segunda-feira, dezembro 31, 2012

D. Filipe III - O Grande

D. Filipe III, a quem chamaram O Grande, subiu ao Trono de Portugal em 1621 e dele foi apeado em 1640 com a revolução do 1º de Dezembro. Conseguiu o impensável: Ainda foi pior para Portugal que os outros dois Filipes.

domingo, dezembro 30, 2012

D. Filipe II - O Pio

O segundo dos reis estrangeiros de Portugal é apontado como uma personalidade débil, sem carácter, fraca, na mão dos grandes senhores, nomeadamente o Duque de Lerma, a quem confiava os negócios de Estado para ele, Filipe II, se decidar ao seu fanático fervor religioso, daí lhe chamarem O Pio. Foi com ele que caiu de vez a máscara e foram revelados os verdadeiros desígnios por detrás da monarquia dual ou dualista: a dissolução e anexação de Portugal no todo espanhol. E no entanto, desgraçadamente, os portugueses mostravam-se anestesiados, apáticos, sem vontade, sem rumo, sem saber para onde ir ou, se sabiam, aparentavam não o saber. Entretanto começam a surgir toda a sorte de oportunistas, burlões, de «salvadores» da Pátria, aventureiros, gente que se diziam D. Sebastião, que procuravam tirar vantagem da situação e claro, muitos portugueses, uns por desespero, outros por convicção acreditavam. Onde é que nós vemos isso hoje? A história repete-se?
Quanto ao reinado do Pio, este resume-se a uma verdade apenas: conseguiu ser pior para Portugal do que o seu pai.


sábado, dezembro 29, 2012

O analfabeto político

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertolt Brecht (1898-1956)

É esta a mensagem e o apelo...

... que constantemente aqui se faz.


D. Filipe I - O Prudente

Com D. Filipe I iniciava-se o domínio estrangeiro em Portugal e a 3ª Dinastia, a Dinastia Filipina.
Referindo-se a Portugal, D. Filipe dizia «herdei-o, conquistei-o e comprei-o». Aclamado nas Cortes de Tomar, em 1581, fizeram-no jurar uma série de perceitos nos quais se comprometia a respeitar as leis do reino, as possessões portuguesas, os direitos e a justiça portugueses, o povo português, etc. Era tudo um mar de rosas, tudo falinhas mansas, só direitos e regalias e vantagens para Portugal e para os portugueses, tudo jurou e prometeu, com tudo se comprometeu mas no momento da verdade era Portugal quem de facto era sacrificado. É que, meus amigos, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, como diz o povo. E quando são precisos sacrifícios para salvar valores mais altos...
Este periodo da história mostra o quão nefasta pode ser a subjugação a interesses internacionais. Onde é que nós actualmente vemos isso?

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Contradições luminosas

É com profunda indignação e perplexidade que se apela aqui a quem de direito para que haja mais cuidado com os desperdícios de energia eléctrica que se verificam ora nas casas de banho públicas, ora noutro sitio público qualquer – e já nem se fala nas luzes e outros equipamentos que infelizmente por esquecimento e/ou desleixo ficam ligadas dias inteirinhos nos gabinetes vazios, por exemplo. Desta vez é no antigo matadouro. Garante quem mora ali paredes-meias que há pelo menos três dias consecutivos (!) - três dias, setenta e duas horas - que as luzes ali estão ligadas, esquecidas. Fomos lá ontém verificar. Aí estão as imagens recolhidas ontem à noite a comprovar. Assim não há boa gestão nem orçamento de rigor que resistam, já para não se falar da questão ecológica e do desperdício de recursos.

Devemos contudo enaltecer o facto de há dois anos a esta parte, se ter poupado nas luzes de Natal. Simplicidade, bom gosto e solução sustentável embora ainda possa ser adoptada uma solução mais sustentável. Antes não havia nada que não fosse iluminado, como se pode ver aqui e aqui. Foi preciso vir a crise para se cortar, isto quando o rigor deve ser em tempos de abundância para prevenir situações destas que agora se vivem e não o inverso. Era tudo à vara larga e agora é que é apertar o rabinho. Chegava-se a gastar valores da ordem dos 9.000 euros só em iluminações de Natal, no Torrão. Um desperdício, uma obscenidade, um escândalo, uma vergonha já para não referir mais uma vez a questão ecológica, a sustentabilidade, as emissões de carbono, o desperdício de energia… Se houvesse transparência e os orçamentos fossem públicos todos os torranenses saberiam… Mas não! Infelizmente não!

São estes e outros desperdícios que rebentam com os orçamentos e os resultados aí estão. Ficam os apelos à poupança, à consciência ecológica e ao sentido de responsabilidade. Infelizmente com elevada probabilidade de caírem em saco roto mas enfim...




 As imagens do antigo matadouro à noite onde é visível a luz acesa


Os enfeites na Praça Bernardim Ribeiro

Presépio enfeita Largo do Cruzeiro

Um Presépio de grandes dimensões enfeita o Largo do Cruzeiro pelo segundo ano consecutivo. Uma ideia feliz e original que vem dar mais colorido ao Torrão. No entanto, se nos permitirem o reparo, apenas uma crítica: Porque não optar por um Presépio à antiga portuguesa, um Presépio tradicional ou então optar pela Árvore de Natal com enfeites e pelos Pais Natal (Coca-Cola) já que essas são ideias importadas dos EUA? Pode-se pôr um pinheiro mas sem bolas, enfeites, etc. Assim misturar tudo não nos parece uma boa ideia. E já agora se fosse possível as figuras do burro e da vaca ou mais especificamente do burro deviam ser mais reais. Enfim, fica a sugestão. Seja como for, é uma ideia feliz e deve continuar.





D. António - O Prior do Crato

Foi o mais efémero dos reis de Portugal. Tão efémero que uns historiadores o consideram Rei de Portugal e outros não. Foi aclamado pelo povo, reinou alguns meses sobretudo nos Açores mas a força de Filipe de Espanha era avassaladora. Cristóvão de Moura, o seu homem de mão e outros tudo haviam comprado e corrompido. As grandes elites estavam indiscutivelmente do lado do Rei espanhol. D. António foi a derradeira esperança da manutenção da independência do Reino de Portugal.


terça-feira, dezembro 25, 2012

D. Henrique - O Casto

D. Henrique, irmão de D. João III, subiu ao Trono de Portugal depois do desastre de Alcácer Quibir, em 1578, sucedendo a seu sobrinho-neto, D.Sebastião. Cardeal - antes Bispo, Arcebispo - quase Papa, Inquisidor-mor do Reino, fundador e protector da Universidade de Évora, de um fanatismo religioso quase extremo, impossibilitado de ter filhos, já de idade avançada. Como Rei foi fraco, muito fraco. Reinou dois anos e o seu reinado mais não foi senão a antecâmara do domínio espanhol em Portugal.
Começa-se a entrar no mundo moderno e começam a surgir os primeiros efeitos perniciosos sobre Portugal. Traidores sempre os houve e sempre os há-de haver. Alguns quiseram sacrificar a independência a troco de regalias e riqueza para si. Cristóvão de Moura, português renegado ao serviço de poderes estrangeiros tudo corrompia. D. Henrique acobardado, indefinido... O Povo, sempre o povo, quem nada tinha, quem não era comprado pelo ouro da Europa... de Espanha, nesta época, profundamente patriota insurgia-se contra a entrega da Coroa de Portugal a um pretendente estrangeiro e versejava:

 Viva o Cardeal D. Henrique
no Inferno muitos anos
pois deixou em testamento
Portugal aos castelhanos

Estes acontecimentos aqui narrados bem que se podem comparar com o presente. Veja-se e compare-se. Qualquer semelhança...

