segunda-feira, março 06, 2006

Equívocos


O prometido é devido! Aquando da publicação do primeiro conjunto de equívocos patrocinados pelo presidente desta abananada república que está de malas aviadas, no blog O Monárquico, eu prometi que lá mais para o fim do mandato, quando este já estivesse mesmo de saída que publicaria mais uns equívocos protagonizados por tal personagem. E que bem que fiz pois as situações caricatas aconteceram mesmo até ao fim.
É claro que para os apaniguados do regime, os ditos intelectuais, os ditos VIP, aqueles que são apelidados de figuras públicas ou de inteligência da nação esta foi, num exercício de pura sabujice, de pura subserviência uma presidência histórica, equilibrada, positiva, a melhor até que Portugal teve. Agora eu afirmo: Se esta presidencia foi a melhor que Portugal teve imagine-se as piores! De facto, de 1996 até 2006 foram muitos os acontecimentos que ficarão nos anais de História agora esta presidência... só se for pelas argoladas, algumas bem graves, cometidas pelo seu titular.
Posta esta introdução passamos aos factos... históricos que a lista é longa.

1. Condecorar com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, Rodriguez Ibarra, Presidente da Junta da Extremadura e portanto governador espanhol de Olivença sabendo-se que Portugal tem um diferendo territorial com Espanha acerca da soberania desta localidade;

2. Conceder indulto a um recluso que, pasme-se, tinha-se evadido do estabelecimento prisional. Segundo a Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento, citando dados do Ministério da Justiça, morreram nas prisões portuguesas 42 reclusos só nos primeiros 5 meses de 2004 sendo que dois terços estavam em prisão preventiva estimando-se que este número possa atingir os 70 mortos até ao fim desse ano. Segundo dados do Conselho da Europa, em 1997, Portugal esteve no topo da lista de países com maior número de mortos nas prisões – 106. Ficando mesmo à frente de países como a Rússia, Moldávia, Arménia e Eslovénia (!). Em 2000 o número desceu para 60 mas ainda assim Portugal só foi ultrapassado pela Moldávia, Arménia, Eslovénia e Ucrânia (!). Quantas intervenções e apelos fez o senhor Presidente da República relativamente a esta matéria? Zero!! Limitando-se apenas a reuniões, com os Ministros da Justiça, nas vésperas de Natal para conceder indultos. Há muito que já se justificava uma abertura presidencial dedicada ao meio prisional. Porque é que tal nunca foi realizada? Terá tido o senhor Presidente desprezo de ir ás prisões portuguesas? Porventura teria esquecido o slogan da sua campanha para o segundo mandato «Por todos nós»?


3. Discursar em língua estrangeira (inglês) nas Nações Unidas quando outros Chefes de Estado optaram por o fazer na sua língua, como por exemplo o presidente do Brasil, Lula da Silva;

4. Falar dos problemas e dos erros da Justiça em Portugal apenas porque e quando o caso Casa Pia estava na ribalta e havia figuras políticas e mediáticas envolvidas, no entanto manteve o silêncio quando o processo FP 25 prescreveu tendo como consequência a condenação e a prisão daqueles que colaboraram com a Justiça e a ilibação dos suspeitos de terrorismo;

5. Partir para a Grécia, na companhia da família, para assistir à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos quando o país ardia e havia populações inteiras que se debatiam com o flagelo do fogo, sem se dar ao trabalho de estar no terreno mesmo por pouco tempo que fosse para dar apoio moral a todos quanto estiveram envolvidos na catástrofe;

6. Autorizar a permanência do estandarte presidencial, o símbolo do Chefe de Estado e que assinala a sua presença em determinado lugar, no local onde os jogadores de futebol se preparavam para o campeonato europeu. Já agora porque não deixar tal símbolo no local onde se treinam atletas de outras modalidades, a bem da igualdade, como os atletas Olímpicos, Paralimpicos bem como os atletas de Hóquei em patins, modalidade em que Portugal é uma superpotência? Assim como assim já se vê de tudo...

