sexta-feira, abril 15, 2016

LES UNS ET LES AUTRES

Passou há dias, na SIC e mais concretamente no programa «O Futuro Hoje» mais umas ideias empreendedoras made in Minho ou, mais concretamente, made in Braga.
Na introdução escreve-se o seguinte:

«Na era das startups e das empresas com ideias que avançam e conquistam apoios, umas vencem e outras não. Braga é um dos pólos onde de desenvolvem algumas destas ideias. Deste modo, o "Futuro Hoje" voltou uma vez mais à cidade minhota. O programa de hoje começa com a ideia de acabar com as muitas passwords que perseguem as pessoas».


Mais uma vez, e se dúvidas ainda há, temos o Minho, e Braga em particular, na vanguarda do que de melhor e mais hi-tech se faz em Portugal. Muitos há lá para baixo que me dizem, quando eu comparo o Minho com o Alentejo, que não há comparação possível. Realmente têm razão: Não há comparação possível. Comparo sobretudo no sentido do Alentejo se poder equiparar. Estes tais esquecem contudo que ainda nos anos oitenta e início dos anos noventa a região do vale do Ave e do vale do Cávado eram assoladas pelo flagelo do desemprego e eram das regiões mais pobres e deprimidas do país. Contudo aqui arregaçaram as mangas e meteram mãos à obra. Dinamismo, empreendedorismo, iniciativa são palavras-chave. Aqui ninguém ficou a carpir mágoas, culpou o poder central ou implora por regionalização e anda a perder tempo com abaixo-assinados a pedir por uma "região-piloto" no Minho. Aliás, se estivessem à espera do poder central estavam bem amanhados até porque Lisboa fica a cerca de trezentos quilómetros mais coisa menos coisa. Aqui inclusive há muita gente que me pergunta estarrecida como é possível estando o Alentejo, nomeadamente o Alentejo Litoral, tão perto de Lisboa, do Porto de Sines e do Algarve e estar assim tão desolado?
Na verdade, o «hinterland do Porto de Sines, no qual se inclui Alcácer do Sal, é de uma desolação assombrosa. Como é possível, estando aquele que é considerado um dos portos com melhores condições naturais da Europa ali, que o sector secundário seja tão incipiente? Nem industria, nem investigação nem nada.

Repare-se no exemplo flagrante do sector corticeiro. A extracção de cortiça faz-se sobretudo no Alentejo. Ora onde está sediada a indústria corticeira? No norte! Sabem onde fica localizada a Corticeira Amorim, líder mundial (nas palavras deles) do sector? Próximo de Espinho. Portanto, num sector em que a matéria-prima está essencialmente no Alentejo, é a região norte que mais usufrui não se criando condições para atrair grandes empresas transformadoras para ali. Por consequência, um sector que poderia garantir emprego continuamente no Alentejo, garante-o apenas sazonalmente, isto é, entre os meses de Junho e Agosto, época em que se faz a extracção. Cortiça essa que é toda escoada em estado bruto para as indústrias transformadoras do sector, as quais permanecem a norte. Não há engenho nem arte para aliciar os industriais a ali se fixarem dizendo-lhes que têm ali a matéria-prima e também meios e infraestruturas com capacidade para escoar o produto; fazendo-lhes ver que têm o porto de Sines, o porto de Lisboa e Espanha a meio caminho.

Portanto, e por oposição ao Minho, no Alentejo, a coisa não ata nem desata e aqui limitam-se a lamentar e a vociferar contra o poder central, acusado de todos os males.






Temos o exemplo flagrante de um tal de congresso de nome AMAlentejo Tróia 2016 que decorreu por estes dias em Tróia, como o nome indica, e, como não podia deixar de ser, a pedra de toque foi justamente acusar o poder central pelo facto desta ser uma região deprimida defendendo-se uma maior estatização. Repare-se bem: Enquanto uns põem mãos à obra outros optam passivamente por pedir, por reclamar mais Estado. Ou seja, o que se propôs ali em tal tugúrio, para resolver o (gravíssimo) problema estrutural do Alentejo, é, por um lado, a criação de uma «região-piloto» e por outro lado, e como consequência, a injecção de fundos isto por implicação directa pois com a criação da dita «região-piloto» aceder-se-ia à gestão do «bolo» que neste momento está nas mãos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional local - CCDR-A
Braga - e o Minho - exportam para todo o mundo. Já o Alentejo, e em especial Alcácer do Sal, nem ao norte do país conseguem chegar ou se chegam é de forma muito tímida e incipiente. A título de exemplo, nem a famosa pinhoada de Alcácer do Sal consegue chegar sequer à sede da sua freguesia mais meridional. 
Em suma, com estas manobras congressistas, com uma cajadada procuram matar-se dois coelhos: por um lado sacode-se a água do capote responsabilizando outros por algo que é em muito responsabilidade sua. Por outro lado, pedem-se mais fundos, sem que haja garantias destes serem posteriormente injectados na economia local, e serem em grande parte destinados a alimentar a clientela voraz, os amigalhaços, as prestações de serviço e aumentarem os seus próprios pecúlios. Não esquecer que regionalização implica a criação de mais «tacharia». 
Ora não é por acaso que tal tese encontra no Sr. Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal um dos mais fervorosos entusiastas pois passados três quartos do seu mandato tudo o que tem para apresentar aos alcacerenses é uma mão, ou melhor, as duas mãos, cheias de coisa nenhuma. Portanto há que criar truques de ilusionismo - de qualidade duvidosa - para tentar a todo o custo esconder tão crua realidade que está à vista de todos. E, a talho de foice, bem que se poderia avaliar ainda a dúzia de anos de Vítor Proença à frente dos destinos de Santiago do Cacém, outro dos concelhos do Alentejo Litoral. Recentemente um tal de Henrique Raposo num tal livro chamado «Alentejo Prometido» dá uma pequena ideia da vida que ali há como também da diferença entre norte e sul, ou seja, entre «les uns et les autres».