Natal, sem hipocrisia

Um Natal à Boss para todos vós. Puro e sem hipocrisia. Para os amigos, inimigos, leitores, admiradores, detratores... todos.

Um ano de muita luta - paciente, persistente e contínua contra a pouca vergonha, a hipocrisia, o sistema corrupto, os incompetentes, os prepotentes, os «mamões». Custe o que custar, doa o que e a quem doer. Que as mãos e as vozes nunca doam aos homens e mulheres de bem para que lutem com todas as suas forças por aquilo que é justo.


domingo, dezembro 23, 2012

D. Sebastião - O Desejado

Quando D. João III morreu, em 1557, todos os seus filhos já haviam falecido. Restava apenas um neto de três anos, D. Sebastião, a quem chamaram o desejado tal não a necessidade de haver um sucessor à coroa de Portugal. Aclamado Rei em 1557, apenas tomou efectivamente as rédeas da governação do Reino em 1568.
De um fervor religioso quase fanático, D. Sebastião sonhava com a glória militar frente aos «infiéis», sonhava participar em grandes batalhas, queria provar algo no campo de batalha. Mas provar o quê? Nunca se deteve e nunca ninguém o consegui deter ou sequer demover. 
Foi sobretudo um individuo obcecado. Obcecado com a guerra, teve a oportunidade que tanto procurou, em 1578, em Alcácer Quibir. Fez-se inclusive acompanhar da espada de D. Afonso Henriques... Tanto quis a guerra, tanto quis participar numa guerra, tanto sonhou com esse dia, tanto sonhou envolver-se em grandiosas batalhas e coroar-se de glória no campo de batalha e no entanto, no momento da verdade - sim no momento da verdade que é aí que somos verdadeiramente confrontados com o destino, com aquilo de dizemos que fazemos - no momento da verdade, dizia, quando viu o seu poderoso inimigo com as suas imensas forças se aproximar para lhe dar batalha ficou, diz-se, petrificado, paralizado, imobilizado, em choque, em transe (Medo? Pavor? Excitação?) e foi preciso o seu Estado-Maior o acordar da letargia com um «Acorde Majestade, eles vêm aí. É preciso agir» para que D. Sebastião descesse à Terra e desse a ordem de ataque com três brados a Santiago - grito de guerra que os portugueses davam antes do embate contra os mouros. Foi uma derrota catastrófica!
A sua falta de senso, a sua improdência e sobretudo a sua obcessão levaram Portugal à sua mais clamorosa derrota naquele dia 4 de Agosto de 1578, no Norte de África, em Alcácer Quibir. Perdeu-se a si próprio, perdeu o Reino e lançava Portugal numa gravíssima crise que haveria de culminar dois anos mais tarde com o domínio estrangeiro sobre Portugal, o qual haveria de se prolongar por seis longas e dolorosas décadas.



sábado, dezembro 22, 2012

A frase do dia

‎"Quando os que mandam perdem a vergonha, os que 
obedecem perdem o respeito" - Cardeal de Retz

Monarquia: Um modelo invejável?

«Os reis e as rainhas da Europa não respondem e eu defendo-os porque penso que é demasiado fácil atacá-los constantemente, a um poder que é simbólico. Não é um poder político, é um poder simbólico, um poder moral. É preciso um poder simbólico que garanta o respeito de todos os cidadãos».

Clicar: AQUI

O que esconde a república?

D. João III - O Piedoso

D. João III, chamdo de O Piedoso foi um rei controverso. Fanático religioso, o homem que trouxe a Inquisição para Portugal. A contrapôr, o seu bom senso. Essencialmente e sobretudo, D. João III foi um homem do seu tempo.


quinta-feira, dezembro 20, 2012

D. Manuel I - O Venturoso

D. Manuel I, O Venturoso. Herdou o Trono de Portugal pela morte de D. João II de quem era primo e cunhado e foi aclamado Rei precisamente em Alcácer do Sal a 27 de Outubro de 1495. Dizem que venturoso porque teve a ventura de ter encontrado tudo delineado pelo seu antecessor. Dizem que venturoso porque se soube rodear de grandes homens. Foi no seu reinado que Vasco da Gama chegou à Índia e Pedro Alvares Cabral, ao Brasil. Foi no seu reinado que Portugal atingiu o apogeu, chegando a ser a maior potência militar e económica do mundo. Foi um Rei que apesar de estar voltado para as expedições, conquistas e diversas acções militares, diversas frentes que Portugal ia abrindo, em suma, apesar de ter os olhos postos no mundo não descurou a política interna. Prosseguiu o trabalho ainda iniciado no reinado do Príncipe Perfeito, de recolha dos velhos Forais do Reino e outorga de novas Cartas de Foral.
Passam hoje 500 anos desde a outorga do Foral ao então concelho do Torrão. Foi a 20 de Dezembro de 1512 que os enviados de D. Manuel I deram a nova Carta de Foral ao Torrão, ele que também segundo rezam as crónicas também por cá passou, e é por isso, como singela homenagem e acto simbólico que hoje, dia 20 de Dezembro de 2012, aqui neste humilde espaço se faz homenagem a El-Rei D. Manuel I mas também se homenageia a história do Torrão, a História de Portugal e todos os Portugueses, os de ontém e os de hoje.


Diz que amanhã é o fim do mundo... Dizem! II

Diz que amanhã é o fim do mundo... dizem!

quarta-feira, dezembro 19, 2012

D. João II - O Príncipe Perfeito

Consta que Isabel de Espanha, A Católica terá exclamado, quando soube da morte de D. João II, Rei de Portugal, «Morrió el hombre!» - Morreu o homem. El hombre, o homem; era assim que a rainha espanhola chamava ao rei português. O homem - que tal como afirma o nosso ilustre cicerone que nos guia ao longo da nossa grande história - venceu o Cabo das Tormentas e o Oceano Atlântico e a Costa Africana e que manteve em respeito a poderosa Espanha e que levou o prestígio de Portugal a pontos onde nunca antes tinha ido. O homem que foi o ilustre comandante da cavalaria de Toro, que tanto mitigou a derrota. Aquele que teve a arte de assinar o Tratado das Alcáçovas e o génio do Tratado de Tordesilhas. D. João II, O Príncipe Perfeito - «El Hombre»: um dos maiores senão o maior monarca português.



É imperioso conhecer toda a verdade!


Sobre a carga policial de 14 de Novembro, Garcia Pereira exige respostas ao

 Director Nacional da PSP:



"Exmº Senhor

Director Nacional da PSP


Largo da Penha de França, nº 1

1199-010 Lisboa – Fax 21 814 77 05


Lisboa, 23 de Novembro de 2012



Exmº Senhor Director Nacional



Na dupla qualidade de Cidadão e de Advogado, e com vista a instruir queixas de natureza 
criminal, cível e disciplinar contra os responsáveis que se venha a apurar terem tido alguma espécie de intervenção em factos susceptíveis de consubstanciar ilícitos, quer de natureza penal, quer de natureza civil, quer de natureza disciplinar, venho por este meio requerer a Vª Exª, ao abrigo do artº 61º e segs. do Código do Procedimento Administrativo me 
sejam fornecidas as seguintes informações.



a) Quem deu ordem para a carga dos elementos do Corpo de Intervenção no passado dia 
14 de Novembro e qual foi a ordem específica que lhes foi dada ?


