sexta-feira, julho 13, 2012

Res, non verba*

«São precisas acções e não palavras. De palavras, bem o sabemos, está o país farto»
D. Carlos I, Rei de Portugal (1863-1908)

«Cumpro o meu dever; os outros que cumpram o seu»
idem

Quem cala consente!
Expressão popular

Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover
nº1, artigo 64º da Constituição portuguesa

Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbre prioritariamente ao Estado:
Garantir o acesso de todos os cidadãos independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde
alíneas a) e b) do nº3, artigo 64º da Constituição portuguesa

*Acções e não palavras (expressão latina)

 
Conforme noticiado aqui a semana passada, a freguesia do Torrão continua sem médicos no Centro de Saúde agora já há três semanas consecutivas e sem qualquer vislumbre da normalização da situação. Ao que parece, procura-se uma solução mas esta será uma solução precária e provisória. Cabe por isso a todos nós insurgir-mo-nos contra esta situação e fazermos ouvir as nossas justas e legítimas reivindicações. Esse é mote principal deste artigo e este é o apelo que eu quero vos deixar.

Torranenses, compete-nos a todos nós defender os nossos interesses: homens, mulheres, crianças, jovens, doentes, saudáveis... todos. Todos temos familiares doentes, idosos, fragilizados e que precisam de cuidados continuados de saúde; todos teremos que, em caso de cuidados médicos, nos deslocar a Alcácer do Sal, a 37Km de distância e quanto ao transporte, cada um terá que se desenvencilhar como puder. Todos inevitávelmente iremos precisar a qualquer momento de cuidados de saúde. Isto é algo que nos diz respeito a todos; é um assunto que é transversal a toda a comunidade. O alheamento e a indiferença não favorecerão ninguém. Bem pelo contrário! Sejamos pois solidários. Estejamos todos unidos e remando para o mesmo lado. Vamos mostrar ao Governo toda a força do nosso descontentamento.
Como é que poderemos fazer-nos ouvir? Em primeiro lugar reclamando, preenchendo o livro de reclamações, que é para isso que ele existe (reclamar entenda-se). Poder-se-ão questionar do porquê de fazer isso; que tal não leva a nada... Bem, ficar parado é que não levará a lado nenhum definitivamente - isso não pode servir de desculpa! Alegar não saber escrever ou custar a ver ou escrever mal também não. Haverá quem ajude, haverá quem explique. Ajudem-mo-nos uns aos outros!
Basta nos deslocarmos ao Centro de Saúde do Torrão e fazermos a nossa reclamação por escrito. Vamos fazê-lo continuadamente. Mobilizem-mo-nos PORRA! É inacreditável a freguesia do Torrão estar nesta situação desgraçada e apenas terem sido feitas QUATRO(!!!) miseráveis reclamações. Barafustar cá fora, perdoem-me que vos diga, não resolve. Apenas serve para fazer figuras ridículas; falar na padaria, no café, na loja, no talho não adiantará; reclamar verbalmente na Junta de Freguesia também não; no centro de saúde a mesma coisa. Gritar, o «é uma vergonha», reclamar por boca, junto das funcionárias, é escusado e tudo por uma razão muito simples: porque estatísticamente para o Governo isso não conta. Se no livro não há reclamações, a leitura feita é de que todos estão satisfeitos. E é uma leitura correcta! Totalmente correcta! Reclamações zero logo satisfação total; simples.
Desta forma, vamos todos inundar a caixa do correio do Ministério da Saúde, em Lisboa com as nossas legítimas reivindicações. VAMOS DEIXAR DE SER UMA MANADA DE BOIS (E VACAS) MANSOS E PATOS MUDOS! BASTA!