7. Condecorar os jogadores da Selecção Nacional de futebol mesmo sem que estes tenham ganho nada na Selecção enquanto seniores e em particular sem que estes tenham ganho o Euro 2004, independentemente do facto de terem no entanto deixado uma boa imagem e de terem competido com muita dignidade, limitando-se a ficar em segundo lugar com um adversário que, com todo o respeito pela selecção da Grécia, tinham obrigação de ganhar e num desporto em que ser segundo é ser o primeiro dos últimos e posteriormente não condecorar nem os atletas Olímpicos (onde os segundos e terceiros lugares contam) que tiveram prestações fantásticas nomeadamente em modalidades em que nunca um português ganhou ou sonhou vir a ganhar, nem os atletas Paralímpicos que têm sempre prestações fabulosas. Nem sequer o F. C. Porto, que fez duas épocas magníficas, vencendo a taça UEFA, a Liga dos Campeões e a taça Intercontinental, foi agraciado com uma condecoração presidencial. Porquê?

8. Aquando da formação do novo Governo devido à demissão de Durão Barroso, arrastar por tempo indeterminado a sua decisão sobre se devia convocar novas eleições ou nomear um novo Governo tornando-se deste modo um factor de instabilidade e de falta de sensatez, quando deveria ter sido o inverso. Para o ridículo ser completo, assistiu-se a uma romaria de personalidades a Belém, quanto a mim desnecessária. Este acontecimento deixou bem visíveis as fragilidades de um presidente da república;

9. Comentar a política e os assuntos internos e, mais incrível ainda, criticar o Governo (de cor política diferente da sua, bem se vê) no estrangeiro;

10. Afirmou categoricamente que iria participar activamente no referendo sobre a Constituição Europeia, se este tivesse ido avante, fazendo inclusive campanha pelo «Sim» - mesmo que fosse pelo «Não» – indo não só totalmente contra os princípios de equidistância, neutralidade e imparcialidade que um Chefe de Estado no sistema politico português deve ter, ou pelo menos deveria ter, como iria irremediavelmente entrar em contradição consigo próprio pois o Sr. Sampaio afirmou numa entrevista à SIC que, e passo a citar, «o presidente da república deve estar acima das disputas e ser equidistante de todos os partidos políticos». Bem, como uma campanha eleitoral, mesmo que seja para um referendo, é por definição uma disputa e como o senhor presidente fazia questão de se envolver; logo este deixaria de estar acima de disputas. Por outro lado, como os vários partidos políticos, com e sem assento parlamentar, iriam estar com toda a certeza nos dois lados opostos e como o senhor presidente iria tomar partido por um dos lados lá se vai a equidistância. Para tornar o assunto ainda mais surrealista, o senhor Presidente da República Portuguesa tornou pública esta tomada de posição, mais uma vez, no estrangeiro. Será que a algum membro de alguma Família Real europeia ou, em particular, a algum Soberano(a) lhe passou semelhante coisa pela cabeça?

11. Por inabilidade e/ou falta de bom senso comprou uma «guerra» com a população de Canas de Senhorim e depois escuda-se, num acto de pura cobardia política, atrás de comunicados lacónicos e prepotentes da Presidência enquanto que pessoalmente actua arrogantemente como se nada tivesse acontecido ou falando em desafio à Democracia! Havia necessidade?

Nota pessoal- Desafio à Democracia é o facto de existir uma república, que foi imposta a Portugal, por terroristas sem que tivesse sido dada até hoje oportunidade ao povo português para se pronunciar sobre o assunto.
Desafio à Democracia é o facto de Portugal ser um dos poucos se não mesmo o único país onde os portugueses ainda não se pronunciaram sobre uma única questão europeia e vamos lá a ver se o Referendo sobre a Constituição Europeia vai mesmo para a frente. A sensação que dá (basta ver a clareza da pergunta proposta) é que o poder político não quer definitivamente dar a voz ao povo português, sobre esta matéria, usando como pretexto a abstenção, não vá este pregar alguma partida! Haverá actualmente em algum país da U.E. uma classe política que considere o povo tão ignorante e medíocre e a sua opinião tão desprezível e inútil como a classe política portuguesa?
E finalmente, desafio à Democracia foi andar com os 5 candidatos oficiais (verdadeiros príncipes da república) à presidência «ao colo» nomeadamente a recebe-los em Belém e ignorar os candidatos independentes ou de formações partidárias mais pequenas (os bastardos da república).