O preço da propaganda, parte 2




Bem, e de acordo com o BASE, ficamos a saber que a despesa que a Câmara Municipal de Alcácer do Sal irá ter com o jornal municipal em 2016 irá ter uma acréscimo de quase metade em relação ao ano passado, disparando dos 8180€ de 2015 para os 12000€ de 2016 o que representa "só" um diferencial de 46,7%. Um aumento que certamente não se verifica em relação ao aumento das matérias-primas mas sim em função da proximidade das eleições que serão já em 2017. Há pois que aumentar paulatinamente a dose de propaganda a injectar. De referir por fim que os valores mencionados não estão acrescidos de IVA.
Quanto ao ponto positivo, há a referir que a adjudicação foi entregue a uma empresa do concelho. Do mal o menos sabendo-se contudo que isso é uma operação de charme pois em vésperas de eleições convém tentar agradar a todos e distribuir rebuçados por aqui e por ali. E já lá diz o ditado que quem meus filhos beija minha boca adoça.

Valor referente a 2015

Valor referente a 2016

Fonte: BASE


Ver aqui:




Está visto; gente séria é outra coisa.




Uma prática familiar


Se há coisa em que este poder autárquico tem sido useiro e vezeiro é sem dúvida nas famosas prestações de serviço as quais, ali para as bandas da Praça Pedro Nunes, já se tornaram uma prática familiar, digamos assim, para a grande maioria dos munícipes. E por falar em prestações de serviço, temos aqui uma adjudicaçãozinha por parte do município de Alcácer do Sal a uma empresa que, por coincidência, é propriedade dos pais da Chefe de Gabinete do Sr. Presidente da Câmara a qual é também simultaneamente a sua actual companheira. Sendo certo que legalmente não há nada a apontar, do ponto de vista ético e moral convenhamos que é terrivelmente lastimável, reprovável e deplorável. E sendo certo que ninguém deve ser mais beneficiado ou mais prejudicado em função de determinada conjuntura também é verdade que à mulher de César não lhe basta ser séria; é preciso parecer. Há preços que feliz ou infelizmente se têm que pagar.

Nada mau para quem se dizia sério e sobretudo diferente.
Com toda a confiança!





domingo, abril 03, 2016

A terra prometida - «A minha terra é a melhor»

"Aonde pertencerei? De verdade e por inteiro, a parte nenhuma. A terra onde nasci tornou-se-me estranha como um teatro; quando estou nela tenho a ideia de que represento um papel. A outra, onde vivo há mais de meio século, dá-me por vezes a ideia de um navio que se afasta e me deixou no cais. Procurar outro poiso? Nem a idade mo permite nem as amarras o deixariam. Porque é isso: não pertenço mas é muito forte o que me prende".
José Rentes de Carvalho 