Eu, já fiz a minha parte. Que sirva de exemplo. Felizmente e graças a Deus que não tenho sido, até aos dias de hoje, «cliente» habitual e faço a minha parte para que continue assim até porque em Portugal não se pode ficar doente; é perigoso, é chato... aliás, dá para ver e quem precisa é que sabe o que tem penado, porque o nosso país nem condições dignas de saúde assegura aos seus cidadãos como se pode constatar. Tudo é negócio neste país! A vida, a saúde dos portugueses não tem valor e é um negócio e ponto final parágrafo. Quanto à minha pessoa, se em trinta anos que aquela casa ali está, se lá entrei umas vinte vezes já é muito e se a essas vezes descontar as que lá entrei apenas para levar vacinas ou fazer exames de rotina, contam-se pelos dedos das mãos as vezes que lá entrei realmente doente. E que assim permaneça por longas décadas. Porém estou cá, solidário, sensibilizado, mobilizado e atento. Talvez seja essa a minha vocação: Lutar contra injustiças, pelos mais fracos, dar voz a quem não tem voz e sem nada pedir ou ganhar em troca.
Torno aqui público o teor da minha reclamação para servir de base para outras reclamações. Porém cada um pode e deve falar da sua experiência pessoal e da sua situação concreta. Doentes crónicos, idosos, gente que necessita de cuidados de saúde continuados deve mencionar isso. Gente carenciada deve mencionar isso. Grávidas que precisam de acompanhamento clinico devem mencioanr isso e etc., etc.




RECLAMAÇÃO


Eu, Paulo A. S. Selão, portador do cartão de cidadão nº ... , reclamo contra o facto da Freguesia do Torrão, habitada maioritáriamente por uma população envelhecida, carenciada e sem autonomia para se deslocar até ao Centro de Saúde mais próximo (Alcácer do Sal, a 37 Km), enfrentar há três semanas consecutivas a falta de médicos no Centro de Saúde do Torrão. Esta situação, lamentável a todos os níveis, é totalmente inaceitável num país que se pretende europeu e ao nível dos países mais avançados. Privar uma população inteira dos cuidados mais básicos de saúde é mais próprio de países sub-desenvolvidos, de países do chamado terceiro mundo e configura mesmo, no limite, uma grave e grosseira violação da Carta dos Direitos Humanos e da própria Constituição Portuguesa na medida em que os cuidados de saúde são um direito universal, um direito de todos os cidadãos.
Apelo portanto ao bom senso e à sensibilidade de quem de direito no sentido de pôr cobro a esta lamentável situação com a máxima celeridade possível.

Data: 12/7/2012                     Hora: 11H e 10 min.




A sombreado: Nos termos da legislação em vigor, a presente reclamação será enviada, no prazo de cinco dias, aos gabinetes dos ministros que tutelam este serviço (via azul) e à Administração Pública (via amarela), respectivamente. A via verde destina-se ao reclamante.

Panorâmicas do Torrão



quarta-feira, julho 11, 2012

Foral Manuelino da Vila do Torrão: Intitulação e transcrição



 
D
 Foral dado
 a villa do
          Torram
OM MANVEL
per graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves d’aquem
e d’alem mar em Africa senhor da Guine e da conquista e na
uegaçam e comercio d’ Etiópia e Arábia Persia e de Indya
a qualtos (sic) esta nossa carta de foral dada a villa de Torram
virem fazemos saber que por bem das diligencias isames e inqui
ricoes que em nosos reinos e senhorios mandamos jeralmente
fazer pera justificacam e decraracam dos foraes delles e pera alg
uãs sentenças e detreminacoes que com os do nosso conselho
e letrados passamos fizemos acordamos visto ho foral da
dita villa dada per o mestre de San’tiago que as rendas e di
reitos reaes se devem na dita villa de pagar e arrecadar
na maneira e forma seguinte (fl.1)

D
 Foral outorgado
          á vila do
          Torrão
 OM MANUEL
pela graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, de aquém
e de além mar em Africa, Senhor da Guiné e da conquista, na-
vegação e comércio da Etiópia e Arábia, Pérsia e da India
a quantos esta nossa Carta de Foral, dada à vila de Torrão,
verem, fazemos saber que por bem das diligências, exames e inqui-
rições que em nossos reinos e senhorios mandamos geralmente
fazer para justificarem e declararem dos forais deles e para algu-
mas sentenças e determinações que com os do nosso conselho
e letrados passamos e fizemos, acordamos, visto o Foral da
dita vila dada pelo Mestre da Ordem de Santiago, que as rendas e di-reitos reais se devem na dita vila de pagar e arrecadar
na maneira e forma seguinte (fl.1)