12. Que destino é que foi dado ao avultado prémio que recebeu no decurso dos seus compromissos institucionais? Segundo uma edição online do jornal El Mundo a Casa Real Espanhola doou mais de 170.000 €, resultantes da venda de DVDs do casamento Real, à Associação dos Familiares das Vítimas dos Atentados de 11 de Março. Para além disso, até agora nenhum membro da Casa Real Espanhola se furtou a participar em qualquer evento promovido pela citada associação. Porque é que o senhor Presidente da República Portuguesa não doou o prémio que recebeu (cerca de 18.000 contos), por exemplo, à Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios ou ás vitimas dos incêndios florestais. Se o fez, a imprensa não o divulgou. Mas sinceramente duvido, pois se o presidente tivesse tomado tal atitude a imprensa imediatamente «bradaria aos quarto ventos» tal acto.

13. Afinal qual foi a posição oficial do presidente da república acerca do envio de militares da GNR para o Iraque? Pessoalmente estava contra mas a nível oficial acomodou-se e ficou em silêncio.

14. O período da crise política provocada com a dissolução do Parlamento, pelo presidente da república, foi fértil em equívocos. A saber, dissolver o Parlamento na véspera da aprovação do Orçamento de Estado – um dos diplomas mais importantes, se não mesmo o mais importante para a vida do país – permitindo-se ficar refém da maioria pois esta, perante tais circunstâncias, exigiu garantias prévias de que o Chefe de Estado aprove o documento pois caso contrario poderia não estar disponível para o viabilizar. Para além disso o Parlamento que vai aprovar o Orçamento de Estado está «ferido de morte» pelo anúncio de dissolução, como afirmou o presidente do referido órgão de soberania, como «ferido de morte» está o Governo demissionário (ou pré-demissionário) que o elaborou.

15. Curiosamente, apesar de na minha modesta opinião ser desnecessário, para tomar a mesma decisão sobre a mesma matéria, o mesmo Presidente perante a mesma situação – de «lançar a bomba atómica» e convocar eleições antecipadas – não convocou a mesma romaria de personalidades a Belém, que se verificou em Julho. Foi como se anteriormente tivesse necessidade de dar explicações, ou pelo menos precisasse de justificar posteriormente que ouviu várias personalidades antes de tomar uma decisão, podendo uma delas ser vista como… «contra natura». Percebe-se a sua angústia! «É a decisão mais difícil que alguma vez tive que tomar!» exclamou então. É natural! As circunstâncias levavam o Presidente a talvez ter que tomar uma decisão que podia ser vista por quem o apoiou como uma traição. Aliás o então Secretario Geral do PS, Ferro Rodrigues, denotou publicamente que se sentia exactamente assim… traído. Este ponto fraco da chefia de Estado republicana permite-me especular que se o Presidente da República fosse militante do PSD haveria uma elevada probabilidade de se ter verificado a situação inversa.

16. Não informar, previamente, o presidente do Parlamento da sua intenção de dissolver o respectivo órgão de soberania. Acabou por reconhecer publicamente o lapso argumentando que se esquecera. Compreende-se perfeitamente! O senhor Presidente da República tem todo o direito de se esquecer como qualquer pessoa. Ninguém é perfeito! No entanto, onde é que estavam os assessores da presidência? Para além disso essa foi a segunda vez que o sr. Sampaio dissolveu o Parlamento!

17. Segundo alguma imprensa, terá informado em primeiro lugar o líder da Oposição (curiosamente o actual líder do partido a que pertence o Presidente da República) e só depois é que informou o Primeiro-Ministro.

18. Se tomou a decisão de dissolver o Parlamento a 30 de Novembro porque é que não convocou os partidos políticos com assento parlamentar e o Conselho de Estado (como manda a Constituição) imediatamente a seguir ao feriado de 1 de Dezembro de modo a que não só o Decreto de dissolução fosse publicado com celeridade como também para explicar imediatamente ao País as razões da dissolução e pôr um fim imediato à crise política. Ao convocar só para a semana seguinte o Conselho de Estado e os partidos políticos não só arrasta mais uma vez a crise como fica sobre fortíssima pressão, principalmente dos que se sentem lesados com a decisão, para que se explique o que não o poderá ou deverá fazer antes de ouvir os partidos e o Conselho de Estado pois isso seria de facto, como afirmou o senhor presidente, uma tremenda falta de respeito para com as referidas entidades. E assim mais uma vez o senhor Presidente da República torna-se, escusadamente, o foco de instabilidade;

19. Explicar tardiamente ao país – quase duas semanas depois – as razões que o levaram a dissolver o Parlamento. Curiosamente justificou a decisão baseando-se nos erros, inépcia e instabilidade no seio do Governo. Agora pergunta-se, se o problema era o Governo porque é que este não foi demitido e só o Parlamento, que tinha uma maioria estável e que podia gerar um novo Governo é que foi dissolvido?