Há já muito tempo que venho a observar algo curioso e que é transversal em termos sociais. Vou aqui e agora escrever o que penso a respeito disso e esse será o tema deste artigo. Todos aqueles que por um motivo ou outro têm que sair do lugar de onde vivem, pelas mais diversas razões, têm algo em comum: Para eles a sua terra é a melhor e ponto final. 
Para quem emigra, e independentemente do que o levou a emigrar e das condições que tinha antes e das condições que tem depois seja em termos sociais, profissionais, afectivos, etc, o seu país de origem é que é bom, é que é o melhor e em todos os aspectos. O mesmo se verifica para quem migra, isto é, para aqueles que se deslocam e vão viver para uma outra região mas sem abandonar o país. Para esses, e também independentemente do antes e do depois, a sua terra é que é a melhor; melhor em todos os aspectos. Daqui se supõe que em todos eles há uma espécie de saudosismo e até um pouco de masoquismo.
Ora vamos lá a ver: Costuma dizer-se que para melhor muda-se sempre. Ora se a «nossa terra» é a melhor porque é que mudamos? Sim! A mudar, muda-se para melhor. Mas pelo que vejo e oiço todos mudam para pior donde pergunto: Então porque mudaram?
Quem ler este artigo poderá dizer que apenas mudou porque surgiu uma oportunidade melhor, que até tinha um bom emprego onde estava, que saiu apenas porque conheceu outra pessoa e juntaram os trapinhos, pelo desafio, pela aventura, etc. Ora bem, quando alguém diz que a sua terra, a sua região, o seu país é o melhor está a usar uma condição universal. Dizendo que é o melhor, então é melhor em tudo. Se alguém teve que sair, fosse pelo que fosse, nem que fosse pelo mais trivial que possa existir, então a sua terra não é a melhor e ponto. Não esquecer que ser o melhor, e sendo uma afirmação universal, não pode haver falhas. Se alguém saiu porque não tinha emprego na sua terra, então é porque a sua terra não é a melhor; nem sequer lhe deu uma oportunidade! Mas para esses ainda que empregados, felizes e contentes na terra que o acolheu, a sua terra dita de origem, ainda é a melhor.
Se alguém saiu porque encontrou a sua cara-metade, a sua alma gémea noutro local, então a sua terra não é a melhor pois aí não encontrou o amor. Mas para esses ainda que felizes e contentes, a sua terra continua a ser a melhor.
Para aqueles que foram pelo desafio - profissional ou outro qualquer - pela aventura ou pelo que fosse, ainda assim, e mesmo felizes e contentes, dizem que a sua terra é a melhor. 
Muitos vejo que se lamentam, que são mais amados na terra que os acolheu do que na terra onde sempre viveram, que são mais considerados por pessoas que conhecem há pouco tempo do que por aqueles que os conhecem desde sempre - não esquecer que a familiaridade gera o desdém. Mas mesmo assim, e apesar dos lamentos, ainda dizem que o sítio de onde vieram é que é bom e até fazem gala em voltar (???!!!).
Não, não é!
É claro que muitos morrem de saudades, e aqui vou ser duro, muito por culpa da sua parolice. Muitos estão noutro sítio mas com a cabeça no local manhoso de onde vieram. Eles pensam nos amigos (muitos deles da onça), nas patuscadas, no bar ou na tasca local, na praça, no ribeira, nas bebedeiras, etc. Depois vemos que esses mesmos se recusam a integrar-se no local onde estão. Muitos apenas fazem o casa-trabalho-casa. Poucos se dispõem a interagir com as populações locais, a aprender a língua do país - se estiverem noutro país - a aprenderam os costumes, a ir às festividades, eventos culturais, desportivos, etc, a ir aos locais mais emblemáticos ou de interesse. Muitos há que, para cúmulo da pateguice, levam os mesmos hábitos e não adaptando a máxima do «em Roma sê romano». Quantas vezes não vemos autênticos labregos, sim labregos a assar sardinhas e bifanas em plena Paris, apenas a interagir com portugueses; se no norte a fazer açordas, etc? Gente que não se dispõe a conhecer o país ou região de acolhimento. Não visitam museus, monumentos, templos, etc. Claro que a saudade irá roer estes reclusos.
Mas depois temos os masoquistas. Gente que nunca teve uma oportunidade na terra de onde veio mas que tem todas as oportunidades no novo local e ainda assim olham para trás com saudades e a dizer que a sua terra é a melhor. Ora isto para além de ser uma palermice pegada é uma enorme falta de consideração para com quem os acolheu, em muitos casos de braços abertos. «Se a tua terra é a melhor, se as gentes que lá vivem são as melhores porque vieste para cá»?, «Se eles são melhores, eles que nunca tiveram a mínima consideração por ti, junta-te a eles». Muitos poderão dizer isso e com legitimidade. Então se um outro povo nos acolhe, se vamos para outro país, uma outra população se viemos do sul e vamos para o norte ou vice-versa, vamos dizer que os outros é que são bons?

Um profissional, o que ele vai dizer é que a sua empresa é a melhor. Claro! «A minha empresa é a melhor». Mesmo que o não seja. Mas é sempre a melhor, a melhor no ramo em que opera e mesmo para além disso por uma razão muito simples: é que lhe garante uma carreira e um salário. Se mudar de empresa, é essa nova empresa que é a melhor. Se for um atleta é a mesma coisa. O seu clube é o melhor. 
Se um atleta - é por isso que os desportistas que defendem determinado emblema dizem que o seu clube é o melhor - está num determinado clube ele vai lutar por esse clube. Um treinador, jogador, etc, quando está no Benfica diz que é o melhor clube; se vai para o Sporting no ano a seguir, para dar um exemplo, vai dizer que o melhor clube é o Sporting. Perfeitamente natural. É assim! Sendo assim em relação à entidade patronal deve-o ser em relação à terra que nos acolheu.


Vou falar do meu caso pessoal. Tive a imensa felicidade de vir residir no Minho. Para mim, o Minho é o melhor sítio em todos os aspectos. Adoro o clima, as paisagens, o património, a maneira de ser das gentes, as festas e romarias, etc, etc, etc. No Minho encontrei algo que jamais encontraria no sítio de onde vim: Emprego, consideração e muito mais. E poderei encontrar algo mais ainda... ou não.
Esta é portanto e por consequência, para mim, a melhor região, a melhor terra, da mesma forma que a minha empresa é a melhor, o meu ginásio é o melhor e por aí adiante. Agora o sítio de onde vim??? O sítio de onde vim, o melhor?! O sítio que não me garantiu emprego, não me deu uma oportunidade e não me garantiu formas de ocupar os tempos livres pois aquilo é uma imensa pasmaceira? Saudades? Saudades daquilo? Deveria ter? Dizer aqui no Minho que o Alentejo, e em particular a zona de Alcácer do Sal, é a melhor região? É que nem por sombras! Melhor em quê? Só em mosquitos, pó, vigarice, tibornas e afins. Saudades? Nossa! Do quê? De cães raivosos, de faltas de consideração de gente atrevida e estúpida? - atenção que há casos e casos. Não vou cometer essa falta de consideração por gente que estimo e, penso eu que é recíproco.
Peço desculpa, mas eu quero é que eles se fodam, puta que os pariu; como se diz no norte.
Porém, hoje o Minho é, para mim, a melhor região mas amanhã pode não ser. Amanhã posso mudar de região ou de país e esse passará a ser o melhor local. Tão simples como isso.
Resumindo, a melhor terra é aquela onde somos felizes; onde encontramos estímulos e desafios profissionais, onde somos tidos em consideração, onde somos acolhidos, integrados, onde encontramos afecto, amor, prosperidade. Isso é válido para todos. 
Eu vejo, siderado, gente que consegue ser bem sucedida num outro país ou região e continua a arranjar todos os pretextos e sempre que tem tempo para voltar ao buraco onde nunca seria ninguém. No limite, vemos gente que apesar de estar bem e recomendar-se comete a supina asneira de voltar. Pensarão que algo mudou entretanto? 