Passam em 2012, cinco séculos da atribuição da Carta de Foral ao Torrão bem como a outros lugares, vilas e cidades do Reino. Vila Viçosa, Cabeço de Vide e Montalvão: três exemplos de localidades onde os 500 anos do Foral são comemorados com reflexões, colóquios, convidados ilustres, descerrar de placas comemorativas...
Da parte que me toca, insistirei até mais não e não deixarei morrer o assunto e no Pedra no Chinelo este assunto irá ser tratado com regularidade. Se nada for feito, aí só teremos que agradecer à actual Câmara Municipal e Junta de Freguesia a sua confrangedoura incompetência e a sua tremenda desconsideração para com o Torrão, a sua história e as suas gentes.
Finalmente, referir que uma torranense fez um meritório e exaustivo trabalho de investigação sobre o Foral Manuelino do Torrão no âmbito da sua licenciatura em História.  É a Josélia Bruno a quem eu desde já agradeço por me ter facultado os elementos necessários para a feitura deste artigo. Ambos (obra e autor) podem e devem ser tidos em consideração.

terça-feira, julho 03, 2012

Assembleia de Freguesia do Torrão: Sessão de 29 de Junho

A Assembleia de Freguesia do Torrão reuniu na passada sexta-feira, dia 29 de Junho pelas 21 horas. Da ordem de trabalhos faziam parte quatro pontos. A saber:
  1. Tomada de posse de novo membro
  2. Leitura e aprovação da Acta da sessão anterior
  3. Informação da Junta de Freguesia
  4. Periodo de intervenção do público
O plenário apresentou-se muito desfalcado. Dos nove elementos que compõem a assembleia apenas cinco estiveram presentes (3 elementos do PS e 2 da CDU). A própria Mesa esteve incompleta devido à ausência de uma das secretárias. De referir que o Executivo se encontrava presente na totalidade. Entre as faltas mais notadas esteve a ausência do... novo membro pelo que não houve tomada de posse.
Quanto ao segundo ponto, depois de lida a Acta a mesma foi aprovada com três votos a favor, do PS e duas abstenções, da CDU.
Quanto à informação da Junta de Freguesia, o Senhor Presidente do Executivo deu conta de alguns eventos que iriam decorrer nesse fim-de-semana, manifestou-se preocupado com o encerramento do Tribunal de Alcácer e com o hipotético encerramento da repartição de finanças lamentando ainda o fim da paragem dos comboios em Alcácer do Sal. Referiu-se ainda a actos de vandalismo no pavilhão do extinto clube desportivo Torrino Torranense e informou que a GNR e os Bombeiros ficaram com a chave do pavilhão. Informou ainda que a feira do Torrão irá decorrer nos dias 3, 4 e 5 de Agosto. Entre as novidades, o facto deste ano não se realizar a corrida de touros, por «razões orçamentais» e até «porque o povo do Torrão não será dos mais aficionadaos» da festa brava. Como alternativa, a feira irá ter dois palcos: um grande e um pequeno. Quanto ao programa apresentado, este será o seguinte, salvo eventuais alterações:

1º Dia

  • Grupo Coral Feminino de Cantares do Xarrama
  • Grupo de Harmónicas da Torre da Marinha
  • Baile abrilhantado pelo grupo Jotas

2º dia

  • Rockspell
  • Grupo Coral de Montoito
  • Rancho Folclórico de Santiago do Cacém (Aldeia do Ninho)
  • Grupo Coral e Instrumental de Alvalade do Sado
  •  Grupo Sulido Andaluzia