20. Não participar nas comemorações do 1º de Dezembro, dia da Restauração da Independência, preferindo antes lembrar o 1º de Dezembro Dia Mundial da Luta Contra a Sida. Fez bem, pois a Sida é um terrível flagelo que ameaça toda a Humanidade e é importante que se assinale um dia de luta contra a sida, mas o Chefe de Estado não fazer uma única referência que fosse à Restauração da Independência de Portugal e estar ausente das comemorações é preocupante. Será que faz parte da estratégia de integração europeia ignorar que Portugal um dia se libertou do jugo de uma nação estrangeira e se tornou novamente um País independente?
Nas comemorações do 365º aniversário da Restauração alguém viu o senhor presidente da república?

21. Segundo a imprensa, os gastos dos partidos na campanha eleitoral para as legislativas de 20 de Fevereiro ascendem a mais de 7 milhões de euros que serão suportados pelo Estado (pelo menos no que toca aos partidos com assento parlamentar). Para além disso, há ainda as despesas com o pessoal das mesas de voto (cerca de 50€ num dia). Também são remunerados e são pagas pelo Estado. Tal conjuntura foi despoletada pelo senhor Presidente da República, o mesmo que no seu discurso de 1 de Janeiro de 2005 apelava ao saneamento das finanças e à consolidação orçamental;

22. Defender, a pouco mais de um mês das eleições legislativas, a alteração do sistema eleitoral de forma a que seja facilitada a obtenção de maiorias absolutas sabendo que (não acredito que um político tão experiente seja ingénuo) pode influenciar o eleitorado, pois o Presidente da República é sempre a figura política mais popular e consensual pois não está exposto ao desgaste da governação nem é, ou raramente é, atacado pelos vários partidos políticos e comunicação social. Não admira que os vários partidos, da esquerda à direita, se tenham insurgido levando até o Presidente do Governo Regional da Madeira (PSD) a apelidar o senhor Sampaio de «inefável». Embora este tipo de declarações e provocações sejam usuais no senhor Alberto J. Jardim. Entende-se nas entrelinhas, inefável na ajuda à obtenção de uma maioria absoluta para o PS. Só o Partido Socialista (o partido, recorde-se, do Presidente do qual já foi inclusive líder) que viria a obter maioria absoluta, apoiou a iniciativa presidencial. Não está em causa se é o PS ou outro partido qualquer poder vir a ser beneficiado, o que está em causa é a inoportunidade de tal declaração, que pode ser, como foi, entendida como uma quebra de isenção, embora haja quem defenda que a isenção do Presidente não foi posta em causa. Pessoalmente, parto do princípio que as pessoas agem de boa fé e como tal não faço juízos de valor. Deste modo, não ponho em causa a seriedade e honestidade do senhor Jorge Sampaio no entanto, politicamente, não acredito na sua isenção e equidistância mas compreendo-o pois é natural que o seu coração penda para o partido de que é militante e que o apoiou para a Presidência da República. O problema da chefia de Estado republicana não é apenas de seriedade, ou falta dela, é o de mostrar que ela existe. «À mulher de César não lhe basta ser séria, é preciso parece-lo»;

23. Pouco mais de um mês antes das eleições legislativas o Sr. Jorge Sampaio, dando uma de Oposição, afirma que existe uma obcessão desmesurada com as questões económicas e que não é só de deficit que vive o país ou que existe mais para além do deficit. Passado pouco mais de um mês depois das eleições das quais resultou um novo Governo de cor politica diferente (a mesma do presidente da república) eis que o Sr. presidente vem afirmar numa nova abertura da presidência que os portugueses devem estar dispostos a aceitar sacrifícios e que a recuperação económica do país só se fará com rigor e disciplina. Como diria o grande Fernando Pessa: «E esta hein?!»