Há umas poucas de semanas que tinha este artigo pensado mas ainda não o tinha escrito porque os meus afazeres mo não permitiram. Curiosamente, neste fim-de-semana que tive finalmente tempo de o fazer ver a luz do dia eis que um artigo de jornal vem demonstrar a tese que procuro defender.
Uma cientista brilhante que tinha uma carreira promissora no estrangeiro, volta a Portugal com a bagagem cheia de conhecimentos e a (triste) ilusão de que seria aproveitada e poria os seus conhecimentos ao serviço do «seu» país. Pobre ilusão. O que o «seu» país lhe deu foi o desemprego, a desconsideração. Afinal o seu país era aquele onde estava, onde se doutorou. Sempre foi.

Não é a primeira. Muitos regressam prematuramente ao seu país e depois andam literalmente aos caídos. Aperceber-se-ão cedo da asneira e procurarão voltar. Outros, apesar da desconsideração, apesar de não terem sido vistos como uma mais-valia para o país, ainda assim e depois enviam remessas de dinheiro para esse país; ao invés de terem as suas poupanças em bons bancos, nomeadamente aqueles radicados na Suíça, vêm aplicá-lo em bancos e produtos manhosos em Portugal. Sabem como se chamam agora? Agora chamam-se lesados. Outros houve que quiseram pagar o mal que lhes fizeram investindo na «sua terra» e acabam a valer exactamente o mesmo que valiam antes ou menos ainda pois os nativos sentir-se-ão agora também despeitados, e ainda ficam depauperados.
Penso que não vale a pena mais palavras.


Se mãe é quem cria e não quem tem, da mesma forma a nossa terra é a que nos acolhe e nos quer bem e não o sítio onde vivemos ainda que um número considerável de primaveras. Poderão dizer que estão aí as famosas raízes e tal. Eu pergunto: Raízes, o que é isso?
Já Camões dizia que os portugueses apenas precisam de um palmo de terra para nascer mas têm o mundo inteiro para morrer.

Eu, o vosso humilde escriba, assumo-me como um cidadão do mundo, do Universo. Não tenho raízes e como tal sou livre.
Sendo certo que o Homem é um eterno insatisfeito e que a terra prometida, a busca pelo Paraíso, e portanto e por consequência é a demanda de uma vida ainda assim se pergunta: A nossa terra é a melhor? Será mesmo?
 Ora vamos lá a pensar um pouco e reflectir bem sobre tal premissa.

MAIS UM LOGRO, MAIS UMA HIPOCRISIA

Teve lugar em Tróia, a dois de Abril, um tal de congresso «Mais poder local, mais democracia, melhor Alentejo» e parece que as edilidades do sítio foram até lá - vamos ficar à espera de saber, e todos deviam perguntar, qual a intervenção e papel que desempenharam.
Seja como for, é mais um logro. Primeiro afirma-se que existe consenso na sociedade alentejana (?) quanto ao aprofundamento do dito poder - mas ninguém explica em que consiste esse aprofundamento. Segundo, é passado um atestado de incompetência a todos pois reconhece-se que o Alentejo vai de mal a pior - parece que afinal e bem vistas as coisas, Henrique Raposo tem carradas de razão. Terceiro: Então é o poder central que tem a culpa de nestes anos todos, a grande maioria dos autarcas locais, nomeadamente estes ilusionistas da política, serem profundamente incompetentes, anti-democráticos, pouquíssimo transparentes e tudo menos pluralistas?
Ora vamos lá demonstrar, se dúvidas ainda há, a hipocrisia e do logro. Nesta recta final do mandato há que procurar desesperadamente mostrar serviço, coisa que nunca existiu.





TRANSPARÊNCIA

Pensávamos que a transparência, pluralismo, democracia, etc e tal começavam nos agentes do poder local mas parece que estávamos todos enganados. Afinal a culpa é do poder central. Será o poder central o responsável último pela falta de transparência da Junta de Freguesia do Torrão, aquela cujo presidente vai todo lampeiro ao congresso?




DEMOCRACIA E PLURALISMO

Convém antes de mais lembrar isto. Mas esta deve ser sempre tida em conta:


                              E a devida resposta:


 



   Claro que tais manobras depois dão direito a situações humilhantes. Será que o poder central também é responsável por tamanha falta de sentido político?


Internet restaurada na biblioteca Municipal do Torrão




E depois temos a melhor: Cidadãos incómodos são bloqueados nas páginas oficiais dos ditos órgãos do poder local, os tais que se querem pluralistas, democráticos e transparentes. Isto é que esses cavalheiros deviam dizer em Tróia.





quinta-feira, março 10, 2016

Mais um caso encerrado

Chegaram-me a 28 de Fevereiro mas os meus afazeres não me permitiram que postasse de imediato. Seja como for, o espelho rodoviário junto ao Largo do Sopapo já está reparado. A questão que se põe é: Se não denunciássemos AQUI o caso será que a reparação se fazia de forma tão lesta? Fica a pergunta.




Tudo bons rapazes





sexta-feira, março 04, 2016

Porque concordo em boa parte com Henrique Raposo?



