sexta-feira, março 20, 2015

Até nisto: Torrão só teve direito a metade do eclipse solar

Nem as condições atmosféricas querem nada com o Torrão. É esta a conclusão que se pode tirar do facto de aqui apenas ter sido possível observar metade do eclipse solar. No entanto, quase dezasseis anos depois, um eclipse parcial do Sol volta a ser visível por estas bandas - o último tinha sido também numa manhã mas de 11 de Agosto de 1999. 
O evento teve lugar pelas 8 horas da manhã e atingiu o pico máximo às 9 horas. O céu apenas se manteve limpo entre as 8 e as 9 horas - por pouco não se vislumbraria o máximo da oclusão do disco solar a qual chegou aos 71%.
 A partir daí e até ao término do evento astronómico, pelas 10 horas, o céu foi ficando paulatinamente muito nublado impedindo a observação da parte final do fenómeno.

 O disco solar ainda totalmente descoberto 

 Início do eclipse solar foi às 8 horas da manhã

Dez minutos depois o disco solar já estava significativamente eclipsado 


Próximo do pico de oclusão 

Vista da vila do Torrão durante o eclipse desta manhã

 O ponto máximo foi atingido pelas 9 horas da manhã. As nuvens ameaçaram e por pouco o máximo não era registado

 Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso. As nuvens ameaçadoras não deixavam margem para dúvidas. O espectáculo celeste ia mesmo terminar mais depressa no Torrão

A densa camada de nuvens permitiu contudo tirar uma foto sem filtros caso contrário o excesso de luz ofuscaria a imagem 


Uma pequena janela de oportunidade permite registar o trânsito da Lua já na fase de desobstrução com o crescente solar a ficar cada vez maior


quinta-feira, março 19, 2015

Visita Pastoral ao Torrão: Retrato do quarto dia

O quarto dia da Visita Pastoral à Freguesia do Torrão teve como ponto alto a procissão pelas 16 horas que se iniciou na Igreja de S. Francisco fazendo escala no Palácio dos Duques de Aveiro, edifício da Santa Casa da Misericórdia do Torrão onde está instalado o lar da instituição. A imagem da Mãe Peregrina ficou então aí até às 18.30 horas, altura em que continuou a procissão até à Igreja Matriz e regresso ao ponto de partida.
Para amanhã, está prevista, a partir das 17 horas, uma missa na Igreja de S. Francisco - alusiva ao Dia do Pai - e saída pelas 18 horas da imagem sacra rumo a Rio de Moinhos do Sado.
(ver programa aqui)




Chegada às instalações da Santa Casa da Misericórdia do Torrão

Saída do referido edifício e início da segunda parte da procissão


Passagem no Largo do Cruzeiro

Chegada à Igreja Matriz

Interior da Igreja Matriz


quarta-feira, março 18, 2015

Grito de revolta


Por: Carlos Paz


Hoje faleceu a minha mãe.
Faleceu doente, triste e sozinha.
Sozinha porque eu, filho único, estou em Luanda a trabalhar. O trabalho de cujo rendimento preciso para viver. O trabalho que me é negado em Portugal por ser alguém que não me calo.
E, mesmo desse rendimento, os senhores que nos governam me ROUBAM 90% (não é gralha, são mesmo 90%):
- 30% de IRS;
- 35% de TSU (tenho de pagar a minha e a do empregador – é assim mesmo para os recibos verdes), para uma Segurança Social da qual NADA tenho direito a usufruir;
- 20% de taxa média de IVA;
- 5% para os restantes impostos e taxas (IUC, IMI, ISPP, etc…, etc…, etc…).
Faleceu doente, triste e sozinha uma Senhora que escolheu chamar-me Carlos, porque era um nome que, etimologicamente, significava: Homem Livre.
Como todas as mães, ensinou-me muita coisa ao longo da vida. Mas, acima de tudo, ensinou-me a ser isso mesmo: um Homem Livre.
Faleceu doente, triste e sozinha, num País que se está a desagregar moralmente a olhos vistos.
Faleceu doente, triste e sozinha, num País que expulsa os que se atrevem a ser Homens Livres.
Faleceu doente, triste e sozinha. Não sei sequer se consigo chegar a tempo do funeral. Estou revoltado contra TODA a escumalha que me obrigou a estar longe, por necessidade de sobreviver.
Faleceu doente, triste e sozinha.
Em Honra dela, da Senhora que me ensinou a ser um Homem Livre, faço aqui uma promessa solene (de Homem de palavra que me Orgulho terem-me ensinado a ser):
- Não mais darei descanso a TODA esta CANALHA que a obrigou a falecer doente, triste e sozinha!
Um dia estes CANALHAS, de TODAS as cores, mais tarde ou mais cedo, deixarão de andar rodeados de seguranças, públicos (pagos por nós todos) ou privados (pagos com o que nos roubam). E nesse dia eu irei aparecer qual assombração.
E, mesmo tu, meu CANALHA de Estimação, que por inerência de funções terás segurança (da pública, paga por todos nós) para o resto da tua vida, mesmo tu, eu dizia: vais ter de olhar por cima do ombro muitas vezes. Mesmo a ti, um dia eu irei aparecer qual assombração.
Faleceu hoje a minha mãe. Faleceu doente, triste e sozinha. Estou revoltado!

terça-feira, março 17, 2015

O preço da propaganda: Quanto vai custar aos cofres municipais?






