
terça-feira, janeiro 18, 2011
República também é isto

A grande faena ou as touradas da república por Ramalho Ortigão

Ramalho Ortigão - «Farpas na República». verbo: 1910, pp. 33-34
domingo, janeiro 16, 2011
Abstenção é a solução

Está na altura de ter uma atitude verdadeiramente cívica: Abster-se de votar, indicando assim o verdadeiro desencanto para com o regime vigente.
Para quem pensa que o voto branco (ou nulo) resolve alguma coisa, estejam atentos à noite eleitoral: Estes últimos, se forem referidos percentualmente, será de forma marginal. A abstenção não ! A abstenção é verdadeiramente um problema para o regime, e dependendo da sua magnitude, poderá de facto influenciar o regime».
«(...)há motivos políticos, que passam pelo meu desapontamento radical com a função do Presidente da República em Portugal. Nós fomos muito especiais, ao tentar encontrar um sistema que não é nem água quente nem água fria, nem carne nem peixe. É uma coisa muito esquisita. Não é presidencialista, não é semipresidencialista, não é parlamentarista».
Penso que não há mais nada a dizer a não ser que dia 23 irei fazer o que me der na real gana mas votar está de todo longe dos meus planos. Se votar é um direito, não votar também o é.
Quem não estiver contente com o estado do país e queira enviar uma mensagem ao regime que faça como eu. Quem estiver contente com o que tem, que vá votar para para uma instituição que «não é carne nem é peixe» e que mesmo assim come 21 milhões do orçamento mais de metade da Casa Real Espanhola, só para dar um exemplo; e ajudar um tipo a subir na vida - e de que maneira - mesmo depois de ter deixado o cargo. Isso é que era bom.
terça-feira, janeiro 11, 2011
Esclarecimento esclarecedor
O que se verifica é que nem mesmo a propaganda é de qualidade com muitos erros e omissões de certeza por pura ignorância. Senão vejamos:
Logo na primeira imagem aparece o «ignóbil trapo» ondulando enquanto se ouve o Hino Nacional.
Eu, como nisto das bandeiras e heráldica, tenho um olho de lince logo detectei um lapso.
De acordo com o decreto da Assembleia Nacional constituinte datado de 19 de Junho de 1911, publicado no Diário do Governo nº 141 do mesmo ano, que aprovou a Bandeira Nacional pode ler-se que:
A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco e assentado sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro.
A imagem abaixo ilustra a descrição constante no referido documento que aprova a forma do ainda estandarte nacional. Pode ver-se a orla, a pequena faixa branca circundando o escudo.
Ora nos últimos tempos, muito por culpa do futebol, muita gente começou a adquirir uma bandeira pelo que estas foram sendo comercializadas em quantidades industriais por gente que não se preocupa muito com pormenores, a começar nos chineses, daí terem aparecido versões algo pitorescas.
A bandeira que surge no anúncio, como se pode ver, é do género da que está aqui em baixo e, como se pode ver, não tem a orla em torno do escudo. Num anúncio institucional... o descuido e o desleixo dizem tudo acerca da natureza abananada e abandalhada do actual regime.
Mas não é só nesse pormenor que está o lapso. Todo o anúncio é uma pérola condenada a ser um tesourinho; tesourinho deprimente.
Vamos então continuar a esmiuçar o anúncio até porque a feitura deste deve ter custado umas boas massas ao erário público.
Reparemos nas datas que surgem como marcantes no periodo da república:
Logo a primeira data a aparecer é... 1926. Quem não sabe poderá pensar que a república portuguesa foi fundada nessa data. Ora em 1926, mais precisamente a 28 de Maio, caiu a I República e começou a II República, vulgo Estado Novo. Bem, mais ou menos, porque o periodo de 1926 a 1933 designou-se por ditadura militar e só com a Constituição de 1933 é que começou o Estado Novo. Embora a data de 1926 é que conte porque foi nessa data que foi posto um ponto final na I República. Da mesma forma que a III República começou em 1974 e não em 1976, data em que passou a vigorar um nova constituição que veio substituir a de 33.
Ora muitos teóricos, políticos e historiadores afirmam que o periodo que medeia entre 1926 e 1974 não é república e apesar de termos tido três constituições de cariz republicano (1911, 1933 e 1976) de tal forma que nos documentos timbrados do estado português e mesmo em muitos dos documentos dos cidadãos portugueses aparecem as letras «S» e «R» com o escudo ao meio. S.R. que supostamente significa Segunda República. Bem se fizermos umas contas veremos que de já são três as repúblicas!!!
Neste anúncio, onde são referidos os «vários momentos que marcaram os últimos cem anos da república portuguesa» das sete datas e uma década referidas só duas é que se referem ao periodo pós-1974 e nem uma acerca dos primeiros dezasseis anos!!! Assim, 75% dos «vários momentos» passaram-se durante o periodo da ditadura do Estado Novo, curiosamente aquele que mais polémica levanta. Curioso também o facto destas datas que decorreram inseridas MAIORITARIAMENTE no periodo da ditadura serem aqui invocadas num anúncio... eleitoral!!! Este é um reconhecimento inequivoco de que o Estado Novo afinal foi república (como foi de facto). Não esqueçamos que esta é uma publicidade institucional.
Porém, vamos aqui dissecar alguns dos vários momentos (esquecidos) importantes que marcaram os últimos cem anos da república portuguesa:
1910 - A data da fundação da república. Esquecida... terá sido porque a república nasceu de um golpe de estado? Pergunto.
1918 - Curiosamente, uma data esquecida. Então invoca-se 1945, presumo eu por ter sido nesse ano que terminou a II Guerra Mundial que apesar de ser uma data feliz para o mundo e para Portugal onde também foi efusivamente comemorado o fim do conflito embora esta não se tenha sentido em Portugal e não se fala da data em que terminou a I Guerra Mundial, na qual a república forçou Portugal a entrar apenas para esta se fazer reconhecer e na qual milhares de soldados do CEP sofreram as mais atrozes agruras?
1925 - O «cantar do cisne» da I República. A mega burla de Alves Reis (curiosamente sobrinho de Cândido Reis o «herói» da república que estupida e prematuramente se suicidou antes do triunfo golpista do 5/10) apenas possivel no estado de bandalheira em que o país se encontrava 15 anos depois da implantação da república. Desengane-se quem pense que o caso BPN é um caso virgem.
