domingo, abril 03, 2016

MAIS UM LOGRO, MAIS UMA HIPOCRISIA

Teve lugar em Tróia, a dois de Abril, um tal de congresso «Mais poder local, mais democracia, melhor Alentejo» e parece que as edilidades do sítio foram até lá - vamos ficar à espera de saber, e todos deviam perguntar, qual a intervenção e papel que desempenharam.
Seja como for, é mais um logro. Primeiro afirma-se que existe consenso na sociedade alentejana (?) quanto ao aprofundamento do dito poder - mas ninguém explica em que consiste esse aprofundamento. Segundo, é passado um atestado de incompetência a todos pois reconhece-se que o Alentejo vai de mal a pior - parece que afinal e bem vistas as coisas, Henrique Raposo tem carradas de razão. Terceiro: Então é o poder central que tem a culpa de nestes anos todos, a grande maioria dos autarcas locais, nomeadamente estes ilusionistas da política, serem profundamente incompetentes, anti-democráticos, pouquíssimo transparentes e tudo menos pluralistas?
Ora vamos lá demonstrar, se dúvidas ainda há, a hipocrisia e do logro. Nesta recta final do mandato há que procurar desesperadamente mostrar serviço, coisa que nunca existiu.





TRANSPARÊNCIA

Pensávamos que a transparência, pluralismo, democracia, etc e tal começavam nos agentes do poder local mas parece que estávamos todos enganados. Afinal a culpa é do poder central. Será o poder central o responsável último pela falta de transparência da Junta de Freguesia do Torrão, aquela cujo presidente vai todo lampeiro ao congresso?




DEMOCRACIA E PLURALISMO

Convém antes de mais lembrar isto. Mas esta deve ser sempre tida em conta:


                              E a devida resposta:


 



   Claro que tais manobras depois dão direito a situações humilhantes. Será que o poder central também é responsável por tamanha falta de sentido político?


Internet restaurada na biblioteca Municipal do Torrão




E depois temos a melhor: Cidadãos incómodos são bloqueados nas páginas oficiais dos ditos órgãos do poder local, os tais que se querem pluralistas, democráticos e transparentes. Isto é que esses cavalheiros deviam dizer em Tróia.





quinta-feira, março 10, 2016

Mais um caso encerrado

Chegaram-me a 28 de Fevereiro mas os meus afazeres não me permitiram que postasse de imediato. Seja como for, o espelho rodoviário junto ao Largo do Sopapo já está reparado. A questão que se põe é: Se não denunciássemos AQUI o caso será que a reparação se fazia de forma tão lesta? Fica a pergunta.




Tudo bons rapazes





sexta-feira, março 04, 2016

Porque concordo em boa parte com Henrique Raposo?



O verniz estalou e muita tinta tem corrido desde que uma personalidade mais ou menos conhecida, de seu nome Henrique Raposo, participou num programa televisivo onde apresentou um livro sobre o Alentejo, terra de seus progenitores. A partir daí, uma nova cruzada, mais uma, virtual de hordas ferozes que deixam qualquer povo bárbaro tal não é a verborreia destrutiva, a verrina implacável e o ódio que se espalham como fogo em palha seca, a parecer meninos de coro. Mas qual o motivo para tamanho ódio? Apenas e só um simples livro.
Por aquilo que tenho lido, desconfio que haja muito boa gente que odeie Henrique Raposo. Aliás, no programa, o apresentador diz-lhe que é um dos colunistas mais irritantes do momento. E porquê?
Porque tendo raízes alentejanas foge daquelas características que por força deveria ter como se liberdade de pensamento, opinião, expressão, etc e tal fossem, como já se percebeu, toleradas sim mas desde que pense como a maioria quer. Na verdade, o erro de Raposo, está bem identificado na crónica de Henrique Monteiro no Expresso: "nasceu nos arredores pobres de Lisboa, filho de alentejanos que vieram procurar uma vida melhor. Estudou na escola pública, onde era maltratado pelos colegas por querer estudar a sério e não apenas passar o tempo. Licenciou-se, tornou-se investigador e cronista. Ao contrário do que os ‘verdadeiros’ alentejanos defendem, Raposo não admira a escola pública, nem os feitos do PCP na reforma agrária. E – espante-se – não é filho de latifundiários! Ao contrário dos que os ‘pobres’ da periferia se queixam, Raposo não diz que os jovens se metem na droga por falta de condições sociais. E espante-se, ele nasceu na periferia pobre!" e portanto "A ‘turbamulta’ irrita-se. Não é este o Alentejo que querem; querem um Alentejo de luta e de solidariedade. Para a ‘turbamulta’ não é este o rapaz das periferias que lhes serve de modelo".
Quem já conhecia Henrique Raposo? Convido pois antes de mais a ver este programa.