3º dia

  • Grupo Sol
  • Chave d'ouro

Quanto ao último ponto, o público que, como vai sendo hábito, infelizmente se reduz apenas à minha pessoa, pediu a palavra. Foram três os pontos propostos à discussão até porque nenhum deles foi abordado na informação da Junta.
O primeiro, dando conta, até porque o assunto também diz directamente respeito à Assembleia de Freguesia, das minhas propostas relativamente ao regulamento de toponímia e número de polícia, o qual ainda é apenas projecto e que esteve em consulta pública até ao passado dia 8 de Junho e que foi mencionado aqui e aqui nomeadamente através da leitura da carta que contém estas e que foi enviada, em correio registado, à Câmara.
O segundo ponto proposto prende-se com as comemorações dos 500 anos do Foral do Torrão, no qual se procurou saber se está a ser programado algum evento e qual a posição da Junta de Freguesia relativamente a este assunto, alertando para a celeridade do processo por haver o risco das comemorações serem realizadas tarde de mais.
E por fim, o inevitável assunto escola, procurando saber qual o ponto de situação relativamente ao Agrupamento de Escolas do Torrão, do qual foram dados desenvolvimentos e a cronologia dos acontecimentos aqui, bem como saber qual a posição da Junta de Freguesia relativamente a tal.
Quanto ao primeiro ponto, o desconhecimento do projecto de regulamento bem como da consulta pública era geral e notório. Ainda assim, a participação através de propostas, do munícipe Paulo Selão, foi louvada. Quanto ao segundo ponto, o senhor Presidente da Junta disse que os «técnicos» da Câmara estarão a tratar do assunto porque não se pretende fazer inciativas «avulso» e quanto ao terceiro ponto, referiu que a Junta está atenta à situação. Foi referido ainda que o processo está suspenso durante um ano (tal como aqui tinha sido adiantado) e como tal ninguém tem ainda respostas para dar. Todo o processo, que se encontra no limbo e a cozinhar em banho-maria ainda é uma incógnita estando quem de direito à espera do desfecho da situação para um esclarecimento e tomada de posição.

segunda-feira, julho 02, 2012

Torrão sem médico há duas semanas

Há pelo menos duas semanas que o Torrão está sem médicos. Segundo informações recolhidas, os doentes são encaminhados para Alcácer do Sal, a 37 Km do Torrão, deslocando-se cada um como pode. O Torrão dispunha de duas médicas, sendo que uma delas já cá não está e a outra está sem poder exercer por razões desconhecidas.
A resolução da situação ainda é uma incógnita sem que ninguém possa assegurar uma data para o regresso dos clínicos.
Infelizmente mais uma vez, o silêncio impera e ninguém parece mostrar-se muito preocupado com a situação. A própria população também dá mostras de pouca preocupação, pois o assunto nem sequer é tema de discussão.
De referir que a Assembleia de Freguesia reuniu no passado dia 29 de Junho sem que também aí o assunto fosse aflorado por quem quer que seja.

O Acordo Ortográfico é um aborto político: suspensão já!

Eduardo Cintra Torres in Correio da Manhã

Offshores à medida dos jogadores de futebol


Fonte: Correio da Manhã

O que realmente importa


O emblema vitorioso

Aqui, a vitória de Ana Dulce Félix nos campeonatos da Europa mas de atletismo. Continuem a ver o vídeo, caros leitores, e fiquem ainda com um extra made in Madeira.

domingo, julho 01, 2012

Os troféus de uns e de outros II


O troféu ganho pelo Reino de Espanha



O troféu ganho pela República Portuguesa


ao qual se pode acrescentar mais este:




Mas pelos vistos ainda não aprenderam a lição e vão continuar a marrar... e a mamar; pelo menos troféus para isso é coisa que não falta... e dos grandes e pelos vistos gostam... adoram. Desde que continuem a encher os bolsos, tá-se bem. Sentam-se em cima do que calhar. Já para as bandeiras, as figuras tristes e dar-lhes o ganho estão lá os tansos e depois ainda mamam disto. Mas pelos vistos não se importam e, como diz o ditado, quem corre por gosto não se cansa. Que siga o baile pois então. Mas comigo não violão. Jamé, Salomé.
Para cúmulo anda depois certa ralé canalha a alimentar a estória do elefante e da suposta amante do Rei Juan Carlos, num folhetim nojento similar ao que fizeram há 100 anos com D. Carlos de Portugal mas os espanhóis estão-se cagando para o que meia dúzia de oportunistas sem escrúpulos deste lado cagam nos jornais. Os cães ladram e a caravana passa. E não há duvida que passou... e passará.
Ainda não perceberam? Satisfeitos? Já viram tudo ou ainda precisam de ver mais? É verdade, e lá estava, na tribuna, o Príncipe Filipe, futuro Chefe de Estado espanhol a cumprimentar a selecção do seu país, a selecção que elevou mais uma vez o nome de Espanha à glória. Quais Cavacos, Passos de Coelho ou Merkeles, quais carapuça. Esses qué la chupen y la sigan chupando.
E para terminar, o olé final... a quadriplicar. Olé, olé, olé e olé.