O verniz estalou e muita tinta tem corrido desde que uma personalidade mais ou menos conhecida, de seu nome Henrique Raposo, participou num programa televisivo onde apresentou um livro sobre o Alentejo, terra de seus progenitores. A partir daí, uma nova cruzada, mais uma, virtual de hordas ferozes que deixam qualquer povo bárbaro tal não é a verborreia destrutiva, a verrina implacável e o ódio que se espalham como fogo em palha seca, a parecer meninos de coro. Mas qual o motivo para tamanho ódio? Apenas e só um simples livro.
Por aquilo que tenho lido, desconfio que haja muito boa gente que odeie Henrique Raposo. Aliás, no programa, o apresentador diz-lhe que é um dos colunistas mais irritantes do momento. E porquê?
Porque tendo raízes alentejanas foge daquelas características que por força deveria ter como se liberdade de pensamento, opinião, expressão, etc e tal fossem, como já se percebeu, toleradas sim mas desde que pense como a maioria quer. Na verdade, o erro de Raposo, está bem identificado na crónica de Henrique Monteiro no Expresso: "nasceu nos arredores pobres de Lisboa, filho de alentejanos que vieram procurar uma vida melhor. Estudou na escola pública, onde era maltratado pelos colegas por querer estudar a sério e não apenas passar o tempo. Licenciou-se, tornou-se investigador e cronista. Ao contrário do que os ‘verdadeiros’ alentejanos defendem, Raposo não admira a escola pública, nem os feitos do PCP na reforma agrária. E – espante-se – não é filho de latifundiários! Ao contrário dos que os ‘pobres’ da periferia se queixam, Raposo não diz que os jovens se metem na droga por falta de condições sociais. E espante-se, ele nasceu na periferia pobre!" e portanto "A ‘turbamulta’ irrita-se. Não é este o Alentejo que querem; querem um Alentejo de luta e de solidariedade. Para a ‘turbamulta’ não é este o rapaz das periferias que lhes serve de modelo".
Quem já conhecia Henrique Raposo? Convido pois antes de mais a ver este programa.




E é aqui que está a origem de tudo. Claro que o rapaz não fazendo parte da entourage havia que tentar algo e estas declarações e o livro serviram como uma luva. As novas realidades e formas de comunicar ainda não são bem dominadas por todos de forma que, e já se percebeu, há dois tipos de gente nas redes sociais. Os manipuladores - alguns até se divertem a fazer experiências - e os «borregos», os que se deixam manipular, os que vão atrás sem lerem, sem reflectirem, sem pesquisarem. Pois é. Lamento informar a maioria dos que se insurgem contra Raposo e em especial muitos da zona de Alcácer do Sal - sempre na vanguarda da patetice, do insulto brejeiro e barato, da cretinice e por aí fora - que foram e estão a ser manipulados.

Infelizmente também já se percebeu que argumentar não é para todos. E factos, números e evidências também ninguém se preocupa até porque ninguém estuda, pesquisa, pensa antes de ir para o Facebook «de capa e espada». Discorda-se, ofende-se, chinga-se, ameaça-se e pronto. Mas, uma pergunta, talvez a mais importante: Viram o programa e ouviram o homem ou limitaram-se a ir atrás?
Eu ouvi o homem e sinceramente fico siderado por ver tanta gente de «armas em riste». O que disse não foi ofensivo para ninguém, não insultou ninguém. Constatou factos. Será que não é isso também que está aqui em jogo? Alguém ousar dizer o que todos sabem mas nunca ninguém disse. Talvez esteja aí mais uma razão. O homem teve a audácia de não ser hipócrita. «Há coisas que se pensam e se sabem mas não se dizem», né?
Vamos pois dissecar um por um os todos os pontos do que disse Henrique Raposo e por fim acrescentar mais algumas observações que serão de todo pertinentes.

  1. O suicídio
    O suicídio que, nas palavras de Henrique Raposo é um modo de vida no Alentejo. Esta foi uma das primeiras coisas que fez as hordas levantar as chuças. Claro que isto é uma metáfora no sentido em que não será um modo de vida de facto mas é-o pelos números que se verificam. De tal forma assim é que segundo o "Público" em 2012 o Alentejo quis perceber porque é a região do país com a maior taxa de suicídios. Vejam, Está aqui. Leiam! Meus caros, o Henrique Raposo disse algo de mais? Sabiam que em 2005, de acordo com o Diário de Notícias, em 2005, o Alentejo registava a taxa de suicídios mais alta do mundo?! Vejam, está aqui. Não! Não é na Palestina, nem no Iraque, nem no Afeganistão nem na América Latina, tudo regiões que em 2005 estavam - e continuam a estar - a ferro-e-fogo e com altas taxas de mortalidade, de miséria, fome e todo o tipo de flagelos e onde os Quatro Cavaleiros do Apocalipse cavalgam alegremente que tal se verifica mas sim numa das mais pacatas províncias de Portugal, aquela que apesar de representar um terço do país é das mais atrasadas, desertificadas e inóspitas regiões: o Alentejo. Poder-se-á dizer o título é exagerado. É aceitável mas que os valores são altos e tem que haver um fundo de verdade na notícia. Se isto não é um fenómeno natural... Suicídios há em todo o lado mas no Alentejo abusa-se. Se os torquemadas de serviço me permitem a piada, se o Estado Islâmico sabe de tal manancial ainda vem recrutar bombistas-suicidas para as suas hostes a estas paragens.