Os boletins municipais, o mais usado dos veículos de propaganda, apresentam sempre uma factura bem jeitosa nas contas autárquicas, considerando os custos que lhes estão associados: concepção, impressão e distribuição. As contas desta despesa variam bastante consoante os municípios. 
No que a Alcácer do Sal diz respeito, o custo do pasquim, vai pesar nas contas do município deste ano a módica quantia de 8.180,00€ (ver aqui) - por ajuste directo, claro está!. Ressalve-se que este valor não engloba a distribuição. Na verdade gostaríamos todos de saber quanto paga anualmente a câmara aos CTT pela distribuição.
Ora se este tipo de publicação fosse para informar, como alegam, a bem da informação e da transparência o valor da feitura e distribuição do jornal devia vir... no jornal.
É por estas e outras que depois não há verbas para outras coisas mais importantes. É por este e outro tipo de despesismos inúteis é que depois não há dinheiro para preservar por exemplo o património. Esta quantia dava para arranjar 10 fontes de Vale de Semedeiros.

Não é assim que se promove o turismo - a arruinada e abandonada Fonte de Vale de Semedeiros

É neste aspecto desolador que se encontra a Fonte de Vale de Semedeiros, na estrada entre Alcácer do Sal e o Torrão.
Já há dois anos o assunto tinha sido abordado aqui. O que é que se fez então? Nada.
Entra nova gente a prometer restaurar o património entre outras coisas e o que se fez? Até agora nada. Uns e outros até agora só mostraram incompetência, insensibilidade, incúria, negligência, desprezo...
Esta fonte está localizada na União de Freguesias de Alcácer do Sal. É uma bonita imagem. Deviam de a ter levado à BTL. 
Ainda assim não há uma pequena verba para reparar esta fonte? Em uma semana e com algumas dezenas de euros esta fonte ficaria como nova, ficaria atractiva. Assim é o que se vê.
Não é assim que se promove o turismo.
Mas se calhar até é do interesse que as fontes fiquem neste estado. Só mudam mesmo as moscas pois o resto...
Sobre esta matéria diz-nos José Gomes Ferreira no seu livro «Carta a um Bom Português» o seguinte:

