quarta-feira, julho 01, 2015

Propaganda pouco luminosa

"Não mato leões com fisgas
nem moscas com carabinas!
Não quero que um dia digam
que a culpa foi só minha."
Mário Silva

O Jornal Municipal, órgão de propaganda ao serviço do poder autárquico deu conta de uma suposta requalificação da Praça Bernardim Ribeiro, no Torrão. Para o poder, requalificar é plantar umas flores, colocar duas floreiras, fazer umas pinturas e pronto.


Jornal Municipal dando conta da «requalificação» da Praça Bernardim Ribeiro e das referidas pinturas

No que às pinturas diz respeito, afirma-se que foram pintados os bancos e os candeeiros. Fomos averiguar e relativamente aos últimos, se estes foram pintados foi com tinta invisível, daquela igual à das passadeiras para peões da Rua de Beja.


De todas os candeeiros, este, que tem amarrado um suporte metálico para fixação de propaganda do partido no poder é o que tem a melhor pintura


Como já é habitual, e desde o início do mandato (há dois anos) que isto é uma realidade: na parede do lago, temos este desleixo. Se colocar uma simples tampa é um desafio impossível, está tudo dito






Se dúvidas existem, aqui estão as imagens recolhidas. Bela pintura. Estão pintadinhos, jeitosos e à maneira

Fomos ainda mais além e quisemos avaliar a performance dos candeeiros no que à sua função diz respeito, isto é, iluminar e constatamos que a iluminação de chão tanto aquela junto ao lago como a que está junto à estátua do poeta que dá o nome à praça, não existe. Voltaram aos tempos gloriosos e estão apagadas tal e qual como no passado.










Tal como no passado, luzes apagadas nos candeeiros de chão. Se se gasta muito removam-nos


Mais uma vez está à vista e quem duvidar tem bom remédio: passe lá e veja com os próprios olhos.
Não sabemos se é estupidez, se é ignorância, se é incompetência mas, pela n-ésima vez, este tipo de propaganda descarada é contra-producente. Vamos repetir n + 1 vezes: Há sempre alguém atento, que filtra toda a informação e a passa a pente fino e se encarrega de desmascarar os embustes.