sexta-feira, junho 29, 2012

A MINHA CRÓNICA: Carta Aberta à minha querida e velhinha VILA de ALCÁCER DO SAL


Minha querida e Velhinha Vila

Quantas saudades sinto de ti! Os anos passaram… já lá vão 65, mas nunca te esqueço nem esquecerei. Sou teu filho e como bom filho, amo como minha Mãe, a Vila que me viu nascer e crescer, como se de um filho se tratasse.

És velhinha, és uma das mais antigas cidades da Europa; dizem que foste fundada pelos Fenícios 1.000 anos antes de Cristo mas sempre te mantiveste forte e firme com o nosso castelo altaneiro e o calmo rio Sado beijando-te os pés.

 Foste Mãe de grandes figuras, muitas delas esquecidas. Foste definitivamente conquistada no reinado de D. Afonso II de Portugal por um conjunto de forças portuguesas,  coordenadas pelo bispo de Lisboa, Soeiro Viegas,  e por uma frota de cruzados sob o comando de Guilherme I, conde Holanda a 18 de Outubro de 1217.

Recordo-te com saudade velhinha VILA, quando os sábados eram uma azáfama no mercado local, hoje mais pomposamente chamado comercio de proximidade… A loja do Barradas, do Roupa, do Rosa, do Fragoso, do Lino, da Sabina, da tia Palmeloa, as regatarias da Menezes, da Georgete, da Elvira, da Emília, a loja da tia Leopoldina, os cafés do Floriano, do Manuel do Vale, do Castelo, do Jassé… tudo era movimento nestas ruas,  porque depois do trabalho árduo no campo, vinham-se abastecer na compra dos produtos alimentares, o mercado do peixe na ribeira velha, as  padarias dos Lopes, dos panificadores com a Maria Rosa, a Cálinda, o Alferes nos Açougues... mas infelizmente tudo foi isto substituído por modernices das grandes superfícies e Fóruns e agora que vemos a Rua direita...  90% das lojas fechadas, prédios degradados uma rua que serve para os cãezinhos fazerem as suas necessidades e as lojas locais às moscas.
Bem, mas vamo-nos deixar de saudosismos; mas que tenho saudades tenho e ninguém tem nada a ver com os meus sentimentos.

Agora és cidade… Mas porquê?! Sinto e vejo que estás mais pobre do que quando eras VILA. Sinto falta do movimento nas ruas, nos estabelecimentos, das lavagens no tanque do passeio e da fonte nova… será que este nome pomposo de CIDADE te trouxe algum beneficio? Penso que não; e sabes porquê querida e velhinha VILA? Porque mais de 80% daquilo que tu tinhas como VILA, acabou-se quando passaste pomposamente a cidade. Mas para mim és e serás sempre a minha VILA de Alcácer do Sal.