1933 - Já com Salazar no poder, 1933 foi o ano em que entrou em vigor a Constituição da II República, vulgo Estado Novo.
1961 - O ano em que começou a guerra do Ultramar, o ano do assalto ao paquete Santa Maria, o ano do fracassado golpe de Botelho Moniz, o ano da invasão e perda de Goa, Damão e Diu para a União Indiana. Esquecido. Porquê a alusão a 1963?
1975 - O periodo do «manicómio em auto gestão»
1976 - Em Abril de 76 entrava em vigor a actual Constituição. Também foi em 1976 que foi dado aos portugueses a oportunidade de elegerem o PR por sufrágio universal; 66 anos depois de imposta a república. Até aí o unico PR eleito dessa forma havia sido Sidónio Pais; esse mesmo, o que foi assassinado.
1980 - A 4 de Dezembro de 1980 morria vítima de acidente (ou atentado?) de aviação o então Primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro
1983 - É extinguido o Conselho da Revolução
Eis aqui umas datas determinates e que foram esquecidas. Foram de facto vários (e mais que fossem) e ricos os momentos que marcaram os últimos cem anos em Portugal. Se o que se pretendia era esclarecer não seja por isso.
Um orgulhoso português - The best one, the great one*
*Uma parte do título do post está em inglês porque Mourinho é apelidado, até mesmo cá, por «special one» senão o título era todo em português
sábado, janeiro 08, 2011
De Espanha nem bom vento nem bom casamento?
É desta...
A fortaleza de Diu, defendida por António da Silveira ao comando de 600 homens, encontrava-se cercada pelas forças do sultão de Cambaia e pelo turco Suleimão Paxá, constituídas por 23 mil homens e 70 galés. Este último não era tido em muito boa conta pelos portugueses, pois tratava-se de um eunuco que, através de uma revolução palaciana, usurpou o respectivo trono.
Por um prisioneiro português, enviou uma carta ao comandante da fortaleza garantindo livre saída de pessoas e bens, desde que entregassem a fortaleza e as armas. Por outro lado, prometia esfolar todos vivos se não o fizessem, vangloriando-se de ter reunido “o maior exército em Cambaia, tendo muita gente que tomara Belgrado, Hungria e a ilha de Rodes. Perguntava mesmo a António da Silveira como se iria defender num "curral com tão pouco gado!”
Em resposta, o comandante português envia a seguinte missiva: “Muito honrado capitão Paxá, bem vi as palavras da tua carta. Se em Rodes tivessem estado os cavaleiros que estão aqui neste curral podes crer que não a terias tomado. Fica a saber que aqui estão portugueses acostumados a matar muitos mouros e têm por capitão António Silveira, que tem um par de tomates mais fortes que as balas dos teus canhões e que todos os portugueses aqui têm tomates e não temem quem os não tenha!”
Escusado será dizer que a coisa deu “pancadaria de criar bicho”. Ao fim de mais de um mês de cerco, as forças turcas retiraram-se devido às pesadas baixas sofridas. No lado português sobravam cerca de 40 homens em condições de lutar.
Retirado deste livrinho
Dupla apreensão
O que também deveria causar apreensão ou pelo menos admiração foi a notícia que, para além de ter dado conta do facto, ainda refere que os militares estariam revoltados e sobre enorme pressão psicológica por estarem impedidos de sair do quartel.
É de estranhar e sinceramente não acredito preferindo acreditar que foi um exagero jornalístico de uma situação que terá causado quanto muito algum aborrecimento na unidade.
Enorme pressão psicológica? Se fossem uns mancebos da tropa regular integrados há pouco tempo nas fileiras ainda vá, agora comandos?
Os Comandos bem como os Rangers, os Fuzileiros e na polícia, os operacionais da UEP entre outros são gente altamente treinada para vir a ter grande resistência física como psicológica tal não é a exigência das missões que terão que desempenhar. Os homens das nossas forças de elite são do melhor que há no mundo e não acredito que quebrem com essa facilidade toda. Não é qualquer um que ingressa nessas unidades. Só uma estrita minoria ingressa tal não é a exigência do ponto de vista físico e psicológico costumando-se dizer que só «malucos» é que conseguem entrar. Se quebram ou se ficam revoltados por causa de terem que ficar encerrados na unidade durante o tempo que o comando entender necessário até serem apurados alguns factos e de serem sujeitos a um interrogatório intenso levado a cabo não por um inimigo mas por agentes do mesmo Estado que, tal como eles, servem então o que é que aconteceria se fossem capturados pelo inimigo de facto num qualquer teatro de operações e encerrados, aprisionados e seviciados à séria? Mijavam-se todos logo ali na hora sem oferecer qualquer resistência? Não acredito. Tomara a muitas forças especiais por esse mundo fora desde os SEAL, Delta Force, SAS, etc. terem gente da têmpera e da fibra dos portugueses que aliás são muito respeitados e considerados pelo mundo fora e cujos operacionais de elite não ficam nada atrás dos seus congéneres estrangeiros.
Se isso porventura fosse verdade...
Não acredito! Não quero!
bull sheet

sexta-feira, janeiro 07, 2011
Luvas e fábulas*
Há cem anos troavam "casos da Monarchia", confundindo-se deliberadamente a cobiça mais básica de um ou outro agente político estabelecido nas empresas - tal como hoje -, como se de questões de regime se tratassem. Sabia-se que a Coroa estava acima, muito acima de qualquer tipo de participação nas negociatas imobiliárias de tabacos, de fomento ou de fósforos, por mais incendiários que estes últimos fossem. Apesar desta ser uma verdade por todos conhecida - o Rei D. Carlos era de longe, o monarca mais pobre de toda a Europa -, todos os males advinham "da Monarchia". Naquela teimosia infantil em que nos reconhecemos, assim era e assim tinha que ser, "porque sim". Uma lista civil que datava de há oitenta anos e que jamais sofrera qualquer actualização e que para agravar a situação, ainda era cortada a cada anual entrega, servia para pretexto de grande escândalo público. Os bens pessoais - o património da Casa de Bragança - do monarca, eram usados para as próprias despesas de representação do Estado e pasme-se, quando da "Grande Subscripção Nacional" pós-Ultimatum, a aviltada Casa Real foi quem mais contribuiu para a aquisição do cruzador Adamastor que sintomaticamente, iniciaria a sedição que a derrubaria! Mas disso poucos terão o devido conhecimento, pois a história é escrita pelos vencedores, por momentâneos que eles sejam.