Moral da estória: Não vimos candeeiros pintados mas vimos luzes apagadas

terça-feira, junho 30, 2015

Preocupação com falta de médicos leva torranenses à Assembleia de Freguesia



A sala onde decorreu a sessão da Assembleia de Freguesia do Torrão foi mais uma vez pequena e totalmente desadequada para receber todos os torranenses que ali acorreram ao princípio da noite de ontem, apreensivos com a falta de médicos na freguesia. Para cúmulo, não existia qualquer iluminação na sala de entrada e mesmo na íngreme e traiçoeira escadaria que dá acesso ao local e que impede totalmente o acesso a pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência motora.
A oposição socialista, antes do período da ordem do dia, questionou o executivo relativamente à promessa eleitoral de mudar as instalações do Centro de Saúde para o edifício onde estava a antiga pré-escola e que afinal vai ser cedido ao XarramAdventure Torrão. Também a aplicação de herbicida mereceu atenção da parte da oposição com esta a acusar o PCP de no parlamento ter um discurso e nas autarquias outro e de não haver esclarecimentos por parte do executivo. Também o fecho do balcão do BPI motivou um apontar do dedo da oposição.
O Presidente Virgílio Silva mostrou-se sempre muito inseguro e pouco à vontade, revelando pouco domínio das questões, remetendo a questão do herbicida para assunto do foro técnico. Relativamente ao BPI revelou que há uma carta a circular por várias instituições e que será posteriormente enviada à administração da entidade e que em seguida irá haver um abaixo-assinado.
Esta sessão ficou ainda marcada pela renúncia do 1º Secretário, Luís Rodrigues (CDU) e consequente tomada de posse de Augusto Aires (CDU) para ocupar o lugar vago no plenário. Posteriormente teve lugar a votação para escolha de um elemento para a ocupar o lugar de 1º Secretário da Mesa da Assembleia de Freguesia sendo o mesmo Augusto Aires eleito com cinco votos. Marco Toscano (CDU) recolheu quatro dos nove votos.
Da sessão registar ainda o extremo nervosismo e insegurança da Mesa a qual chegou ao cúmulo de coartar a acção da oposição, afunilando de forma quase inaceitável o debate com o argumento de que a sessão se prolongaria bastante. Um argumento sui generis visto que já houve sessões da assembleia municipal que duraram 7 horas e é bem revelador de desconhecimento da máxima que uma qualquer reunião tem horas para começar mas não tem horas para terminar. Mas o que é facto é que também a própria oposição é muito incipiente e não soube aproveitar politicamente a situação inclusive quando foi o próprio presidente do executivo que tomou as rédeas da sessão, perante a passividade da Presidente da Assembleia de Freguesia para falar em nome de um órgão a que não pertence e, para cúmulo, para retirar a palavra a Hélder Montinho (PS) e nem mesmo quando Virgílio Silva referiu, para justificar a retirada da palavra, que depois «temos» dificuldade em fazer as actas houve reparos pois não compete ao executivo fazer as actas da Assembleia de Freguesia - são órgãos distintos - mas sim à Mesa do respectivo órgão.
Aberta a sessão ao público muita foi a exteriorização da preocupação com a saúde na freguesia chegando mesmo a perguntar-se porque não estudar uma forma da Freguesia do Torrão deixar de pertencer ao distrito de Setúbal e passar a pertencer a Évora.
Houve ainda quem exasperasse com a gravidade da situação e a falta de transporte para Santiago do Cacém (hospital).
Foi levantada ainda a questão do porquê do Torrão, em termos administrativos pertencer a Évora e depois na questão dos tratamentos pertencer a Setúbal. Foi manifestada ainda estranheza com o facto dos clínicos não permanecerem muito tempo no concelho de Alcácer do Sal e se fixarem em concelhos vizinhos cuja conclusão lógica estaria no facto de tal ser revelador destes não serem aqui bem tratados.
Virgílio Silva por sua vez congratulou-se com a presença da população exortando-a a participar com mais frequência nas assembleias de freguesia e não apenas em momentos de desespero.
O autarca revelou a sua ignorância relativamente à questão da mudança e reorganização administrativa da freguesia e «passou a bola» às instituições «que tratam das crianças e dos idosos» no sentido de serem estas - à semelhança do que se passa noutros locais - a responsabilizarem-se pela deslocação das pessoas ao hospital e prestar esse tipo de apoio e interpretou essa ausência de apoio com a falta de hábito e situações estabelecidas há anos e que são difíceis de mudar.

segunda-feira, junho 29, 2015

Alcácer do Sal acolheu primeiro Open Nacional de Damas Clássicas Rápidas

Quase quatro dezenas de damistas, oriundos de todo o país, entre os quais alguns dos maiores valores da modalidade a nível nacional e internacional, disputaram no passado Sábado, nas instalações do Grupo Desportivo e Recreativo do Bairro do Laranjal, o 1º Open Nacional de Alcácer do Sal de Damas Clássicas Rápidas.
No torneio participaram nove equipas entre as quais a equipa de Alcácer do Sal.
O evento contou com a presença de nomes sonantes da modalidade tais como Manuel Vaz Vieira, vencedor da 5º etapa da Taça do Mundo na vertente portuguesa em 2014, em Lisboa e actual nº1 do ranking nacional, Tiago Manuel, actual detentor do título nacional de Damas Clássicas Rápidas e Nuno Vieira, anterior campeão nacional na mesma modalidade.
Tiago Manuel (S. João da Madeira) sagrou-se vencedor do torneio, M. Vaz Vieira (A. C. M. Coimbra) ficou no segundo lugar e Camilo Silva, também da equipa do S. João da Madeira, arrecadou o terceiro lugar.
A nível local, Leonel Alexandre (19º na geral) garantiu o primeiro lugar, António Candeias (27º na geral) ocupou a segunda posição e Luís Graça (30º na classificação geral) assegurou o terceiro posto.
O evento contou ainda com a presença de Arlindo Roda, Presidente da Federação Portuguesa de Damas; Helena Mira, Presidente da Associação de Damas de Setúbal; Ricardo Silva, Presidente do G. D. R. do Bairro do Laranjal e Ana Chaves, Vereadora do Desporto da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, que esteve presente na entrega dos troféus.
O evento foi organizado por Leonel Alexandre, dinamizador da modalidade no concelho e pelo G. D. R. do Bairro do Laranjal e contou com o apoio da Câmara Municipal de Alcácer do Sal e de diversos comerciantes locais os quais contribuíram com a oferta de alguns dos seus produtos. 