  2. A violação

    «As alentejanas antigas nem sequer conheciam a palavra violação». Outra frase que incendiou tão sensíveis almas alentejanas. Mas onde está o problema? Claro que não conheciam a palavra violação. Não conheciam o termo mas conheciam a realidade. Quem é que de entre todos os alentejanos ouviu as pessoas mais velhas falarem em tal? E quem diz alentejanos, diz beirões, diz minhotos, etc. Por um lado estamos a falar de pessoas com baixa escolaridade, por outro lado os tempos eram outros e quem fosse contra a moral e os bons costumes vigentes na época arriscava-se a receber a oportuna visita da GNR ou da PIDE e ir bater com os costados na cadeia. Por outro lado ainda, Portugal não era um país cosmopolita. E por fim eram pessoas que viviam isoladas. Quem é que de entre os «ofendidos» nunca ouviu dizer às pessoas mais velhas "dantes não se ouvia falar destas coisas"? Usavam-se outros termos. «Fulano fez pouco da rapariga», «Beltrano faltou ao repeito à moça», «Sicrano foi alarve», etc. Não, meus caros. Antigamente não conheciam o termo «violação» mas a realidade, essa infelizmente todos a conhecem desde sempre e em todo o lado.

  3. Os homens não tinham carinho pelas crianças e não havia conceito de criança
    Meus amigos, alguns dos quais bem mais velhos do que eu, que viveram e cresceram nessa época, que conheceram melhor pessoas que nasceram ainda no século XIX, vós sabeis que é assim. Os homens antigos eram mais rudes, não se dedicavam aos filhos - mesmo nas classes mais altas quanto mais os que trabalhavam de sol-a-sol. Ao homem competia trabalhar e à mulher cuidar das crianças. O homem apenas era chamado em casos mais graves quando tinha que aplicar o cinto. «Porta-te bem senão quando o teu pai vier ele logo vês como é que é». Mas claro que o pai também educava nomeadamente os rapazes e já na fase da adolescência. A sua presença é que era mais distante. Era assim e ponto. Quanto ao não haver conceito de criança... bem, a que idade começavam a trabalhar? Como diz o ditado? De pequenino se torce o pepino, né? Pois. Vós os mais velhos não vos lembreis que assim é, assim foi, e assim se passou com muitos de vós. O que disse Raposo de mais?

  4. «O Alentejo é a terra da desconfiança»
    Mais um argumento que serviu para se dar tratos de polé ao homem. Mas porquê? O que tem isso de mais? Os alentejanos são desconfiados? Óptimo! É melhor ser desconfiado que ser «anjinho», «naif», «tancho» - como se diz por ali - «ingénuo», etc. Se Raposo dissesse o contrário é que era pior; agora ser desconfiado?! É bom ser desconfiado ainda para mais nos dias de hoje onde até estamos rodeados de vigaristas por todo o lado. Não meus amigos, isto não é ofensa nem tão pouco defeito; é qualidade. Se os alentejanos são desconfiados, ainda bem! E já não deviam de ir atrás de certos embustes. Infelizmente ainda muitos alentejanos são ignorantes, mesmo os que sabem ler e escrever q.b. como aliás se tem visto.

  5. «Os laços de comunidade são fortes no norte e fraquíssimos no sul» e «História de violência no Alentejo»
    Muitos dos que se insurgem, já tiveram oportunidade de vir ao norte? Falam com conhecimento de causa?
    Diz um outro alentejano, de sua graça Vitor Matos na sua crónica sobre o folhetim que "Para os fascistas do pensamento, deixo aqui mais uma identificação total com o que o Henrique Raposo escreveu: quando ele diz que as viagens dele ao norte verdejante era como ir ao estrangeiro. As viagens que fiz com os meus pais pelo norte do país também eram um fascínio. Aquele verde todo era uma coisa linda, invejável, aquela água a correr por todo o lado encantava-nos. Era outro mundo, outro país. E sim, o meu pai comentava um sentido de comunidade que não havia no Alentejo".
    Claro que é diferente! Quereis conhecer a minha experiência? Gente que nunca me viu nem conheceu e vice-versa, acolhem-me em casa, repartem, têm consideração, ajudam. Gente que me conhecia desde sempre tratava-me com sete pedras na mão muitos deles por eu ser livre e ter opinião livre. No Alentejo, muito boa gente não se limita a querer o seu bem. Querem o seu bem e o mal do vizinho, veja-se bem a «cachola» dessa gente. Aqui, no norte, se alguém tem um problema, como por exemplo, e vi eu, uma senhora de idade ficou com o troll das compras partido oferecem-se para a levar a casa. No Alentejo ri-se da desgraça alheia. É mentira?
    Pois é; ali quase todos se dizem de esquerda, pelo socialismo, pela fraternidade, são camaradas, mas na teoria. Na prática são dos mais «facho» que há e autênticos cães raivosos. Já dos «galegos» - ali, pelo menos na zona onde vivi as últimas décadas - tudo o que é do Tejo para cima é «galego». Os galegos são fascistas, os galegos são conservadores de Direita, os galegos querem é padres... Mas querem saber a melhor? Os alentejanos dizem-se isso tudo na teoria mas na prática são o oposto. Já os «galegos» que não querem nem ouvir falar no Partido Comunista e «são tão reaccionários» são afinal e na prática fortemente comunitários fraternos, solidários...
    E ainda há a outra parte. Para muito bom alentejano, «os galegos» não sabem trabalhar, são «jarondos» - pouco higiénicos, só fazem «travias» - comida imprestável, são de má índole, etc. Bons são eles, os da minha zona. Querem saber a melhor? A maior parte de vós nunca lhes há-de chegar aos calcanhares. Nunca! Nem em «golpe de vista», nem em sentido de ética e de comunidade.
    Pois é; experimentam a vir ao norte e verão. E não, não me venham falar em termos individuais. Gente boa e gente ruim há em todo o lado. Mentalidade colectiva, por favor. Muitos amigos meus do Alentejo falam de histórias de violência entre vizinhos no norte e no Minho em particular. É verdade. Claro que há brigas de morte entre vizinhos. Aliás, em qualquer lado, não há nada pior do que má vizinhança. Alguns mesmo já me contaram historias que se passaram nas suas zonas como a de um homem que matou o vizinho com um sacho por causa de um rego de água. Claro que as há. Mas no Alentejo também.
    Meus amigos, nomeadamente os que moram na terra de Bernardim Ribeiro, sabem porque nome era conhecido o Torrão nos arredores? Terra do amor? Não! Vila Verde no Minho é que almeja ser a capital do amor em Portugal! Terra do carinho? «Nop». Terra da ternura? Nada disso. TERRA DA MACHADA. Sim, o Torrão do Alentejo é conhecido, ou pelo menos foi conhecido, como a terra da machada. Porque será?
    Aliás houve gente que se matou à machadada, houve um que matou outro com uma forquilha nas lavras de arroz, há muitos homens que assassinaram as mulheres por motivos passionais. Isso existe em todo o lado e no Alentejo não é excepção. Quereis exemplos? Não conhecem a quadra:


    No dia 18 de Janeiro
    no Monte da «Lavandeira»

    mataram duas mulheres

    com uma espingarda caçadeira


    Faz parte da literatura oral do Torrão. Procurem saber a estória - quem a não sabe? Já leram por acaso o livro de Joaquina Soares, «A Imagem da Mulher na Literatura Oral do Torrão»? Conhecem, pelo menos? Eu não tenho aqui os meus alfarrábios comigo senão iria buscar muitas estórias antigas que ali estão dadas à estampa como a de um homem que vindo da cortiça e apanhou a mulher com outro lhe desferiu um golpe na cabeça com o machado. Pois é, enquanto no Minho bordam-se lindos lenços de linho com versos sobre o amor, no Alentejo fazem-se versos em que o tema é a morte. 
    Estamos elucidados.



  6.  Os «malteses»
    Se os habitantes da ilha de Malta soubessem o que para um alentejano significa «maltês» seriam estes a sofrer a ira dos (verdadeiros) malteses. Henrique Raposo tocou «nos guizos» de muito boa gente quando falou dos ditos cujos. No Alentejo, maltês é aquele que «anda à malta», isto é, vagabundos, gente que vive sem regras, sem trabalho, que não se preocupa consigo, com a sua casa, com a sua roupa. O típico vagabundo. 
    É mentira que antigamente estes malteses corriam os montes pedindo, roubando e sabe que Deus mais? Uns sozinhos, outros em bando ou em pequenos grupos. Muita desta gente teria, como hoje muitos mendigos e marginais têm, maus instintos e se apanhassem crianças sozinhas podiam fazer-lhes mal. Ó meus caros, essa realidade existiu. Gente isolada nos montes facilmente podia ser vítima destes malteses. Então as vossas mães para vos meter medo, quando crianças, não falavam do «maltês de estrada»? Eu sou daqueles a quem a minha mãe metia medo, quando era pequeno. «Se não te portas bem vem o maltês e leva-te no saco». E eu imaginava uma figura de um homem velho de barbas com um grande talego às costas. Então a figura do malês, que Henrique Raposo alude, não existe? Meus caros, os que moram nos arredores de Alcácer, ide à Rua das Torres e vede uma travessa paralela à Travessa das Palmeiras. Sabem como se chama? Travessa do Maltês! Procurem saber porquê. Os malteses eram os marginais e os «gangs» da época. Portanto o que disse o homem de mais?!
  7. A bastardia

    Numa época em que o grande lavrador, o grande proprietário, o grande comerciante era o manda-chuva, é muito natural que alguns «abusassem» das criadas, das filhas dos empregados... E há casos em que não havia necessariamente violação. Era consentido. E também alguns pais das miúdas a quem os filhos ou mesmo os proprietários «faltavam ao respeito» até nem se importavam muito pois podia ser que herdassem qualquer coisinha ou mesmo que não gostassem não iam «virar dente» pois para além de serem despedidos e isso significava viver na miséria e ficar sem casa até porque muitos moravam nos montes que eram, tomai nota, propriedade dos patrões, ainda se arriscavam a ir presos pois esta gente é que dominava a sociedade, onde a arbitrariedade imperava, da época e a GNR era em muitos casos lacaia de serviço destes indivíduos.
    Por vezes acontecia. Quereis um exemplo? Este vosso escriba.
Desconfiança e cultura do suicídio serão os piores defeitos dos alentejanos, de acordo com Henrique Raposo. Não concordo. Penso que há outros defeitos mais comezinhos e se calhar apesar disso bem piores. Defeitos e virtudes como há em todo o lado e os alentejanos não serão excepção.
Henrique Raposo é ainda mimoseado no Alentejo sem apelo nem agravo por falar num Alentejo sem lei e de violência. Fala sobretudo do período da guerra civil e do pós-guerra civil de 1832-1834, um dos períodos mais nefastos da nossa história. É mentira? Já ouviram falar da Batalha de Alcácer do Sal e do «Massacre de Algalé»? Está aqui.
Claro que o rescaldo de uma guerra fratricida é tudo menos pacífico e muitos continuaram a lutar mesmo depois de formalmente terminada a guerra até porque Alentejo e Algarve eram, como a maioria do país, profundamente miguelistas. Mas isso são outros quinhentos e vamos ao que interessa.
Algum de vós se lembra de uma série que passou há 25 anos na televisão e que se chamava justamente Alentejo sem Lei e onde este era retratado como o farwest português? Digo já, que eu era grande fã. Exactamente. Espero que 25 depois não abram mais uma guerra contra esta série realizada por João Canijo. Vejam e oiçam sobretudo a narração. Na verdade, muito do que Henrique Raposo diz tem paralelismo com esta obra e parecem versões decalcadas desta série. OIÇAM!