Agora pergunto à tua filha cidade: para onde caminhamos? Que será feito de nós quando vemos partir tudo que tu tinhas? Desapareceram os serviços da EDP, fugiram os comboios, vai fugir não se sabe para onde, o Tribunal, as Finanças, a extinção de freguesias, temos hospital e centro de saúde mas querem acabar com o atendimento permanente no Centro de Saúde, a Câmara acabou com o transporte urbano, os moradores querem vir á dita cidade... que venham de táxi. Têm dinheiro para isso??? Se não têm para os medicamentos e até para a alimentação, como terão para suportar essas despesas???  Até o transporte em ambulâncias acabou! Não pagam aos Bombeiros que dão, VIDA POR VIDA, desinteressadamente e lutam pela manutenção das nossas florestas e pela saúde dos munícipes. A muralha que querem deitar abaixo… Venham marés vivas e teremos piscinas naturais na avenida e no largo Luís de Camões. Tanta coisa que tu Velhinha VILA deixaste e tudo está a acabar.
 É verdade querida VILA VELHINHA, lembras-te daquela torre do relógio, que comandava as vidas da População? Que se regulavam pelas badaladas das horas? E quando os empregados estavam à porta dos estabelecimentos esperando as badaladas das 9 horas ou das 3 da tarde para abrirem as lojas? Tudo isso vai acabar e sabes porquê querida Velhinha Vila? Porque querem deitar a Torre do Relógio abaixo. O cartão de visita por quem entra pela margem esquerda na dita cidade, vai desaparecer - dizem que  está a cair em perigo de derrocada. E será que não há ninguém que procure encontrar uma solução para uma restauração da referida torre? Vais-te admirar querida e Velhinha VILA mas digo-te do coração: tudo o que nos deixaste vai desaparecendo aos poucos… A TORRE DO RELÓGIO ser deitada abaixo???!!! E diz o Presidente da Câmara que a culpa é da população; seremos nós os responsáveis se isso acontecer!!! O Presidente da Câmara não é arquitecto? Não tem engenheiros e arquitectos na Câmara que possam estudar o processo de recuperação??? Faltas tu VELHINHA VILA para dizeres a esses senhores que existe um organismo que se chama IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) para as vertentes histórica, cultural, estética, social, técnica e científica.

  A criação deste organismo que foi criado para substituir o IPPAR, tem como objectivo zelar pela conservação e manutenção dos imóveis que podem ter como classificações Monumento Nacional, Imóvel de Interesse Público e Imóvel de Interesse Municipal. Será que a tua velhinha TORRE DO RELÓGIO não cabe em nenhuma destas categorias??? O IGESPAR diz na sua legislação que o conjunto considerado social ou sejam notáveis pelo interesse histórico, arqueológico, artístico, científico e social,  podem e devem ser preservados ou recuperados e tu velhinha TORRE DO RELÓGIO, estás tão velhinha que não cabes em nenhuma destas categorias? Tu, que foste criada aquando da edificação do castelo juntamente com mais 6 torres, inclusivé uma albarrã semelhante à do castelo de Badajoz; vocês são testemunhas de várias épocas construtivas. A velhinha TORRE do RELÓGIO e a TORRE de ALGIQUE foram erguidas em taipa, elevando-se a 25 metros de altura!  

Querida e velhinha VILA, não quero sentir o encerramento de mais serviços e da destruição do património que eu chamo de municipal.  Querida e VELHINHA VILA, não queremos ir a outros concelhos tratar de assuntos de tribunal, finanças, luz, apanhar comboios a que chamam inter-cidades, mas que vão parar nas vilas… Olha querida e VELHINHA VILA, estamos num processo de declínio SOCIAL E CULTURAL. Se tu VELHINHA VILA, cá viesses agora… choravas de vergonha e pedias para voltares ao passado só por veres o que fizeram de ti… Querida Velhinha VILA…estou arrepiado de emoção pelo que te estou a escrever. Penso nas nossas crianças, HOMENS e MULHERES do amanhã e quem sabe até nossos Governantes: qual será o seu futuro? Ah já me lembrei, desculpa; acabam os cursos e procuram emprego em outros concelhos porque aqui nada têm para fazer. Só se tiverem algum padrinho que os proteja…

Querida e Velhinha VILA, não peço para sorrires, isso seria hipocrisia  da minha parte, mas não fiques assim tão triste como eu; há sempre um raio de esperança e como costumo dizer, mesmo em dias negros, olho o Céu e vejo sempre uma nuvem de ESPERANÇA.

Assim me despeço de ti, VELHINHA VILA. Estás e estarás sempre  comigo. Sabes o que diz o Presidente da Câmara? Diz que eu tenho ALCACER no coração. Claro que tenho! EU SOU TEU FILHO, por isso te digo: AMO-TE minha querida e saudosa VELHINHA VILA  DE ALCACER DO SAL. Morreste! Agora és CIDADE mas as saudades mantêm-se e estarás sempre no meu coração.
Com amor me despeço, este teu fiel filho, de ontem, hoje e SEMPRE.

 Depois de lerem esta carta, se tiverem vontade, SORRIAM E FAÇAM O FAVOR DE SEREM FELIZES.  Boas Férias e até Setembro se DEUS quiser.