 Os prémios e troféus do 1º Open de Alcácer do Sal de Damas Clássicas Rápidas 






 O prémio do 1º classificado. Um dos troféus é esta original miniatura de um capote alentejano






 O torneio contou com o apoio e o patrocínio de diversos comerciantes locais



 Alguns dos participantes do torneio, o Presidente da Federação Portuguesa de Damas, o Presidente do G. D. R do Bairro do Laranjal e Leonel Alexandre, organizador e dinamizador da modalidade a nível local

Leonel Alexandre, organizador e dinamizador do jogo das Damas no concelho de Alcácer do Sal 


 O Presidente da Federação Portuguesa da modalidade a dar início à competição

 Quatro dezenas de damistas, entre os quais algumas das maiores figuras da modalidade a nível nacional e internacional

 À esquerda, Manuel Vaz Vieira, vencedor da 5º etapa da Taça do Mundo na vertente portuguesa 2014 em Lisboa e actual nº1 do ranking nacional


 Nuno Vieira, nº 3 do ranking nacional e campeão nacional no ano passado, também esteve presente



 Arlindo Roda também participou no torneio. Aqui a defrontar Tiago Manuel, nº 2 do ranking nacional, actual campeão nacional e vencedor desta competição



A classificação inicial








Classificação final em termos individuais e por equipas


Os três primeiros classificados do torneio que decorreu em Alcácer do Sal. Ao centro, o vencedor, Tiago Manuel; à esquerda, M. Vaz Vieira, que arrecadou o segundo lugar e Camilo Silva, que ficou na terceira posição
Foto: Federação Portuguesa de Damas



sexta-feira, junho 26, 2015

Conversas em família, parte II


Mais de seis meses depois, e sentindo o chão a fugir cada vez mais debaixo dos pés, o executivo municipal, mostrando um nervosismo crescente e cada vez mais evidente, resolve meter mãos à obra e realizar um novo «plenário geral de trabalhadores», o qual teve lugar no passado dia 16 de Junho.
Pese embora o facto de haver quem julgue, seja por ingenuidade, seja por outro qualquer motivo, que estes plenários são de natureza sindical, o que é facto é que não são mais do que reuniões convocadas pelo executivo municipal, logo entidade patronal, num formato típico das «Conversas em família» tão em voga nos anos 70.
Cada vez mais acossado e isolado, o executivo refugia-se em manobras de propaganda e acções demagógicas como é o caso dos referido plenários onde durante duas longas horas, todos os serviços camarários do Município de Alcácer do Sal vão encerrar com óbvios transtornos para os munícipes. Como se não bastasse, não sabem fazer contas o que, diga-se em abono da verdade, não é de admirar. Na verdade não são duas horas; são duas horas por cada funcionário. Sabendo que a Câmara de Alcácer tem cerca de 4 centenas de funcionários é só multiplicar 2 horas x 400 funcionários = 800 horas. Se o valor-base médio por hora for de 6 euros (e estou a fazer uma estimativa por baixo), 800 horas x 6€ = 4800€ (quase mil contos), é quanto custa esta «brincadeira» aos contribuintes. Poder-se-á afirmar que aquela verba será sempre despendida pois o ordenado dos funcionários é certo independentemente do que aconteça nesse período de tempo. É verdade, mas a produtividade nessas duas horas é zero e todos os serviços municipais estarão paralisados. Essa é que é a questão.
Para além disso, e no caso do Torrão, há que ter em conta ainda outras despesas como a saída das carrinhas com o pessoal - gastos em combustível - a que se junta mais horas às referidas duas horas pois se tivermos em conta que são precisos 45 minutos para ir e ouras 45 minutos para voltar, às duas horas juntemos mais hora e meia.