Alguém conseguiria imaginar os senhores Cavaco Silva ou Manuel Alegre abrirem os cordõezinhos das suas preciosas bolsas, para subsidiarem uma viagem num Falcon ou um banquete oficial durante a visita de um Chefe de Estado estrangeiro a Portugal? Claro que não. Seria ridículo, desprestigiante para o Estado português e um esbulho da propriedade alheia, neste caso, a do Chefe de Estado em exercício no gabinete belenense. Em suma, uma injustiça, para não dizermos roubo descarado e sob coacção moral de uma imprensa ávida por misérias.
A República Portuguesa está agora a provar do veneno que prodigamente espalhou, por quantos "anéis de caixa-falsa" pôde distribuir ao longo de mais de um século. Criou o escabroso princípio basilar da total credibilidade da insinuante atoarda, por mais miserável, mesquinha e torpe que ela fosse. Não é preciso empunhar um telescópio para claramente vermos que os "escândalos" dos Tabacos, do Predial, dos Tratados de delimitação colonial com a Inglaterra, da "filha do jardineiro" ou dos "Adeantamentos", são mixuruquices ou míseras migalhas, se compararmos com o que hoje se passa. Sem qualquer exagero no paralelismo anacrónico, o que são os "escândalos" da viragem do século XIX-XX, quando confrontados com os roubos ou desperdício de biliões provenientes dos Fundos Comunitários, a ostensiva má gestão e fiscalização dos mesmos, as falências criminosamente induzidas de tantas empresas outrora produtivas e de todos os sectores, os caixotes e caixotes de "luvas" a propósito de armas, computadores, adjudicações, viaturas e outros bens mais, os favoritismos nos concursos públicos, os casos Freeport, Face Oculta, Casa Pia, os "sobreiros Portucale", do BPP, do BPN, etc, numa exaustiva lista sem fim e que a memória já não comporta?
A ser dita, a verdade prende-se com a inextricável rede de interesses de casta que "a política e os negócios" criaram, nela fazendo cair - quantas vezes inadvertidamente? - muitos dos utentes e comensais dos vários palácios que conformam o poder. Não se trata de contabilizar números mais ou menos extensos pelos zeros colocados à direita do 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 ou 10, mas sim, de um princípio em si. Justa ou injustamente - e preferimos acreditar que este é um caso de indecente injustiça -, Cavaco e Alegre estão a ser fustigados em plena praça pública, por uma corrente que impiedosamente lhes vergasta as costas. Corrente velha e enferrujada, mas sempre activa e símbolo de poder, porque forjada na bigorna republicana que eles ainda há quatro meses exaltaram em ditirâmbicos discursos. Agora, que chamem o ferreiro que a consiga atirá-la para o incandescente cadinho.
Têm o que quiseram. Têm o que bem merecem, como representantes de um passado do qual tiram o institucional benefício.
*PUBLICADO ORIGINALMENTE NO ESTADO SENTIDO
segunda-feira, janeiro 03, 2011
A questão orçamental
A reacção do Executivo não se fez esperar, acusando a oposição de irresponsabilidade e de com esta atitude pôr em causa a administração Municipal colocando em xeque até mesmo serviços básicos, de tornar inacessível ao concelho beneficiar dos fundos do último quadro comunitário de apoio e de inviabilizar projectos como o RUAS - Regeneração Urbana de Alcácer do Sal e criação do Balcão Único para além de comprometer seriamente o apoio a colectividades e associações. Na verdade o Pedra no Chinelo sabe de fontes seguras que tais oficios já foram recebidos por várias instituições concelhias.
Por sua vez a CDU acusa o Executivo de destempero e falta de honestidade justificando o chumbo com a necessidade de «mais rigor e mais transparência» e acusando o Executivo de emploar o valor da receita de forma a cobrir um hipotético buraco orçamental.
Não irei comentar números pela simples razão de que não conheço o documento do orçamento. Na verdade, tal deveria ser disponibilizado para consulta pública bem como o orçamento das Juntas de Freguesia; documento que deveria ser publicado nos respectivos sites. Devo recordar que a Lei de Orçamento de Estado, que regerá a actividade gestora do governo do país durante o ano, é conhecida da opinião pública.
Assim sendo, não posso inferir onde está o emploamento de números. Se de facto há empolamento da receita não sei mas também não sei se a CDU não estará também a emploar os números. No entanto se de facto se comprovar aqueles valores em despesas de representação e em despesas com refeições...
Uma guerra de números vale o que vale. O que há a ter em conta é uma realidade nova no concelho. Pela primeira vez um Executivo não detém o apoio maioritário na Assembleia Municipal devendo para tal buscar consensos sempre que possivel. Tem forçosamente que negociar sob pena da sua gestão se tornar irremediávelmente penosa. A Assembleia Municipal não é um mero apêndice. Tem poderes significativos e perrogativas definidas. Não é assim tão irrelevante deter a maioria ou não na Assembleia. Nem com toda a certeza é irrelevante a origem do Presidente da sua respectiva mesa.
Pela salvagurada dos nossos dados
Ora o que aqui está em jogo é a cedência a uma potência estrangeira de um recurso estratégico de valor incálculável. Trata-se tão só de depositar nas mãos de um país estrangeiro, que hoje é um aliado mas que amanhã ninguém sabe, informação sobre a identidade e código genético de líderes políticos, militares, juízes, agentes das forças de segurança, agentes dos serviços de informações, de empresários, cientistas, médicos, académicos, banqueiros; em suma, todos os cidadãos portugueses. Portugal sempre foi aliado e amigo dos EUA e vice-versa mas tal não implica que no futuro a conjuntura possa, ainda que remotamente, mudar. Se porventura numa determinada e hipotética conjuntura futura, os EUA tenham que sacrificar Portugal ou qualquer outro aliado tendo como alternativa, se o não fizerem, a sua própria ruína estes não exitarão com certeza em sacrificar quem quer que seja para satisfazer a sua estratégia. Quem nos garante que tal informação seja apenas para identificar potênciais terroristas e que no futuro ou até mesmo no presente quem detém essa informação possa usá-la para outros fins?
