domingo, abril 22, 2018

Transparência Municipal: Alcácer do Sal afunda-se na opacidade

Ano após ano, o município de Alcácer do Sal afunda-se no pântano da opacidade. A demonstração vem esplanada no site da organização Transparência e Integridade que todos os anos, desde 2013, publica o ranking dos municípios portugueses no que à transparência online diz respeito - o Índice de Transparência Municipal (ITM).
Os resultados referentes a 2017 já foram publicados e não trazem nenhuma novidade no que a Alcácer diz respeito.





Ano de 2013


Ano de 2014



Ano de 2015


Ano de 2016


Ano 2017



Da análise dos dados acima podemos concluir que ano após ano o município alcacerense afunda-se no ranking. Iniciando-se em 2013 na 85ª posição chega a 2017 no confrangedor 186º lugar. Curiosamente verifica-se que não tanto por demérito próprio (mas também) pois, como se pode ver, houve subidas no ITM, uma escala que vai de 0 a 100, mas sim por mérito de outros municípios cuja evolução nesta matéria foi brutal. Mais uma vez, o mesmo problema: O município melhora mas timidamente, com uma evolução pouco acentuada e em torno daquela média. Começando em 2013 com um ITM de 39, vai subindo até 2015 para um valor de 49,75 - o máximo que conseguiu durante o referido período - e a partir daí começa de novo a descer. Contudo, sempre apresentando resultado negativo, isto é, um ITM abaixo de 50. A média dos cinco anos fica-se pelo valor de 45,26, um valor medíocre como é apanágio por aquelas paragens.
A pouca exigência e o pouco esforço feito, nesta e noutras matérias permitem alguns resultados mas medíocres sendo que a concorrência, essa, evolui de forma acentuada. Transpondo isto para o plano desportivo, mais uma vez, é como se um atleta treinasse e até evoluísse mas os adversários evoluem muito mais pelo que apesar de registar melhorias ano após ano vai caindo na classificação. Isto é o que acontece a todos os calões e aos que pouco se esforçam, pouco se empenham e que pouco potencial têm nomeadamente de evolução.

O exemplo mais brilhante nesta matéria vem do interior de Trás-os-Montes, mais concretamente de Alfândega da Fé, cuja a autarca local, Berta Nunes, há nove anos à frente do município, está determinada em fazer da sua autarquia a mais transparente de país e que é desta forma um exemplo para as demais e em particular para a autarquia do litoral alentejano, como se pode constatar na notícia do Jornal de Notícias, edição de 12 de Abril de 2018.  




domingo, março 18, 2018

Ranking dos municípios portugueses: Alcácer do Sal afunda-se cada vez mais

Ano após ano o concelho de Alcácer do Sal afunda-se no ranking nacional de municípios portugueses. O estudo elaborado pela Bloom Consulting dá conta de que a situação é cada vez mais dramática. 
De facto, analisando os dados ao longo dos anos a conclusão que se pode tirar não pode deixar de ser preocupante.

Se em 2014 Alcácer ocupava já um medíocre 130º lugar, tal como demos conta aqui e como se pode ver também aqui, passados quatro anos o cenário é negro. Ainda assim, neste ano o município figurava entre os primeiros 15 no que à região do Alentejo diz respeito, com a particularidade interessante de alguns concelhos do Ribatejo serem integrados nesta lista.



No ano seguinte, a tendência de queda mantém-se, com a terra de Pedro Nunes a cair cinco posições na classificação geral, passando para o 135º lugar, como se pode verificar aqui.  Ainda assim cai apenas duas posições no ranking regional.



Contudo, em 2016 Alcácer do Sal ensaia uma pequena subida, contrariando a tendência dominante. Contudo quando se pensava que 2016 iria marcar o ponto de inflexão e que ir-se-ia dar início à recuperação eis que, como iremos verificar, foi uma anomalia pontual.
Ainda assim, no que à classificação regional diz respeito, o município sadino voltou à «casa de partida», isto é, ao 15º lugar. 
Para consultar o estudo clique aqui.