E tudo isto para quê?

A ter em conta os vários testemunhos, para nada mais a não ser um espectáculo degradante do qual, por tudo o que ali se passou, devemos nutrir as maiores preocupações.
Ao que parece, o plenário serviu para o executivo dar antes de mais uma aula, mostrando em power point gráficos de dados dos quais a esmagadora maioria dos que ali estavam não entendeu patavina. Seguidamente, foi a vez de invocar as despesas e má gestão do anterior executivo. Desta vez, a revelação de que o anterior executivo liderado por Pedro Paredes teria alegadamente deixado 1 milhão de euros de dívida escondida. Ora a pergunta que se põe é: então uma revelação desta natureza não deve ser feita antes de mais nos lugares próprios - reunião de Câmara e sessão da Assembleia Municipal?
E depois não basta recitar como um mantra que há despesa escondida e má gestão. Há, antes de mais, que ir ao fundo da questão, auditando as contas e seguidamente há que esclarecer não apenas os trabalhadores mas todos os munícipes. Não basta dizer que há dívida; há que dizer onde é que foi contraída a dívida, quando foi contraída a dívida e em que sectores foi contraída a dívida.
Mas como se tudo isso não bastasse, há ainda outra coisa bem mais grave que ali foi comunicada. A fazer fé em várias fontes, foi ainda comunicado que os fardamentos de todos os funcionários vai mudar. E isto porquê? Pasme-se: Por causa do logotipo!!!
Com a entrada do PCP na câmara, o novo executivo declarou guerra a tudo o que fosse conotado com os seus antecessores. A sanha vai ao ponto de, por causa de um simples emblema, mudar todo o fardamento dos funcionários. Ora posto isto pergunta-se: E o que vai fazer a câmara com os fardamentos antigos? Vai jogar para o lixo? Vai colocar em caixotes e guardar numa casa escura? O que vão fazer com inúmeros polos, blusões, fatos-de-macaco, bonés, etc? Quanto vai custar uma «brincadeira» destas? É isto necessário?
Ora se o problema é o emblema, porque é que estes senhores não mandam fazer uma série de emblemas e os dão aos funcionários para estes colocarem nos fardamentos por cima do anterior símbolo? Não sairia mais barato?

No mais recente Boletim Municipal, o presidente Vitor Proença fala das dificuldades dos portugueses decorrentes de políticas governativas erradas e das «duras realidades» com as quais vivemos e de «pesadíssimos encargos» decorrentes da pesada dívida e desequilíbrio nas finanças nacionais. Pois é, mas são precisamente estas e outras medidas deste calibre, estes e outros erros de governação - não apenas nacional mas também local - que contribuem para a situação que hoje vivemos. São gastos supérfluos e desnecessários; é má gestão, más práticas, má política.
Face a isto, peguemos nas palavras do presidente Vitor Proença para dizer que «está nas mãos dos portugueses, incluindo a população de Alcácer do Sal, romper com estas políticas e dar mais força a um novo rumo» e seguidamente dar-lhe razão: «Mais do mesmo? Não, obrigado!»
Posto isto, nunca é demais rematar com uma pergunta muito simples e óbvia: QUEM PAGA?
Como se todos nós não o soubéssemos de antemão.