Portugal é um país com uma área de cerca de oitenta e nove mil quilómetros quadrados e uma população de mais ou menos dez milhões de habitantes. Não representa uma ameaça nem é ameaçado por nenhuma potência porém ocupa uma região de grande valor geo-estratégico (porta de entrada na Europa, zona de passagem do Atlântico para o Mediterrâneo, zona de acesso ao norte de África, zona de passagem do Atlântico norte para o Atlântico sul, etc.) tanto no passado, desde há vários séculos, como no presente e certamente no futuro podendo ser fulcral o seu domínio e controlo. Não deixa de ser estranho que não existindo qualquer actividade terrorista em Portugal actualmente nem existindo condições muito favoráveis para que células terroristas estrangeiras se instalem em Portugal para a partir daí planearem e leverem a cabo os seus ataques como se demonstrou recentemente com o desmantelamento de uma célula da ETA e de uma rede mafiosa o governo americano peça ao governo da república portuguesa que partilhe tal informação. Tal informação a ser partilhada deve recair única e exclusivamente sobre suspeitos de actividades terroristas. O fenómeno do terrorismo serve de pretexto e até tem sido conveniente e útil aos americanos em certos domínios. E se é legítimo que os EUA têm direito a defenderem-se de ameaças e têm direito a um nível de segurança tolerável para si também é legítimo que Portugal também usufrua de tais perrogativas não tendo o governo seja ele qual for qualquer tipo de legítimidade para sacrificar os superiores e vitais interesses do país. Logo seria lógico que, a ser assim, no limite, houvesse uma troca. Portugal cedia os registos dos seus cidadãos a uma potência estrangeira, neste caso aos EUA, mas em troca Portugal ficava com os registos dos cidadãos dessa potência. Não haverá também um grande probabilidade de cidadãos oriundos dos EUA puderem instalarem-se em Portugal com fins pouco amigáveis? É claro que se Portugal lançasse tal proposta para cima da mesa com toda a certeza que os americanos a considerariam inaceitável e sem nenhum tipo de negociação possível. Para além disso, fizeram por acaso os EUA essa proposta a outros países? E por curiosidade, qual a posição desses países partindo do princípio que lhes foi feito tal pedido?
Mais do que a identidade civil e criminal, a identidade genética é fulcral e infinitamente mais valiosa assumindo no futuro um potêncial estratégico enormíssimo podendo até substituir as anteriores. Tenhamos em mente, que aquando da recente Cimeira da Nato em Lisboa, ficamos a saber que o Serviço Secreto, o corpo de segurança presidencial americano, os chamados homens do presidente, aqueles que vemos nos filmes em caso de séria ameaça a rodear o presidente e a dar o seu corpo ás balas, se encarrega de recolher copos por onde o presidente bebeu, talheres ou tudo o que seja susceptível de depositar material genético do presidente americano para que o seu material genético não caia em mãos indesejadas e seja eventualmente recolhido e identificado e o seu genoma descodificado. Só por aí ficamos com uma amostra da importância e do valor que o material genético de um individuo possa ter. Se são tão zelosos nessa matéria é porque certamante têm noção e até os conhecimentos e a tecnologia necessários, ainda que não sejam do domínio público, tendo perfeita consciência do que podem verdadeiramente alcançar no presente e no futuro através de manipulação genética.
E depois há ainda, não menos importante, questões jurídicas a ter em conta a começar pelo facto de se analisar se tal acordo é constitucionalmente aceite.
A diplomacia portuguesa demonstrou ser no passado uma das melhores e mais bem preparadas diplomacias a nível mundial. Esperemos que a diplomacia e os responsáveis, analistas políticos e estrategas portugueses estejam à altura das suas responsabilidades não cometendo o fatal erro da imprudência e/ou ingenuidade a bem da Nação.
domingo, janeiro 02, 2011
Só podem estar a brincar!!!

sábado, janeiro 01, 2011
Aviso à navegação: É para continuar!

"Ou você tem uma estratégia própria ou então é parte da estratégia de alguém"
Alvin Toffler (1928 - )
"A minha estratégia sempre foi fazer a minha própria corrida. Somente você pode determinar seu desafio pessoal. Não deixe a competição ou o seu oponente determinar qual deve ser o seu desafio"
Joan Benoit Samuelson (1957 - )
"A estratégia é a ciência do emprego do tempo e do espaço. Sou menos ávaro com o espaço do que com o tempo. O espaço pode ser resgatado. O tempo perdido, jamais"
Napoleão Bonaparte (1769 - 1821)
"A estratégia de ontém foi o que nos possibilitou sobreviver até agora, mas uma nova estratégia deve ser criada se quisermos garantir a nossa sobrevivência no futuro"
Paul Levesque
Fazendo votos de um 2011 melhor que um 2010. Pelo menos eu pessoalmente assim o espero pois não há male que sempre dure.
Agora que um novo ano se inicia é altura de renovar, com quem aqui vem, o «contrato» digamos assim que existe informalmente. Assim o Pedra irá manter a sua linha editorial intacta não cedendo um milímetro que seja naquilo que é pertinente para o seu autor e, se não para todos, para a maioria dos seus leitores.
Este é e será sempre um espaço de liberdade e reflexão e um espaço de informação/opinião/notícia não se deixando influenciar ou pressionar seja por que circunstância for, não será subserviente seja para com quem for e procurará manter o bom senso na medida do possível. Esta é uma ferramenta poderosa como já se demonstrou em várias ocasiões e como eu já tive oportunidade de testar no terreno podendo servir para construir ou destruir. Pessoalmente perfiro construir mas se for forçado a uma acção destrutiva não hesitarei.
O simbolo do Pedra no Chinelo está definido - O cavalo negro do xadrêz (The Black Horse). Não só porque gosto muito de xadrêz, me fascina o jogo e me considero exímio - já jogo há mais de 20 anos e penso que seja o melhor ou um dos melhores jogadores senão em todo o concelho pelo menos na freguesia, algo que gostaria de saber em pormenor; quem quiser jogar uma partidinha - como também porque o cavalo é uma peça única no jogo com caracteristicas bizarras sobre as demais. Não se detém perante seja que peça for independentemente do poderio ou categoria, saltando-lhes por cima se necessário for, tem um movimento único e errático com caracteristicas polivalentes. Um pivô que pode desencadear acções de ataque em profundidade sobre o adversário e abrir defesas cerradas. Tem uma boa mobilidade e acção à distância podendo, se centrada no tabuleiro, cobrir um raio de acção considerado controlando 8 casas todas da mesma cor em pontos díspares e podendo dar apoio de retaguarda a várias peças em simultâneo. Uma arma a não menosprezar e que com mestria na mão de um bom estratega faz estragos de monta. Opto pelo negro porque esta é a cor da discrição, da rebeldia/subversão/insubmissão e porque impõe temor.
