terça-feira, janeiro 03, 2006

Quem não quer ser lobo...

No pino do Verão fez umas luxuosas férias com safari incluído, no Quénia, enquanto o país que governa ardia, ardia, ardia... embora de acordo com o Ministro da Administração Interna tivéssemos ficado a saber que tinha feito pelo menos três telefonemas para se inteirar da situação.
Na época natalícia lá vai ele a caminho da Suiça fazer esqui. O senhor em questão chama-se, como todos sabem, José Sócrates, o actual Primeiro-Ministro de Portugal, o país mais desgraçado da União Europeia; o mais pobre. Um país que se debate com problemas financeiros graves – causados principalmente pelos sucessivos governos desta república que o povo português nada fez para merecer – com a subida do desemprego e com problemas de toda a espécie.
Em primeiro lugar é estranho a Comunicação Social que temos ter feito grande alarido e ter criado grande polémica quando o anterior chefe de Governo, Pedro Santana Lopes foi de férias para o Algarve e ter-se fechado em copas no caso de Sócrates e das suas férias tanto no Quénia como na Suiça (estas últimas conhecidas apenas devido ao trambolhão que o senhor deu). Cá por mim, sempre disse que Sócrates pouco mais adianta que Santana e mantenho-o; têm é tratamento diferenciado dos media. Em segundo lugar, com que autoridade moral fica o Governo a que este senhor preside para pedir esforço, sacrifício e contenção aos portugueses; aos mais desfavorecidos, aos desempregados, às vitimas dos incêndios, etc. enquanto ele próprio e outros, os que vivem à grande e à francesa, uma boa fatia deles às custas de todos nós e dos nossos impostos, se vão divertir ou para a neve ou para outras paragens mais quentinhas? E finalmente que grande publicidade fazem os nossos governantes ao turismo... estrangeiro. Sendo o turismo um dos sectores mais importantes no nosso país e um dos que mais receitas gera era bom que fosse mais acarinhado e patrocinado pelos sucessivos governantes. Infelizmente estes preferem patrocinar o turismo queniano, suíço, mexicano, brasileiro, etc. «Vá para fora cá dentro» é o slogan de uma campanha publicitária patrocinada pelo Governo português. Acontece que os que podem fazer férias vão mesmo para fora ou essencialmente para o Algarve começando pelos que governam. Que belo exemplo têm dado os representantes do Governo, numa demonstração terceiro-mundista de novo-riquismo, do turismo nacional para atrair turistas de outras paragens. O que estes não dirão ao souberem de tal novidade. Dirão basicamente isto: «Que belo turismo que há em Portugal. Tão bom que nem os governantes portugueses o querem». É uma questão de publicidade, de marketing! Mas será que esta gente (governantes, assessores, etc.) não têm inteligência suficiente para perceber este tipo de coisas ou se a têm; e deverão tê-la certamente, a fazer fé no que diz a Comunicação Social que temos, que num exercício de pura lisonja e subserviência ao Poder os apelida sempre de brilhantes – aluno brilhante; excepcional até, carreira fulgurante, sobredotado, precoce e outros mimos e depois vêem-se coisas nestes génios que nem ao Pai Natal lembra – então estão-se mesmo a cagar para o país que correm de lés a lés em período eleitoral para pedir votos pois almejam governar. Para quê? Porque querem governar o país ou um concelho ou ser deputado? Para estas e outras mais? Querem governar para resolver os problemas do país e dos cidadãos ou para resolverem os seus próprios problemas? Para poderem liderar o país para que este alcance um patamar maior de desenvolvimento e bem estar ou para enriquecerem os seus currículos, terem todo o tipo de benesses, regalias (mesmo depois de terem abandonado os cargos a que se propõem), reformas milionárias se for preciso ainda antes dos cinquenta anos, viagens à borla (para eles; pois lá haverá quem as pague e não é preciso ser-se muito inteligente para perceber quem são os pagantes) pelos quatro cantos do mundo (Mário Soares continua a ser o exemplo e deve deter o recorde. Se calhar fez mais viagens pelo mundo em 10 anos de presidência da república que João Paulo II fez em 26 anos de Pontificado) e todas as demais prerrogativas inerentes ao Poder? Procurarão o bem comum e a conveniência do país ou a sua própria conveniência pessoal? E por aqui me fico! Atente-se, por exemplo, no caso, aqui ao lado. A Família Real espanhola faz turismo no seu país, patrocina-o de várias formas. Astúrias, Maiorca, Canárias, etc. turismo fora de Espanha é uma excepção (em Portugal a situação é inversa)!
Quanto ao nosso amigo Sócrates, desta vez teve azar pois deu um tombo enquanto esquiava, ficando lesionado num joelho. Depois de ter dito o que achava disto tudo só posso concluir que nestas circunstâncias foi muito bem feito o que lhe aconteceu! Qualquer que seja o Governo e o Primeiro-Ministro – e este não é excepção como se vê em anteriores artigos – de mim terá todo o apoio quando toma medidas, que a meu ver, são úteis e indispensáveis para o país mas será fortemente criticado e terá a minha mais feroz hostilidade neste tipo de situações. Não me move a inveja nem o desejo que aconteça a terceiros aquilo que não quero que me aconteça a mim. Nestes casos o que move é não apenas a indignação pela a inutilidade ou inconveniência de certos actos com a preocupação de saber qual a proveniência do dinheiro que permite a realização de tão luxuosas e excêntricas férias de que gozam os nossos sucessivos governantes e outras iminências pardas enquanto Portugal e os portugueses (é verdade, como está na moda dizer; e as portuguesas) não passam da cepa torta. Com não me canso de dizer: «À mulher de César não lhe basta ser séria, é preciso parece-lo».

1 comentário:

Paulo Selão disse...

Eis o titulo do jornal 24 Horas de hoje: Sócrates passou as férias no hotel mais caro de uma estância na Suiça.
Está tudo dito!