E é aqui que está a origem de tudo. Claro que o rapaz não fazendo parte da entourage havia que tentar algo e estas declarações e o livro serviram como uma luva. As novas realidades e formas de comunicar ainda não são bem dominadas por todos de forma que, e já se percebeu, há dois tipos de gente nas redes sociais. Os manipuladores - alguns até se divertem a fazer experiências - e os «borregos», os que se deixam manipular, os que vão atrás sem lerem, sem reflectirem, sem pesquisarem. Pois é. Lamento informar a maioria dos que se insurgem contra Raposo e em especial muitos da zona de Alcácer do Sal - sempre na vanguarda da patetice, do insulto brejeiro e barato, da cretinice e por aí fora - que foram e estão a ser manipulados.

Infelizmente também já se percebeu que argumentar não é para todos. E factos, números e evidências também ninguém se preocupa até porque ninguém estuda, pesquisa, pensa antes de ir para o Facebook «de capa e espada». Discorda-se, ofende-se, chinga-se, ameaça-se e pronto. Mas, uma pergunta, talvez a mais importante: Viram o programa e ouviram o homem ou limitaram-se a ir atrás?
Eu ouvi o homem e sinceramente fico siderado por ver tanta gente de «armas em riste». O que disse não foi ofensivo para ninguém, não insultou ninguém. Constatou factos. Será que não é isso também que está aqui em jogo? Alguém ousar dizer o que todos sabem mas nunca ninguém disse. Talvez esteja aí mais uma razão. O homem teve a audácia de não ser hipócrita. «Há coisas que se pensam e se sabem mas não se dizem», né?
Vamos pois dissecar um por um os todos os pontos do que disse Henrique Raposo e por fim acrescentar mais algumas observações que serão de todo pertinentes.

  1. O suicídio
    O suicídio que, nas palavras de Henrique Raposo é um modo de vida no Alentejo. Esta foi uma das primeiras coisas que fez as hordas levantar as chuças. Claro que isto é uma metáfora no sentido em que não será um modo de vida de facto mas é-o pelos números que se verificam. De tal forma assim é que segundo o "Público" em 2012 o Alentejo quis perceber porque é a região do país com a maior taxa de suicídios. Vejam, Está aqui. Leiam! Meus caros, o Henrique Raposo disse algo de mais? Sabiam que em 2005, de acordo com o Diário de Notícias, em 2005, o Alentejo registava a taxa de suicídios mais alta do mundo?! Vejam, está aqui. Não! Não é na Palestina, nem no Iraque, nem no Afeganistão nem na América Latina, tudo regiões que em 2005 estavam - e continuam a estar - a ferro-e-fogo e com altas taxas de mortalidade, de miséria, fome e todo o tipo de flagelos e onde os Quatro Cavaleiros do Apocalipse cavalgam alegremente que tal se verifica mas sim numa das mais pacatas províncias de Portugal, aquela que apesar de representar um terço do país é das mais atrasadas, desertificadas e inóspitas regiões: o Alentejo. Poder-se-á dizer o título é exagerado. É aceitável mas que os valores são altos e tem que haver um fundo de verdade na notícia. Se isto não é um fenómeno natural... Suicídios há em todo o lado mas no Alentejo abusa-se. Se os torquemadas de serviço me permitem a piada, se o Estado Islâmico sabe de tal manancial ainda vem recrutar bombistas-suicidas para as suas hostes a estas paragens.

  2. A violação

    «As alentejanas antigas nem sequer conheciam a palavra violação». Outra frase que incendiou tão sensíveis almas alentejanas. Mas onde está o problema? Claro que não conheciam a palavra violação. Não conheciam o termo mas conheciam a realidade. Quem é que de entre todos os alentejanos ouviu as pessoas mais velhas falarem em tal? E quem diz alentejanos, diz beirões, diz minhotos, etc. Por um lado estamos a falar de pessoas com baixa escolaridade, por outro lado os tempos eram outros e quem fosse contra a moral e os bons costumes vigentes na época arriscava-se a receber a oportuna visita da GNR ou da PIDE e ir bater com os costados na cadeia. Por outro lado ainda, Portugal não era um país cosmopolita. E por fim eram pessoas que viviam isoladas. Quem é que de entre os «ofendidos» nunca ouviu dizer às pessoas mais velhas "dantes não se ouvia falar destas coisas"? Usavam-se outros termos. «Fulano fez pouco da rapariga», «Beltrano faltou ao repeito à moça», «Sicrano foi alarve», etc. Não, meus caros. Antigamente não conheciam o termo «violação» mas a realidade, essa infelizmente todos a conhecem desde sempre e em todo o lado.