E eis que em 2017, o descalabro. Uma queda a pique do 133º lugar para o 153º. Queda de 20 posições de uma vez só, na classificação geral. A nível local, o concelho de Alcácer está agora quase a meio da tabela.
De referir que o estudo indica que a queda não se deve a uma quebra de prestação mas sim à melhoria da performance da concorrência. Neste ponto, aplica-se a regra do copo meio cheio ou do copo meio vazio. Sendo certo que os mais optimistas poderão dizer que esta descida não representa um descalabro pois a performance manteve-se igual, os mais pessimistas poderão sempre dizer que ainda assim o resultado final é que interessa. 
Na verdade, por analogia com uma corrida, imaginemos que um atleta vai na frente da corrida. Até ali a prestação é óptima pois vai bem classificado. Mas eis que os adversários recuperam e este, apesar de não ter quebrado, acaba numa posição muito modesta. 
Seja como for, o que isto representa é que Alcácer está estagnada. O que isto mostra também é que esta estagnação não se deve a impossibilidade de evolução pois como se viu, a concorrência evoluiu e bastante pelo que existe margem significativa de evolução. A questão que se põe é: Se os outros evoluíram imenso porque é que Alcácer do Sal não consegue descolar também?





O estudo relativamente a 2018 já é público e, mais uma vez, o cenário é péssimo no que a Alcácer do Sal diz respeito. Pois se a nível regional a queda não é tão acentuada (apenas 2 lugares), a nível nacional continua a afundar-se tendo caído mais 10 posições, quedando-se agora pelo 163º.
Contudo, o que ainda assim se verifica, é que a nível local, isto é distrital, Alcácer do Sal é cada vez mais o último concelho do distrito de Setúbal e que o fosso continua a aumentar. De referir que ainda em 2014, esta última situação não se verificava.












quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Anatomia de um esbulho encapotado

Introdução

O presente artigo tem como objectivo analisar a cobrança dos valores relativos ao fornecimento de água no concelho de Alcácer do Sal. 
Sabendo de antemão que o controlo não é fácil de aferir pela simples razão de que se torna difícil a contabilidade quando ocorrem gastos, é usado como objecto de estudo e mecanismo de controlo a minha situação pessoal pelo simples facto de há 15 meses não se efectuar ali qualquer consumo de água. Pelo facto desta situação já decorrer desde há 15 meses, a amostra já é bem significativa e portanto a recolha de dados já permite traçar um esboço comportamental com uma fidelidade aceitável relativamente aos valores cobrados pelo município.


Como se procede a cobrança?


Os valores e taxas constantes da factura são de dois tipos: "Fixos" e Variáveis.
Nestes dois grupos incluem-se três tipos de variáveis: Água, Saneamento e Resíduos Sólidos.

Os que se incluem no segundo grupo dependem do consumo de água efectuado o qual se divide por escalões em função do volume (em metros cúbicos) consumido.
Matematicamente falando, Água, Saneamento e Resíduos Sólidos são função do volume debitado ou consumido (V) e expressam-se em termos de unidade como €/ e são portanto: f(V)

Os que se incluem no valor «Fixo» são independentes do consumo, isto é, quer gaste zero metros cúbicos ou cem mil metros cúbicos, este valor é sempre cobrado e é independente de V. Na verdade contudo chamar-lhes fixos é abuso de linguagem pois sendo certo que são independentes da variável Volume são contudo função do tempo (t), o chamado período de facturação, que varia de factura para factura, em termos mensais, sendo certo contudo que o tempo total terá que equivaler a 365 dias (ou 366): T = Σ t = 365; e da natureza do contrato, isto é, se se trata de uma casa particular ou comercial (N). 
As Água, Saneamento e Resíduos Sólidos «Fixos» são pois f(t,N). São valores unitários cuja unidade é €/dia.

Feito este esclarecimento, vamos agora passar à apresentação, análise e tratamento de dados. De referir que este é o valor-base que qualquer munícipe paga, se se incluir na categoria "particular". Os que consomem água terão o natural acréscimo que depende de V. Desta forma, sendo efectuado usando a minha situação, é contudo universal na referida categoria.

De referir ainda que o estudo decorreu da curiosidade de verificar que apesar do meu consumo ser V=0 verificar que o valor mensal cobrado era variável, isto apesar das taxas serem «fixas». Porque não pago eu um valor constante? Foi esta pergunta que me levou a este trabalho.