b) Em particular, tal ordem era no sentido de afastar e/ou deter os manifestantes suspeitos 
de atirarem objectos à polícia e que se encontravam mesmo em frente aos elementos do Corpo de Intervenção ou a de atacar e ferir todos os manifestantes presentes no Largo de S. Bento e zonas adjacentes ? E isso, mesmo após tais manifestantes estarem a dispersar ou não poderem reagir por estarem encurralados contra um fosso de mais de 2 metros de
altura ?


c) Existiram ou não entre os manifestantes agentes da PSP à paisana, e em caso afirmativo 
com que instruções? Por que razão se deslocaram os mesmos para trás dos elementos do Corpo de Intervenção escassos segundos antes da carga destes?


d) Quem deu a ordem para que fossem efectuadas cargas à bastonada, ao pontapé e com 
utilização de cães sobre os cidadãos que, depois da primeira carga em frente à escadaria, se encontravam em, ou dispersavam para, outros locais, como por exemplo pela Av. D. Carlos abaixo e artérias adjacentes?


e) Quem deu instruções e com que objectivos para que agentes à paisana em toda a zona 
entre a Av. D. Carlos I e a Estação do Cais do Sodré atacassem à bastonada e matracada vários cidadãos?


f) Quem deu ordens e instruções para que tais agentes não se identificassem e para que os 
que se encontravam fardados não tivessem as respectivas placas identificativas?


g) Quem deu a ordem para a detenção das dezenas de cidadãos que foram detidos na 
Estação do Cais do Sodré ? Quem é o responsável pela sua condução às esquadras para que foram levados, e em especial à do Monsanto?


h) Quem deu ordens para que não fosse permitida a tais detidos efectuarem telefonemas 
para os seus familiares ou para os seus Advogados?


i) Quem deu ordens para que, de tais cidadãos, os que necessitavam de assistência não a 
tivessem tido, tendo ficado com feridas na cabeça a escorrer sangue?


j) Quem deu ordens para que alguns dos detidos e detidas fossem forçados a despir-se por 
completo e/ou a sujeitar-se a revistas absolutamente humilhatórias como as de os obrigar a, todos nus, se dobrarem para a frente e a exibir o ânus?


k) Quem deu ordens para que o cidadão João Lopes Barros Mouro, detido pelo Chefe 
Américo Nunes pelas 18H30 tivesse ficado sob detenção durante 13 horas, primeiro nas imediações do Parlamento e, depois, no Hospital de S. José?
E de quem é a responsabilidade da ordem de impedimento de entrada na Esquadra do Calvário aos 4 Advogados que ali compareceram pelas 03H00 da madrugada de 15/11, entre os quais o signatário e o Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos
Advogados, Sr. Dr. Vasco Marques Correia?


l) Quem deu instruções aos agentes que nessa noite atendiam o telefone do número geral 
da PSP bem como os das diversas esquadras da PSP para que não informassem os familiares e Advogados dos detidos (que por eles perguntavam) da localização destes? E para invocar, designadamente perante a Comunicação Social, o completo desconhecimento da detenção das dezenas de cidadãos, referir apenas 7 detenções, mais tarde apenas 8 e depois apenas 9 detenções (ou seja, somente os que foram a Tribunal de Pequena Instância Criminal no dia seguinte)?


m) Quem autorizou e/ou ordenou que os agentes da PSP que procederam aos 
espancamentos e às detenções proferissem, dirigindo-se aos cidadãos, expressões como “Vocês são uns portugueses de merda!”, “Filhos da puta”, “Cabrões”, “Vão para o caralho!”, “Olha para o chão, caralho, não levantes a cabeça!”?


n) Quem autorizou e/ou ordenou que agentes da PSP, sem autorização da respectiva 
Presidência, tivessem invadido as instalações do Instituto Superior de Economia e Gestão e
aí insultassem e agredissem manifestantes e estudantes do Instituto ?


o) Quem autorizou e/ou ordenou que agentes da PSP algemassem cidadãos apertando-lhes 
brutalmente os polegares com abraçadeiras plásticas, como sucedeu com uma das detenções efectuadas pelo Chefe Américo Nunes?


p) Qual a identificação dos outros elementos da PSP que integravam a brigada chefiada pelo 
referido Chefe Américo Nunes quando a mesma actuou na zona da Av. D. Carlos I?


q) Quem autorizou que agentes policiais fardados mas sem placas identificativas, e 
envergando passa-montanhas escuros agredissem cidadãos em vias de serem detidos e mesmo depois de detidos?


r) Qual a identificação dos agentes da PSP que procederam à filmagem dos manifestantes?

Quando se iniciaram tais filmagens e por ordem de quem?
Pediu e obteve antecipadamente a PSP autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados para efectuar tais filmagens (que, como foi tornado público, já por duas vezes foram consideradas ilícitas pela referida Comissão)?


s) Por ordem de quem, e com que objectivo, foram recolhidos elementos de identificação (e 
outros não exigidos por lei, como por exemplo os telemóveis) das dezenas e dezenas de detidos que não foram levados a Tribunal de Pequena Instância Criminal? E em que “expediente” ou “processos” ou ficheiros foram tais elementos incorporados e com que suporte legal?
Fico, pois, aguardando o fornecimento no prazo máximo legal de 10 dias – artº 61º, nº 3 do supra-citado CPA – dos elementos ora solicitados. Mais informo que cópia deste requerimento será nesta data remetida ao Sr. Provedor de Justiça, à Srª Procuradora Geral da República, ao Sr. Inspector-Geral da Administração Interna, ao Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados, ao Sr. Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados e ao Sr. Presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.

E, dada a enorme gravidade das indiciadas violações de direitos, liberdades e garantias a 
que se reporta o presente pedido de informações, Vª Exª compreenderá que me reserve o direito de dar ao mesmo a divulgação que considerar mais adequada à completa
dilucidação da verdade dos factos



Com os melhores cumprimentos,



António Garcia Pereira "


terça-feira, dezembro 18, 2012

D. Afonso V - O Africano

D. Afonso V, a quem chamaram de O Africano, por parte do seu reinado ter-se caracterizado pelas suas investidas no Norte de África onde as praças de Arzila, Tânger e Alcácer Ceguer cairam nas mãos dos portugueses, era filho de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão. Tornou-se Rei de Portugal, com a morte de seu pai, El-Rei D. Duarte, com apenas seis anos de idade. Com a idade de quatorze anos começou a governar efectivamente o reino. Deixou-se envolver pelas disputas e influenciar pelas intrigas palacianas que o levaram à guerra contra seu tio, o Infante D. Pedro, e onde este viria a morrer, na Batalha de Alfarrobeira em 1449.
Alguma falta de bom senso e inconstância levaram-no à guerra com Castela da qual Portugal saiu prejudicado e ele humilhado. E para além disso, deixou-se levar pela grande nobreza, que o bajulava, entregando-lhe enormes mercês e de tal forma o fez que quando o seu filho, D. João II, subiu ao Trono este havia dito de seu pai que aquele apenas lhe deixara as estradas de Portugal.