  3. Os homens não tinham carinho pelas crianças e não havia conceito de criança
    Meus amigos, alguns dos quais bem mais velhos do que eu, que viveram e cresceram nessa época, que conheceram melhor pessoas que nasceram ainda no século XIX, vós sabeis que é assim. Os homens antigos eram mais rudes, não se dedicavam aos filhos - mesmo nas classes mais altas quanto mais os que trabalhavam de sol-a-sol. Ao homem competia trabalhar e à mulher cuidar das crianças. O homem apenas era chamado em casos mais graves quando tinha que aplicar o cinto. «Porta-te bem senão quando o teu pai vier ele logo vês como é que é». Mas claro que o pai também educava nomeadamente os rapazes e já na fase da adolescência. A sua presença é que era mais distante. Era assim e ponto. Quanto ao não haver conceito de criança... bem, a que idade começavam a trabalhar? Como diz o ditado? De pequenino se torce o pepino, né? Pois. Vós os mais velhos não vos lembreis que assim é, assim foi, e assim se passou com muitos de vós. O que disse Raposo de mais?

  4. «O Alentejo é a terra da desconfiança»
    Mais um argumento que serviu para se dar tratos de polé ao homem. Mas porquê? O que tem isso de mais? Os alentejanos são desconfiados? Óptimo! É melhor ser desconfiado que ser «anjinho», «naif», «tancho» - como se diz por ali - «ingénuo», etc. Se Raposo dissesse o contrário é que era pior; agora ser desconfiado?! É bom ser desconfiado ainda para mais nos dias de hoje onde até estamos rodeados de vigaristas por todo o lado. Não meus amigos, isto não é ofensa nem tão pouco defeito; é qualidade. Se os alentejanos são desconfiados, ainda bem! E já não deviam de ir atrás de certos embustes. Infelizmente ainda muitos alentejanos são ignorantes, mesmo os que sabem ler e escrever q.b. como aliás se tem visto.

  5. «Os laços de comunidade são fortes no norte e fraquíssimos no sul» e «História de violência no Alentejo»
    Muitos dos que se insurgem, já tiveram oportunidade de vir ao norte? Falam com conhecimento de causa?
    Diz um outro alentejano, de sua graça Vitor Matos na sua crónica sobre o folhetim que "Para os fascistas do pensamento, deixo aqui mais uma identificação total com o que o Henrique Raposo escreveu: quando ele diz que as viagens dele ao norte verdejante era como ir ao estrangeiro. As viagens que fiz com os meus pais pelo norte do país também eram um fascínio. Aquele verde todo era uma coisa linda, invejável, aquela água a correr por todo o lado encantava-nos. Era outro mundo, outro país. E sim, o meu pai comentava um sentido de comunidade que não havia no Alentejo".
    Claro que é diferente! Quereis conhecer a minha experiência? Gente que nunca me viu nem conheceu e vice-versa, acolhem-me em casa, repartem, têm consideração, ajudam. Gente que me conhecia desde sempre tratava-me com sete pedras na mão muitos deles por eu ser livre e ter opinião livre. No Alentejo, muito boa gente não se limita a querer o seu bem. Querem o seu bem e o mal do vizinho, veja-se bem a «cachola» dessa gente. Aqui, no norte, se alguém tem um problema, como por exemplo, e vi eu, uma senhora de idade ficou com o troll das compras partido oferecem-se para a levar a casa. No Alentejo ri-se da desgraça alheia. É mentira?
    Pois é; ali quase todos se dizem de esquerda, pelo socialismo, pela fraternidade, são camaradas, mas na teoria. Na prática são dos mais «facho» que há e autênticos cães raivosos. Já dos «galegos» - ali, pelo menos na zona onde vivi as últimas décadas - tudo o que é do Tejo para cima é «galego». Os galegos são fascistas, os galegos são conservadores de Direita, os galegos querem é padres... Mas querem saber a melhor? Os alentejanos dizem-se isso tudo na teoria mas na prática são o oposto. Já os «galegos» que não querem nem ouvir falar no Partido Comunista e «são tão reaccionários» são afinal e na prática fortemente comunitários fraternos, solidários...
    E ainda há a outra parte. Para muito bom alentejano, «os galegos» não sabem trabalhar, são «jarondos» - pouco higiénicos, só fazem «travias» - comida imprestável, são de má índole, etc. Bons são eles, os da minha zona. Querem saber a melhor? A maior parte de vós nunca lhes há-de chegar aos calcanhares. Nunca! Nem em «golpe de vista», nem em sentido de ética e de comunidade.
    Pois é; experimentam a vir ao norte e verão. E não, não me venham falar em termos individuais. Gente boa e gente ruim há em todo o lado. Mentalidade colectiva, por favor. Muitos amigos meus do Alentejo falam de histórias de violência entre vizinhos no norte e no Minho em particular. É verdade. Claro que há brigas de morte entre vizinhos. Aliás, em qualquer lado, não há nada pior do que má vizinhança. Alguns mesmo já me contaram historias que se passaram nas suas zonas como a de um homem que matou o vizinho com um sacho por causa de um rego de água. Claro que as há. Mas no Alentejo também.
    Meus amigos, nomeadamente os que moram na terra de Bernardim Ribeiro, sabem porque nome era conhecido o Torrão nos arredores? Terra do amor? Não! Vila Verde no Minho é que almeja ser a capital do amor em Portugal! Terra do carinho? «Nop». Terra da ternura? Nada disso. TERRA DA MACHADA. Sim, o Torrão do Alentejo é conhecido, ou pelo menos foi conhecido, como a terra da machada. Porque será?
    Aliás houve gente que se matou à machadada, houve um que matou outro com uma forquilha nas lavras de arroz, há muitos homens que assassinaram as mulheres por motivos passionais. Isso existe em todo o lado e no Alentejo não é excepção. Quereis exemplos? Não conhecem a quadra:


    No dia 18 de Janeiro
    no Monte da «Lavandeira»

    mataram duas mulheres

    com uma espingarda caçadeira


    Faz parte da literatura oral do Torrão. Procurem saber a estória - quem a não sabe? Já leram por acaso o livro de Joaquina Soares, «A Imagem da Mulher na Literatura Oral do Torrão»? Conhecem, pelo menos? Eu não tenho aqui os meus alfarrábios comigo senão iria buscar muitas estórias antigas que ali estão dadas à estampa como a de um homem que vindo da cortiça e apanhou a mulher com outro lhe desferiu um golpe na cabeça com o machado. Pois é, enquanto no Minho bordam-se lindos lenços de linho com versos sobre o amor, no Alentejo fazem-se versos em que o tema é a morte. 
    Estamos elucidados.



  6.  Os «malteses»
    Se os habitantes da ilha de Malta soubessem o que para um alentejano significa «maltês» seriam estes a sofrer a ira dos (verdadeiros) malteses. Henrique Raposo tocou «nos guizos» de muito boa gente quando falou dos ditos cujos. No Alentejo, maltês é aquele que «anda à malta», isto é, vagabundos, gente que vive sem regras, sem trabalho, que não se preocupa consigo, com a sua casa, com a sua roupa. O típico vagabundo. 
    É mentira que antigamente estes malteses corriam os montes pedindo, roubando e sabe que Deus mais? Uns sozinhos, outros em bando ou em pequenos grupos. Muita desta gente teria, como hoje muitos mendigos e marginais têm, maus instintos e se apanhassem crianças sozinhas podiam fazer-lhes mal. Ó meus caros, essa realidade existiu. Gente isolada nos montes facilmente podia ser vítima destes malteses. Então as vossas mães para vos meter medo, quando crianças, não falavam do «maltês de estrada»? Eu sou daqueles a quem a minha mãe metia medo, quando era pequeno. «Se não te portas bem vem o maltês e leva-te no saco». E eu imaginava uma figura de um homem velho de barbas com um grande talego às costas. Então a figura do malês, que Henrique Raposo alude, não existe? Meus caros, os que moram nos arredores de Alcácer, ide à Rua das Torres e vede uma travessa paralela à Travessa das Palmeiras. Sabem como se chama? Travessa do Maltês! Procurem saber porquê. Os malteses eram os marginais e os «gangs» da época. Portanto o que disse o homem de mais?!
  7. A bastardia