Tendo as «mãos na massa» aproveitei ainda para ver o comportamento ao longo do tempo, isto é a variação anual em termos absolutos e percentuais dos valores cobrados.
Do tratamento dos dados surgiu um factor perturbador: De 2016 para 2017 ocorreu um aumento suave. No entanto de 2017 para 2018 verifica-se um aumento brutal dos valores. No entanto como os valores unitários são fracção de cêntimos e as variações são de cêntimos tal passa ao lado e é sub-valorizado. No entanto... será mesmo assim?
Curioso é contudo verificar no site do município esta curiosidade:
"A Câmara Municipal de Alcácer do Sal tem vindo a reduzir a carga fiscal das populações do concelho no que diz respeito a impostos dependentes das autarquias. Estas reduções, que se mantêm para 2018, representam a continuação de uma política fiscal tendente a aliviar a carga fiscal dos contribuintes do município, ao mesmo tempo que visa cativar pessoas e empresas."
Sendo certo que curioso e bem revelador é também o facto de no que se trata de IMI, Derrama e IRS haja uma descrição e desenvolvimento no sentido de enfatizar aquilo que é politicamente favorável e no que toca a tarifários de água, águas residuais domésticas e resíduos sólidos urbanos não se teçam grandes considerações e não se estejam com mais delongas limitando-se neste item a uma mera informação dos valores tabelados para 2018. Pudera!
As razões é o que vamos ver já a seguir.
Resumindo e concluindo: Tudo o que se «reflicta positivamente no bolso dos alcacerenses» é alardeado, tudo o que se reflicta negativamente é escamoteado e sintetizado.
Em súmula, se a ideia é «cativar pessoas e empresas»... com esta carga no que toca a taxas e taxinhas pelo serviço de água tal não se afigura tarefa fácil... especialmente quem perde tempo a fazer as contas. Eis pois um exemplo concreto daquele provérbio que diz que tempo é dinheiro.


Dados


Janeiro 2017

Fevereiro 2017

Março 2017

Abril 2017

Maio 2017

Junho 2017

Julho 2017

Agosto 2017

Setembro 2017

Outubro 2017

Dezembro 2017

Janeiro 2018

Fevereiro 2018


A amostra a ser tratada incide sobre as facturas recebidas entre Janeiro de 2017 e Fevereiro de 2018. De salientar que o valor reporta sempre ao mês anterior (n-1) pelo que as facturas de Janeiro apresentam os valores relativos ao ano anterior porque estas se reportam ao mês de Dezembro. 


Tratamento de dados


Tabela dos valores «fixos». A sombreado o intervalo correspondente a 2017. Como se pode ver, ao efectuar o somatório verificar-se-á que T=365 dias.
De referir ainda que a factura de Fevereiro de 2017 (referente a Janeiro de 2017) foi expurgada das taxas variáveis, que se devem ainda a acertos, de forma a tratar como taxa «fixa» pura de forma a aferir a variação percentual mensal.
Nesta tabela está ainda bem salientado o salto verificado em 2018. Uma subida de 25,54% quando comparado com o mês anterior.





Ao traçar um gráfico verifica-se a flutuação dos valores «fixos» donde se conclui portanto que não são fixos pois nesse caso obter-se-ia uma função f(t)=K, com K constante, isto é, geometricamente seria uma linha recta horizontal ao unir os pontos pois estes seriam todos pontos pertencentes à recta traçada, sendo que, ter em atenção, esta é uma função pontual ou discreta. Como facilmente se verifica, existem flutuações. Também se constata que as flutuações se fazem em torno da recta V = 3 pelo que 3,00€ é o valor médio desembolsado durante 2017.
Salientar ainda o salto no último troço da função. Por extrapolação e por cálculos obtidos analiticamente iremos verificar que durante 2018 a flutuação far-se-á em torno de V=3,5. Isto é consistente com o valor obtido, isto é, um acréscimo mensal de 0,51€ como se verá no item adiante.


Análise e discussão dos resultados




Este foi o valor-base que todos os munícipes pagaram em 2017 sem IVA.



Valores «fixos» praticados durante 2016. A última fórmula reflecte a soma dos três valores, isto sem o factor IVA aplicado à variável «Água».



Valores «fixos» praticados durante 2017. Mais uma vez, efectuou-se a soma e com estes dados já podemos usar um termo de comparação e aferir a variação. Verifica-se assim que houve um ligeiro aumento em relação ao ano transacto.


 Para podermos ter uma ideia concreta do comportamento das taxas, calculou-se, como se viu atrás o diferencial total. Fez-se ainda o cálculo dos diferenciais parciais. Para além da variação em termos absolutos, calculou-se ainda a variação relativa ou percentual.



Estes cálculos permitem concluir que estas taxas sofreram um aumento global de 1,24% em 2017 relativamente a 2016.






 Aqui, os valores que irão ser praticados durante 2018. O tratamento obedece à mesma metodologia.




Ao efectuar os cálculos observa-se um acentuadíssimo aumento, em termos relativos, da ordem dos 16,97% comparativamente com 2017. Observa-se ainda que esta taxa de aumento é totalmente galopante quando comparada com o aumento suave que decorreu em 2017.