24. Participar na cerimónia de entrega de diplomas na Universidade onde o seu filho se formou. Mais, esteve na cerimónia de entrega de diploma aos licenciados sendo um deles o seu filho. Até aqui tudo bem, não fosse o facto de ter estado na cerimónia não como pai mas como Chefe de Estado entregando pessoalmente os diplomas aos novos licenciados e, claro, ao seu filho. Assim todos estes licenciados (e obviamente também o seu filho) têm o privilégio de pôr no seu currículo que receberam o diploma das mãos do presidente da república, o que é, para eles, uma mais valia. Já outros licenciados que tiraram os respectivos cursos em outras Universidades ou que não foram colegas do seu filho não têm direito a receber o seu diploma das mãos do presidente da república. É a igualdade e a ética republicanas mais uma vez em acção;

25. Visita a França com objectivo principal de divulgar a língua portuguesa e no entanto leva na sua comitiva um artista que canta em língua estrangeira;

26. Salvo erro um dos números do Semanário, de Abril, tinha como titulo «Belém receia vitória do Não» ao aborto. Mas alguém que seja realmente equidistante receia que qualquer parte seja ela qual for e sobre que matéria for possa ganhar umas eleições ou um referendo?!

27. Presidência aberta sobre sinistralidade: Exercício de demogogia, boa disposição e à vontade, até mesmo ambiente de camaradagem e fraternidade com ministros do PS, em contraste, relação fria, distante e até com algum incómodo e pouco à vontade com ministros do Governo do PSD-CDS. Será que um Rei ou Rainha daria tratamento diferenciado aos Governos democraticamente eleitos em função da sua origem partidária?

28. Propõe, em pleno verão - num ano de grande seca - a disseminação de campos de golfe por todo o país sabendo-se que estes são um enorme sumidouro de água... e de dinheiro. Não são muito recomendáveis em tempo de seca e mais do que campos de golfe onde apenas alguns podem desfrutar, o que Portugal realmente precisa é de escolas, hospitais, e outras infraestruturas básicas. Quando ouvi esta afirmação (típica de um novo riquismo e de dirigentes do terceiro mundo) fiquei de queixo caído! Não era para menos!

29. De acordo com o «Expresso», na sequência do «arrastão» de Carcavelos, os serviços da presidência resolvem pedir informações à embaixada de Cabo-Verde para saber «se o presidente corria riscos na visita que ia fazer à Cova da Moura». Ao que parece, foi o próprio embaixador daquele país africano, Onésimo Silveira, quem comentou o assunto durante uma reunião com associações cabo-verdianas em Portugal. Então o presidente não tem as polícias ou os serviços de informação da república para lhe fornecer os dados que pretende em relação a um bairro periférico da capital do seu próprio país indo procurar informações sobre o que se passa em território nacional a uma embaixada de um país estrangeiro?!

30. O crispado presidente que coabitou com os governos PSD/CDS-PP dá lugar a um outro presidente que funciona como um caixa de ressonância do governo PS. O que se exige é que um Chefe de Estado não seja nem oito nem oitenta;

31. 10 de Junho de 2005: Agradecimentos (com gozo ou sinceridade?) feitos por Sampaio a D. Afonso Henriques por ter, supostamente, aberto a porta para a implantação (eu diria imposição) da república em Portugal. Querem lá ver que tão genial mente ainda vai ganhar o Premio Nobel da Física por ter descoberto uma Teoria do Caos dependente do tempo. De acordo com a «velha teoria» uma pequena perturbação num qualquer ponto do espaço pode desencadear um acontecimento de grandes proporções a milhares de quilómetros de distância. É célebre a afirmação de que, segundo esta teoria, o bater das asas de uma borboleta na China pode desencadear uma tempestade no outro lado do mundo. De acordo com o que foi dito em Guimarães, um evento ocorrido num dado ponto no tempo desencadeou um outro evento centenas de anos depois (propagação no tempo). De génio... é um orgulho e um enlevo!