Pena que não haja mais bloggers no Torrão pois assim poderia abrir e expandir o Pedra a mais autores. Essa seria mais uma novidade, uma melhoria para o blog e está em estudo. Quem quiser escrever textos decentes, e mais importante, pertinentes (assinados ou com pseudónimo mas que eu saiba quem é pois garanto que guardarei segredo sobre a identidade) e/ou enviar fotos a acompanhar o texto sobre os mais variados assuntos com exepção de publicidade, difamação ou insulto seja a quem for, e propaganda seja de que género for está à vontade. O texto será publicado como post e não como comentário. No entanto os textos a serem publicados serão da inteira responsabilidade dos autores dos mesmos. Como eu disse, o Pedra no Chinelo é de todos os que vierem por bem. Que ninguém tema, pois o Pedra no Chinelo não está a metamorfosear-se, a transformar-se. São apenas melhorias. Ano novo, vida nova!
O meu único interesse é servir Portugal, o concelho, a freguesia. Esta empresa é um acto de cidadania activa porque a participação não pode ser uma palavra vã em panfletos eleitorais das mais variados forças políticas. Comigo é para valer e se não servir de um jeito servirei de outro mas servirei sempre em qualquer circustância. Todos temos que ser um factor a ter em conta sempre - a não menosprezar acima de tudo - e não apenas em determinados periodos que quando terminam, tchau que agora é conosco, nós é que mandamos bem ou mal e ninguém tem nada que se meter e depois quando forem precisos venham cá outra vez e depois tchau novamente sem que o ciclo se quebre. Ah ah comigo não, violão. Conosco não. Lanço o desafio: Façamos todos do Pedra e da blogsfera em geral um factor a ter em conta pois não é fácilmente controlável. No século XXI todos têm opinião e palavra e isso custa a muita gente, os que querem deter o monopólio do poder. Agora sim sei, se duvidas ainda havia, que também detemos o poder e que até mesmo algo que à primeira vista parece ser pequeno e insignificante pode tomar proporções incontroláveis.
Até entidades poderosas se vergam perante os pequenos e as notícias sobre o mais obscuro assunto no mais obscuro local podem ser conhecidas em todo o mundo. É de facto uma ferramenta poderosíssima. Agora é tão mais fácil David vencer Golias. Já não é tão improvável este tipo de evento.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Postais de Natal
Querido Pai Natal
Quero antes de mais agradecer-te as prendinhas que me deste ano. Sei que não foram muitas mas fiquei satisfeito. É justo! Escrevo esta singela carta para te agradecer mas também para te elucidar acerca do insólito trabalhinho que certamente já te apercebeste aqui por terras de Bernardim. Naturalmente que já pusestes os olhos neste lindo servicinho que aqui é feito há dois anos consecutivos e certamente já deu para uma pequena reflexão.
Não sei se tal te desagrada ou não nem sei se tu, porventura durante a tua longa vida, já viste algo do género. Aliás, tal como eu, já te deves ter interrogado com questões do género: Como é possível permitir-se uma coisa destas? Como é que é possível alguém autorizar outrem a carregar árvores inteiras para serem queimadas em plena via publica? Por acaso foi solicitado deferimento a quem de direito? E se foi, autorizaram? E se autorizaram, quem em concreto é que assinou? E quem assinou por acaso tem noção daquilo que autorizou?
Caso porventura queiras contar as tuas peripécias aos teus amigos e se eles ficarem incrédulos ou na duvida podes sempre mostrar-lhes as fotos pois como se costuma dizer: uma imagem vale mais que mil palavras e longe de mim eu querer que tu passes por mentiroso.
Vê lá tu que há dois anos seguidos, para aí uma semana antes do Natal até depois do Ano Novo, o que dá um período de tempo de mais ou menos duas semanas, troncos de árvores e, pior, a base do tronco e raízes atafulhadas de lama, barro, terra e pedras são carregados para o Largo do Cruzeiro para aí serem consumidos num fogo ininterrupto durante o período de tempo referido.
Para além de constrangir o trânsito sendo aquela uma zona problemática por dificuldades de manobra quando dois veículos se cruzam naquele ponto – o que vale é que tu quando ali passas já a noite vai alta e não se vê vivalma senão metias o Rodolfo e restantes renas em cargas de trabalhos quando para mais nós sabemos que os trenós não podem fazer marcha atrás - ainda há lugar a poluição visual e poluição física do local com lama, barro, terra, areia, cinza (que entretanto se vão acumulando), tições, fuligem e fumo e ainda por cima sendo este um período do ano em que chove bastante estão reunidas todas as condições para a conversão do sitio num autentico lamaçal ou, como se diz por cá, num autentico atasqueiro. Segundo consta, este serviço é feito por uma auto intitulada comissão de festas(?) e acaba por beneficiar terceiros com a agravante de fazer, sujar, usar e depois para limpar como seria o seu dever, não. Ao invés disso é solicitado aos serviços camarários, pagos com o dinheiro dos contribuintes, vê lá tu, para que limpem e deixem tudo como estava antes cabendo a tarefa de limpar o que outros deliberadamente sujaram, aos funcionários da Câmara!!! É que ainda se fosse no adro da igreja matriz mesmo sabendo que tal nem sequer é tradição secular por estas paragens ainda vá que não vá! Vamos imaginar que quaisquer outras pessoas… sei lá… assim de repente… comerciantes e donos de cafés por exemplo, iriam querer tomar a iniciativa e fazer o mesmo. Se se autoriza num local tem que se autorizar em todos os demais sob pena de haver desigualdade de trato. Vamos imaginar que mais alguém iria querer fazer algo semelhante no Largo de S. Francisco, na Rua do Relógio, na Praça Bernardim Ribeiro e por aí fora. Como é que os senhores que autorizaram, se é que autorizaram, se é que tiveram conhecimento, descalçavam essa bota?