Para termos uma ideia mais concreta, recorremos a um exemplo prático. Uma facturação em t = 30, por exemplo, permite verificar o aumento da variação mensal. Se em 2017 as «fixas» pesam 2,98€, em 2018 vão pesar 3,49€. Um aumento de 0,51€/mês.





Valor das taxas fixas total anual em 2017 já com o factor corrector IVA a 6%.



 Como corolário, em termos absolutos, em 2018 o valor a pagar será de 42,40€, isto é, mais 6,12€ que em 2017.
 Convém chamar ainda a atenção neste capítulo para o facto de se verificar que a variável que mais pesa é a «Resíduos Sólidos». Para além de todas ser a mais elevada, a sua subida é também ela totalmente significativa. Convém contudo chamar a atenção para o facto desta ter crescido em 2017 apenas 1,44% e em 2018 crescer para uns impressionantes 25,44%.


Conclusão

 Os valores mensais facturados não são fixos mesmo que o gasto seja nulo. Isto deve-se ao facto das variáveis abusivamente chamadas fixas serem elas função do tempo - e da natureza do contrato, isto é, se se trata de uma casa particular ou de uma casa comercial.
Verifica-se ainda que a tendência desde 2016, pelo menos, é no sentido de aumentar as taxas. Contudo se o aumento é suave em 2017, este dispara em 2018 de forma galopante. Isto pode constatar-se ao verificar as percentagens parciais e a percentagem total. Salienta-se contudo que apenas a variável «Saneamento» contraria a tendência pois baixa em 2018 na mesma proporção que subiu em 2017 regressando ao valor de 2016.
Verifica-se ainda que o IVA à taxa de 6% é apenas aplicado à variável «Água» mas que sendo este um valor modesto (apesar do aumento de 8,96%) pouco representa ainda assim. Esta é contudo uma das taxas que também teve uma subida bastante acentuada passando dos 1,13% em 2017 para os referidos 8,96% em 2018.
Por fim, constata-se ainda que a variável mais pesada é mesmo «Resíduos Sólidos» .Apesar de tudo é ainda assim a que regista o aumento mais agressivo, da ordem dos 25,44% em 2018 quando comparado com o ano anterior. O aumento também não deixa dúvidas quando comparado com o anterior da ordem dos 1,44% registado em 2017.
Como forma de remate deste humilde trabalho, atreve-se este humilde escriba a conjecturar que a medida mais positiva e que melhor se venha a reflectir no bolso dos alcacerenses é mesmo rescindir o contrato ou, de forma mais prosaica, que mande cortar a água, isto se nessa moradia o consumo for nulo.





quarta-feira, dezembro 13, 2017

Conversas Subversivas 27



Neste «Conversas Subversivas» vamos analisar os últimos desenvolvimentos no que toca ao concelho de Alcácer do Sal e em particular à freguesia do Torrão.

1 - Alcácer está por estes dias no centro das atenções no que à ficção nacional diz respeito. E se é certo que já antes os cenários idílicos já fizeram parte de outros trabalhos agora a coisa é mais séria pois a trama desta novela que passa na TVI, centra-se em Alcácer do Sal e a personagem principal masculina é «só» justamente da terra de Pedro Nunes.
É bom que os autarcas estejam atentos e «arrumem a casa», para usar uma expressão que lhes é tão familiar.




2 - Tal como se previa, a freguesia do Torrão está a pagar com língua de palmo o facto de ter votado em sentido contrário relativamente ao resto do concelho. O que era totalmente imprevisível é a forma mesquinha, extremamente dura e quase pessoal com que a coisa está a ser feita - está-se perante um caso autêntico de bullying político na medida em que se responsabiliza (e pune) por atacado toda uma freguesia... e nem as crianças são poupadas (sim, Vitor Proença e o PCP também as responsabilizam). Mas se o PCP quer procurar responsáveis devia de ir bater à porta do Sr. Silva. O maior responsável político pela derrota sofrida foi ele e isso não pode ser escamoteado e Vitor Proença se for intelectualmente escorreito e fizer jus à sua experiência política terá que forçosamente concluir que o Sr. Silva não seguiu o manual das boas práticas políticas.

Parece que não vai haver concerto de Natal.
Ao contrário de anos anteriores parece que o concerto de Natal c'est fini. De recordar ainda que em 2013 e 2014, como aliás se pode ver aqui e aqui, um dos convidados foi a Orquestra Clássica (e não Metropolitana como eu referi) do Sul veio tocar ao Torrão. Mas depois... foi para Alcácer. Era mal empregada para o Torrão.

