fazem?
Hoje prestamos aqui um honroso e grandioso tributo a Malala desejando que recupere mas sabendo que, ainda que não sobreviva, já venceu e que por cada um que morre mil se levantarão.
Apelemos ainda para que o Comité Nobel olhe com olhos de ver para este extraordinário exemplo e que proponha a jovem Malala Yousufzai, viva ou morta, como Prémio Nobel da Paz 2013; a mais jovem galardoada com este prémio, de sempre. Que a vejamos receber o Prémio em Oslo na presença da Familia Real da Noruega. Se infelizmente tiver que ser a título póstumo, pois que o seja mas que tal seja um facto que simboliza a vitória da ética, da justiça e da verdade contra a barbárie, a tirania, a opressão, o obscurantismo e a ignorância.

sábado, outubro 06, 2012

Comunicação ao povo português de S.A.R, D. Duarte de Bragança

Foto: Causa Real
 
 
Portugueses,

Nesta hora difícil que Portugal atravessa, talvez uma das mais difíceis da nossa já longa história, afectando a vida das famílias portuguesas e dos mais desfavorecidos de entre nós, Eu, enquanto descendente e representante dos Reis de Portugal, sinto ser meu dever moral e obrigação política dirigir-vos uma mensagem profunda e sentida, como se a todos conseguisse falar pessoalmente.
Estamos a viver uma terrível crise económica, o nosso país vê-se esmagado pelo endividamento externo, pelo défice das contas públicas e pela decorrente e necessária austeridade.
O actual regime vigora há pouco mais de 100 anos, e muitos dos seus governantes, por acção ou omissão, não quiseram ou não foram capazes de evitar o estado de deterioração a que chegaram as finanças públicas. Tais governantes, é preciso dizê-lo de forma clara, foram responsáveis directos pela perda da soberania portuguesa e pelo descrédito internacional em que caiu Portugal, uma das mais antigas e prestigiadas nações da Europa. Sem uma estratégia de longo ou sequer de médio prazo, sem sentirem a necessidade de obedecerem a um plano estratégico nacional, não conseguiram construir as bases necessárias para um modelo de desenvolvimento politicamente são e economicamente sustentável, optando, antes, pelo facilitismo e pelo encosto ao Estado.
Infelizmente, o Estado, vítima também ele da visão curta com que tem sido administrado, tem permitido que se agravem as assimetrias regionais, que se assista à desertificação humana do nosso território e que fique cada vez mais fundo o fosso que separa os mais ricos dos mais pobres.
Infelizmente, Portugal continua a ser dos países europeus com índices de desigualdade mais altos. Todos têm o direito de ver bem remunerado o esforço do seu trabalho, da sua criatividade, da sua ousadia e do seu risco, mas a ninguém pode ser cortada a igualdade de oportunidades.
Agora, neste momento de particular gravidade, em que nos é pedido um esforço ainda maior, recordo que o Estado é sobretudo suportado pelo fruto do esforço, do trabalho dos portugueses e de muitas das empresas a quem os portugueses dão o melhor das suas capacidades. Todos eles são merecedores do respeito por parte de quem gere os nossos impostos, e é esse respeito, esse exemplo que se exige ao Estado. Não posso deixar de aplaudir a dedicação, a entrega e sobretudo a enorme boa vontade com que inúmeros funcionários públicos se dedicam a servir com dignidade o nosso país.
Mas este diagnóstico e estas constatações valem pouco, valem muito pouco, quando confrontados com as dificuldades com que muitos portugueses hoje se debatem. Um facto é incontornável: a crise está aí e toca-nos a todos, e com ela se vão destruindo postos de trabalho, se vai degradando o nível de vida das nossas famílias e se vão desprotegendo os mais frágeis. Não tenhamos ilusões: muitos são os que hoje só sobrevivem graças à imensa solidariedade de que o nosso povo ainda é capaz. Porque somos um povo generoso, gente de bem, somos um povo capaz de tudo quando nos unimos em torno de um objectivo comum.
Torna-se importante, por isso, lembrar que neste dia, há quase 9 séculos, contra todas as adversidades, nascia Portugal, uma nação livre e independente, fruto da vontade e sacrifício dum povo unido à volta do seu Rei.