Não sei qual é a tua opinião. Talvez até tu não só concordes como até aplaudas tal iniciativa pois o teu trabalho deve ser de tal forma extenuante que te apeteça fazer umas pausas ao longo da noite e ainda para mais numa noite fria como é a do Natal é sempre reconfortante e revigorante parar junto a uma lareirazinha sem importância (como é o caso) onde está quentinho. Quem sabe até se tu já precavido do ano passado, sabendo da existência de tal, trouxestes um farnel – pois, porque àquela hora já não dá para comprar nada em lado nenhum tal é o adiantado da hora - para matar a fome e retemperar forças? Um bocado de toucinho rançoso ou uma chouriça manhosa assados na brasa regados com um vinhito a martelo ou uma «bjeca» enquanto tu te aqueces... Não te censuro! Quantos não há por aí que aproveitando tal borralho fazem o mesmo, deglutindo uma lauta petiscada enquanto olham para as brasas? Até lambem os beiços… Agora imagina que eu e outros como eu também iriam querer dar-te as boas vindas e para isso desatava a carregar umas arvorezitas para o meio da rua e acendíamos um belo dum fogo para tu te aqueceres! Então não podemos nós também ser gentis para com o Pai Natal e ajudá-lo a ganhar alento para levar a bom termo tão hercúlea tarefa?!
Que se façam uns arraiais pelos santos populares muito bem. É pitoresco, é tradição e só dura um curto período de tempo, não suja e trás cor e alegria e desde já te convido pois ao contrário da longínqua e gélida Lapónia o clima por estas latitudes é bem melhor daqui a seis meses do que agora. Te asseguro. Que se faça um presépio e se embelezem as ruas pelo Natal é bonito, é original e não prejudica ninguém e é uma forma de decorar a vila, no fundo uma forma de te dar as boas vindas. Assim se fizessem mais. Agora aquilo, perdoa-me o desabafo, é nitidamente um exagero, uma ocupação ilegítima e abusiva da via pública. Se fosse uma coisita pequenina e sem significado, agora uma coisinha àquela escala tanto no tempo como em termos de dimensão?! Acaso não concordarás comigo e não acharás falta de bom senso apesar de tudo?
Bem, não te maço mais, espero sinceramente que ponderes o meu convite. És e serás sempre bem-vindo ao Torrão e quem sabe se para o ano não haverá uma mas várias fogueiras desgarradas a darem-te as boas vindas. Cumprimentos para ti e teus amigos e votos de feliz ano novo.
Aquele abraço
Paulo Selão
domingo, dezembro 26, 2010
A grande missão do Pedra no Chinelo
Estas palavras do Inácio, que poderiam ser de qualquer um dos inúmeros torraneses que emigraram para outras paragens espelham bem a importância de um espaço onde se possa ter notícias do Torrão, do Alentejo, de Portugal. O Pedra é, há muito, pelo que me chega aos ouvidos, uma referência para quem está fora, um cantinho que dá a conhecer o Torrão a quem saiu mas também a qualquer pessoa por esse mundo fora e é prinicipalmente isso que me dá força, alento, motivação e estímulo para escrever neste nosso blog. É por isso também que eu não me restrinjo apenas a uma determinada matéria antes procurando escrever desde política até notícias mais mundanas, desporto, comentários a factos, etc, etc fazendo do Pedra um blog eclético, assim por dizer. Sim porque o Pedra no Chinelo é de todos nós, não só meu mas de todos aqueles que o visitam por bem. Um grande bem haja para vós todos e Boas Festas são os sinceros votos do Paulo Selão.
Olhe faz favor é um ginásio como deve ser, se não for pedir muito
Então na Sociedade já há aulas de dança desde 2007! As opções são ballet, sevilhanas e danças de salão e no entanto só existe ballet que é dado a crianças. Já houve sevilhanas e danças de salão, opções que neste momento estão fechadas por falta de inscrições e agora querem-me pôr danças no pavilhão?! Devem pensar que é só por ser no pavilhão que meio mundo quer ir ter aulas de dança... Não, não descobriram a pólvora, lamento informar e perdoem-me vos ter desiludido mas não há nada pior do que uma ilusão quimérica. Pergunto ainda: Porque não um ginásio equipado como deve ser? Há pra aí muito jovem de ambos os sexos a terem que sair do Torrão para frequantar um ginásio o que é incrivel. Ferreira tem, Viana tem, Alcácer tem, Évora naturalmente tem, Alcáçovas presumo que também tem, Grândola tem - aliás, em Grândola o polidesportivo municipal tem naturalmente um ginásio equipado havendo uma oferta, mediante o pagamento de uma determinada quantia por mês pois a manutenção de tal espaço assim o exige, que vai desde o yoga, passando pelo body combat, aérobica, fitness, musculação, etc. - e o Torrão mais uma vez para variar é uma ilha de desolação relativamente a tal.
Vamos lá a ver: existem outras infraestruturas para praticar desportos no Torrão; a saber: pavilhão e campo do Torino, piscinas e polidesportivo e há ainda a Sociedade. As aulas de dança são ministradas na Sociedade bem como o karaté. No pavilhão do Torino, está instalado, provisoriamente o lar de idosos até o novo lar estar pronto. Quando sairem de lá fica um espaço daqueles às moscas? Não me parece sensato.
Não há só desportos com bola. Nem eu, nem outros como eu temos que andar forçosamente feitos estúpidos a correr atrás de uma bola e é se quisermos e se não quisermos termos que ir para fora.
Há outros desportos que são de importância capital para a manutenção física e que podem ser praticados por gente de ambos os sexos e de todas as idades tais como o spinning, o fitness, o cardiofitness, o treino de contra-resistência, vulgo musculação, o yoga, etc., etc.
E mais: se não houver este tipo de actividades que terão mais adeptos de ambos os sexos do que muita gente pensa e se pensar só em karatés, danças e tal vão-se preparando pois este pavilhão, um dos melhores em toda esta região, será mais um que ficará com pouca utilização não justificando a verba dispendida.
Será que tem que andar tudo em bando mudando para o espaço mais recente deixando os outros espaços ao abondono? Será que devemos fazer juz ao ditado: por causa dos amores novos esquecem-se os velhos?
Haja diversidade. Quanto maior a oferta menos monótono se torna o Torrão e mais apelativo este é para gente de fora... e de dentro.