Parece que as luzinhas este ano estão escassas.
Para quem gosta e faz questão de ter luzes de Natal... saiba que em 2014 foi assim:




Que medidas deve tomar o Executivo da Junta de Freguesia?
Bem, com tibiezas não vai longe.

3 - Passado mês e meio sensivelmente desde a tomada de posse, o Sr. Montinho está a fazer tudo o que não devia.
A página de Facebook já é outra???
Parece que o logótipo também já foi às malvas.

Expedito nestas coisas e no entanto no que toca a publicar orçamento... nada.
Veja lá! Olhe que foi promessa eleitoral!



E a publicação online dos editais de convocação das sessões da Assembleia de Freguesia?
Mas afinal a participação é apenas teórica ou é para levar a sério?
É para isso, antes de mais, que as páginas nas redes sociais e os sites servem.


CARO LEITOR, AINDA CONTINUA A ACOMPANHAR O PERCURSO OU JÁ OS «LARGOU DA MÃO»? TEM SEGUIDO OS ACONTECIMENTOS OU JÁ SE COMEÇOU A ABSTER?
NÃO VAI ÀS SESSÕES DA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA - PELO MENOS? NÃO SE ABSTENHA!

terça-feira, novembro 07, 2017

Conversas Subversivas 26





Na nossa conversa de hoje, ainda o rescaldo das autárquicas mas antes um ponto prévio.

No ponto prévio, o famoso concerto solidário para com as vitimas dos incêndios.

AGORA HÁ UMA NOVA TÁCTICA: NÃO É A QUENTE. DEIXA-SE ARREFECER E COMO QUEM NÃO QUER A COISA...

Mas... e o outro dinheiro? Onde anda? Há gente que se queixa. Três meses depois e nada.

Dinheiro reverte na íntegra? E o IVA? E como é distribuído?

O que é triste é que depois de tudo o que se sabe ainda há quem contribua.

CONCERTO SOLIDARIO NÃO RESOLVE NADA.


2 - Situação em Barcelos

- Vereação começa a fazer mossa a Costa Gomes e a um PS minoritário. Tal como previsto em conversa anterior.
 Não só votou contra a proposta de cinco vereadores a tempo inteiro como foi chumbada a delegação de competências da Câmara no Presidente. Vai tudo a reunião de Câmara.

- Situação na Assemblleia Municipal

 PS elege a sua lista mas à custa dos independentes que não lhes interessa hostilizar a Câmara.

São oscilantes e não entram em jogos poiltico-partidários. Vão capitalizar.
Mas também eleitos do PSD.
Apoios (Mesa AM, orçamentos, contas de gestão) não são gratuitos. Envolvem contra-partidas.
Não é bom. EXECUTIVO ESTÁ REFÉM.


3 - Situação em Alcácer do Sal

- Há video de Vitor Proença a agradecer a vitória? Olha... fizeram tantos. Uma série de vídeos, todos dizem a mesma coisa - NADA - e agora é o que se vê.
Vê como funciona o embuste?

 E o discurso de tomada de posse?
Só espero que alguém nomeadamente PS tenha gravado para mais tarde recordar.


Por falar em embuste há atrasado referi que o embuste estava em marcha.

No discurso, e nas intervenções individuais nas redes (CONCERTADO) dizem todos que foram insultados, que foram ofendidos, que ofenderam as famílias...
Mas:
Troca de galhardetes é «normal» em campanhas, em quezilia.
Mas toda essa rapaziada... fizeram-no a coberto. Leziria e Zé de Alcacer. FAZENDO-SE PASSAR COMO GENTE DO PS.
Não só gente ligada ao PS foi visada como também alcacerenses com opinião foram também mimoseados.

PORQUÊ?
DUPLO PROPOSITO.
1 - JUSTIFICAREM PURGAS NOMADMENTE TRABALHADORES DA CAMARA E OUTROS E OSTRACISAÇÃO. HERESIA TEREM CONCORRIDO OU APOIADO «QUEM NÃO DEVIAM».
DEMOCRACIA PCP EM ACÇÃO.

2 - VITIMIZAREM-SE AOS OLHOS DOS ELEITORES DE FORMA A SEREM VISTOS COMO MÁRTIRES.

RESUMINDO:
 ISTO ESCONDE UM PROPOSITO: DE PERSEGUIÇÃO.
O BOM GOVERNANTE É MAGNÂNIMO E TEM ELEVAÇÃO DE ESPÍRITO.
NÃO CAI NA TENTAÇÃO NEM PERDE TEMPO COM VINGANÇAS MESQUINHAS.