segunda-feira, dezembro 17, 2012

Carta ao Primeiro-Ministro contra o AO90



Para: Gabinete do Primeiro-Ministro
Data: 12 de Dezembro de 2012
Assunto: Orgulhosamente…?
Exm.º Senhor
PRIMEIRO-MINISTRO
Tomo a liberdade de vir junto de V. Ex.ª para abordar, pela segunda vez, a questão do ruinoso Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) que nos vem assolando devastadoramente e provocando o mais que óbvio e gritante descalabro em áreas tão sensíveis como o ensino, a cultura e a comunicação social, para apenas citar as mais visivelmente afectadas.
Na Audiência Parlamentar de 12 de Julho de 2012, concedida a representantes de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o AO90, a Senhora Deputada Conceição Pereira (PSD) asseverou que a língua portuguesa representa o nosso mais rico património, e reconheceu que a aplicação do AO90 constitui uma temática fracturante na sociedade portuguesa.
Ora, a sociedade portuguesa atravessa uma fase crítica de várias situações fracturantes, como V. Ex.ª sabe melhor que ninguém, para que precisemos de mais uma que tão profundamente afecta a nossa identidade linguístico-cultural, ou seja, a língua portuguesa tal como é falada e escrita em Portugal — património de valor inestimável cuja bárbara adulteração privaria a Europa e o Mundo de um elemento básico fulcral, identificativo de um país a quem o mundo tanto deve pelo que desvendou ao longo da saga dos Descobrimentos, com suas inúmeras consequências científicas, culturais e sociológicas. Sem esquecer, que de todos os países de língua oficial portuguesa, foi Portugal o primeiro e único a receber o Prémio Nobel de Literatura, pela pena de um português que não precisou do descabeçado AO90 para escrever e publicar a sua prestigiadíssima obra.
No dia 13 de Maio de 2010, dia de Nossa Senhora de Fátima, V. Ex.ª pediu desculpa aos Portugueses pelo erro de ter apoiado o Governo de então, de José Sócrates, em medidas que tinha a consciência de não virem a ser bem recebidas. É uma atitude bonita e rara num político, Senhor Primeiro-Ministro, e que só o dignifica: reconhecer perante o seu próprio povo que errou. Como disse Séneca, e mais tarde repetiu Santo Agostinho, errar é humano — mas perseverar no erro é diabólico.
Instantemente lhe solicito, Senhor Primeiro-Ministro, que não persevere no erro e afronte a raiz de todos estes males, extirpando-a urgentemente com a dignidade e a frontalidade do alto cargo que ocupa. Basta ouvir a voz de todos os Ministros signatários da Declaração Final da VII Reunião dos Ministros da Educação da CPLP, de 30 de Março de 2012, onde eles dizem claramente que «a aplicação do AO90 no processo de ensino e aprendizagem revelou a existência de constrangimentos que podem, no futuro, dificultar a boa aplicação do Acordo», finalizando por reconhecer a importância de se proceder a um «diagnóstico relativo aos constrangimentos e estrangulamentos na aplicação do AO90».
As resistências em Portugal multiplicam-se. Alguns dos principais órgãos de comunicação social bem como conceituadas editoras, além dos mais prestigiados autores, recusam-se a aplicar as “regras” (?) do AO90, os sítios na Internet dedicados a este desastre e repudiando-o são incontáveis, e os desconcertantes episódios neles diariamente relatados revelam bem a extensão do caos que afecta e perturba professores e alunos e outros agentes da nossa cultura — o que só vem provar que o defeito não está numa mera fase de transição e de temporária falta de habituação, mas num grosseiro vício intrínseco, inerente às contradições e aos dislates internos de que padece o AO90.
O processo ainda está a tempo de ser travado, ou pelo menos suspenso, até se proceder à conclusão do diagnóstico preconizado por TODOS os Ministros da Educação da CPLP.
O Brasil, face às pressões das acções populares de protesto, adiou sensatamente a entrada em vigor do AO90 (quiçá sine die, se nos recodarmos da forma como agiu perante o Acordo de 1945), Angola e Moçambique não ratificam e continuam a escrever em português correcto, os outros países da CPLP, pelo que julgo saber, não dão mostras de grande entusiasmo pelo AO90… Em suma: ficámos lamentavelmente (teimosamente?) isolados no contexto da CPLP.
Um antigo antecessor de V. Ex.ª, também Chefe do Governo português, num discurso que proferiu em 18 de Fevereiro de 1965, perseverou no erro de ignorar as evidências e afirmou que prosseguiríamos «sem alianças, orgulhosamente sós».
Orgulhosamente sós?
O julgamento da História é implacável.
Já pensou, Senhor Primeiro-Ministro, na resposta que um dia, no futuro, dará aos seus netos quando lhe fizerem a incómoda pergunta sobre que espécie de herança cultural — nomeadamente a língua portuguesa falada e escrita em Portugal — V. Ex.ª consentiu que se legasse às futuras gerações?
Esperançado na boa compreensão e na decisiva acção de V. Ex.ª, permito-me subscrever-me,
Com os meus melhores cumprimentos.
António de Macedo

domingo, dezembro 16, 2012

D. Duarte - O Eloquente

D. Duarte, o segundo Rei da Dinastia de Avis e a quem foi dado o cognome de O Eloquente, foi um Rei melancólico e triste. Era filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Subiu ao Trono de Portugal em 1433 e o seu reinado durou apenas escassos cinco anos. Morreu prematuramente de peste em 1438.
Foi sobretudo um administrador meticuloso e um governante de gabinete, culto e dado à especulação filosófica, algo pouco habitual na sua época. Deixou aos seus sucessores duas obras de grande valor: O Leal Conselheiro (obra a que hoje em dia se poderia chamar de livro de ensaios, no qual são abordados vários temas, destacando-se os que focam a moral e a religião) e A Arte de Bem Cavalgar Toda a Sela (uma espécie de manual para cavaleiros).


MONARQUIA EM PORTUGAL... TEM FUTURO?



Aqui fica a intervenção do orador na conferência sobre o futuro da Monarquia em Portugal, Sr. Tenente-Coronel Piloto Aviador Brandão Ferreira. Deve ser lido por todos os portugueses, sem tabús e com uma reflexão profunda e atitude crítica.

sábado, dezembro 15, 2012

D. João I - O de Boa Memória

Com D. João I inicia-se a 2ª Dinastia, a Dinastia de Avis. Foi seu o maior reinado da História de Portugal (48 anos). Eleito e Aclamado nas Cortes de Coimbra em 1385 foi com ele que se iniciou a epopeia dos descobrimentos com a conquista de Ceuta em 1415. Casou com a inglesa D. Filipa de Lencastre e deram origem à ínclita geração - D. Duarte, D. Henrique, D. Pedro...
Ganhou o direito de ser Rei de Portugal na mítica Batalha de Aljubarrota. E mais não digo. Fiquemos com o episódio de hoje de «Reis de Portugal» onde em grande parte é narrada ao pormenor a Batalha Real de Aljubarrota, travada naquela tórrida Segunda-feira, 14 de Agosto de 1385. Ficaremos a conhecer pormenores dos quais não se aprendem nos livros de História pois estes dão apenas traços gerais. Seremos conduzidos pelo nosso anfitrião, por quem realmente sabe do que fala ou não fosse o Sr. Coronel Fernandes Henriques, professor de História Militar. Teremos uma descrição do ponto de vista militar, das manobras, do terreno, das tácticas, dos intervenientes, das posições assumidas pelo comando e pelos generais castelhanos. Ficaremos por fim a saber que depois dos portugueses terem ganho a batalha, por pouco não perderam o Rei. Depois de uma estrondosa vitória estivemos, num golpe de teatro, à beira da perdição pois o nosso Rei, D. João I, esteve muito perto, esteve a um passo de ser morto num duelo com D. Álvaro de Sandoval, talvez o melhor cavaleiro castelhano na batalha. Deixarei o suspense no ar. Qual foi o desfecho desta situação? O que aconteceu? Porque se salvou in extremis e não caiu em combate D. João I de Portugal naquela noite no Esporão de S. Jorge? Sim, porque a refrega prolongou-se pela noite. Aliás eram seis horas da tarde quando, como diz Camões «soou a trombeta castelhana», que é como quem diz, quando começou a batalha.