Sabes tu que há Câmaras Municipais em Portugal que não autorizam a construção de reservatórios ou depósitos particulares de água nos projectos de moradias novas, nem que seja para captar a água das chuvas recolhida nos beirais?
E que já há Câmaras Municipais que não autorizam construções novas em sítios onde não exista rede pública de água?
Sabes porquê?
Querem garantir clientes para os seus próprios sistemas de distribuição, mesmo que estes não precisem. Mesmo que estes tratem de prover o auto-abastecimento.
Já vimos muito negócio à volta do sector, com a maioria a pagar e alguns a receber. Muito mais negócios, ou negociatas, ainda havemos de ver neste sector.
Sabes, às grandes corporações nacionais e sobretudo às multinacionais do sector da água não interessa nada a utilização livre desse bem. Mesmo pelos proprietários das terras onde a água nasce.
Farão de tudo para pressionar os governos no sentido de restringir o uso livre de água pelas populações.
O próprio presidente da multinacional Nestlé, num vídeo sobre o futuro da água, questiona o direito de acesso universal e gratuito a este bem. Está na internet. Podes ver e indignar-te. E repassar para alertar toda a gente contra o perigo que esta abordagem representa para a humanidade.
E sabes, é tão fácil aos governos empurrar as populações para o uso de água que tem que ser paga. Basta invocar a necessidade de tratamento do líquido. A insalubridade de certas fontes. O risco de utilizar um bebedouro de forma não controlada.
Agora repara como há cada vez mais fontes de aldeias e vilas por esse país fora sem controlo de qualidade da água. Fontes comunitárias, postas à disposição de vizinhos para outros vizinhos, de particulares para comunidades, fontes postas à disposição de todos.
Repara como há cada vez mais letreiros a dizer: «Água impropria para consumo humano». E cada vez menos fichas técnicas de serviços municipalizados afixadas ao lado a atestar a composição e o estado da água dessas fontes.
Julgas que é porque todas as fontes ficaram de repente poluídas? Desengana-te. Nalguns casos, sim, na maior parte, não.
Não lhes interessa que tu consumas essa água em regime livre. Não interessa aos serviços municipalizados das Câmaras, às concessionárias privadas de sistemas de águas, às empresas nacionais e às grandes multinacionais de água engarrafada, aos hipermercados que a vendem.
É um cerco, percebes? Muito discreto, quase invisível, mas é um cerco.
Dá-lhe luta, a esse cerco. Dá-lhes luta, a esses interesses.
Recusa aceitar privatizações de mais serviços municipais de água.
Quando ouvires falar da entrada de privados no capital da ADP, mesmo até 49%, desconfia. Não deixes privatizar a água no teu país. Eles querem é arranjar negócios para os amigos.
A água é vida. Vida é para todos. É o maior direito da humanidade. Maior do que a garantia de ter pão à mesa. Porque com a água cada um pode criar o seu pão, semear, plantar, cultivar, criar animais. Por isso, o acesso à água deve ser o maior direito público e não objecto de negociatas.
Olha para os exemplos de Barcelos e de outros municípios onde se privatizou a gestão da água? O que se ganhou com isso?
Maiores preços, mais negociatas, mais compensações financeiras pelo não aumento total do preço que os operadores queriam.
Onde é que já vimos isso? Nas PPP rodoviárias! Um perigo.
Há um princípio altamente perniciosos na argumentação a favor das virtudes da privatização de certos serviços públicos.
O Estado tem de deixar de fornecer serviços porque não tem dinheiro para pagar os salários e os custos de bens e serviços de consumo intermédio. Entende-se que os operadores privados fazem melhor esse serviço e basta o Estado pagar uma quantia menor para encaixar a diferença.
Pois… em quase todos os casos, o serviço custa mais ao Estado como serviço externo, garantindo lucros avultados a privados que não gerem melhor coisa nenhuma. E a conta a cargo do contribuinte, essa vai sempre subindo…
No caso da água, deixa de se pagar alguma coisa à Câmara Municipal pelo serviço, passa a pagar-se muito mais a uns senhores engravatados. Mas a troco de quê?
Melhor serviço?
Não…
Preço mais reduzido?
Não, pelo contrário.
O que ganhaste?
Não ganhaste nada, perdeste.
No preço a pagar e noutra coisa:
Uma administração de uma SMAS é uma emanação de uma Câmara Municipal. Não a consegues controlar directamente, indirectamente pensas que podes penalizar quem a nomeou, nas urnas, através do voto.
Mas como controlar democraticamente uma administração de um serviço privatizado de águas com contrato até por 40 anos? Não há controlo democrático nenhum. Em praticamente nada. As decisões arbitrárias ficam escondidas nas alíneas dúbias dos contratos de concessão preparados por eminentes escritórios de advogados muito antes de a concessão ser feita.
Sim, é outra forma de dizer que este é um Estado capturado.
Não deixes privatizar o sector das águas em Portugal em circunstância nenhuma.
Rejeita programas de partidos políticos que te prometam essa medida. Aliás, começa mais cedo. Rejeita essa ideia logo na primeira conversa de café em que alguém falar disso. Para eles perceberem que estás atento.

Para eles, decisores políticos conluiados com interesses privados, perceberem que não terão chão fértil para fazer essa sementeira. Nem no bairro, nem na cidade, nem na região, nem no país. Já chega de conluios perniciosos de interesses no sector das águas em Portugal.
























Uma nódoa ambiental mesmo juntinho ao Torrão

Nas imediações do Torrão, a alguns metros da estrada que liga o Torrão a Odivelas, encontramos mais este ponto negro ambiental. Há quem lhe chame estrumeira da carroça. Um pequeno recinto onde são colocados pneumáticos e restos de equipamentos electrónicos, plásticos, latas, etc. É certo que periodicamente o local é esvaziado mas ainda assim...
Logo ao lado, uma fossa de «black waters» a céu aberto.
E assim vai o cuidado ambiental no Torrão. Mais um bonito local turístico. 
Será que a Inspecção Geral do Ambiente tem conhecimento de tal pérola?



Imagens da fossa a céu aberto









Imagens da lixeira também a céu aberto

Recorrendo ao Google Earth, a localização geográfica do local

Contra factos não há argumentos


Unanimidade. É a primeira vez que uma sondagem Pedra no Chinelo recolhe apoio unânime. Não será preciso fazer gráficos nem mais nada. Está aqui e está á vista. Quanto ao tamanho da amostra, sejam 10, sejam 20, sejam, 1000, 100% é 100% e é elucidativo.