    Numa época em que o grande lavrador, o grande proprietário, o grande comerciante era o manda-chuva, é muito natural que alguns «abusassem» das criadas, das filhas dos empregados... E há casos em que não havia necessariamente violação. Era consentido. E também alguns pais das miúdas a quem os filhos ou mesmo os proprietários «faltavam ao respeito» até nem se importavam muito pois podia ser que herdassem qualquer coisinha ou mesmo que não gostassem não iam «virar dente» pois para além de serem despedidos e isso significava viver na miséria e ficar sem casa até porque muitos moravam nos montes que eram, tomai nota, propriedade dos patrões, ainda se arriscavam a ir presos pois esta gente é que dominava a sociedade, onde a arbitrariedade imperava, da época e a GNR era em muitos casos lacaia de serviço destes indivíduos.
    Por vezes acontecia. Quereis um exemplo? Este vosso escriba.
Desconfiança e cultura do suicídio serão os piores defeitos dos alentejanos, de acordo com Henrique Raposo. Não concordo. Penso que há outros defeitos mais comezinhos e se calhar apesar disso bem piores. Defeitos e virtudes como há em todo o lado e os alentejanos não serão excepção.
Henrique Raposo é ainda mimoseado no Alentejo sem apelo nem agravo por falar num Alentejo sem lei e de violência. Fala sobretudo do período da guerra civil e do pós-guerra civil de 1832-1834, um dos períodos mais nefastos da nossa história. É mentira? Já ouviram falar da Batalha de Alcácer do Sal e do «Massacre de Algalé»? Está aqui.
Claro que o rescaldo de uma guerra fratricida é tudo menos pacífico e muitos continuaram a lutar mesmo depois de formalmente terminada a guerra até porque Alentejo e Algarve eram, como a maioria do país, profundamente miguelistas. Mas isso são outros quinhentos e vamos ao que interessa.
Algum de vós se lembra de uma série que passou há 25 anos na televisão e que se chamava justamente Alentejo sem Lei e onde este era retratado como o farwest português? Digo já, que eu era grande fã. Exactamente. Espero que 25 depois não abram mais uma guerra contra esta série realizada por João Canijo. Vejam e oiçam sobretudo a narração. Na verdade, muito do que Henrique Raposo diz tem paralelismo com esta obra e parecem versões decalcadas desta série. OIÇAM!




Até no Algarve o homem é perseguido porque falou no Remexido. Sabem quem foi o Remexido? Conhecem o contexto? Leiam, estudem, aprendam e depois venham para a rede social dizer de vossa justiça. É que escrever, como eu escrevo esta humilde peça, leva tempo de reflexão e tempo de escrita.

Não quero terminar esta singela crónica sem referir alguns aspectos, lamentáveis diga-se de passagem, a que tenho assistido. Parece que há por aí muita gente indignada, alguns até fazem vídeos e tudo onde esconjuram Henrique Raposo porque este diz que os alentejanos são um povo afável e que, ao contrário do que «esse Raposo diz» não são violentos mas depois, pasme-se, escrevem para o homem ir ao Alentejo para «levar com um pau nos cornos», para levar uma corda para se pendurar num chaparro, que devia levar um enxerto de porradas, etc. Tanta afabilidade e ternura deixam-me deveras comovido. Nem se dão conta das contradições.
Outra situação é a do boicote ao livro. Então um povo que se diz anti-fascista, resistente, etc e tal agora quer censura? Quer boicotar o livro? Há muitos a dizer que vilas e cidades do Alentejo estão contra a publicação do livro! Ó meus amigos então querem o lápis azul? Poderão dizer que não, que é só porque o homem disse «falsidades» e «disse mal» e é porque não gostaram de ver nem ouvir aquilo. Meus amigos, isso é o que todos dizem. É que se verem bem, estão a pedir a censura. O Governo também poderia pois e teria legitimidade para tal. Se uns têm porque não gostam, o Governo quando não gosta de algo, porque é «subversivo», porque é «falso», porque é «alarmista» também não poderias deitar mão desse («valioso») instrumento? Ah já não vale? Vale pois. Censura é censura. Cuidado com o que se pede!

Por fim, e mais uma ironia das massas acéfalas. Meus caros, com todo esse sarrabulho o que deram foi publicidade ao homem. Se tivessem ficado mudos e quedos o assunto, o livro, o autor passariam despercebidos. Suspeito que Henrique Raposo vai ganhar bom dinheiro à pala da vossa patética indignação e que este livro vai ter uma saída bem acima da média. Com esta publicidade é que ele não esperava. Querendo tanto «matar» o homem acabaram por o promover. E querem saber a última? Se nada disso acontecesse, eu seria um dos que o assunto me passaria ao lado. Agora até eu faço questão de comprar o livro.
Para a próxima, antes de embarcarem em cruzadas patéticas, pensem um pouco.