sexta-feira, dezembro 14, 2012

D. Fernando I - O Formoso

D. Fernando I era filho de D. Pedro I e D. Constança Manuel e subiu ao Trono em 1367. É uma figura controversa e o seu reinado foi absolutamente desconcertante. Teve por cognome O Formoso ou O Inconstante. Inconstante porque como é possível que o seu reinado tivesse tanto de bom, tantos aspectos positivos, tanta obra absolutamente estratégica e genial como teve tanto de mau, com tantos equívocos, tantas foram as péssimas opções, tantos foram os escândalos? Como foi possível que o homem que fez a Lei das Sesmarias, que criou a Companhia das Naus, que ordenou a construção da grande fortificação de Lisboa denominada Muralha Fernandina, que mandou fortificar tantas cidades estratégicas do Reino, que criou, pode-se dizer, o serviço militar obrigatório, que reuniu cortes, que tomou tantas medidas e decisões positivas e estruturantes tenha cometido também ele tanta asneira e se tenha deixado enredar em escândalos que ofenderam o povo e que o levaram a ficar contra si, o casamento com D. Leonor Teles, as humilhações a que se sujeitou e que sujeitou o Reino, as guerras inúteis com Castela, o desbaratar do sólido tesouro real e dos inúmeros recursos e divisas que D. Pedro I tinha deixado (uma espécie de consolidação orçamental da época) e por fim a crise tremenda em que deixou o reino e que levou Portugal a mergulhar numa profunda crise política e dinástica - a Crise de 1383-1385.
É tudo isso que se irá abordar no episódio de hoje.


D. Pedro I - O Justiceiro

Rezam as crónicas que D. Pedro I era um homem nervoso, muito agitado, gago e cheio de taras. Mas era também simpático e amigo do seu povo. Ganhou o cognome de O Justiceiro se bem que também o de Crú ou Cruel. Foi um Rei que gostava de exercer a justiça com gozo. Mais do que seria desejável num soberano. Não queria ser chamado de Cruel, tal como o seu sobrinho, Pedro de Castela, um sanguinário que via inimigos em toda a gente, mas sim de Justiceiro. O seu reinado e a sua vida ficaram irremediavelmente marcados por D. Inês de Castro. A história de Pedro e Inês foi tão forte que atravessou os séculos e jamais se apagou da memória do povo português.

É D. Pedro I que estará em destaque no episódio de hoje.


Real doçaria do Torrão



A doçaria do Torrão está de parabéns. A conhecida Pastelaria Carapinhas foi a vencedora de edição deste ano da Mostra de Doçaria que decorreu nas Alcáçovas entre os dias 7 e 9 de Dezembro, com o famoso Bolo Real. O evento que faz das Alcáçovas cada vez mais a capital dos doces já vai na 13ª edição e assume-se cada vez mais como uma referência na região.
É caso para dizer que, depois do pão, o Torrão tem uma real doçaria.

quarta-feira, dezembro 12, 2012

D. Afonso IV - O Bravo

D. Afonso IV era filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão (a Raínha Santa) e dele disse Alexandre Herculano ser um homem de juízo. Foi no seu reinado que surgiu em Portugal a epidemia da Peste Negra, desafio que teve que enfrentar. Tomou medidas relativamente ao trabalho e à agricultura, teve que lidar com o drama de Inês de Castro e ainda viu os seus navios chegarem às Ilhas Canárias, naquela que seria a primeira expedição marítima portuguesa. Ganhou o cognome de O Bravo na Batalha do Salado, batalha que selou definitivamente o destino dos mouros na Península Ibérica.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

D. Dinis - O Lavrador

D. Dinis,  a quem foi chamado de O Lavrador, era filho de D. Afonso III e de D.Beatriz de Castela. Terminada a reconquista, D. Dinis continou a política de consolidação do Reino de Portugal. Foi no seu reinado que os documentos oficiais passam a ser definitivamente redigidos em português e não, como até aí, em latim. Foi também no seu reinado que foram delimitadas as fronteiras de Portugal, com a assinatura do Tratado de Alcanizes (1297), as quais sofreram apenas pequenas alterações matendo-se praticamente inalteradas até hoje, o que faz de Portugal o país com as fronteiras mais antigas do mundo. Mandou plantar o pinhal de Leiria, que iria ser uma grande fonte de madeira, matéria-prima muito usada na época e muito usada na construção naval. Teve ainda a inteligência de não só perseguir os Templários e dissolver a Ordem como os protegeu e ainda permitiu que os Pobres Cavaleiros da Ordem do Templo, provenientes de diversos pontos da Europa, implacávelmente  perseguidos por todos os poderes de então, encontrassem asilo em portugal. Habilmente refundou a Ordem criando uma «nova» Ordem religiosa: a Ordem de Cristo, tendo assim um pretexto para evitar o decreto papal que ordenava o desmantelamento da Ordem do Templo e a perseguição e prisão dos seu membros e com isso vieram para Portugal todos os conhecimentos Templários. Seria a Ordem de Cristo, quem mais tarde iria ser o pilar da gesta dos Descobrimentos. Foi um grande Chefe de Estado e, foi aquele que, na opinião quase unânime de todos, por todas as razões atrás descritas, deu condições para que Portugal se pudesse projectar no mundo um século depois.
É dele que iremos falar hoje em «Reis de Portugal».

sábado, dezembro 08, 2012

Quem avisa amigo é

Cuidado com a Torre do Relógio em Alcácer do Sal. Se acontecer o que ninguém quer, para além da perda de património histórico existe uma elevadíssima probabilidade de uma enorme tragédia. Que todos os actores envolvidos tenham sempre tal bem presente e evitem cair na tentação do demónio de agir com leviandade, desleixo ou minimizando os riscos. Os exemplos estão aí para quem quiser tirar ilações. Nunca fiando e não esquecer que a ocasião faz o ladrão e que o diabo se esconde nos detalhes.

Índice de Percepção de Corrupção 2012




Mais um estudo que afunda literalmente Portugal no que à transparência na administração pública diz respeito. Veja o vídeo e veja quem é quem aqui. Em alguns casos haverá surpresas noutros nem por isso. Nos primeiros lugares, os «suspeitos do costume»; nos últimos... também. Mais uma vez, das anacrónicas monarquias, dos 17 primeiros, 10 são reinos. Já das modernas repúblicas, dos últimos 40, 40 são... repúblicas.

D. Afonso III - O Bolonhês

D. Afonso III, cognominado de O Bolonhês era filho de D. Afonso II e de D. Urraca de Castela. Nasceu em Coimbra a 5 de Maio de 1210 e faleceu em Alcobaça a 16 de Fevereiro de 1279 e ali está sepultado, jazendo no mosteiro local. Subiu ao Trono de Portugal em 1248 por deposição de seu irmão, D. Sancho II. Foi o último dos cinco reis da reconquista. Foi com ele que o Algarve foi tomado definitivamente aos mouros, em 1249, e foi também ele, o homem que trouxe a capital do reino para Lisboa.
 
 

Má Despesa Pública



Tomei conhecimento dele hoje através do programa «Sexta às 9», chama-se Má Despesa Pública e é um blog que entrou na lista dos que irei seguir com atenção e, se for caso disso, onde irei denunciar situações escabrosas e pouco claras que se passem nesta parcela do teritório nacional.
 Recomendo aos meus caros leitores que o visitem assiduamente e se tiverem conhecimento de algum caso...

sexta-feira, dezembro 07, 2012

E agora burr'calhos?

Obrigatoriedade do Acordo Ortográfico pode ser adiada no Brasil para 2016

A iniciativa do adiamento surgiu de uma audiência pública realizada com professores de Português.