Então, como agora, foi fundamental a existência de um projecto nacional, uma causa comum e desejada que a todos envolveu: grandes e pequenos, governantes e governados, homens e mulheres. Um projecto que tinha, acima de tudo, o Rei e os portugueses, unidos por um vínculo indestrutível, constantemente renovado e vencedor, um vínculo de compromisso que nos ajudou a ultrapassar crises avassaladoras no passado, e que se prolongou pelos séculos seguintes, sendo interrompida apenas em 1910.
Foi essa mesma comunhão, uma comunhão de homens livres, que permitiu a reconquista e o povoamento do território, bem como, mais tarde, a epopeia dos descobrimentos e a expansão de Portugal pelo mundo. Foi todo um Povo, o nosso Povo, que enfrentou, com coragem e determinação os mares desconhecidos, "dando, assim, novos mundos ao mundo". Foi a gesta de todo um Povo que permitiu criar este grande espaço de língua e afectos da Lusofonia, vivido em pleno pelas nações nossas irmãs, hoje integradas na CPLP. E foi a renovação desse projecto que permitiu a restauração da nossa independência em 1640, neste local, naquela que foi uma verdadeira refundação nacional, só conseguida pelo esforço e sacrifício dos Portugueses de então.
É pois este o desafio que temos hoje pela frente: refundar um projecto nacional capaz de unir todos os Portugueses de boa vontade, com o objectivo de reerguer Portugal, devolvendo a esperança e o orgulho a cada português. Esse projecto mobilizador é imprescindível para que cada um de nós possa ambicionar ter uma vida normal, socialmente útil, para que possa ser promovido pelo mérito e pelo esforço do seu trabalho, criar uma família e contribuir, cada um na sua medida, para o engrandecimento de Portugal.
Para que este projecto nacional seja possível, teremos de repensar o actual sistema político e as nossas instituições, procurando alcançar uma efectiva justiça social e a coesão económica e territorial, aproximando os eleitos dos eleitores.
Devemos também considerar as vantagens da Instituição Real, renovando a chefia do Estado para restaurar o vínculo milenar que sempre uniu os portugueses ao seu Rei.
O Rei interpreta o sentir da Nação, e age apenas pelo superior interesse do país, e nenhum outro interesse deve também mover os actores políticos. Portugal precisa de autoridade moral, de união em torno de um ideal, Portugal precisa de um projecto que seja o cimento em torno da Nação – a política e, acima dela, a Coroa, deve procurar sempre servir esse ideal, e nunca servir-se dele em benefício próprio.
É num sistema político, moderno, democrático, que a Chefia de Estado, isenta como tem de estar de lutas políticas e imbuída de uma autoridade moral que lhe advém do vínculo indestrutível e milenar com os portugueses, pode e deve zelar pelo bom funcionamento das instituições políticas, assegurando aos portugueses a sua eficácia e transparência. É a mesma Chefia de Estado que pode e deve apoiar a acção diplomática do Governo com o elo natural que a liga aos países lusófonos e a muitos dos nossos congéneres europeus. Acredito que só é possível debater a integração europeia, na sua forma e conteúdo, em torno de um elemento agregador: a agenda própria de um país multisecular na Europa, mas também com continuidade linguística, histórica, social, patrimonial e empresarial em geografias distantes. É o Rei que, personificando a riqueza da nossa história e cultura, é o último garante da nossa independência e individualidade enquanto Nação.
Portugal, nação antiga, com um povo generoso e capaz de grandes sacrifícios, sê-lo-á ainda mais se encontrar no Estado e nos seus representantes o exemplo de cumprimento do dever, de assunção dos sacrifícios e de sobriedade que os tempos de hoje e de sempre exigem.
Unidos e solidários num renovado projecto nacional que devolva a esperança aos Portugueses, reencontrados com uma instituição fundacional – a Instituição Real – sempre isenta e centrada no bem comum, então todos nós Portugueses – em Portugal ou espalhados pelo mundo através das vivíssimas comunidades emigrantes – com a grandeza de alma de que sempre fomos capazes nas horas difíceis, estaremos dispostos aos necessários e equitativos sacrifícios que a presente hora impõe. Em nome do futuro de todos os que nos são queridos, filhos e netos. Numa palavra: em nome de Portugal.
Não duvido que, aconteça o que acontecer, os Portugueses, com calma, ponderação e perseverança, saberão lutar para continuar a merecer o seu lugar na história e no concerto das nações. Eu e a minha Família – assim os Portugueses o queiram – saberemos estar à altura do momento e prontos para cumprir, como sempre, o nosso dever, que é só um: servir Portugal.
Existe uma alternativa muito clara à actual situação a que chegou a este regime, alternativa que passa por devolver a Portugal a sua Instituição Real e que, se não resolve por si só todos os nossos problemas actuais, será certamente – como o provam os vários países europeus que a souberam preservar – um grande factor de união popular, de estabilidade política e de esperança coletiva. Numa palavra, de progresso.
Portugal triunfará! Assim saibamos unir esforços, assim saiba cada um de nós, de forma solidária, dar o melhor de si mesmo, não esquecendo nunca os que mais sofrem e os que mais precisam. Que ninguém duvide: somos uma nação extraordinária, e o valor e a coragem do nosso povo serão a chave do nosso sucesso.