Até no Algarve o homem é perseguido porque falou no Remexido. Sabem quem foi o Remexido? Conhecem o contexto? Leiam, estudem, aprendam e depois venham para a rede social dizer de vossa justiça. É que escrever, como eu escrevo esta humilde peça, leva tempo de reflexão e tempo de escrita.

Não quero terminar esta singela crónica sem referir alguns aspectos, lamentáveis diga-se de passagem, a que tenho assistido. Parece que há por aí muita gente indignada, alguns até fazem vídeos e tudo onde esconjuram Henrique Raposo porque este diz que os alentejanos são um povo afável e que, ao contrário do que «esse Raposo diz» não são violentos mas depois, pasme-se, escrevem para o homem ir ao Alentejo para «levar com um pau nos cornos», para levar uma corda para se pendurar num chaparro, que devia levar um enxerto de porradas, etc. Tanta afabilidade e ternura deixam-me deveras comovido. Nem se dão conta das contradições.
Outra situação é a do boicote ao livro. Então um povo que se diz anti-fascista, resistente, etc e tal agora quer censura? Quer boicotar o livro? Há muitos a dizer que vilas e cidades do Alentejo estão contra a publicação do livro! Ó meus amigos então querem o lápis azul? Poderão dizer que não, que é só porque o homem disse «falsidades» e «disse mal» e é porque não gostaram de ver nem ouvir aquilo. Meus amigos, isso é o que todos dizem. É que se verem bem, estão a pedir a censura. O Governo também poderia pois e teria legitimidade para tal. Se uns têm porque não gostam, o Governo quando não gosta de algo, porque é «subversivo», porque é «falso», porque é «alarmista» também não poderias deitar mão desse («valioso») instrumento? Ah já não vale? Vale pois. Censura é censura. Cuidado com o que se pede!

Por fim, e mais uma ironia das massas acéfalas. Meus caros, com todo esse sarrabulho o que deram foi publicidade ao homem. Se tivessem ficado mudos e quedos o assunto, o livro, o autor passariam despercebidos. Suspeito que Henrique Raposo vai ganhar bom dinheiro à pala da vossa patética indignação e que este livro vai ter uma saída bem acima da média. Com esta publicidade é que ele não esperava. Querendo tanto «matar» o homem acabaram por o promover. E querem saber a última? Se nada disso acontecesse, eu seria um dos que o assunto me passaria ao lado. Agora até eu faço questão de comprar o livro.
Para a próxima, antes de embarcarem em cruzadas patéticas, pensem um pouco.

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Mais vale tarde que nunca - Ruas dos Castelos pavimentadas depois de denúncia da morosidade da obra

Depois da denúncia da morosidade das obras nas ruas dos Castelos eis que recomeçaram ontem, dia 17 de Fevereiro, os trabalhos com estas a serem finalmente pavimentadas. 
Mais uma vez terá sido a intervenção do nosso blog e a denúncia pública preponderantes para apressar os trabalhos?
Mais uma prova da força da cidadania activa e do Pedra no Chinelo, que mesmo com o seu autor longe, não deixa de ter um papel determinante e de fazer mossa.





domingo, fevereiro 14, 2016

À atenção dos serviços

 O espelho rodoviário junto ao Largo do Sopapo na Rua dos Lavradores está no estado que as imagens mostram. Fica pois à atenção dos serviços. Sabendo contudo de antemão que nestas questões rodoviárias o limite de velocidade da rapaziada é assim a tender para o lento esperamos que este caso não se torne o... reflexo de outras peripécias... passadas.










Aqui todas são obras de Santa Engrácia


Foi desta forma que na página de propaganda camarária foi dada a notícia da «remodelação das infraestruturas de abastecimento de água». O que os martirizados moradores do bairro dos Castelos  - e munícipes em geral, acrescenta-se - não esperavam era que as obras ficassem para galo de entrudo e que passados dois meses e meio tudo estivesse como as imagens abaixo mostram e que alguns moradores indignados nos fizeram chegar.
Para quem se dizia diferente, basta ver as semelhanças com este outro caso passado na Rua Nossa Senhora do Bom Sucesso durante a anterior gerência. A sorte destes moradores é que esta zona não é sensível em termos de inundações. O problema é que muda a gerência mas a (má) qualidade dos gerentes é uma constante e os geridos esses são os mesmos e portanto...
Lá anunciar o começo é fácil, o pior é anunciar o fim.


Já quanto à Junta de Freguesia (de Torrão Torrão), foi desta forma que foram anunciados «urbi et orbi» os ditos trabalh(inh)os.
«Câmara Municipal de Alcácer do Sal com trabalhos nas Ruas dos Castelos». Pomposo.
Resta saber até quando.











sábado, fevereiro 13, 2016

Faria hoje 110 anos



"Nenhum político deve esperar que lhe agradeçam, ou sequer lhe reconheçam o que faz. Pelo contrário, é ele quem deve agradecer a ocasião que lhe ofereceram os outros homens, de colocar em jogo as suas qualidades, e de eliminar, se puder, os seus defeitos"


Agostinho da Silva (1906-1994)