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Mais vale tarde que nunca - Ruas dos Castelos pavimentadas depois de denúncia da morosidade da obra

Depois da denúncia da morosidade das obras nas ruas dos Castelos eis que recomeçaram ontem, dia 17 de Fevereiro, os trabalhos com estas a serem finalmente pavimentadas. 
Mais uma vez terá sido a intervenção do nosso blog e a denúncia pública preponderantes para apressar os trabalhos?
Mais uma prova da força da cidadania activa e do Pedra no Chinelo, que mesmo com o seu autor longe, não deixa de ter um papel determinante e de fazer mossa.





domingo, fevereiro 14, 2016

À atenção dos serviços

 O espelho rodoviário junto ao Largo do Sopapo na Rua dos Lavradores está no estado que as imagens mostram. Fica pois à atenção dos serviços. Sabendo contudo de antemão que nestas questões rodoviárias o limite de velocidade da rapaziada é assim a tender para o lento esperamos que este caso não se torne o... reflexo de outras peripécias... passadas.










Aqui todas são obras de Santa Engrácia


Foi desta forma que na página de propaganda camarária foi dada a notícia da «remodelação das infraestruturas de abastecimento de água». O que os martirizados moradores do bairro dos Castelos  - e munícipes em geral, acrescenta-se - não esperavam era que as obras ficassem para galo de entrudo e que passados dois meses e meio tudo estivesse como as imagens abaixo mostram e que alguns moradores indignados nos fizeram chegar.
Para quem se dizia diferente, basta ver as semelhanças com este outro caso passado na Rua Nossa Senhora do Bom Sucesso durante a anterior gerência. A sorte destes moradores é que esta zona não é sensível em termos de inundações. O problema é que muda a gerência mas a (má) qualidade dos gerentes é uma constante e os geridos esses são os mesmos e portanto...
Lá anunciar o começo é fácil, o pior é anunciar o fim.


Já quanto à Junta de Freguesia (de Torrão Torrão), foi desta forma que foram anunciados «urbi et orbi» os ditos trabalh(inh)os.
«Câmara Municipal de Alcácer do Sal com trabalhos nas Ruas dos Castelos». Pomposo.
Resta saber até quando.











sábado, fevereiro 13, 2016

Faria hoje 110 anos



"Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam, ou sequer lhe reconheçam o que faz. Pelo contrário, é ele quem deve agradecer a ocasião que lhe ofereceram os outros homens, de colocar em jogo as suas qualidades, e de eliminar, se puder, os seus defeitos"


Agostinho da Silva (1906-1994)

sexta-feira, janeiro 22, 2016

quinta-feira, janeiro 21, 2016

DJ do Torrão ganha notoriedade na RTP

DJ Dudaz na companhia de Filomena Cautela, a apresentadora das quartas-feiras, do programa da RTP, 5 para a meia-noite

Fonte: Dudaz Facebook


DJ Dudaz, um dos DJs do momento no panorama do meio, esteve na noite de ontem no 5 Para a Meia-Noite. O artista, natural do Torrão, já tem uma experiência de alguns anos a «passar» música.
Um disc jockey ou disco-jóquei (DJ) é um artista profissional que selecciona e "toca" as mais diferentes composições, previamente gravadas ou produzidas na hora para um determinado público alvo, trabalhando seu conteúdo e diversificando seu trabalho em radiodifusão em frequência modulada (FM), pistas de dança de bailes, clubes, boates e discotecas.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

É de ficar... passado

Certamente que todos se lembrarão das passadeiras invisíveis. Na verdade, e quem não se lembra mesmo, basta passar na Rua de Beja e ficará elucidado.
Tudo começa com a aprovação, na reunião de Câmara de 23 de Janeiro de 2014 - como aliás se pode ver aqui - de colocação de sinalização vertical e horizontal, isto é, as passadeiras e respectiva sinalização indicativa, na Rua de Beja. O surreal da coisa foi que só passados largos meses é que foi dado cumprimento da deliberação e só foi colocada a sinalização vertical sendo que as passadeiras, essas nunca foram pintadas. Entretanto os sinais ficaram e da passadeira nem sinal. Como se não bastasse, os sinais ao invés de ficarem virados para a estrada e para os condutores, ficaram de lado. Ora parece que a nenhum engenheiro passou pela cabeça que se as condições do local não permitem que o sinal fique na posição correcta se estiver preso a um varão colocado no solo pois então que se colocasse na parede. Bem, mas adiante que a estória é bem mais interessante.
Ora passados poucos meses depois da referida sinalização ter sido colocada eis que num incidente um dos sinais ficou gravemente afectado sendo posteriormente retirado, como se pode ver aqui.
Entretanto tudo ficou como as imagens mais recentes mostram.