E o PS? Não reage.
DEVIA RESPONDER NA MESMA MOEDA; COMBATER FOGO COM FOGO. EMBUSTE COM EMBUSTE. MENTIRA MUITAS VEZES REPETIDA...

PS NÃO É OPOSIÇÃO. EM ALCÁCER UMA OPOSIÇÃO FORMAL, POLÍTICA E EFECTIVA NÃO EXISTE. É UMA OPOSIÇÃO QUE É FEITA POUCO ANTES DAS ELEIÇÕES MAS NO QUOTIDIANO NÃO EXISTE.
MAS DEVIA CONTINUAR... NOMEADAMENTE NAS REDES SOCIAIS.


4 - No Torrão, o Sr. Silva foi vencido mas não convencido.

PERDEU, FICOU COM AZIA E NÃO EVITOU A BOCA MAS...
- DIZ QUE VAI VOLTAR!!!

Mas podendo ter saído pela porta grande, não.
A passagem de testemunho não dignifica nada nem Assembleia nem Junta de Freguesia do Torrão pois foi feita numa sala exígua, cheia de gente e com um calor desgraçado... tipo sardinhas em lata.
Podia ter sido na biblioteca ou mesmo no museu mas... lembra-se? O Torrão vai pagar com língua de palmo ter votado diferente. Já começou a pagar.
Já em Alcácer do Sal, a tomada de posse da Assembleia e da Câmara Municipal foram no auditório mas... não se engane. Foi para a fotografia. Doravante as sessões decorrerão no salão exíguo do edifício camarário.

Eis o embuste ao mais alto nível. Refinado!

segunda-feira, outubro 30, 2017

Conversas Subversivas - Especial



O tema da conversa de hoje, feita a partir da Falperra, um dos locais fustigados pela mais recente vaga de incêndios.
Complementam-se e desenvolvem-se aqui os pontos focados o que não feito ali para não tornar demasiadamente longa a exposição em vídeo.

Ponto 1 - Era difícil resistir

Em Pedrógão, e apesar das tentações e pulsões, e devido à censura da opinião pública, ainda houve algum recato mas desta vez perdeu-se a vergonha toda. Nas redes sociais o regabofe foi total. Mais uma vez, e tal como já referido noutras ocasiões, reduz-se o problema à governação esquecendo nomeadamente a ciência e outros factores. De forma acrítica e irracional aborda-se o tema como quem aborda um jogo de futebol. Na verdade, o próprio relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais é sobre isso bem explícito na seguinte passagem: "As redes sociais suportaram um amplo debate sobre o tema, considerando-o sob as mais diversas perspectivas. O próprio debate político foi muitas vezes centrado na tragédia de Pedrogão, nem sempre na busca de consensos ou de posições construtivas, mas antes no sentido de explorar de modo parcial os trágicos acontecimentos e os sentimentos que haviam suscitado."
O espírito de facção, sempre presente, não contribui certamente para melhorar o que quer que seja mas apenas causa ruído  e contribui para que tudo fique da mesma. 
Muitos, senão a grande maioria, nem perdem tempo a ler os relatórios. Alguns inclusive desvalorizam-nos. Curioso é também a forma como se procura escamotear o relatório acima citado. Sendo certo que foram produzidos dois relatórios por duas equipas distintas; um pela chamada Comissão Técnica Independente, encomendado pelo Parlamento; e outro da autoria do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, da Universidade de Coimbra, coordenado pelo Prof. Domingos Xavier Viegas, o que é facto é que imprensa e comentadores apenas citam o primeiro e omitem o segundo. Quase parece deliberado pois o primeiro é mais técnico e de dificil «digestão» enquanto o segundo parece ser mais claro e com uma linguagem mais simples sendo mais vocacionado para leigos dando a sensação de se tentar conduzir a opinião pública para aquele relatório de forma a, por iliteracia cientifica, muitos abandonarem a leitura ou simplesmente nada compreenderem. Em termos estruturais este último também é mais claro.
De referir ainda que, devido ao mediatismo inevitável, estes trabalhos têm sido muito badalados quase dando a sensação de que é a primeira vez que se faz um trabalho desta natureza. Ora tal não é assim visto que a equipa de Xavier Viegas já tinha elaborado outros trabalhos os quais são citados no referido relatório - "O estudo deste incêndio reveste-se de uma dificuldade e complexidade muito superiores a todos os que foram realizados anteriormente pela nossa Equipa (Viegas, 2004, 2009, 2013, 2017; Viegas, et al., 2012, 2013)". Andou-se estes anos todos a «pregar no deserto».