E agora «tcheu» que é como quem diz; e agora como é que descalçam essa bota? E pronto, lá parece que fica a república portuguesa (mais uma vez), como dizia ontém na TV o deputado brasileiro Anthony Garotinho, a fazer figura de parva. Nós, inúmeros cidadãos avisamos e ficamos firmes sem mudar o que quer que seja, incluindo o vosso escriba que escreve Português tal como aprendeu na escola primária. Mas eles, ufanos, que dão o cuzinho e mais oito tostões a tudo o que os amadores - pigmeus mesquinhos que com os seus actos indolentes e omissões cobardes e criminosas escarram diáriamente na sepultura dos gigantes que, ao longo de séculos, forjaram a nação portuguesa com sangue, suor, lágimas e mesmo com o sacrifício das suas próprias vidas - a quem está entregue o aparelho de Estado vomitam cá pra fora, papam tudo sem vacilar. 
A novela acordo tem sido um folhetim digno de uma tragi-comédia. Como é que é possivel que governo, institutos  públicos, câmaras, juntas de freguesia escrevam segundo regras que ainda nem sequer estão em vigor do ponto de vista legislativo - isto partindo do princípio que um governo tem o direito de legislar sobre essa matéria, algo que a meu ver não tem mas isso é outra questão -  e que o estarão (ou estariam) apenas em 2015? Aplicar oficialmente tal coisa assim sem mais nem menos e com tamanha ligeireza e querer impôr a todos e mais alguns a começar pelos pobres dos alunos, é ilegal já para não falar no desastre de proporções bíblicas e na chacota que é o «mix» híbrido português-acordês. Apenas aqueles que nunca souberam escrever nem nunca souberam gramática beneficiam pois agora têm desculpa para ocultar a sua eterna ignorância. Sim é ilegal até porque um aluno de português é penalizado na disciplina de Português (que desse modo devia chamar-se acordês) senão escrever segundo aquilo. Fosse eu aluno do ciclo ou do secundário e teriam que se haver comigo mas os miudos de agora, coitados...
Ao que parece foi o Brasil quem pressionou para que a coisa fosse para a frente. Mas agora se o Brasil recuar...
De líder, de nação de líderes e de bravos, Portugal passou a nação de tíbios, de indolentes, de frouxos, de «bananas», passou a ser um desprezível, abjecto e vergonhoso seguidista manso. Na CPLP, do Brasil; na Europa, da Alemanha, a nível geo-político, dos EUA e agora também da China a quem começa agora a ir, para suprema humilhação de um povo milenar, estender o chapéu depois da Europa que foi «chão que já deu uvas». Sem «bater o pé», sem discutir pontos de vista, sem olhar para os seus interesses. Segue e pronto.
No Brasil, tal coisa sucedeu, não sejamos ingénuos, porque lá a sociedade civil tem uma grande postura crítica, porque lá os professores de português, jornalistas, políticos, etc. mobilizaram-se. Não é por acaso que o governo brasileiro recua.
E por cá? Bem, por cá é o seguidismo mansarrão. Dos professores de português, nem um piu; escolas seguem, aplicam e pronto; televisões foram todas atrás do pagode e ainda nem sequer deram esta notícia, e etc, etc, etc. Mas há uma esmagadora maioria silenciosa, jornais e editoras de referência, dignos desse nome que, quais irredutíveis gauleses, resistem ainda e sempre, resistem também inúmeros bloggers, tudo gente que ignora olímpicamente a distorção e mutilação a que o português escrito tem sido sujeito sabe-se lá porquê e que se calhar até dava direito também a teses académicas bastante interessantes. Quem sabe!
Pois que continuem assim que eu em particular continuarei «assado» isto é, sempre sem mudar o que quer que seja e irei escrever em Português como sempre tenho escrito desde 1982. E já que dizem que a coisa é de carácter obrigatório, tal implica que terão que arranjar uma forma de fiscalizar os prevaricadores. Pois faço uma declaração de interesses dizendo já que o farei mesmo que, depois da PIDE, saia da cartola uma PIDOLA (Polícia Internacional para a Defesa da Ortografia e Linguística Autorizadas).
Como corolário, diria que Portugal depois do «orgulhosamente só» de há cinco décadas atrás, arrisca-se agora a um humilhante «tristemente só».
É caso para perguntar à laia daquele reclame ao vinho «Porto Ferreira» que dava nos 80's: Foi você que pediu um acordo ortográfico?

Hip, hip burros!


Poderá gostar também de:

«Devemos desobedecer ao Acordo Ortográfico»

Estado não tem legitimidade para impor

«No fundo, é uma questão política»

À atenção do Senhor Ministro da Educação... e de todos os portugueses

Acordo Ortográfico cada vez mais contestado

 
 
Acordo Ortográfico cada vez mais contestado II

 
 
Acordo Ortográfico cada vez mais contestado III
 

Estudantes reprovam Acordo Ortogáfico

 

 

Para quem não sabe, é para isto que serve o Rei

As celebrações dos 85 anos do Rei da Tailândia são motivo de orgulho e júbilo dos tailandeses, como se pode constatar. Aqui tudo é espontâneo, genuíno. Nada é imposto.O Rei não tem poderes, não manda, não governa. É um factor de unidade e de união; em suma, um «árbitro».

VEJA O VÍDEO AQUI

quinta-feira, dezembro 06, 2012

28 dias depois (Danny Boyle, 2002)

por Fernando Melro dos Santos in Estado Sentido

O que aconteceria se amanhã acordássemos para um cenário tido como altamente improvável, ou mesmo como impossível? A História está repleta de alvoradas dessas, embora os Portugueses tenham no seu código genético muito poucos impulsos que os motivem a estar preparados para sobreviver, na ausência das entidades e do proteccionismo institucional a que sempre estiveram habituados.

Em 1960, estava Portugal preocupado com a possibilidade de uma troca nuclear entre as duas superpotências de então? Pouco. A crise do petróleo nos anos 70? Não. Guerra Fria? Nada connosco. Bug do ano 2000? Terrorismo? Colapso energético? Tudo tiros ao lado. Acontece sempre aos outros e há mas é que acordar e ir viver o dia como se fosse igual ao anterior. Até a meteorologia amansa os humores. O que há mais por aí é gente que fica deprimida ao primeiro dia de chuva por já não poder andar de chinelos e dar um salto à praia, como se assim os problemas desaparecessem.

Qual é a probabilidade de que ocorra algum evento apocalíptico nas próximas semanas? Bom, se quiserem pensar em zombies, bombardeios nucleares, erupções solares, ou dilúvios bíblicos, deve ser quase zero. Muito, muito perto de zero, embora não seja em caso algum uma impossibilidade. Impossível, só mesmo alguém acordar um dia em Portugal e correr com os políticos todos para fora de onde estão. Mas estas situações que elenquei não devem, de facto, constituir uma preocupação cimeira para as pessoas normais.

Imagine-se porém que das miríficas cabeças eurocráticas lá no Templo da Besta em Bruxelas sai a decisão de selar o contágio financeiro que já consome Portugal e a Grécia, o que, a suceder, podem crer que sucederá sem aviso e da noite para o dia. Fecho de fronteiras, controle de capitais, congelamento temporário de contas e de pagamentos, suspensão de fornecimentos. Esta nem é muito tresloucada. Aposto que tira o sono a uns quantos na Partidocracia.

Portugal importa quase tudo o que consome, em especial e com gravidade acrescida diversos, demasiados, alimentos de primeira necessidade. Já para não falar na energia e nos medicamentos. Mesmo que um eventual racionamento ou oclusão ao fornecimento destes bens não dure muito, a partir do momento em que saiamos do Euro, o seu custo decuplicará em questão de meses.