Qual não é o espanto quando na sessão da Assembleia de Freguesia que se realizou em Dezembro, o senhor Presidente da Junta de Freguesia do Torrão refere que as passadeiras não foram pintadas porque... a Infraestruturas de Portugal (ex-Estradas de Portugal) não deixa pois esta é uma estrada nacional!!!
Ora vamos lá ver; das duas três:
Ou são tolos, ou as entidades governamentais querem fazê-los de tolos ou eles próprios querem fazer dos torranenses um bando de mentecaptos. Repare-se que o argumento é sempre o mesmo. Como pode esta freguesia progredir! Isto não é novo. Os antecessores de Virgílio Silva também já deitaram mãos deste argumento.
Durante anos uma figueira brava cresceu junto ao um dos beirais da igreja matriz minando as paredes e o assunto levou anos a resolver porque aparentemente o antigo IGESPAR, actual Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA) não deixava mexer e tal e coiso. Depois foi outra carga de trabalhos com a pintura da referida igreja nomeadamente no mandato de Décio Fava porque a DRCA não deixava pintar mas sim caiar e blá, blá, blá whiskas saquetas isto enquanto as igrejas das localidades das redondezas estavam todas pintadas. Alcáçovas, Alfundão, Viana do Alentejo, Vila Nova da Baronia, etc, tinham as respectivas igrejas pintadas; no Torrão a matriz não era pintada porque (supostamente) a DRCA não deixava pintar. Lá foi agora, e passadas décadas, que a igreja foi pintada.
Agora passa-se exactamente o mesmo com as passadeiras.
Ora vamos lá a ver: Em todas as localidades em que uma estrada nacional passe por ali existem passadeiras e até semáforos. TODAS! De norte a sul. Até por uma questão de segurança dos peões. No Torrão e desgraçadamente não deixam pintar. 
E pronto. Como há-de uma freguesia destas querer avançar se para minudências desta natureza é uma carga de trabalhos? Isto das duas uma: ou esta gente não sabe falar com as entidades e diz uma série de asneiras, ou deixam-se enganar ou são incompetentes.
MAS ISTO CABE NA CABEÇA DE ALGUÉM? Então quer dizer que não há passadeiras na estrada nacional que atravessa a vila do Torrão porque a IP proíbe? Isto será para rir ou para chorar?
Então e a quem cabe a pintura das passadeiras? À Câmara depois da suposta autorização ou à IP?

Ora bem, então a IP não permite que se pintem passadeiras numa estrada nacional? Pois então olhai para aqui. Olhem. Sabem onde fica? Exactamente. Fica em Santa Susana, exactamente no mesmo concelho a que pertence a freguesia do Torrão. Olha... O que é isto? Uma passadeira? Não é uma passadeira mas sim DUAS passadeiras; a escassos metros uma da outra. Estão pintadas onde? Precisamente!  Sobre uma estrada nacional. Neste caso a EN 253. Olha... Então em Santa Susana - que ainda por cima é uma aldeia - podem pintar-se passadeiras numa estrada nacional mas no Torrão não? 
E agora outra pergunta: Quem pintou estas passadeiras? Os serviços municipais? A Infraestruturas de Portugal? Fosse quem fosse elas aí estão e as fotos para comprovar tiradas há uma semana. E ainda se diz mais: Pelo estado da pintura e da sinalização vertical tudo indica que é coisa recente.
Aqui pôde-se pintar. No Torrão não. 
Estamos conversados. 









Ora mas como estamos a lidar com génios que podem ter caído de paraquedas na política e não perceberem «um boi» disto e podem ser incompetentes em tudo e mais alguma coisa mas que as jogadas, a ratice, o chico-espertismo e a manhice e esperteza saloia essas são logo aprendidas e como estes numa dessas jogadas até podem vir dizer «ah coiso e tal mas isso é em Santa Susana, porque é uma aldeia  e porque essa é uma estrada nacional mas é secundária. Essa é a duzentos e tal e a do Torrão é a número 2...». Pois então para evitar uma jogada dessas eis o que vem a seguir. Uma vila, uma sede de freguesia (exactamente como o Torrão): As Alcáçovas.
E mais: Então não se pode pintar a Nacional 2 no Torrão? Olhai aqui. Esta estrada sabem qual é? Exacto! A NACIONAL 2. A MESMÍSSIMA ESTRADA. Vejam:



E aqui onde estamos? Estamos no Escoural; mais propriamente Santiago do Escoural. Não nos furtamos de vir aqui e fotografar pois seja quem for, não pode levar os outros por parvos. Veja-se: Mais uma passadeira. E - olha - é na NACIONAL 2. MAIS UMA VEZ!