2 - É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique da mesma?

Que nem a Ministra nem o Secretário de Estado da Administração Interna tinham condições políticas nem pessoais para continuarem nos respectivos cargos, inclusive depois do 15/10, era sabido. Que nunca poderiam levar a cabo as mudanças que se impõem, era óbvio tendo em conta antes de tudo que a sua autoridade estava irremediavelmente abalada.
Muitos foram aqueles que andaram durante semanas a pedir demissões como se as demissões resolvessem o que quer que fosse. Ainda para mais a meio da tempestade nunca é boa ideia mudar a tripulação. 
Sendo certo que, ninguém o assume, que o desnorte na Autoridade Nacional de Protecção Civil, a qual se encontra, não tenhamos medo de o assumir, decapitada e totalmente desarticulada, vivendo estes últimos dias de uma época estival fora de tempo com o credo na boca e «sobre brasas» pelo que demissões políticas era acrescentar problemas aos problemas.
O nosso receio é que aqueles que procuram desviar as atenções, criar uma cortina de fumo, são aqueles que querem que alguma coisa mude para que tudo fique da mesma, são aqueles que apenas querem levar a cabo meras operações de cosmética pois se aqueles que se indignaram e exigiram a cabeça dos referidos governante, não ficaram agora escandalizados por os verem assumir os seus lugares de deputados. Aquilo que se passou foi pois uma mera dança de cadeiras; mudou alguma coisa e tudo ficou da mesma. E não vale o argumento do «foram eleitos» porque podiam muito bem ter renunciado aos respectivos mandatos. Portanto nem a Constança foi de férias e as preocupações com a exposição pública agora já não se põem.





3 - Um país de líricos; sempre avesso à ciência

3.1. - Documentários que devem ser vistos

Antes de partir para os desenvolvimentos deste tópico, recomendam-se estes documentários: 










3.2. - Fogo: Inimigo ou aliado da floresta?

Quem não se lembra das brochuras que eram distribuídas na escola onde o fogo era retratado como o inimigo Nº1 da floresta? A floresta indefesa, as árvores apavoradas e as chamas cruéis com ar de mau. Mas será mesmo assim?
O fogo é um elemento natural. Desde sempre as florestas estiveram à sua mercê. Ora a teoria evolutiva diz que as espécies evoluem no sentido de sobreviver. Se isso é válido para o mundo animal também o é para o mundo vegetal. Desta forma como se explica que espécies tais como os eucaliptos e mesmo os pinheiros segreguem resinas inflamáveis? Como se explica a casca que seca e se desprende dos eucaliptos? Como se explica que as pinhas quando sobreaquecidas são autênticas bombas incendiárias projectando-se a dezenas e mesmo centenas de metros?
Será que estamos a analisar a realidade correctamente? Bem sabemos como certos mitos são criados e como é difícil mudar  o paradigma.
Partindo do princípio que a evolução vai no sentido de criar resistência e adaptabilidade de uma espécie ao meio a conclusão que se pode tirar é que algumas espécies não só estão adaptadas ao fogo como precisam dele. Algumas árvores são bastante resistentes ao fogo. As cápsulas das sementes dos eucaliptos precisam de muito calor e as pinhas... bem, o que as faz abrir? O que fazemos para tirar os pinhões? Colocamo-las ao sol ou mesmo... exacto, ao lume! As pinhas abrem ao lume, com elevadas temperaturas. E porquê as projecções absurdas que conseguem? Caramba, é uma forma de disseminação. O fogo não só abre as pinhas de forma a que estas libertem as sementes como as leva a serem projectadas.
Bem se sabe que a madeira apodrecida e as árvores moribundas são potenciadoras de doenças nas árvores vivas. O fogo ajuda a eliminar a manta morta em excesso, queima tudo o que possa potenciar doenças nas árvores; em suma, tem um enorme poder regenerador. Na verdade, poucos dias após um incêndio vemos vegetação a crescer de forma bastante significativa. Na verdade, os pastores e agricultores conhecem o imenso poder regenerador do fogo. Não é por acaso que fazem queimadas. Não é por serem pirómanos ou por terem problemas com a bebida. Eles sabem que o fogo regenera a floresta.
O fogo é um elemento natural. Contra-natura e talvez o maior inimigo da floresta e de nós próprios talvez seja o Homem. Ao suprimir o fogo permite-se enormes acumulos de combustível com o potencial de desencadear os chamados mega incêndios. Na verdade, os relatórios abordam o tema do Paradoxo do Combate aos Incêndios. É cada vez mais ponto assente na comunidade cientifica que o fogo se deve combater com fogo.
A forma massiva de combater incêndios tem poucas décadas. Sempre se combateram incêndios mas com meios modestos até aos meios usados hoje. Suprime-se o fogo e permite-se que o combustível se acumule. Não se queima, não se limpa e ainda se acrescentam matérias inflamáveis como pneus, plásticos, etc. Sendo certo ainda que há milhões de anos praticamente a única fonte de ignição eram as descargas eléctricas da atmosfera comparando com os dias de hoje em que estas são muito mais diversificadas que vão desde cabos eléctricos, negligência, dolo, acidentes. As queimadas sempre existiram, limpeza é que não daí serem muitas as situações que fogem do controlo. Eis a receita para o desastre. Junte-se um Verão particularmente seco e quente e temos todas as variáveis em jogo para desencadear a tempestade perfeita. O Homem é o principal potenciador de fogos de severidade extrema. A floresta precisa de fogo mas o fogo extremo provoca danos massivos. O Homem é portanto também a maior fonte de desequilíbrio no ecossistema.