As forças da autoridade, embora se percam por demais em fantochadas folclóricas onde controlam consumidores e comerciantes de bem, realizam de facto um trabalho extraordinário, considerando os meios de que dispõem, na manutenção da ordem pública. Temos uma das melhores polícias criminais do Mundo, por mais que o circuito judicial não apoie o bom esforço com que executam a sua missão.

Na eventualidade de uma ruptura socio-económica, não obstante, eu não poria as minhas mãos no fogo pela sua capacidade de acudir sequer a um centésimo das ocorrências que eclodiriam por todo o território, particularmente nas grandes cidades e onde o desemprego e a "inserção social" mais grassam. Não quereria estar em Setúbal, Albufeira, nas Mercês ou na Amadora, por exemplo.

Ao mesmo tempo, ao cidadão normal é vedada, salvo poucas excepções, a possibilidade de se auto-proteger mediante o uso e porte de arma. É assim em toda a Europa, e há quem queira fazer com que passe a ser assim na América. Pessoalmente, espero que não passe de uma intenção gorada. Quando as armas estão fora da lei, só os fora-da-lei têm armas.

O que pode ou deve fazer uma pessoa mediana, com ou sem família a seu cargo, para acautelar as potenciais consequências para si e para os seus de um cenário ameaçador como este que descrevo? Posso dar alguns conselhos de senso comum.

Tenha dinheiro em casa, em notas de 20 ou 50. Se puder, tenha ainda outra divisa como dólares americanos ou libras.

Tenha algum ouro, em barra, mas tenha cuidado com as falsificações em tungsténio e com o preço ao qual compra. Lembre-se sempre que não pode comer o ouro.

Mantenha reservas rotativas de água potável e para higiene. Um ser humano que não cure da higiene durante uma situação em que transpira e se movimenta, morre mais depressa de uma infecção bacteriana ou de desidratação do que com alguma bala.

Guarde produtos com vida longa de prateleira. Enlatados, massas, leites com chocolate, açúcar, mel, azeite, sumos de fruta, compotas.

Tenha um kit de medicamentos completo com analgésicos, anti-inflamatórios, pensos, álcool, cicatrizantes, ligaduras, tintura, lixívia, e se puder, antibióticos, embora estes não sejam de venda livre em Portugal e não devam ser usados indiscriminadamente. Se algum membro da família precisar de medicação específica, tenha-a.

Armazene materiais que lhe permitam comunicar e dar sinal de vida. Pilhas, lanternas, petróleo, candeeiros, fósforos, velas, "firesteels", lenha se tal for possível, mais de um telemóvel, e um rádio emissor/receptor de multibanda.

Informe-se estudando a História de outros países que não Portugal, e assuma que o Mundo está perigoso e que o nosso país já não é uma aldeola isolada do resto do globo. Não caia na complacência de pensar que estes assuntos são coisas de gente paranóica e que a calmaria relativa que sempre houve na sua vida vai durar para sempre.

Tenha à mão jogos, brinquedos, e formas de manter o moral elevado sobretudo se tiver crianças em casa.

Não ostente a sua confiança no caso de sentir-se mais preparado que os outros. Quando a comida acabar, pense onde irão primeiro procurá-la os menos escrupulosos.

Mantenha-se fisicamente apto. Pratique exercício aeróbico, pelo menos dia sim dia não, e um ou dois exercícios de força: é económico e não ocupa espaço ter em casa halteres ou uma barra fixa na porta do quarto para fazer elevações. Qualquer soalho permite fazer abdominais e flexões.

Suspenda de imediato o consumo de estupefacientes, incluindo álcool, caso uma situação de emergência social deflagre. O seu juízo e as suas reacções não devem estar toldados.

Aprenda a sobreviver fora de casa e da cidade, a conhecer plantas, construir abrigos, etc..

É para já o meu franco e sincero contributo no sentido de partilhar convosco algumas noções que, creio eu, deveriam nesta altura fazer parte da mentalidade de todos.

Leitura complementar:

James Wesley Rawles

Histórias dos Balcãs

Escola do Mato

Bushcraft e Sobrevivência



Apenas um simples comentário: «Quem avisa amigo é». «Não há mal que sempre dure nem de bem que não se acabe». Há muito que ponho em prática muitos destes conceitos e defendo que Portugal - e mesmo a nível municipal - deve preparar-se para algum «incidente» desses e adoptarem-se medidas de contingência, de prevenção e planificação de emergência que deve estar na gaveta até ao Dia D. O mal é pensar-se que só acontece aos outros. Nem capacidade de se auto-alimentar Portugal tem. Até nisso não dependemos de nós. Entre crises, conflitos, colapsos de qualquer natureza ou qualquer evento de natureza social ou natural, catastrófico  naturalmente, que possam ocorrer para lá das fronteiras, pode ainda haver um qualquer «incidente cá». Um grande sismo com consequências devastadoras não é impossível e pode ocorrer em qualquer momento sem que nada o preveja. Portugal é antigo de mais pelo que deve ter memória do passado e saber que já por tal passou como já aqui se recordou. E convulsões sociais Portugal também já as teve de sobra. Brandos costume é mais um mito que outra coisa qualquer.
Mas que cada um individualmente tome precauções mínimas e algumas são fáceis como se viu. Que  ninguém fique à espera dos outros. Se não formos nós a zelar por nós e pelos nossos... Mas a mentalidade do portuguesinho e a reacção a isto será um encolher de ombros e um «deixa lá ver. O que for será». Aliás vemo-lo com os incêndios. Ninguém toma medidas preventivas e quando o tem à porta é que é um vê se te avias a remediar e tentar resolver quando já é tarde demais como também já aqui se escreveu.
Será paranóia? Sem dúvida. Antes delas acontecerem é sempre paranóia mas depois é que é o «aí, ai» e não é por influência da profecia que se reproduz aqui este texto. Nem é tão pouco um vaticínio. Profecias dessas sempre as houve ao longo da história da Humanidade. Não é a primeira nem há-de ser a última. Mas que o mundo é um lugar perigoso é e há que estar preparado. Disso que não haja a menor dúvida.

Reis de Portugal: D. Sancho II - O Capelo

Teve uma infância frágil. Foi uma criança fraca e enfermiça de tal forma que lhe vestiram desde criança de tenra idade uma capa de aspecto religioso e que tinha um capuz: um hábito de Santo Agostinho, que ele usou com frequência, para ver se se curava ou se o curavam tendo assim ficado na história de Portugal com o cognome de O Capelo. Mas tão doente e fraquinho era que o seu pai, D. Afonso II chegou a não acreditar que sobreviveria, chegando a dispor as regras da sucessão de forma a que lhe sucedesse o filho segundo, seu irmão, o infante D. Afonso, mais tarde Rei D. Afonso III.

Sobreviveu e subiu ao Trono de Portugal com 13 anos de idade onde reinou até, ao se ver sem apoio nem do Clero, nem da Nobreza e praticamente do Povo, ser deposto pelo seu irmão. Foi para o exílio em Toledo, Castela onde morreu em 1248 e aí ficou sepultado. É aliás o único Rei de Portugal que não está sepultado em território nacional. Foi um grande combatente, mas um fraco Rei, um homem que não estava vocacionado para ser o "árbitro", fundamento do ofício de reinar. Foi um dos últimos grandes cavaleiros da Reconquista; o último Rei de Portugal que na Reconquista cristã se bateu à frente dos seu homens.