Porém...
Pavilhão Municipal do Torrão - Jogo inaugural
sábado, dezembro 25, 2010
Cerimónia de inauguração do pavilhão municipal do Torrão
Deixa-me lá ver se eu percebo isto
Então vamos lá recapitular: A campanha de Cavaco apresenta zero euros no seu orçamento quanto a comparticipações dos partidos que o apoiam no entanto, a fazer fé num outro texto, este é o mais elevado de todos ascendendo a cerca de 2,1 milhões de euros. Agora eu pergunto: Afinal de onde vem este dinheiro todo? Do PS é que não vem de certeza absoluta. Quem financia esta candidatura em particular e porquê?
Lá está. Como é dito aqui: «As despesas eleitorais são hoje vultuosas e quem não competir nesses gastos não pode acalentar quaisquer ilusões quanto aos resultados. A política eleitoral fez-se em grande parte um negócio com empresários nos bastidores. Os apoios financeiros não são prestados gratuitamente; terão de ser recompensados pelo Poder.»
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Elementar meus caros

«(...) Um Presidente, seja qual for a sua estrutura mental, o que é neste particular senão um improvisado? Não nasceu, nem foi preparado para a Presidência. Não tirou qualquer curso de Presidente, que os não há. Vai, sujeito a todas as contingências, exprimentar-se. A sua actuação terá um carácter precário e de surpresa. Naturalmente os primeiros tempos serão gastos a conhecer o meio e a adaptar-se ao lugar. Depois, passado esse periodo inicial de auto-aprendizagem, quando poderia começar a sentir-se suficientemente apto, ensaiando com relativa segurança e consciência a acção presidencial, então estará chegado o termo constitucional do seu mandato... e um novo eleito, outro improvisado, irá substitui-lo, repetindo o mesmo ciclo improfícuo e insensato.»
«Um Presidente da República teve de ser proposto, a sua candidatura teve de ser pertinazmente defendida, a eleição afanosamente trabalhada e dispendiosamente conseguida. E por quem, se não por um partido ou por um agrupamentodo do qual o candidato seja pessoa de confiança? Ao fim, a vitória alcançada sobre as forças políticas adversárias não exprimirá tanto um exito pessoal do novo Presidente, como o triunfo da força política que o escolheu e levou ao poder.
Na mecânica normal do sistema republicano, a Presidência tem necessáriamente um côr política e partidária. Nestas condições, como poderia caracterizar-se pela independência e imparcialidade da sua acção o Chefe de Estado que, como candidato, começa por ficar dependente dos compromissos que o ligam ao seu partido ou à corrente política que o propõe; e, como eleito, sujeito às forças que o apoiaram?
Acaso poderá confiar-se que, uma vez no poder, o eleito rompa, deslealmente, com os amigos e correligionários que nele confiaram e o elegeram, para dispensar tratamento de igualdade às oposições que o combateram nas eleições e contra as quais sempre se defrontou como adversário político?
É necessário ser demasiado crédulo para se fiar na imparcialidade de funções, a partir de uma disputa eleitoral do cargo.»
«(...) o mal não vai dos homens mas, do determinismo dos sistemas. As despesas eleitorais são hoje vultuosas e quem não competir nesses gastos não pode acalentar quaisquer ilusões quanto aos resultados. A política eleitoral fez-se em grande parte um negócio com empresários nos bastidores. Os apoios financeiros não são prestados gratuitamente; terão de ser recompensados pelo Poder.»
«Debatendo-se com o predominio das oligarquias capitalistas que se assenhoreiam facilmente do poder oriundo da eleição (pois não é o dinheiro que acciona a máquina da propaganda que ganha ou compra a maioria dos votos?), sem uma autoridade superior e independente que as neutralize, resta no estado republicano, como geralmente mais viável, o caminho da revolução, mas esta leva às soluções extremistas com o nivelamento por baixo o que não é, evidentemente, um progresso.»
«Quer os Governos, quer os Parlamentos, quer o Presidente, estão sujeitos periodicamente e a curto prazo às mais imprevistas e súbitas mutações dependentes das contingências eleitorais.
No sistema republicano não existe nenhum órgão, nenhuma instituição, que represente a continuidade da Pátria. Todos os poderes são caracterizadamente partidários, na origem, nas funções, no significado e, como tal, inconstantes e instáveis como a opinião pública de onde provêm.»
«As impugnações da legitimidade das eleições presidenciais têm sido, aliás, tão invariávelmente apresentadas pelos próprios adeptos do método eleitoral, quando delas saem vencidos, que não vale a pena reeditá-las.»
«Que a instabilidade das repúblicas provém em grande parte do inconveniente modo de preenchimento da chefia do estado, encontra-se, aliás, abundantemente demonstrado na prática. A disputa repetida do lugar da Presidência conduz, via da regra, aos dois males extremos: ou à desordem produzida pelo choque das facções políticas, ou à imposição ditatorial de uma dessas facções políticas. O estado de equilibrio é raro, difícil e sempre instável.
As repúblicas existentes confirmam esta observação que, de resto, vem de todos os tempos.»
Qualquer república que se preze, a começar pela local, não deixa os seus créditos por mãos alheias esforçando-se briosa e heroicamente com galhardia para que todas estas permissas sejam válidas uma por uma.
República é isto!
- Nada disso; eu é que sou mais isento.
- Eu sou o mais isento de todos.
- Eu não sou um presidente de facção. Isto é uma campanha suja.
...
Estas e outras temos ouvido - salvo seja que eu não lhes passo cartão; como dizem os brasileiros: «comigo não, violão» - a rodos. Nunca antes se falou tanto de isenção e todos competem para ver quem é que é de facto isento e o menos faccioso como se tal fosse possível.
Afinal república é isto mesmo.
A fuga do açucar
Guerra Junqueiro (1850-1923)
O que também deu que falar foi o facto de perto do Natal o açucar ter escasseado. Logo nesta altura! Que coincidência!
No entanto foi positivo ter acontecido algo do género pois assim ficamos a saber que Portugal há muito que acabou com a produção de açucar a partir da beterraba (por imposição europeia, só pode) ao invés de França e Alemanha que fizeram orelhas moucas e continuaram a produzir. Mais uma vez ficou demonstado que Portugal fica nas mãos de terceiros até para ter açucar e claro, para o ter tem que pagar e alguém tem que lucrar. Quinhentos anos depois de termos detido o monopólio do comércio deste produto. Realmente a república tem espatifado tudo. É impressionante! O povo português já não é expoliado com subtileza; é descaradamente roubado por tudo e todos sem contudo esboçar um só esgar sendo deste modo também culpado e cumplice numa situação que, se vermos bem, afinal merece.