Viva Portugal!
 
Lisboa, Palácio da Independência, 5 de Outubro de 2012

Manifesto

 
Monarquia: A unir Portugal desde 1143
 
Neste dia, há precisamente oitocentos e sessenta e nove anos, nascia formalmente o que já se anunciava: uma ideia, um projecto, uma Nação que veio a ser Portugal.
Neste dia, oitocentos e sessenta e nove anos depois, é o País que está em risco. Privado de uma fatia importante da sua soberania, e financeiramente dependente do exterior, Portugal encontra-se, perigosamente, à beira de um abismo.
Os dias estão carregados da indignação de quem sofre sem saber para quê, do desespero de quem não encontra alternativa para os seus problemas. Os tempos que vivemos são marcados pela ausência de esperança de todos os que procuram, mas não encontram, uma saída.
 
Mas ela existe.
 
Procuram-se saídas sem se olhar para o verdadeiro problema, pois a nossa situação requer soluções muito mais profundas.
Estamos aqui para lembrar que Portugal vive. Que é maior do que a crise, as políticas e muito maior do que quaisquer indivíduos que conjunturalmente nos governem.
Estamos aqui para lembrar que não desistimos da ideia de um Portugal soberano e independente. De um Portugal livre. É o mesmo espírito de união, a mesma ideia e o mesmo projecto que nos anima desde 1143. Portugal não é um desafio impossível nem um problema irresolúvel. Acreditamos que existem soluções. Soluções reais, para causas reais.

Ao contemplarmos o futuro, vemos a possibilidade de uma democracia mais representativa, mais eficaz, mais transparente, uma democracia mais plena, assente num sistema político que sobreponha os interesses de Portugal e dos portugueses aos interesses próprios de cada um, de cada partido. Estamos convictos da absoluta e imperiosa necessidade de termos um país onde os cidadãos recuperem o orgulho da sua identidade e a confiança em quem os representa para que possam realmente viver em liberdade e que em momento algum lhes serão pedidos sacrifícios vãos ou injustos.
 
Olhando à nossa volta, para os nossos parceiros europeus, constatamos que a Instituição Real é o elemento que permite devolver o futuro aos Portugueses, recuperar plenamente a ideia de Portugal, protegendo a nossa identidade, a nossa língua, a nossa história, o nosso futuro, a nossa essência. É nossa profunda convicção que só uma alternativa encimada pela Instituição Real nos poderá libertar de um regime obsoleto, gasto e imposto pela força, que após 16 anos de caos e de infâmia, de 40 anos de paternalismo e de 38 de prodigalidade e desgoverno financeiro nos deixou, a todos, falidos e desnorteados.
Só um Chefe de Estado, total e verdadeiramente independente de todos os grupos políticos e económicos, e com uma ligação profunda à essência da Pátria, pode garantir uma Nação verdadeiramente livre.
Só um Chefe de Estado movido por nenhum outro interesse que não seja o do interesse nacional pode ser o efectivo garante do regular funcionamento da democracia, assegurando a separação de poderes de um Estado de Direito, ao mesmo tempo que se submete constantemente ao escrutínio dos Portugueses.
 
A Chefia de Estado que o regime monárquico defende, é a que melhor compreende o presente, oferecendo um olhar renovado para o futuro onde Portugal e os Portugueses estarão, garantidamente e sempre, em primeiro lugar.
 
É hora de pensar com ambição e esperança.
É hora de oferecer a possibilidade de dias mais luminosos.
É hora de sermos audazes e de encontrarmos de novo um sentido para o nosso país que hoje cumpre oitocentos e sessenta e nove anos de vida.
Apelamos ao povo português para que pense, sem preconceitos, sem utopias, sem demagogia, na alternativa que apresentamos. Uma alternativa real.
 
Porque somos consequentes com este manifesto – e porque estamos convictos de que é na Instituição Real que reside o futuro de Portugal – assumimos o firme compromisso de ir ao encontro dos portugueses, em Portugal e no estrangeiro, para esclarecer todos os cidadãos das características e benefícios de uma monarquia moderna para o Portugal que gostaríamos de ter no século XXI.
É nisto que acreditamos, é isto que defendemos. Pela restauração de Portugal, com o mesmo entusiasmo que guiou as vontades de quem viveu este dia, há oitocentos e sessenta e nove anos.
Viva Portugal!