É ao reinado d'O Capelo, D. Sancho II que o vídeo de hoje é dedicado.



quarta-feira, dezembro 05, 2012

Reis de Portugal: D. Afonso II - O Gordo

Segundo consta era um homem de estatura física imponente mas obeso pelo que estava limitado de participar mais activamente nas acções militares do seu tempo e assim passou à história como O Gordo. Filho de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão, o terceiro Rei de Portugal era, apesar de tal compleição física, um homem enfermiço, de saúde débil. Sofria de um mal de pele que mais tarde degenerou em lepra - que foi o que o matou - pelo que também é cognominado de O Gafo.
É o Rei que mais intimamente está ligado a Alcácer do Sal e está-o de tal forma que a actual pousada situada no castelo desta recente cidade portuguesa se denomina justamente Pousada D. Afonso II.
Embora militarmente não fosse muito dotado, foi apesar disso que no seu reinado a estratégica praça-forte de Alcácer do Sal caiu definitivamente em poder das forças portuguesas sendo conquistada aos mouros depois de um grande batalha campal que ocorreu a 11 de Setembro de 1217. As batalhas campais entre cristãos e mouros foram muito raras, sendo mais frequentes as batalhas de cerco. A batalha de Alcácer foi uma dessas raras batalhas mas uma das mais sangrentas. Teria durado um dia inteiro com a vitória a sorrir às forças portuguesas. Alcácer do Sal render-se-ia um mês depois, a 18 de Outubro de 1217.
Comandou as tropas portuguesas o Mestre da Ordem de Santiago, um homem de pequenina estautura mas segundo rezam as crónicas, um gigante militar, chamado Martim Barregão. A forma brilhante como terá conduzido militarmente a batalha e comandado as tropas levou a que a praça de Alcácer fosse entregue à Ordem de Santiago que aqui instalou a sua sede. É desta forma que se inicia a história da Ordem de Santiago em terra alcacerense.

Gravado em grande parte em Alcácer do Sal e onde se narra a sua conquista, eis o episódio de «Reis de Portugal» dedicado a El-Rei D. Afonso II.



segunda-feira, dezembro 03, 2012

Reis de Portugal: D. Sancho I - O Povoador

D. Sancho I era filho de D. Afonso Henriques e D. Mafalda de Sabóia. Subiu ao Trono em 1185 no entanto já governava de facto o país há pelo menos 14 anos ao lado de seu pai. Chamaram-lhe o Povoador pelo enorme empenho no povoamento e arroteamento da terra portuguesa. Foi um homem de grande dedicação à terra portuguesa e um grande amigo do seu povo. Covilhã, Gouveia, Guarda foram cidade fundadas pelo segundo Rei de Portugal, entre tantas outras terras. Foi também, para além de um extraordinário organizador, administrador e militar, um romântico, escrevendo das primeiras cantigas de amigo que se conhecem.

É este grande estadista que vamos conhecer hoje em «Reis de Portugal»

Para reflexão

(...) “sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins (vida, liberdade e felicidade), cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – (...) “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.

A frase do dia

«Estamos numa era na qual a informação circula por diversos meios, sem mediações, onde muitos pontos de vista são colocados com grande impacto, pois qualquer pessoa atenta pode ser um agente difusor de informação e serviços. Quem ainda não percebeu isso está fadado ao fracasso, seja um profissional, uma empresa ou um país».

Sérgio Denicoli, daqui

Mensagem do 1º de Dezembro de 2012 de SAR, o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança

domingo, dezembro 02, 2012

Reis de Portugal: D. Afonso Henriques - O Conquistador

Iniciamos hoje a História de Portugal enquanto reino independente. Este vídeo inicia a série de reis da 1ª Dinastia - Dinastia Afonsina ou de Borgonha com o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques - D. Afonso I.
Por muitos chamado o Fundador e por muitos outros também o Conquistador, D. Afonso Henriques era filho dos Condes Portucalenses D. Henrique de Borgonha e D. Teresa ou D. Tereija. Não se sabe ao certo onde e quando nasceu mas, e é o que importa, se é que uma Pátria pode ter pai, ele é o pai da Pátria Portuguesa. Intitulado Rei desde 1139, torna-se Rei de facto com a assinatura do Tratado de Zamora em 5 de Outubro de 1143, data que marca efectivamente a fundação de Portugal. Em 1179 chega o «reconhecimento internacional», pelo Papa Alexandre III, através da Bula (decreto papal) «Manifestis Probatum», que em português significa «Está claramente demonstrado». Extraordinário militar, diplomata e político, Portugal muito lhe deve se é que não, tudo lhe deve. Reza uma lenda local que terá passado, no decurso de uma das suas campanhas militares contra os mouros, pelo Torrão e que teria pernoitado com as suas tropas junto à Igrejinha de S. João dos Olivais.
Eis o vídeo que alude, inclusive por volta dos 60 minutos, à conquista de Alcácer do Sal, no dia de S. João de 1158, daí ser o dia 24 de Junho precisamente feriado municipal no concelho de Alcácer do Sal.


A DEMOCRACIA ECONÓMICA REAL

Sou democrata, realista e royalista. Muitos dos países com a maior satisfação do seu povo com relação ao seu governo são monarquias. Por exemplo os nórdicos, a Holanda, a Bélgica, o Canadá e o Japão. Todos são monarquias democráticas, pouco burocráticas, com elevado nível de descentralização e de liberdade económica. Não têm impostos baixos para os lucros com capital, mas o sector público não é despesista e a intransparência é limitada.
Estes países há séculos deixaram de ser ditaduras e há décadas têm boa educação, também cívica. Têm alta produtividade e competitividade. O trabalhador sueco ganha o dobro de um luso e o TSU lá é o dobro do de cá e mesmo assim as empresas lá estão a exportar o dobro do que exportam aqui; a pergunta é, “qual é a mágica”? Quando em plena crise alguns desses países, como a Suécia, cresceu em 2011 com quase 5% a pergunta é repetida.
Em 01/03/10 eu disse no Prós e Contras da RTP que não estávamos em crise, mas em depressão estrutural. Disse ainda que a história mostra que só um estadista tem a coragem, o discernimento e o carisma para implementar as medidas radicais necessárias para mudar a estrutura de poder dos cartéis e das corporações, condição indispensável para mudar uma estrutura arcaica. E não há real democracia sem democracia económica, equidade de oportunidades e uma justiça atempada.
Os EUA teve um Roosevelt que o fez e, ao contrário da receita da Troika, aumentou a despesa pública na depressão dos 1930. No Reino Unido um Churchill foi para as ruas ouvir e falar com o seu povo e mobilizá-lo contra um governo alemão que jurava ser o salvador da Europa. O Japão destruído pela mais mortífera arma jamais inventada, reergueu-se em poucos anos sob a égide de um monarca que ouvia o seu povo e articulava os poucos recursos que ainda sobraram. Foram homens corajosos, a enfrentar fortes interesses, para o bem comum. Foi a austeridade para todos.
Não cabe a mim avaliar políticos/política. Mas como consultor internacional aprendi a avaliar a coragem e a competência de líderes em momentos de crise. Nesta depressão e com a previsão de, se a política não mudar, chegarmos ao défice público de 7% e a uma perda de 4% no PIB ainda em 2013 e aos 26% de desemprego em 2014, não vejo nenhum actual político com as características para trazer a luz ao fim do túnel.
Um rei pode focar no bem de todos, não dos que ganham com a actual estrutura. Um rei em geral fala pouco e faz o que precisa, mesmo que os poderosos do seu reino não gostem. Um rei sabe discernir entre uma manifestação corporativa e uma popular. E sabe a hora de actuar. Não será hora de mudar?

Jack Soifer
Membro do Conselho de Prospectiva do IDP