Este era um bom tema para confrontar o Sr. Silva pois foi durante os governos por ele presididos que se deram os maiores incentivos ao abate da frota pesqueira e à liquidação de boa parte da agricultura nacional. Já o ouvimos afirmar - para além de ter dito que não era responsável(!!!) pelo estado a que o país chegou - que temos de nos voltar para o mar - esquecendo-se contudo de dizer quem foi que lhe virou antes as costas. Não me espanta nada se ele vier dizer que temos que nos dedicar à cultura da beterraba.
Realmente, a cara de pau de certa gente não conhece mesmo limites.
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Portugal dá cartas no atletismo

Depois de duas semanas atarefadíssimas eis que estou de regresso; para gáudio de uns e para infelicidade de outros que pensavam que eu se calhar já tinha emigrado (o que, pensando bem, até nem era má ideia).
sexta-feira, dezembro 03, 2010
quinta-feira, dezembro 02, 2010
...and the winner is... RUSSIA

Diziam que era barato, quase "de borla". Afinal como habitualmente, tal era (mais) uma das mentiras deste Executivo, desta feita ajudado pelo Presidente da FPF, Gilberto Parca Madaíl. Não bastava a desastrosa e humilhante candidatura ao Mundial em que a ideia foi nossa e parecemos quase convidados, como escrevemos meses atrás aqui no CF, não bastava ter sido apresentada uma candidatura à principal competição mundial de futebol de uma maneira lesiva da história e do nome de Portugal, não era suficiente a invenção do “homo ibericus” (!!!), agora a somar a tudo isso chega a conta: o Mundial vai custar 150 milhões de euros a Portugal !
Diz-nos o DN de hoje que "Dos 21 estádios indicados pela candidatura ibérica, só três são portugueses: Luz, Alvalade e Dragão. Das 18 cidades sede, 16 são espanholas, apenas Lisboa e Porto escapam a esta contagem. Dos 64 jogos que compõem a competição, Portugal será contemplado com 20 ou 21, sem final e sem jogo de abertura. Perante esta repartição, se quinta-feira o Comité Executivo da FIFA entregar a organização do Mundial 2018 ao projecto ibérico, a Portugal caberá um investimento de cerca de 150 milhões de euros (no Euro 2004, foram gastos 665 milhões só nos dez estádios), enquanto o torneio custará a Espanha perto de 350 milhões, aos quais são acrescidos 1,5 mil milhões de euros para a construção e remodelação de recintos.
Está bom de ver que nos saiu, de novo, a fava: 3 estádios apenas, um custo de 150 milhões! E o dinheiro vai voar já dos depauperados cofres nacionais!
Os primeiros milhões a sair dos cofres da candidatura ibérica (2,2 milhões dos portugueses e os 5,2 milhões dos espanhóis), poderão sair de imediato na próxima quinta-feira, bastando para isso vencer a eleição. Este montante oficializará o arranque da organização.
A relação de investimento de 70% para Espanha e 30% para Portugal será proporcional à receita que o Mundial irá gerar com patrocinadores, direitos televisivos e marketing. Sendo que nestes pontos, o retorno financeiro esperado é cerca de seis vezes e meia mais do que 510 milhões de euros estipulados para as despesas. E nestas contas não está contabilizado o lucro a médio prazo que a visibilidade da competição pode originar ao nível da promoção e turismo.
Escrevem os jornalistas do DN CARLOS NOGUEIRA e SÍLVIA FRECHES que, perante este tipo de repartição, quer de estádios, jogos e investimento, ressalta de imediato a ideia de subalternização de Portugal face a Espanha. Algo que desde o início foi desvalorizado pelas federações dos dois países e que, segundo o director-geral do Europeu 2004, António Laranjo, e o especialista em marketing , Carlos Coelho, em nada beliscam a imagem de Portugal perante o mundo. Ambos consideram que se a candidatura não fosse conjunta o projecto não teria viabilidade.
Laranjo é da opinião de que é o Mundial de 2018 que "beneficiará da boleia de uma organização sedeada em dois países geograficamente contíguos, culturalmente idênticos, linguisticamente similares, económica e socialmente próximos e apaixonados pelo futebol. A unidade ibérica é sem sombra de dúvidas o melhor veículo para transportar o mundial ao patamar de sucesso".
Também para Carlos Coelho a aliança ibérica significa "usar o poder da península" e não faz sentido pensar em perda de identidade. "Significa antes segurança em nos afirmarmos no contexto ibérico e deixarmos de fingir que somos uma ilha. O nosso nacionalismo não deve enfraquecer , mas temos de ser realistas e não cegar perante as oportunidades ", assumiu.
Como antes escrevemos é um ultraje quando responsáveis nacionais do futebol, autores da ideia da candidatura, se deixam ultrapassar por Espanha, que entretanto percebeu o potencial político para as suas cores da ideia que lhes foi proposta pelos portugueses, e aceitam que esta candidatura se denomine de "Candidatura Ibérica" e tenha um site com o mesmo nome na internet. É um ultraje quando o nome de Portugal, autor da ideia, surge agora em segundo lugar. É um ultraje quando o nosso País participa neste evento quase como se fosse um "convidado" de Espanha. É por fim um ultraje quando se aceita que um texto com este teor surja publicado no site oficial da candidatura:(...) España y Portugal, dos países con frontera común en los mapas pero sin líneas divisorias en la realidad cotidiana, hablan de unidad. Dos países que han caminado juntos una misma historia, la historia de la Península Ibérica, donde se han entrecruzado diferentes pueblos provenientes de desiguales horizontes no sólo geográficos, sino también culturales y religiosos. Portugal y España son dos pueblos donde sus ciudadanos comparten, y han compartido, el mismo destino, la misma fe en el futuro, las mismas ansias de progreso en una tierra hermosa, dura y rica, la que forjado el carácter del “homo ibericus” (!!!)
É, no fundo, Portugal no seu pior. E nós a pagar!
publicado por Pedro Quartin Graça AQUI