 
Vital Mirra in Voz do Sado 

quinta-feira, junho 28, 2012

Tradição


Ciclo do Pão from Paulo Santos on Vimeo.

Ecos do Alentejo de outrora. Ecos de um Portugal antigo e genuíno.

Prioridades


Há que ser equitativo


Parece que, seguindo a onda, a nossa Câmara é uma apoiante fervorosa da «Selecção» (pelo menos há que louvar o facto da mensagem estar escrita em português correcto). Comovente!
Porém há que sermos equitativos e justos pelo que agora se espera que da parte do município alcacerense haja uma mensagem de apoio às selecções olímpica e paralímpica que vão actuar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres. Ah, e estes ganham... e não é pouco.
 Uma Câmara não se devia prestar a um trabalho destes e deveria evitar este tipo de coisas nas suas webpáginas oficiais mas enfim... fazer o quê, né?

Quem não sabe fica da mesma


A Câmara Municipal de Alcácer do Sal também dispõe de uma página de Facebook a qual tem, ou deve ter, como objectivo divulgar as suas iniciativas embora o concelho em si pouco seja divulgado pelo que assim desta maneira esta página não passa infelizmente de um órgão de propaganda.
Seja como for, agora foram postadas 18 fotos da edição deste ano da PIMEL. Até aqui tudo bem não fosse o facto de nem uma só foto estar legendada, não lhe ter sido acrescentada nem uma descrição. Divulga-se, mas a divulgação fica a meio. Estão lá as fotos, e depois? Qual é o contexto das mesmas? Assim quem não sabe fica da mesma. Eu pelo menos fiquei.

E olé



É como eu escrevi no «feicebuki» logo no início: Aqueles que estão bem encaixados e que têm todo o valor que apoiem... e agora que berrem; berrem, berrem, berrem desalmadamente como bébés. Eu então só me apetece é cantar e assobiar esta música que conheço desde pequenino porque tocava nos bailes da Sociedade 1º de Janeiro Torranense - a qual eu tive a honra de presidir - e que eu gosto muito. Afinal de contas ainda me corre sangue espanhol nas veias e depois, não é isto que se chama fair play? Pois então...
Comigo é assim e é para quem quer. Quem não é para a carne também não é para o peixe. Capice?
Já agora, aqui está um "recuerdo" do vaticíno feito logo nos primórdios da coisa. Como dizia o reclame, o algodão não engana.
Qué la chupen y la sigan chupando.
E olé!


P.S. - Apesar de tudo, e justiça seja feita, há que reconhecer que a selecção portuguesa de futebol se bateu bem, com garbo e dignamente desde o primeiro jogo. E, claro, glória aos vencedores, honra aos vencidos. Isso é o espírito do desporto.
O Pedra no Chinelo é duro mas justo.

terça-feira, junho 26, 2012

Singularidade alentejana


Junto ao jornal Expresso de 23 de Junho, o suplemento em forma de revista Espaços & Casas dá destaque a uma belíssima moradia no Torrão, em pleno coração do Alentejo.





Fonte: Revista Espaços & Casas, Expresso, 23 de Junho de 2012

sábado, junho 23, 2012

Assim, sim

Costumo dizer relativamente aos actuais símbolos nacionais que o Hino é o meu mas não a Bandeira.




Ao contrário do simbolo vexilológico (e apenas pelas suas cores), «A Portuguesa» não é um Hino republicano. É de todos; é o Hino Nacional de facto na total acepção da palavra. «A Portuguesa» foi composta por Alfredo Keil (Música) e Henrique Lopes de Mendonça (Letra), em desagravo pelo Ultimatum britanico de 1890. Os autores conceberam a marcha num sobressalto patriótico e ofereceram-na à Casa Real de Bragança. «A Portuguesa», pela sua letra, apela ao glorioso passado do Portugal de sempre. Os republicanos limitaram-se tão só a aproveitar a força de «A Portuguesa» apropriando-se dela para a adoptarem como Hino Nacional. Mesmo após a Restauração que virá, continuará a ser o Hino de Portugal, do Reino de Portugal.