32. Condecorar o treinador de futebol, José Mourinho não pelo que ganhou em Portugal mas pelo que ganhou em Inglaterra;

33. Condecorar a banda irlandesa U2 pelo seu empenho na luta contra a pobreza. Para condecorar os U2 havia a ONU, havia a UNICEF, havia a União Europeia agora o presidente português...? Não havia necessidade! Na verdade, Sampaio interrompeu as ferias (e o Golfe) por causa da condecoração mas não as interrompeu por causa dos fogos que destruíam o seu país! Para cúmulo a cerimónia foi do mais degradante que houve, com os elementos da banda, em especial o seu vocalista, Bono, a mostrarem um total desrespeito para com o Chefe de Estado português não só pelos modos como também pela indumentária escolhida. Bono chegou mesmo a ir receber a condecoraçãozinha da república, em pleno Palácio de Belém, de chapéu à cowboy e óculos escuros (peças que nunca se dignou a tirar mas que deveriam ter sido retiradas, por ele, em consciência e num sinal de respeito para com o país e a instituição que o condecorava ou por exigência do protocolo). Alguma vez a Rainha de Inglaterra ou o Rei de Espanha ou uma Chefia de Estado como deve ser permitiriam tal coisa? Permitiu-a o chefe da abananada república portuguesa. Tal acontecimento deu um arzinho de terceiro mundismo a Portugal. Um facto triste e ao mesmo tempo hilariante...

34. Numa visita que fez a uma escola, assistiu a uma aula de inglês – não foi por acaso. O Governo pretendia incluir o ensino da língua inglesa logo na primária – e, inclusive, ensinou as crianças a pronunciarem correctamente a palavra «thank you». «Põe-se a língua entre os dentes assim... th...th...thank... thanks... thank you...» dizia e exemplificava ele. Dias depois el-lo de visita a França a discursar em francês afirmando, com firmeza... e fineza, que «é preciso combater a ditadura da língua inglesa no mundo!». Afinal em que é que ficamos?

35. Afirmar que ouviu todos os candidatos (quando ainda não eram ainda verdadeiramente candidatos mas pré-candidatos) às presidenciais quando na verdade apenas ouviu os 5 (pré) candidatos principais e mais mediáticos (os candidatos oficias da república; os do sistema, como dizia o outro). Pode-se sempre dizer que aqueles que não recebeu são oriundos da extrema-esquerda ou não têm qualquer expressão eleitoral. Mas e então Jerónimo e Louçã não são também eles oriundos da extrema-esquerda?! E Garcia Pereira? E todos os pré-candidatos? Mas esses ainda se compreende pois eram alvos a abater. Pelo menos dois deles (Manuela Magno e Luís Filipe Guerra) foram compulsivamente afastados num processo pouco pacífico e muito polémico. Não foram ouvidos porquê? Até a Comunicação Social os ignorou. Recomendo a todos os leitores deste artigo que visitem os sites e blogues (se ainda não foram retirados) destes candidatos enjeitados e verão ainda melhor a pouca vergonha que se verificou. Sendo assim, ou ouvia todos ou não ouvia nenhum. Onde é que está a equidistância e a neutralidade sempre tão apregoadas?

36. Não comparecer nas cerimónias fúnebres do sargento português dos Comandos morto no Afeganistão. Atitude bastante distinta daquela levada a cabo pela chefia de Estado espanhola, onde a Família Real esteve em peso e com dignidade nas cerimonias fúnebres dos soldados espanhóis que também encontraram a morte no Afeganistão.

37. Num artigo publicado no jornal O Diabo, de 20 de Dezembro, relacionado com o drama dos portugueses assassinados na Africa do Sul, o padre Gabriel, Presidente do Fórum Português Contra a Criminalidade na Africa do Sul (FPCCAS) acusa Sampaio de que «nunca respondeu às cartas enviadas nem nunca fez qualquer declaração» e afirma taxativamente que «Há um desinteresse total por parte da Presidência da República relativamente à situação dos portugueses na Africa do Sul». O FPCCAS chega mesmo a afirmar que perdeu totalmente o respeito pelas autoridades portugueses e em particular pelo Presidente da República que «se resigna ao silêncio, quando mostra ser o homem das presidências abertas, e que, mesmo em fim de mandato, não deixa boas impressões à sua comunidade na Africa do Sul» e encontra como explicação o facto de estes cidadãos «não poderem votar nas eleições presidenciais». Este semanário termina noticiando que, tal como mandam as regras do bom jornalismo, tentou obter, junto da Presidência da República, uma reacção às críticas do padre Gabriel. A resposta obtida foi o silêncio... Que mais é que eu posso dizer?!