E mais passadeiras sobre estradas nacionais dentro de localidades se poderiam fotografar. Quem quiser que fique atento e quando sair vá tomando nota. 
Cabe na cabeça de alguém, repito, cabe na cabeça de alguém não se pintar uma passadeira no Torrão porque não deixam sendo que uma delas até fica próxima de um lar de idosos? Então mas a segurança rodoviária não deve estar em primeiro plano? Então no Torrão os peões não são salvaguardados?
É demasiado rocambolesco. Será o Torrão o buraco-negro onde nada é permitido?
Ficam as questões.

O problema é que este concelho e em particular esta freguesia sempre foi gerida por gente pequenina que quer ser titular de cargos mas depois anda como gato sobre brasas e constantemente amedrontada e enquanto este tipo de gente estiver onde não deve estar nem o concelho e nem a freguesia passam da cepa torta. O que interessa é não levantar ondas e ir ganhando o seu porque se esta gente os tivesse no sítio batia o pé ou então avançava e apresentava o facto consumado ou denunciavam o caso, se tal for verdade, na comunicação social. Mas não.
O que temos então? Nada. Ficou-se a meio caminho e nem o pai morre e nem a gente almoça. Nem o trabalho é acabado e nem se retira a sinalização. Fica então tudo assim. Os sinais a informar de coisa nenhuma.
E depois há outra coisa curiosa: Então a IP não autorizou (SUPOSTAMENTE) que se pintassem as passadeiras mas pelos vistos não se preocupa com a sinalização vertical que sinaliza coisa nenhuma. Então a mesma entidade que não autorizou a pintura das passadeiras permite que fiquem os sinais que indicam nada?
Mas quem é que esta gente quer enganar?
É de ficar de boca aberta.
Agora ali está aquilo que nem é carne nem é peixe e no troço próximo do lar e onde se deu o incidente um dos sinais de informação de indicação de passadeira foi abalroado, ficou danificado, os serviços procederam à recolha e numa mais o recolocaram. Ali está então naquela zona a sinalização vertical incompleta e a servir para rigorosamente nada pois passadeira não há e mesmo que houvesse, os sinais não estão virados para os condutores. Isto pode ser comparado com um borrão, com os cadernos das crianças da escola primária que estão a aprender a escrever e que não controlam a força com que escrevem a lápis e depois têm que apagar e fica tudo sujo, escrevem e voltam a apagar e fica borrado. É tal e qual. Mas esta gente já devia ter idade para não fazer borrões.
Vamos ver como a coisa fica doravante. 
O que é certo é que o dossier de uma coisa trivialíssima foi aberto vai fazer dois anos no próximo dia 23 e até hoje é o que se sabe. Vamos ver se até ao fim do mandato se conseguem colocar duas passadeiras na Rua de Beja, no Torrão visto que aqui e para esta gente tudo é uma carga de trabalhos.
Tal como no passado, voltamos a frisar que infelizmente não dão mais. E quanto a isso nada há a fazer. Não adianta querer que se corra 10 Km quando só se consegue correr 5. Não dá mais. E mais uma vez e como no passado voltamos a apelar: Se não conseguem, se não aguentam a pedalada, se são incapazes saiam. Saiam e deixem fazer quem sabe fazer, quem quer fazer e quem tem capacidade de fazer.
Assim é complicado. O Torrão há-de andar uma vida inteira para trás como o caranguejo. 

terça-feira, dezembro 29, 2015

Lixo acumula-se paredes-meias com propriedade da Junta de Freguesia... e "nas barbas do presidente"

 Lixo de todo o tipo, incluindo fraldas usadas, vai-se acumulando na Rua de Beja no barranco junto ao local onde era o antigo matadouro e que é... propriedade da Junta de Freguesia. E mesmo o colector de águas pluviais vai ficando obstruído de terra e palha sem que ninguém repare. Como se não bastasse, em frente e do outro lado da rua reside o senhor Presidente da Junta de Freguesia do Torrão.
Quando uma lixeira vai crescendo tranquilamente nas barbas do presidente e este nem se apercebe, está tudo dito.