O que é um Rei/Rainha ou o que deve ser um Chefe de Estado


O Rei não pode ser apenas o primeiro servidor do Estado, um mero funcionário público. O Rei deve ser o garante e justificação da existência da comunidade feita Estado, acima dos partidos, das facções e dos regimes. O Rei não é político, não faz política, nem lhe compete exercer actividade técnica. Contudo, não é apenas um símbolo. Intervém na esfera daquelas competências que estão acima da gestão corrente dos negócios da governação, aquelas em que os governos, as leis e nem mesmo a Constituição jamais podem pôr em causa; mais, deve ser responsável pela execução dos objectivos permanentes do Estado, aqueles que os políticos não podem alterar: a grande política externa, a defesa, a vida e a felicidade dos cidadãos, as crenças e os traços culturais maioritários da nação. O Rei somos todos nós na pessoa que é cabeça do Estado.

Miguel Castelo-Branco in Combustões

segunda-feira, junho 18, 2012

Boas notícias





Embora o balde do lixo ainda esteja assim, o facto é que o parque infantil já teve piores dias tal como foi noticiado aqui no nosso blog.

domingo, junho 17, 2012

Nem blogs de criança escapam à censura


Esta menina escocesa chama-se Martha Payne e, apesar dos seus apenas 9 anos de vida, já é um exemplo de cidadania activa. Martha tem sido notícia por ter estado no centro de uma polémica devido ao seu blog chamado Never Seconds que se centra nas refeições servidas na sua escola. Ela fotografa as refeições com comentários, notas e avaliação tendo como critérios, a qualidade, a parte nutricional, a quantidade, o número de cabelos encontrados na refeição, etc. O seu blog tornou-se um caso de sucesso, sendo visitado por mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo, algumas das quais crianças, as quais partilham com ela as suas refeições escolares, acabando por granjear o apoio do conceituado chef Jamie Olivier. Porém, o seu blog gerou incómodo e Martha, que provocou mudanças na alimentação de sua escola depois do sucesso do blog, foi proibida de fotografar as refeições servidas. Na quinta-feira, a estudante informou pelo blog que foi chamada pela directora da escola durante uma aula. "Nesta manhã, durante a aula de matemática fui tirada da sala pela minha directora e levada para o gabinete dela. Ela disse-me que eu não poderia mais tirar fotos das minhas refeições escolares devido a uma manchete num jornal de hoje", escreveu Martha em um post chamado "Adeus". A decisão pela proibição foi tomada pelo conselho municipal de Argyll depois que o jornal escocês Daily Record publicou uma foto de Martha junto com o chef escocês Nick Nairn e a manchete "Hora de demitir a merendeira", com o argumento de que os funcionários do refeitório estavam a ficar com receio de correrem risco de despedimento.
A proibição no entanto foi efémera pois a medida, vista como um acto de censura, com a agravante de ser exercido sobre uma criança, gerou de imediato uma gigantesca onda de contestação na blogesfera e nas redes sociais forçando os responsáveis escoceses a uma tomada de posição. O Secretário de Educação da Escócia, Mike Russell, reagiu à polémica criticando também ele a proibição das fotos no blog de Martha afirmando no Twitter, que a decisão foi "tola e vou pedir ao director-executivo do Conselho para que revogue isto".
O conselho municipal dessa cidade escocesa acabou por ser obrigado a recuar e levantar a polémica medida.
Este é mais um exemplo de que a liberdade de expressão e de informação ainda incomoda certos poderes menores (e maiores) mesmo nos sítios mais improváveis e a prova da força e do poder dos blogs e das redes sociais que se assumem cada vez mais como ferramentas ao serviço da cidadania.
Presto assim a esta minha coleguinha blogger um tributo. Tributo e apoio de um outro blogger que também ele luta pela cidadania e democracia sempre ao serviço da comunidade, da justiça e da verdade ainda que por vezes seja alvo de hostilidades próprias de quem se sente tolhido e amedrontado.
Da parte que me toca, repito o que já disse inúmeras vezes: o Paulo não cederá a chantagens, ameaças, insultos ou pressões venham de onde vierem, seja de gente com (uma nesga) de poder, seja de gente menor, semi-analfabeta e idota e como tal o Pedra será mais um órgão activo na blogsfera.

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