38. Mesmo em fim de mandato, comete o erro, de «cair de pára-quedas» em plena campanha eleitoral para as legislativas e pré-campanha eleitoral para a presidência cabo-verdianas. Curiosamente, ao que parece, em Cabo-Verde os titulares de certos órgãos de soberania, tais como a presidência da república, quando se recandidatam ficam com o mandato anterior suspenso até ás eleições. A ideia deve ser para que todos os candidatos estejam em igualdade de circunstâncias; para que todos sejam apenas candidatos sem que haja um que seja simultaneamente candidato e titular de um cargo. Enfim... É nesta altura que o Sr. Sampaio resolve fazer uma visita oficial a este país e visitar o seu homologo cabo-verdiano embora este (já) não fosse Chefe de Estado pelas razões acima citadas. Fosse por desconhecimento da situação – configura um caso (mais um?) de incompetência dos serviços da presidência da república; dos assessores ou do protocolo – fosse por outra razão qualquer o que é certo é que com esta visita que não foi nada conveniente estalou a polémica tendo o candidato adversário do candidato presidente suspenso atacado violentamente o presidente português, acusando Sampaio de parcialidade e favorecimento de uma candidatura por ter visitado um candidato e não ter visitado o restante. Mais uma... em fim de mandato!!! Haveria necessidade?!

39. Ultima pérola – Afirmar que políticas de continuidade é coisa que não existe e que todos os governos começam sempre do zero. Isso explica muita coisa... No que diz respeito a Espanha – estabilidade política, economia fortíssima (já maior do que a economia canadiana e que justifica a entrada de Espanha no G8), um dos países da UE com saldo orçamental positivo, etc. - e EUA, por exemplo, e no que diz respeito a Portugal – que nem é preciso dizer nada.

Tendes razão! É um texto longo, chato, moroso... contudo a culpa não é minha no entanto tereis que reconhecer que os factos não deixam de ser, no mínimo, divertidos até mesmo... quixotescos. Quero apenas, para finalizar este assunto, deixar claro que estes equívocos ocorreram no último quarto do mandato presidencial. Agora imagine-se se estivessem aqui todas as pérolas que ocorreram em 10 anos!
Estejamos agora atentos ao senhor que se segue que, para começar, viu o seu pecúlio orçamental ser aumentado em 6% isto num país que se debate com uma crise orçamental, onde o poder de compra é cada vez menor e onde os salários aumentaram apenas pouco mais de 1%. E se antes a presidência já era dispendiosa agora mais dispendiosa fica. Na verdade, de acordo com a revista Exame de 2 de Novembro, a Presidência da República Portuguesa custou-nos, em 2005, a módica quantia de 13,325 milhões de euros – é paga a peso de ouro e depois o titular do cargo e os seus colaboradores ainda se saem com aqueles equívocos e asneiras todas! Refere ainda esta revista que, entre 2003 de 2004, a verba que lhe foi atribuída cresceu 7,7%. Agora com a aposta no controlo das despesas do Estado, os custos com a Chefia de Estado republicano sobem «apenas» 6% (!), em 2006, ou seja, sobem de 13,325 milhões de euros para 14,125 milhões de euros. O mesmo artigo refere ainda que a Casa Real Espanhola é 41,7% mais barata (!) tendo em 2004 um orçamento de 7,51 milhões de euros. Em 2005 este valor subiu para os 7,78 (+3,5%) e em 2006 o seu orçamento volta a subir apenas mais 3,5% para os 8,048 milhões de euros, sendo o mais barato de todos os departamentos do Estado espanhol e isto num país que tem um balanço orçamental positivo. Para além da Casa Real espanhola, e exceptuando a Casa Real Britânica, há ainda outras Casas Reais europeias poupadas. É o caso da dinamarquesa que gasta apenas 8 milhões de euros e da holandesa e da belga que consomem cada uma delas pouco mais do que 7 milhões cada uma. Nada mau para um tipo de Chefia de Estado que tem a fama de ser luxuosa, faustosa e dispendiosa. Está visto, uns têm a fama e outros o proveito e isso explica muita coisa!

1 comentário:

Aveiro disse...

Apoio totalmente. Viva o Rei, Viva Portugal!