3.4. - Saber o que se está a combater

Calcula-se que um evento extremo desta natureza liberta em 15 minutos tanta energia como a bomba atómica lançada sobre Hiroxima. Só o incêndio de Pedrógão Grande, de acordo com o que foi estimado nos relatórios, libertou uma energia da ordem dos 13 TJ (Tera Joule), o que equivale à explosão de 3000 toneladas de TNT. Se se converter este valor em KWh, isto equivale à energia eléctrica necessária para alimentar um lar médio durante os próximos 300 anos. A potência libertada foi da ordem 565 GW (Giga Watt), ou seja em quatro dias, foi gerada uma potência equivalente à potência gerada pelo parque eólico mundial num ano.
Perante eventos poderosos e catastróficos tais como incêndios de severidade extrema, sismos, maremotos, erupções vulcânicas; em suma, fenómenos que libertam quantidades brutais de energia, é plausível e sensato que sejam amadores a lidar com estes fenómenos? A Natureza não se compadece com discussões estéreis e políticas de faz--de-conta. É fundamental criar estruturas de comando intermédias e superiores com uma grande base cientifica e formativa. É preciso criar um corpo de oficiais para enquadrar esta gente. Não podem ser cursozecos de dois ou três meses. Têm que ser cursos pesados, com uma grande carga de conhecimentos teóricos e técnicos nas áreas da física, geofísica, física da atmosfera, liderança, gestão, etc. E anos de experiência para comandar ao nível de topo. Uma das recomendações do relatório da equipa coordenada por Xavier Viegas diz justamente que "Recomendamos um grande cuidado na seleção dos quadros de Comando da estrutura da ANPC e dos Bombeiros. Defendemos que em todos os escalões haja uma melhor qualificação dos agentes de proteção civil, para conferir aos cidadãos a segurança e confiança de que serão socorridos sempre por pessoas qualificadas e da máxima competência. Reconhecemos que uma resposta mais pronta nas emergências carece de uma maior profissionalização dos Bombeiros."


4 - O que fazer?

Lutar contra forças da natureza é inglório e um trabalho votado ao fracasso. Pouco se pode fazer. O que se pode é melhorar e muito na articulação, organização, capacidade de análise, evacuação das populações bem como sensibilizá-las. Estas têm que ser PROACTIVAS - Sim, são os relatórios quem o diz.
Sendo certo que ninguém gosta de viver no meio de uma floresta ou mato calcinado, pelo contrário, prefere uma floresta verde a qual no entanto é maltratada acrescentando ainda o enganador Portugal sem fogos, vai-se deixando arrastar a situação até ao dia em que tudo acontece.
Urge pois limpar, queimar e não despejar lixo nas matas.


Conclusão

O Governo reage pavlovianamente despejando rios de dinheiro, celebram-se contratos secretos. Os lobbies são poderosos e é mais a demagogia e a defesa acérrima do clube e a troca de galhardetes do que a seriedade e a ponderação. Acrescentando o facto de que são os mesmos que há décadas andam por ali e que se promete tudo e pouco se faz, acredita-se aqui que infelizmente a coisa irá continuar. Resta saber em que dimensão.


Fonte: Jornal O Diabo


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